Ela
1 One-Shot
Ela
Um ruído súbito e ele abriu os olhos sem demora. Sobre a mesa, o poema que escrevia para a amada, seu sangue se misturando à tinta da caneta. Tocou seus lábios e teve os dedos tingidos de rubro. Dor. Frustração. Surpresa. Um verdadeiro mosaico de sentimentos e sensações.
Foi então que se lembrou do som. Em sua mente, identificou-o. O engatilhar de uma arma. Trêmulo da cabeça aos pés, virou-se para trás ainda sentado na cadeira, com medo do que veria. Ao botar os olhos nela, estremeceu. Sentiu o suor lhe encharcar a camisa. Começou a piscar freneticamente.
Lá estava ela.
Sim, uma frase clichê para explicar o que ele pensava, para mostrar as palavras que pulsavam em sua cabeça, assim como seu coração batia no peito como um mecanismo incontrolável. Na sala só havia ela. Ao menos era apenas isso que ele via.
– Você! – exclamou por fim.
Ela sorriu. Tateava a arma em suas mãos. Na verdade, chegava a acariciar o revólver, como fizera com as partes íntimas dele diversas vezes. Mas aqueles dedos de unhas pintadas de verde não mais representavam amor e prazer. Apenas loucura, fúria e um desejo incontrolável de vingança.
– Esperava outra pessoa? – indagou ela em tom diabólico.
Ele não sabia o que responder. Não conseguiria nem gritar de pavor se quisesse. Estava sem escapatória. Que fazer? Que pensar? Como agir? Teria ele uma última chance?
BANG!
Ela riu alto. A bala descreveu rota perfeita na direção da testa da vítima indefesa e já ferida. Não houve tempo para mais nada, nem ao menos para que ele visse sua vida inteira passar como num relâmpago diante de seus olhos.
A assassina continuou rindo. Estava vingada. Sobre o poema, agora, apenas tinta, mais sangue e massa encefálica... Apenas isso...
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