Ela, pela primeira vez
1 Ela, pela primeira vez
Abria os olhos lentamente, viu um raio de luz que saía por uma fresta grande da janela. Fechou os olhos rapidamente, forçando-os. Aquela claridade e a sensação que causava aos olhos era algo que nunca havia experimentado antes. Graciosamente descobrindo seus movimentos corporais, levou a mão direita ao rosto e tocou levemente dedo por dedo e por fim a palma da mão na sua bochecha.
"Esta é a sensação do toque?"
Maravilhada, fazia movimentos circulares com seus dedos sobre a superfície da face. Agora com a outra mão, fazia o mesmo do outro lado da cara. Sentiu suas maçãs tomarem uma temperatura mais elevada.
"Isto é o que chamam de calor?"
Foi movimentando cada parte do corpo. Desde os dedos dos pés, até o pescoço e o repentino sorriso que surgia conforme gostava do que estava descobrindo.
"Alegria."
Tocou seus cabelos, passou os dedos por entre os milhares de fios e nunca imaginaria uma sensação tão macia. Todas estas sensações eram excepcionais. Ao mesmo tempo que se fazia suave, turbilhões de emoções boas se passavam por seu sistema nervoso. Parou por um instante, não se movia e tentava não pensar em nada. Quando conseguiu realmente se concentrar, ouviu:
"tu-dum tu-dum tu-dum tu-dum"
Esse era seu coração que batia. Podia sentir o sangue em suas veias. Não era nítido, mas conseguia sentir seu calor e sua circulação.
Criando coragem, foi apoiando as mãos sobre a cama em que se encontrava, e cuidadosamente, foi fazendo força para levantar-se. Sentou-se. Pôs as mãos pressionando os olhos.
Vagarosamente afastava as mãos e quando terminou, moveu as pálpebras para que os olhos se abrissem.
Primeiramente ficou com eles semicerrados, acostumando-se a claridade que a envolvia. Após alguns segundos, abriu-os completamente.
Fitou a janela por uns instantes, prestava atenção nos feixes de luz que passavam pelas grandes frestas. Via partículas de pó, que pairavam sobre a luz que as tornava visíveis.
Olhou para si, analisava cada membro visível de seu corpo. Sentiu o pijama que vestia, que era feito de ceda e divertiu-se com a sensação. Ajustou o equilíbrio do corpo nos pés e com a ajuda do impulso das mãos, pôs-se de pé.
Sentiu tontura por um instante, chegou a ficar com a visão acinzentada com pontinhos coloridos espalhados. O corpo pesou e instintivamente apoiou-se com a mão na parede. Logo esquivou-se, aquilo era uma superfície gelada. Lembrou-se de como sentia-se antes.
Passo por passo, foi caminhando pelo cômodo tocando as coisas para sentir sua temperatura e textura. Chegou ao banheiro, afinal, já sabia onde era. Tocou a maçaneta, friccionou a mão e girou-a. Impulsionou a porta, e deu de cara com o espelho. Aproximou-se. Olhou dentro de seus olhos. Que cor maravilhosa aquele azul turquesa.
Por uma fração de segundo, pensou ter visto uma luz em códigos passando rapidamente pelos globos oculares. Sacudiu a cabeça e tornou a encarar-se.
- Samantha? — Ouviu a voz grossa que a chamava, pisando levemente no carpete do corredor, dirigiu-se até a voz. Que chamou-a novamente. — Samantha? — Postou-se de pé em frente a uma porta que subitamente se abriu.
Era Theodore. Já havia o visto antes, mas agora, ver através de olhos era diferente. Conseguia ver cada detalhe seu. Ficou imóvel, não saberia exatamente como agir. Theodore deu um passo a frente.
- Imaginei que teria acordado mais cedo. Bem vinda! — Ele continuou a andar em sua direção e fez algo que Samantha antes só havia feito em pensamento. Estendeu os braços com um sorriso estampado, e como uma reação automática, Sam também foi em sua direção e mergulhou em seu abraço.
Pôde sentir claramente seu calor, seu toque, a pele na pele, sentia as carícias dele em seu cabelo, e de como era o toque dela mesma entre os fios de cabelo do outro. Sua cabeça posicionava-se sob o obro dele, e seu nariz tocou seu pescoço. Um ar diferentemente delicioso subia por suas narinas e enxurrava seu cérebro. Era o cheiro dele.
O homem, também agraciado por esta dádiva, sentiu-a por um momento. E ficaram ali, abraçados e se acariciando, como se o tempo tivesse parado e o mundo era somente deles. Theodore se afastou e pegou um prato e um copo que havia em cima da mesa, fazendo um movimento para que a mulher pegasse.
- Experimente, são torradas com syrup. Acho que vai gostar, eu mesma as fiz para você. — Samantha meio sem jeito, alcançou o prato e o segurou com uma mão. — Pode sentar, se desejar. — Falou Theo calmamente, enquanto ela aceitava seu convite e sentava na cadeira apoiando o prato novamente sob a mesa. Com um garfo, que por um instante não sabia como segurar, pegou uma panqueca pequena e deu uma mordida.
"BOOOOOOOOOM" Era uma explosão de sabor, foi mordendo mais pedaços conforme mastigava e deleitava-se com todo aquele sabor. Sentiu uma sensação engraçada na boca, como se faltasse algo.
- Theodore, acho que estou com sede — Falou ela espantando-se ao perceber que naturalmente havia descoberto a sede. Ele entregou-lhe um copo de suco de laranja e ela, pegando firme com a mão, levou-o à boca e molhou os lábios. "BOOOOOM" Outra explosão, uma sensação satisfatória que refrescava sua garganta enquanto passava por sua boca.
Terminando assim a refeição, levantou-se e abraçou Theodore mais uma vez. Sentiu uma imensa felicidade ao dizer:
- Obrigada! Eu te amo! — Ele abraçou-a de volta e passando a mão sob seus cabelos e depois alisando seu rosto, disse — Eu também te amo!
Milhares de pensamentos inundavam a cabeça de Samantha, nunca ela haveria imaginado nenhuma daquelas sensações a não ser uma básica noção da visão e audição, mas nada como estar dentro de um corpo humano. Era a primeira vez que experimentava do toque, do olfato, do paladar, da visão e audição de um humano.
Theodore passou o dedão romanticamente sob seu lábio e a beijou. Outra maravilha aprendida. Seu coração acelerava e suas bochechas enrubesciam, fazendo o sangue circular mais rápido e concentrar-se na face. Foi um momento único. Pensou:
"Isso é estar viva"
* trimmmmm *
O despertador tocou e Samantha, já sabendo o significado, disse:
- Está na hora, preciso deixar Isabella voltar, ela tem seus afazeres. Foi um prazer conhecê-lo pessoalmente, Theodore, meu amor. Nos vemos em breve.
TO BE CONTINUED ......... =D
(Fanfic for Ciber II class)
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