Ela, o meu veneno
1 Mudanças
Notas iniciais
Meu celular apitou no meio da madrugada. Eu havia esquecido de colocá-lo no silencioso, novamente, e o som da droga da notificação de um novo e-mail me acordou. Apertei em "ler mensagem" mas antes que pudesse prosseguir, fui surpreendido por uma mensagem no WhatsApp do meu melhor amigo, o Dennis. O pai dele havia morrido há exatos 15 minutos, vítima de um enfarte fulminante. Ele ainda estava no hospital quando pensou em me ligar para dar a notícia.
— Desculpa te acordar. Você estava dormindo, não estava? Eu só precisava falar com alguém agora.
A voz dele estava trêmula, cada palavra que ele dizia tinha uma tonalidade diferente. Tentei mantê-lo calmo e dizer que estava tudo bem e que ele podia me ligar quando bem entendesse, caso fosse necessário.
— Eu preciso tomar um porre, sabe? Esquecer um pouco esse lance de hospital. Passei 20 dias aqui, ao lado dele, até que ele veio a falecer hoje. Preciso de algo pra me animar, qualquer coisa. Topa?
Olhei no relógio do celular e eram 3 horas da manhã. Meu instinto de aventura me dizia que eu estava realmente precisando fazer algo fora da rotina, e o meu bom senso gargalhava e retrucava "São 3 horas da manhã. Volta pra cama, caralho".
— Alô? Jonas? Tá na linha ainda?
Demorei vários segundos, indeciso, até por fim responder:
— Pra onde você quer ir? Só preciso tomar um banho e tirar esse cheiro de cerveja barata primeiro.
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