Ela
1 Capítulo 1 - Único
Notas iniciais
Antes de começar a narrar minha história, preciso fazer algumas perguntas a você, leitor.
Você já esteve apaixonado alguma vez? Já sentiu um frio percorrer sua espinha, as mãos suadas, a boca seca, as pernas trêmulas, o coração acelerado, por apenas olhar de longe a pessoa amada? Já se sentiu como adolescente, embora já fosse maior de idade há muito tempo? Já amou tanto uma pessoa que chegou a pensar que ia enlouquecer? E por amá-la demais, tentou afastá-la de você, porque acreditava que você não era a pessoa certa para ela?Já se sentiu em meio a um complexo dilema: ceder aos desejos de seu coração ou seguir a sua razão? Se estas coisas já lhe aconteceram, na certa você, meu caro leitor, talvez irá me entender.
Creio que devo me apresentar. Seria injusto contar minha história, sem antes lhe dizer quem sou. Meu nome é Gilbert Arthur Grissom e quero falar um pouco sobre mim. Na verdade quero abrir meu coração. Sou o supervisor do turno noturno de um dos melhores (para mim é o melhor) Laboratórios de Criminalística dos Estados Unidos: o Laboratório de Criminalística de Las Vegas. Trabalho nesse Departamento há aproximadamente vinte anos ou mais. Sempre me dediquei por completo ao meu trabalho. Sabe, nunca tive (e ainda não tenho) o costume de sair para festas ou coisa parecida. Para mim é muito mais prazeroso solucionar um caso ou se estiver de folga, ficar em casa resolvendo palavras cruzadas ou lendo um livro.
Também nunca fui de sair com o sexo feminino. Isso para mim era um sonho distante. Flertar, nem pensar. Nunca aprendi essa arte, tão pouco tive habilidade com as palavras para cortejar uma mulher.
Provavelmente você, meu caro leitor, não esteja entendendo onde quero chegar com tudo isso, porém lhe asseguro, de que se você tiver um pouco de paciência, todo esse mistério terá fim e tudo será explicado.
O que você precisa entender é que ocorreu uma mudança em minha vida. Não sei como, ou quando, ou porquê, isso não tem explicação. Eu que sempre prezei por minha privacidade e seguir meu senso de moral e ética, agora me vejo em meio a um dilema: devo ouvir os anseios do meu coração ou ouvir a voz da razão? Para simplificar as coisas, serei direto: Estou apaixonado por uma subordinada.
Sim. Você ouviu direito. APAIXONADO. Eu no auge de meus cinqüenta e poucos anos estou apaixonado. Nunca imaginei que um dia iria me apaixonar. É claro que sempre sonhei com esse momento, mas nunca passou pela minha cabeça que seria dessa maneira. Lembra das perguntas que lhe fiz antes de começar a falar sobre mim? Bem, é exatamente assim que me sinto. O certo é que agora me vejo assim: escravo desse sentimento avassalador ao qual os homens chamam de amor. Sou um homem de meia idade que agora se vê preso nas garras da paixão. Confesso que isso me deixa assustado.
E você agora deve estar se perguntando: Quem é essa mulher que mexeu tanto com a cabeça de um homem, a ponto de lhe deixar confuso, sem saber o que fazer? Como ela é? O que tem de especial? Não se preocupe, que eu vou dizer:
http://www.youtube.com/watch?v=ZAkkv89F4bg
Ela pode ser o rosto que eu não consigo esquecer
Um traço de prazer ou de arrependimento
Talvez meu tesouro ou
O preço que eu tenho que pagar
Ela pode ser a música que o verão canta
Talvez o frescor que o outono traz
Talvez uma centena de coisas diferentes
No espaço de um dia
Ela pode ser a bela ou a fera
Talvez fome ou a fartura
Pode transformar cada dia em um paraíso
Ou em um inferno
Ela pode ser o espelho do meu sonho
O sorriso refletido no rio
Ela pode não ser o que parece ser
Dentro de sua concha
Ela, que sempre parece tão feliz no meio da multidão
Com os olhos tão pessoais e tão orgulhosos
Mas que não podem ser vistos
Quando choram
Pode ser o amor que não espera que dure
Pode vir das sombras do passado
Que eu irei me lembrar até o dia de minha morte
Ela talvez seja o motivo para eu sobreviver
A razão pela qual eu estou vivo
A pessoa que cuidarei através
Dos difíceis e imediatos anos
Eu, eu pegarei as risadas e as lágrimas dela
E farei delas todas minhas recordações
Para onde ela for, eu tenho que estar lá
O sentido da minha vida é ela
Para resumir, a mulher por quem me apaixonei, a mulher da minha vida, é tudo o que um dia sonhei. É uma mulher maravilhosa. Forte, destemida, batalhadora... Ela me entende com um olhar. Ela é antítese: é Fogo e água, alegria e tristeza; som e silencio. Ela me completa. Quando ela veio para cá atendendo um pedido meu, não cogitei que seria transformado. Mas ainda permanece em mim uma dúvida: como falar para ela dos meus sentimentos? Não acho que sou a pessoa certa para ela. Sou bem mais velho. Você consegue entender minha angústia, meu querido leitor? Perto dela, sou um homem completo. Longe dela, não sou nada. O sentido da minha vida é ela... ela... ela: Sara Sidle.
The End
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