Ela é tudo

3 De volta à ativa.


Notas iniciais
Quero agradecer muito pela recomendação! Confesso que não esperava NUNCA receber uma tão rápido... Na verdade eu não esperava receber nenhuma hahah! Obrigada mesmo ♥ E quem comentou tbm, já estão no meu coração ♥

Uma semana depois, já bem melhor do que quando cheguei, pude finalmente pegar minhas coisas de volta e guardá-las comigo bem escondidas, segundo Carol, ninguém podia manter armas consigo em suas casas, elas eram exclusivamente para àqueles que passavam do portão para fora.

Mas ninguém encosta na minha foice.

Muito menos a senhora “chefe” daqui de Alexandria, chamada Diana. Ela que ditava as regras, mas Rick chegou e ganhou sua confiança, por isso ela o trata como um filho e o deixa comandar, isso é segundo a língua dos demais, eu não posso afirmar nada por enquanto. Antes dessa harmonia acontecer, ambos tiveram um certo atrito que não me atrevi em querer saber, as coisas estavam boas demais para minha língua afiada estragar.

Minha perna já não doía mais, o que era ótimo em relação a descer e subir aquelas escadas.

Acabei conhecendo mais duas pessoas: Tara e Eugene, eles chegaram uns dias depois de mim, Rick havia os mandado para procurar mantimentos nas cidades vizinhas. Eram pessoas legais assim como os outros.

Daryl ainda não falava direito comigo, o que não é nenhuma novidade. Rick é totalmente o oposto, está sempre perguntando como estou e persiste naquilo até ter certeza do que estou falando. Obviamente me encontro muito bem, tudo por conta deles, se não fosse a hospitalidade e paciência…

— Wow! — Carl se abaixou ao meu lado enquanto polia meu brinquedinho — Ela é incrível!

— Eu sei. Fui eu mesmo que fiz. — disse orgulhosa de mim, admirando aquela belezinha que reluzia na luz.

— Sério? Foi você? — Carl arqueou as sobrancelhas espantado — Como fez isso?

— Achei uma placa de metal carbonizado, lixei, cortei e voilá! Quer pegar? — ofereci.

— Com certeza! — Carl se levantou com ela já em mãos — Imagina matar um zumbi com isso? — ele agia como uma criança ao ganhar seu doce favorito.

Rick apareceu no recinto.

— O que é isso? — perguntou dando quase um meio sorriso.

Levantei-me rápido ao vê-lo chegar.

— Uma foice! Alessa mesmo que fez! Acredita nisso? — Carl entregou para o pai analisar.

— Você mesma fez? — Rick perguntou e assenti. — Devo confessar, está muito boa! Nunca vi uma dessas tão bem feita. — me devolveu mantendo a simpatia.

— Obrigada.

— Carl, vá dar uma olhada na Judith, por favor, quero conversar a sós com a Alessa.

Confesso que fiquei tensa ao ouvir aquilo, lembro bem que “conversar a sós” sempre foi sinal de encrenca.

Acenei para Carl e esperamos o mesmo desaparecer do local.

— Fiz algo imprudente, xerife?

Rick sorriu, sim, pela milésima vez naquela semana. Era ótimo para mim que passou meses em meio aos destroços, ver pessoas felizes e com o bom humor aflorado.

— Longe disso… Vim aqui pedir para acompanhar Daryl em uma ronda. Toda semana ele sai e mata alguns zumbis que acabam aparecendo do lado de fora, e como todos os outros andam ocupados, decidi pedir à você, mas isso só se estiver recuperada.

Seria ótimo se o meu parceiro fosse outra pessoa.

— Já falou com ele?

— Já, ele não se opôs.

Interessante.

— Bom, se ele que mal falou comigo desde que cheguei, aceitou, quem sou eu para negar? É até bom, sabe? Não via a hora de voltar a matar essas pragas! — respirei aliviada.

— Mas tem certeza de que já está recuperada? Senão posso pedir para o Glenn acompanhá-lo.

— Muito obrigada pela preocupação, mas estou mais do que ótima! Nem sinto mais nada na perna, está tudo incrível. — toquei o local onde antes continha uma faixa.

— É sempre bom ter pessoas alegres e bem humoradas por aqui, dá uma cor a mais ao lugar.

— Estou às ordens, chefe! — bati continência — E quando começo?

— Amanhã mesmo. — respondeu e colocou o casaco — Tenho que ir, nos vemos mais tarde.

— Com certeza.

— Mas antes… Posso me dispor a te ajudar com armas de fogo?

A outra razão pela qual uso uma foice é meu medo de segurar um revólver. E ele já sabia disso.

— Claro, pode sim. — concordei.

— Então, até mais!

Rick se foi, e eu não me aguentei de alegria por saber que voltaria a ser útil e passaria a ajudá-los, finalmente.

Tudo bem que a pessoa na qual estaria comigo não ia muito com a minha cara, mas já era um começo.

A maioria já me conheciam como a garota da foice porque Carl se referia a mim como tal, ele de fato havia gostado daquilo.

A vizinhança era pacata, tirando alguns caras que me encaravam vez ou outra com cara de poucos amigos, mas qualquer coisa eu tinha a Fany – meu brinquedinho pontiagudo.

Aproveitei que estava sozinha e fui lavar a louça. Amava fazer isso na minha casa, sempre me desestressava.

— A garota da foice lavando louças?

Engoli seco e deixei um copo cair dentro da pia. Sustos e eu não formavam uma frase coerente.

— Uma hora vou acabar morrendo… — parei assim que me deparei com Daryl — Ah, é você. — voltei minha atenção para a louça, nada contente em tê-lo ali.

— Rick disse sobre a ronda?

— Sim. — respondi rápido.

— Você aceitou?

Bufei e voltei a olhá-lo.

— Claro que sim! Acha que vou continuar lavando a louça para sempre? — meu tom soou um pouco grosseiro.

— Eu não disse nada.

Contra fatos não há argumentos, então me calei, não vendo outra alternativa.

— Gente, Enid se feriu… — Carl entrou e falou desesperado, correndo para fora logo em seguida.

Larguei tudo e corri para averiguar o ocorrido. Daryl veio logo atrás.

Segui ele até onde Enid se encontrava caída com um pedaço de alumínio atravessado em sua panturrilha.

As pessoas já começavam a rodeá-la, mas aquilo nunca era bom.

— Mantenha eles longe dela. — foi a primeira coisa que pedi a Daryl desde que cheguei.

Ele notavelmente deu uma hesitada por ser uma ordem minha, mas vendo a situação, fez sem pestanejar.

— Oi. — disse ao me abaixar — Vai ficar tudo bem, ok?

— Está doendo! Muito! — Enid segurava a perna com força.

— Eu sei, mas vai passar, prometo. — a olhei nos olhos, passando segurança, e ela assentiu. — Carl, preciso que ache linha e alguma agulha, mas a esterilize antes, rápido! — pedi e não demorou nem dois segundos para que ele sumisse diante de mim. — Alguém traga álcool! Agora! — gritei às pressas — Vai doer um pouco, peço que seja forte. Pode fazer isso?

— Uhum. — foi só o que conseguiu emitir.

Rasguei parte da minha blusa e enrolei em minha mão para ter um apoio ao puxar aquilo do ferimento.

Tinha muito sangue e quase impossibilitava a minha visão, mas consegui segurar e arrancar.

O objeto possuía no mínimo uns oito centímetros de comprimento.

— Cadê a merda do álcool? — gritei de novo.

— Aqui! — Eugene apareceu com um vidro, em seguida a agulha e a linha também chegaram, facilitando a situação.

Depois de uns vinte minutos fazendo um procedimento doloroso, – pois ninguém tinha anestesia – terminei com êxito. Pude me orgulhar desse feito.

A panturrilha de Enid estava costurada, e ela já podia respirar.

— Agora tem que evitar pular o portão, pode ser? — falei ao ajudá-la a se levantar.

— Obrigada, Alessa. — ela agradeceu.

— Agradeça ao Carl, se ele não tivesse entrado como louco em casa, talvez agora sua perna já estivesse necrosada. — fui sincera, porque falei a realidade — Estou brincando. — contornei para não deixá-la traumatizada.

— Obrigado. — Carl sussurrou ao passar por mim, guiando a menina para a casa.

As pessoas começaram a se dispersar, voltando aos seus afazeres.

— Não pensei que fosse capaz de algo assim. — Daryl disse.

— Bom, a gente vê que você não pensa muito.

Deixei ele sozinho e segui de volta para a casa para terminar de fazer o que tinha começado.

Não gosto de tratar as pessoas desse jeito, mas ele pediu isso desde o começo, evitando falar comigo e fingindo que a minha existência era desnecessária.

***

Após um banho, fui para frente do espelho e comecei a pentear meu cabelo. O dia havia sido bem longo.

— Posso? — Rick apareceu na porta do quarto.

— Claro, a casa é sua. — guardei a escova para dar total atenção a ele.

— Carl me disse o que aconteceu com a Enid, e que você a salvou do pior.

— Ela iria ficar bem de todo jeito, só dei uma ajudinha. Nada de mais. — dei de ombros.

— Onde aprendeu?

— O quê?

— Fazer o que fez. Seu nome está sendo comentado por muitos. Foi eu mesmo que ouvi!

Deixei escapar um sorriso sem graça, existe um lado meu que não lida muito bem com elogios.

— Quando todas as coisas ainda eram normais, eu era enfermeira. Depois que o mundo começou a ser essa bagunça que é hoje, me ofereci para residir no exército. — expliquei, para não acharem que aquilo tudo havia sido encenação.

— Você realmente é uma caixinha de surpresas.

— Estou mais para um caixinha de Pandora. — ri da minha tentativa falha de fazer uma piada.

— Fico feliz por eles terem te encontrado na floresta. — Rick me pegou de surpresa ao dizer aquilo com seriedade, minhas bochechas queimaram instantaneamente. — É sempre bom ter pessoas que entendem do assunto por perto.

— Desse jeito vai faltar formas de te agradecer. — tentei não demonstrar meu desconforto.

— Continue sendo assim, do jeito que é, já é uma ótima forma de agradecimento. — seu olhar sobre mim era tão diferente, impossível de não questionar — Boa noite.

— Boa noite. — ao ter certeza de que o mesmo se encontrava longe o suficiente, soltei a respiração.

Ok… Isso foi um tanto quanto estranho, mais do que alguém pode imaginar.

***

Daryl vinha atrás enquanto eu tentava me manter o mais longe dele possível. E com certeza ele estava percebendo isso, mas não ousou falar nada.

Dois zumbis vinham em nossa direção, corri até um deles e cravei minha foice em sua cabeça antes mesmo daquela coisa tentar nos atacar.

— Maldito. — praguejei e chutei o corpo, mesmo que não adiantasse muito.

O outro foi flechado pelo meu parceiro, em cheio, com precisão. Pelo menos era bom em algo além de fazer voto de silêncio.

O olhei de relance, mas continuei andando.

— Se abaixa! — Daryl gritou e não deu tempo de pensar muito, só fiz o que ele disse e fui salva. — Por pouco sua distração não te mata. — passou por mim indo pegar a flecha presa no crânio do zumbi caído no chão.

— Agora quer falar comigo? — o ignorei — Não adianta, você não me salvou.

— Então da próxima vez… Preste atenção no que acontece à sua volta, porque não vou perder meu tempo contigo. — Daryl parou e ficou me encarando com aquela maldita expressão dos infernos.

Caminhei em sua direção, a fim de olhá-lo bem nos olhos.

— Porque aceitou que eu viesse contigo? Hum? Se não quer perder seu tempo, isso foi um pouco contraditório.

— Rick pediu. Ele quer te ver agindo ao invés de depender deles como estava fazendo. — rebateu.

Optei por não revidar, uma que: minha paciência já esgotou, e duas: um monte de zumbis estavam aparecendo.

— Faça o seu trabalho. — dei as costa para ele e comecei a atacar aqueles monstros, descontei toda minha raiva neles, ainda bem que não estavam vivos.

Pensei que poderia ser diferente, que a convivência pudesse mudar o que ele pensa sobre mim, se é que pensa alguma coisa, mas não, aquele monte de carne agia feito um neandertal e só se importava com aqueles que já conhecia.

Eu não sou boa o suficiente para tê-lo como amigo. Foda-se. Isso é questão de sobrevivência, não vou forçar simpatia.

Algumas horas mais tarde, depois de fazer uma chacina do lado de fora do muro, pude agradecer por voltar para a casa e me separar daquele encosto.

Daryl não entrou, mas eu sim.

— Pelo visto foi emocionante… — Carl deu risada ao me ver.

— Foi é chato! — virei o copo de água — Poderia ter feito sozinha.

— Não vou querer saber dos detalhes.

Revirei os olhos.

— Onde estão todos?

— Michonne e meu pai estão trabalhando. Carol está ajudando com a distribuição de mantimentos. Glenn e Maggie, não sei.

— Certo. — suspirei — Enid está melhor?

— Está sim, ela ficou muito grata por ter a ajudado.

— Todo mundo tem que ajudar todo mundo. — pisquei e coloquei o copo na pia.

De repente ouvimos barulhos de tiro do lado de fora.

— Meu Deus…

Saímos correndo em direção à varanda e dali podemos ver Michonne, Rick e Daryl atirando contra zumbis.

Como eles entraram aqui?

Desci a pequena escadaria rapidamente e retirei a foice que ficava presa por uma fivela no meu quadril. Comecei a atacá-los juntamente dos outros. Carl apanhou sua espingarda e se juntou a nós.

— Como isso aconteceu? — perguntei em um grito.

— Alguém deve ter falecido e consequentemente, mordeu todos da família. — Michonne que estava mais perto de mim, respondeu.

— Pronto. — Rick limpou sua testa, ele ofegava bastante — Foi o último.

— Será? — jamais aceitei um veredito assim, tão rápido.

— O que pode ter acontecido? — Daryl abaixou sua crossbow e nos olhou.

— Alguém ficou gravemente doente e só percebeu quando era tarde demais. — Michonne puxou toda a sua respiração e olhou em volta.

— Se é que percebeu. — guardei minha foice no lugar de sempre — Temos que falar com a Diana.

— Ouvimos barulhos de tiros… O que houve? — Glenn apareceu com Maggie ao lado e olharam para os corpos — Zumbis? Como entraram?

— Não entraram. — Rick respondeu — Morreram aqui dentro.

— E então decidiram se multiplicar. — bufei fazendo caretas para eles no chão.

— E se for uma doença? Igual aquela que se espalhou quando estávamos na prisão? A gente vai correr perigo. — Maggie falou.

— Doença? Acho que perdi essa parte. — ergui a mão, me sentindo por fora.

— Foi quando nós nos escondemos em uma prisão. Pessoas morreram e foi uma tremenda dor de cabeça! — Rick olhou em volta — Se isso acontecer aqui, vai ser duas vezes pior.

— Posso examiná-los. Um por um, para ter certeza. — ofereci-me.

— Você é médica? — Glenn dirigiu-se a mim.

— Não, eu sou…

— Ela foi enfermeira no exército. — Rick tomou a frente, me olhando.

Por pouco tempo. — deixei claro para que ninguém pensasse que eu era um deus.

— Para isso temos que conversar com a Diana, primeiro. — Michonne constatou.

— Foi o que eu disse.

— Que tal pararmos de enrolação e começarmos a agir? Se realmente for um vírus, ele já deve estar se espalhando.

O senhor da razão abriu a boca. Bravo.

Não consegui deixar de esboçar minha cara de quem havia odiado ouvir sua voz.

— Então, vamos! — Carl falou pela primeira vez desde que havia chegado.

Aquele dia tinha sido um dos mais cansativos que eu já tive em toda a minha vida, mas posso lidar com isso do mesmo modo que lidei com toda essa tragédia até hoje, basta viver um pouco de cada vez.

Depois do ataque inesperado daqueles zumbis, fomos falar com Diana, a mesma aceitou minha ideia de examinar todos no dia seguinte, o que foi ótimo, pois não dá para viver em um lugar com pessoas infectadas e por em risco tantas crianças.

A desova dos corpos apodrecidos daqueles seres imundos ficou por conta de Sasha, até me ofereci para ajudar, mas ela preferia fazer aquilo sozinha. Respeitei sua decisão e voltei para casa.

Agora, aqui estou eu pensando em como as coisas mudaram de uns tempos para cá, o quanto amadureci e o quão necessário foi isso. Quem diria que a menina mimada e criada com tanto carinho e cuidado iria se tornar uma sobrevivente? Se anos atrás alguém me perguntasse como sobreviver em um apocalipse zumbi, com certeza riria muito e deixava claro que pensar nisso era uma tremenda besteira.

Sinto saudades da minha família e dói toda vez que imagino o quão duro foi o final deles, sendo comidos vivos e vendo a morte dançar diante dos seus olhos, quase que literalmente.

E então me capturaram… Três anos sendo mantida como troféu de um homem asqueroso e que achava que todos tinham que beijar seus pés. Foi a pior fase, até mesmo pior do que enfrentar esses acontecimentos. Por sorte consegui fugir e me aliar à pessoas do bem que até semanas atrás estavam comigo, vivos.

Não vou mentir que agora estou com medo de perder essas pessoas também. Foram todos muito hospitaleiros e devo minha vida à eles, até mesmo para o intragável do Daryl.

— O que faz aí no escuro?

Ergui o rosto, vendo Michonne surgir e se sentar ao meu lado.

— Pensando.

— Ainda encontra tempo para isso? — Michonne deu um meio sorriso.

— Infelizmente existem coisas que não consegui tirar da minha cabeça e às vezes preciso pensar nelas para agradecer por ter as superado.

— Concordo. — Michonne suspirou — Qual é a sua história?

— Não sei se consigo contar para alguém…

— Quer saber a minha? Pode ser que se sinta melhor ou pelo menos saiba que não está sozinha. — concordei e esperei ela continuar — Eu tive uma família. Meu filho era lindo, cheio de vida assim como meu companheiro, eu os amava muito, só que o inevitável aconteceu. — pude sentir o peso de suas palavras — E pela primeira vez me vi sozinha, sem ninguém em um mundo destruído. Pensei que não teria forças para continuar e que todo esforço era perda de tempo, mas agora, estando rodeada de pessoas boas, consigo ver que até mesmo a pior das tragédias se torna necessária em algum momento de nossas vidas.

— Você tinha um filho? — foi o que consegui digerir daquilo tudo.

— É. Ele era uma criança adorável, bem esperto para a pouquíssima idade.

— Às vezes eu queria fazer algo para mudar toda essa situação! Eu queria… Queria fazer parar e fazer as pessoas terem compaixão uma pelas outras novamente. Esse apocalipse não nos trouxe só zumbis, ele trouxe o ódio em todos nós. — minhas palavras saíram mais melancólicas do que o previsto.

— Não podemos salvar o mundo, mas podemos fazer a nossa parte, como agora, nós estamos tentando e isso basta.

Concordei com tristeza e virei meu rosto.

— Fui mantida em cativeiro por um homem. — disparei, me sentindo confortável o suficiente para me abrir com ela.

— Em cativeiro? Por um homem? — havia indignação em sua voz.

— Aconteceu uns dias depois que abandonei minha casa por conta do ataque que teve. Fui a única em sobreviver enquanto via minha família sendo desfigurada. — engoli seco com a lembrança — E eu me encontrava na estrada deserta, já pensando no pior… Não tinha nada com o que me proteger.

— Quem era o homem, Alessa? — Michonne colocou a mão em meu ombro.

— Não quero falar sobre ele, mas era uma pessoa má, muito má. — senti as lágrimas brotarem em meus olhos — Me obrigava a fazer coisas que…

— Não precisa dizer. Isso não vai te fazer bem. — ela me abraçou — Está segura agora, com a gente, nós somos seus amigos e nada de ruim vai acontecer contigo de novo, tudo bem?

Assenti, sentindo pela primeira vez segurança naquelas palavras.