Ela quebrou o farol do namorado

1 Ela quebrou o farol do namorado


Notas iniciais


Por algum motivo, eu sempre quis quebrar um farol de carro, essa é uma das coisas que quero fazer antes de morrer.

Final de tarde, o céu é laranja, a alma dela é laranja, todo mundo sabe. Ela cheira a verão e brigou com o namorado, dessa vez não tem volta. Comprou um vestido novo para ir vê-lo, mas não há mais namoro, o vestido assistiu tudo em silêncio para não ser reembolsado, mas ele queria era rodopiar, sacudir-se no corpo da morena, mas só houve lágrimas da parte dela, alguns xingamentos, que foram abafados pelas lágrimas. Lágrimas. Lágrimas.

Ela não sabia que estava chorando, não, ela é laranja demais para admitir isso.

E ela foi embora, salto alto trincando no chão, expressão de dor substituída pela da raiva. O céu laranja refletido em seu corpo, em seu vestido, em sua alma, era lindo. Lindo. Lindo.

Ela pegou uma pedra, que ela imaginava ser um coração, e jogou a pedra-coração no farol do carro do seu já ex-namorado. Ela quebrou o farol dele! Sim, o verão quebrou o farol do carro, e ele usava um vestido novo que dançava durante o ato! E tudo era laranja!

Ela então foi embora, subiu a Avenida da Quimera, contornou a rua da última Morada e saiu na rua São Luís, onde passou um carro sem farol, e a matou atropelada. Atropelada. Atropelada.

O vestido novo rodopiava, sacudia-se no corpo da morena, durante as lágrimas, lágrimas, lágrimas dela, era lindo, lindo, lindo, o vestido na morena atropelada, atropelada, atropelada.

Notas finais


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