Ela era uma estrela...
1 ... e ela caiu.
Notas iniciais
Sempre foi fácil para Ashara fazer os homens se apaixonarem por si, contudo nunca foi fácil para eles receberem a reciproca. A verdade é que a garota tinha medo. Ela se buscou prazer e paixões envolventes para fugir do amor. E isso sempre funcionou bem, até o dia em que ela conheceu Brandon.
Tudo era mais simples antes, sem ele. Ela não era o tipo de mulher que tinha altas ambições e, mesmo assim, chegou mais longe do que muitas.
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Desde pequena, Ashara brincava nas areias de Dorne, com Elia, Oberyn e seu irmão Arthur, ele foi o primeiro a deixa-la, para servir a um cavaleiro qualquer. Se despedir de Arthur foi uma das coisas mais doloridas que ela já tivera que fazer. Ela chorou durante toda a noite, no colo de Elia e ela poderia jurar que, em determinado momento, a amiga também chorou. Ash entendeu que não era a única a ter o coração partido pela partida de Arthur.
E, pouco tempo depois, ela começou a notar que já não era mais uma criança. Era uma mulher. E, como tal, tinha suas vantagens. Ser nascida em Dorne lhe proporcionou muitas coisas, entre elas a liberdade sexual.
Ela teve inúmeros amantes. E, mesmo assim, sentia-se vazia.
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Quando Elia foi prometida a Rhaegar Targaryen e mandada para Porto Real, Ashara foi junto, como dama de companhia. Elia estava assustada e, como sua melhor amiga, Ashara não a deixaria sozinha. Além de tudo, seu irmão estava lá e eles poderiam ser uma família novamente. Ela acreditou que poderia ser realmente feliz.
No início, tudo era fascinante. Os homens eram mais corteses e a Fortaleza Vermelha cheia de mistério. Contudo, ela odiava o fedor da cidade e os vestidos apertados. E, depois de um tempo, as coisas foram perdendo a graça e tudo que ela mais queria era voltar a sentir o sol de Dorne em sua pele.
Às vezes, os três dorneses se juntavam no quarto da futura rainha Elia e dividiam lembranças e a saudade de casa.
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Porto Real era tediante, ela concluiu, após alguns anos.
Muitos descordariam, mas a maioria das pessoas não estavam atrás do mesmo tipo de aventura que ela. A maioria das pessoas se contentam em ficarem presas, ela queria ser livre.
Tudo que poderia mudar a mesma rotina era o rei queimando pessoas. Isso não a assustava tanto quanto deveria, ela era grata por ele nem saber o seu nome. Entretanto Ashara temia por Elia e Arthur, mas gostava de pensar que Rhaegar os deixaria seguros. Deuses, ela rezava todas as noites para a segurança dos dois.
Quando Elia ficou grávida da primeira criança, Rhaenys, o castelo celebrou. Ashara estava com ela quando a menina veio ao mundo, ela sorriu e abraçou a amiga.
Rhae era Dorne e, de alguma forma, isso fez com que Ashara e Elia se sentissem mais próximas de casa.
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Quando viu Brandon pela primeira vez, ela pensou que ele deveria ser algum tipo de deus vindo de outras terras. Era alto, bonito, forte e terrivelmente galanteador. Ashara nem ao menos conseguia se importar com o fato dele ser noivo. Ela nunca aspirou ser Senhora de lugar nenhum.
Eles dançaram juntos no banquete oferecido pelo rei, em Harrenhal. Giraram pelo salão e qualquer um que visse os dois juntos poderiam jurar que eram um casal. Depois, ele lhe pediu que dançasse com seu irmão, Ned, e ela o fez. Eddard era tímido e frio demais. Ashara desejou que Brandon voltasse para seus braços. E foi o que ele fez, mais tarde, e em várias outras noites. Ele foi o único capaz de fazer os olhos de Ashara brilharem enquanto a tomava como sua.
Ela nunca pensou que poderia encontrar prazer e amor em uma pessoa só. Mas deuses, ela havia encontrado.
Ashara se apaixonou rapidamente e intensamente. Sem nem ao menos ter tempo de resistir.
— Eu vou desfazer meu casamento com Catelyn – Ele sussurrou, o rosto enterrado em seus cabelos escuros. – E então eu venho buscar você e nós vamos correr para alguma Cidade Livre e ter vários filhos belos e sedutores.
Ela ri e pensa que essa uma boa ideia. Pela primeira vez, ela deseja com todas as suas forças que sonhos pudessem se realizar.
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Ashara desejou que Brandon tivesse ganhado o torneio. Não porque ela queria a maldita coroa de rosas. Mas porque Elia não merecia a dor de ver outra mulher ganhar o olhar de seu marido.
Ela queria voar em Rhaegar e arrancar seu coração fora, mas não podia.
Acima de tudo, ela ansiou poder segurar Brandon, antes que ele fizesse uma besteira qualquer.
Entretanto, antes que pudesse tomar alguma atitude, o Príncipe sequestrou Lyanna Stark e fugiu para algum lugar.
Naquela noite Brandon estava furioso, mal conseguia encara-la e, pela primeira vez, ele lhe assustou.
Na manhã seguinte ela acordou sozinha na cama, e, quando saiu para o pátio, os nortenhos já tinham partido.
No fundo, ela soube que tudo acabaria mal e isso era aterrorizante.
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Ela nunca foi o tipo de mulher devota. Na verdade, mal sabia duas orações.
Mas Ashara rezou. Rezou como nunca. Rezou para que a Donzela protegesse Lyanna Stark, ela era muito nova para toda aquela situação. Para que a Mãe desse forças a Elia, que estava prestes a dar à luz novamente. O Guerreiro pudesse dar forças a Brandon para que ele voltasse a ela, porque ele prometeu, ele prometeu que voltaria para ela.
No final, os deuses não lhe deram ouvidos.
Após Elia dar à luz a Aegon, Ashara foi mandada de volta para Dorne.
— Porto Real não é seguro. – Foi o que Arthur lhe disse e ela não tinha escolhas.
Quando chegou lá, Ash descobriu que esperava um filho. Um lobo ou loba. E foi o momento mais feliz de sua vida. Porém, durou pouco. Dias depois uma carta chegou, falando que Brandon havia sido queimado junto com o pai, em Porto Real.
Seu coração parecia em chamas também. Foi a pior dor que ela já sentiu. Ashara gritou, quebrou coisas. Ninguém atreveu-se a entrar no quarto da mulher. Sua dor poderia ser sentida por todo o reino. Ela gritou até sua voz ficar rouca e sentir o gosto de sangue. Chorou até dormir e, no outro dia, ela não tinha forças para levantar.
Estava destruída. Os deuses eram cruéis, eles tinham prazer em quebrar corações.
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Tudo que ela podia fazer era esperar. Esperar e esperar para que algo mudasse. Esperar que seu irmão voltasse e tudo ficasse bem.
Ela esperou até que mais cartas chegaram. Rhaegar estava morto, Robert havia lhe matado no Tridente e agora estava prestes a tomar Porto Real e virar Rei.
Ashara nem ao menos sentiu-se mal pelo Principe Dragão. Seus pensamentos estavam em Elia, que não merecia nada daquilo, em Arthur, que provavelmente estava com a irmã de Brandon – seu Brandon, ó deuses, seu coração parecia em brasas só de lembrar o nome dele -, em Rhaenys e Aegon, que eram apenas crianças.
Quando soube o que os Lannister haviam feito com Elia e as crianças, Ashara pensava que não havia mais lágrimas para derrubar, que nem todo o choro do mundo poderia aliviar a dor que lhe dilacerava por dentro. Mas ela esteve errada, deuses, suas lágrimas eram tantas que ela pode jurar que em breve se afogaria em um mar de dor.
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Ela se lembrava de Ned. O sorriso tímido e a voz rouca. Ela se lembrava do Ned-menino. E quem fora lhe entregar a espada de Arthur era o Ned-homem. Alguém mudado pela guerra e escolhas difíceis.
— Ele me pediu que lhe entregasse. – Eddard lhe disse, colocando a espada em um canto e olhando para Ashara. Seus olhos pareciam machucados pela mesma dor que ela sentia.
— O que houve com sua irmã?
— Lyanna morreu. – E então, Brandon havia morrido em vão. Toda luta, todas as mortes, tudo havia sido feito para uma mulher que nem ao menos pode sobreviver para fazer com que a verdadeira história fosse ouvida. Ela não sabia de quem tinha mais pena. Era uma ironia amarga demais.
— Eu sinto muito.
— Eu também sinto. Por Arthur.
Ela assentiu. E foi só então que Eddard notou a gravidez já adianta da dornesa.
— Brandon? – Ele lhe perguntou. Ela não respondeu, seus olhos aguados já eram o suficiente para ele entender. – Se precisar de algo...
— Eu sei. Obrigada.
E então ele se foi... E ela gritou. Não havia espaço para o luto, não havia tempo para as vidas que se foram, pois uma nova estava vindo.
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Quando lhe entregaram seu bebê, já sem vida, Ashara pensou que os deuses haviam lhe escolhido para ser a piada principal em seu espetáculo. Era terrível. Haviam lhe tirado tudo, absolutamente tudo e agora não havia nada que lhe mante-se inteira.
Naquela noite, ela subiu até a torre mais alta. As pedras machucando seus pés e o vento fazendo a camisola grudar em sua pele.
Era uma vez, uma garota muito bela. Que conheceu um Senhor galanteador. Eles se amavam. Mas o fogo do dragão, a fúria dos veados e a frieza dos deuses acabaram destruindo seu final feliz.
Era uma vez, Ashara Dayne. Uma mulher que não seria lembrada como a mais corajosa, a mais bondosa e talvez nem a mais bela. Ela não tinha planos de ficar na história. Mas ela subiu alto demais, como uma estrela, e caiu entre as rochas.
Ashara era a verdadeira Estrela da Manhã, que brilhou mais que todas as outras. Seu nome pode ser esquecido, mas ela jamais será apagada.
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