Ela disse, Ele disse
37 Imperdível
Notas iniciais
– Ele era lindo demais! — Natalia falava por todos os buracos sem parar um minuto. Minha respiração ficou falha sem que eu pudesse me dar conta ou controlar.
– E-e vocês conversaram muito? — perguntei como quem não quer nada, afinal, isso realmente não me importava. Ou não deveria.
– Mais ou menos, parece que o amigo dele não tava muito bem por causa da bebida e ele foi embora, mas trocamos os números. — respirei fundo de novo, dessa vez tentando disfarçar, afinal Nat estava sentada a minha frente, em cima da bancada, enquanto tomávamos café.
– Ahn...sei...e vocês vão sair? — perguntei jurando para que ela achasse apenas que eu era uma amiga curiosa.
– Espero que sim, ele ficou de me ligar...- ela disse levando o copo de café até a pia saltitando — porque ele era ma-ra-vi-lho-so! — bateu palmas e saiu rebolando corredor adentro.
(...)
– Nossa, esse café tá horrível! — Alan reclamou enquanto se esforçava para engolir.
– Sem açúcar! — disse malcriado enquanto sentava no sofá da sala o observando de cara feia.
– Fala sério! Isso tá piorando minha ressaca! — ele ralhou e eu revirei os olhos.
– Aposto que não! E esse café ai, tem que ser bem amargo mesmo, pra você melhorar! Me agradeça por ter te trazido pra casa, deixei uma gata maravilhosa naquela festa por sua causa! — falei irritado e Alan arregalou os olhos castanhos.
– Caramba tu não perde tempo hein? Quem era essa que eu não vi? — ele perguntou animado sentando na poltrona em frente ao sofá com o copo de café na mão.
– Uma morena gostosa pra cassete! Tava vestida de Cleópatra...queria eu ser o faraó daquela delícia...- falei malicioso arrancando um sorriso canalha de Alan. Realmente Nat era muito bonita. Mas ninguém nunca chegaria perto de Isabella, pra mim.
– Pegou o telefone pelo menos? — ele perguntou enquanto olhava uma folha grande em mãos.
– Claro...daqui a pouco vou ligar pra aquela gatinha...- falei girando o celular em mãos. — Mas vem cá, que é isso ai? — falei apontando com o queixo para folha que ele segurava.
– Ah! Isso aqui é o folder com a lista dos lutadores que vão competir amanhã cedo...- ele me entregou a folha e eu observei bem alguém que me chamou atenção.
– Vem cá...você conhece essa daqui? — apontei para a lutadora na primeira fileira da faixa feminina.
– Ah...essa daí eu infelizmente conheço...- torceu o nariz e revirou os olhos, tomando outro gole de café. Pela minha cara de interrogação, ele deve ter entendido que eu queria saber mais. — Ela treina na mesma academia que eu, vamos lutar pela mesma, aliás, viemos juntos de Berlim, aguento essa insuportável faz tempo... Mas, porque o interesse? — perguntou enquanto levava o copo até a pia da cozinha.
– Foi essa a gata que eu falei, da festa de ontem...- falei distraído enquanto Alan se engasgou e quase cuspiu todo o café que havia tomado. — Calma cara...que foi? Cê tá bem? — perguntei preocupado.
– Na-não foi nada...- ele coçou a nuca e eu ergui uma das sobrancelhas. — Então, cê quer pegar a Nat é? — perguntou interessado.
– É...ela me pareceu bem interessante, quem sabe amanhã depois da luta, nós não comemoramos juntos a vitória dela...- sorri maliciosamente e Alan tossiu engasgado de novo me chamando atenção. — Alan, você comeu alguma coisa que tem alergia? Quer um copo d'água? — ele negou e coçou a nuca de novo.
– E-eu acho melhor ir descansar, essa ressaca não veio em boa hora...- e saiu apressado me deixando confuso.
(...)
Chegamos na arena que já estava cheia. O ringue montado dava um ar de tensão. Aquilo não era mais brincadeira e sim uma competição que os lutadores dariam o melhor de si.
– Bella! — Nat me chamou atenção apontando para uma ala com cadeiras bem em frente ao ringue. — Você vai ficar por lá ok? Essa é sua pulseira. — me entregou uma pulseira azul — vou ter que ir me aquecer, mas você pode ir sentar se quiser, me deseje sorte! — mandou um beijo no ar e saiu andando.
Fiquei olhando por mais alguns minutos o local, quando ouvi uma voz familiar.
– Perdida Bella? — ele falou ao meu ouvido, e involuntariamente eu senti os pelos do meu braço se arrepiarem. Fechei os olhos e contei mentalmente até três, não ia ceder agora, depois desse tempo todo. Girei o corpo em direção à ele e o observei atentamente. Estava mais bonito que antes, se é que era possível.
– Não, sei muito bem onde estou, e você, o que faz aqui? — ergui uma sobrancelha e ele sorriu de lado.
– Vim prestigiar a grande campeã da noite...Natalia Barreto! — ele disse com um sorriso canalha e eu arregalei os olhos, tentando controlar meu susto. — E claro, também, meu colega de apartamento, Alan Menezes...- disse enquanto apontava para o garoto que eu vi outro dia na academia onde Nat treinava. Um estalo se fez na minha mente, e de repente, eu não era mais a garota intimidada.
– E você acha que eu não o conheço? — perguntei irônica vendo Alan se juntar a nós — Ele treina com a minha amiga Nat, e eu vou adorar vê-lo ganhar não é Alan? — falei passando um dos braços pelos ombros do lutador que pareceu surpreso.
– Ahn...mas é claro que sim né gatinha? — ele piscou pra mim com um sorriso cafajeste e ouvi Pedro bufar a nossa frente.
Foi então que ouvimos o apresentador do campeonato anunciando que logo a luta iria começar e que os lutadores deveriam estar juntos de suas academias e seus respectivos treinadores. Alan se despediu de nós e se encaminhou para o mesmo lugar que Nat havia ido. Pedro então olhou pra mim cerrando os olhos com aquele sorriso insuportável e me provocou, balançando a pulseira azul que anunciava que ele ficaria na mesma ala vip que eu, que ainda segurava a minha em mãos.
– Então? Vamos sentar Bellinha? Aposto que hoje vai ser imperdível!
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