A luz que focava o minucioso trabalho do doutor Jackson enquanto ele tentava salvar a vida de Dominic Toretto apagava e acendia. A cada vez que isso acontecia o coração de Mia acelerava e ela engolia em seco, mas o médico não parecia afetado, continuava a cirurgia. Ela assistia com a respiração errática a cada movimento da mão direita de Jackson com o instrumento que procurava pela bala no ombro de Dom. Vez por outra, ela checava os sinais vitais do irmão, eles estavam fracos mas estáveis.

"Aguenta, Dom."- ela repetia em sua mente.

O cheiro de sangue e o barulho de carne sendo esmiuçada nunca perturbaram Mia em nenhuma cirurgia à que ela assistira em sua residência antes, no entanto como o paciente no momento se tratava de seu próprio irmão ela sentia naúseas diante e muito disconforto.

De repente um inconfundível ruído de metal foi ouvido na sala de cirurgia. Mia fitou o doutor Jackson.

— Aqui está a bala.- ele disse voltando a se concentrar no paciente. – Felizmente não atingiu nenhum nervo vital.

Ele inseriu o instrumento médico cortante mais fundo dentro da ferida provocada pela bala, pronto para extraí-la. Sangue espirrou longe e escorreu ao longo do braço do paciente. Mia apressou-se em enxugá-lo com gaze.

Jackson finalmente retirou a bala de dentro do ferimento. Mia respirou aliviada.

— Prepare a sutura.- pediu o médco.

Mia organizou os instrumentos. Jackson começou a suturar e disse:

— O teu mano vai sentir uma puta dor quando acordar, mas em pouco tempo ele vai estar correndo nas pistas de novo.

— Obrigada, Jackson. Muito obrigada mesmo. – falou Mia com emoção na voz.

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Na sala de espera da clínica, Mônica e Bryan conversavam baixinho em um canto enquanto Vince dormia recostado no ombro de Leon que jogava um jogo de corrida em seu celular.

— O Penning ficou muito puto quando eu disse pra ele que não iria dizer aonde o Toretto estava.- falou Mônica. – Eu imagino que agora todas as viaturas do departamento devem estar atrás da gente.

— Não esquenta parceira.- disse Bryan. – Pode colocar a culpa toda em mim que eu me entendo com o Penning.

— Hum, dessa vez o seu olhar 49 e todo o seu charme podem não funcionar. O homem tá possuído.

— Quando ele souber que estamos com todo aquele produto do Braga, o coração dele vai abrandar.- garantiu Bryan.

O telefone celular de Leon tocou de repente e acabou acordando Vince que se levantou do ombro dele de imediato. Leon atendeu o telefone.

— Fala aí Roman, meu camarada! Que é que tá pegando?

— O Roman?- questionou Bryan ao ouvir Leon. – Mas por que ele tá ligando pro Leon e não pra mim?

Bryan então checou seu telefone celular e viu um monte de ligações não atendidas de Roman.

— A Letty?- inquiriu Leon ao telefone. – Não, ela não tá com a gente não...

Bryan correu e pegou o telefone das mãos dele.

— Alô, Roman? Sou eu, Bryan!

— Bryan, finalmente!- disse Roman do outro lado da linha. Ele segurava uma bolsa de gelo sobre um ferimento em sua cabeça que sangrava. – A Letty sumiu, homem. Ela saiu de repente dizendo que sentia que o Dom precisava dela. Tentei entrar em contato com ela depois, com vocês mas ninguém atendia a porra do telefone!

— Roman, aconteceu uma coisa horrvíel!- Bryan contou, mas antes que ele pudesse dizer que Dom tinha levado um tiro, Roman disparou para ele:

— Cara, alguém sequestrou a bebê!

— Como é que é?- retrucou Bryan, lívido.

Mônica veio para perto dele ao ver a expressão em seu rosto. Leon e Vince também prestavam atenção, preocupados.

— Alguém me acertou na cabeça com uma frigideira e depppois...- ele gaguejou: — Levou a Nina. A Pity também está desaparecida e agora eu sei que a Letty não está com vocês.

— Roman, você tá me dizendo que alguém levou a Nina?- questionou Bryan sem poder acreditar no que ouvia.

— Bryan, tá surdo, mermão? Foi isso o que eu disse!- gritou Roman, impaciente.

Mia saiu da sala de cirurgia nesse momento com um sorriso no rosto antes de dizer:

— Correu tudo bem! O doutor Jackson conseguiu tirar a bala mas o Dom vai demorar algumas horas para acordar por causa do efeito da anestesia.

— Melhor assim.- disse Mônica. – Porque as coisas vão ficar bem complicadas agora.

— Bryan... – Mia disse olhando para ele pressentindo que ele tinha alguma notícia ruim para dar a ela.

— Alguém levou o bebê!- ele disse com a voz trêmula.

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Letty se debateu quando os capangas de Braga a tiraram do carro com os braços amarrados e a boca amordaçada. Eles tinham estacionado na frente de um motel de quinta categoria e a empurraram para dentro de um quarto escuro com cheiro de mofo. Mas Letty não se viu sozinha por muito tempo. Uma luz se acendeu de repente e Campos apareceu sentado em uma poltrona ao lado da cama.

— Buenas noches!- ele disse com um sorriso. – Que prazer em vê-la novamente, señorita Ortiz. Acaso te lembras de mim?

Ela se lembrava muito bem. Gemeu algumas palavras enquanto tentava falar com a boca amordaçada.

— Fico feliz que se lembre, chica..- ele disse com cinismo. – Perdón pelo comportamento dos meus associados, eu fico dizendo pra eles que deveriam ser mais delicados, mas eles não me ouvem.

Letty gemeu mais alguma coisa. Campos aproximou-se dela segurando uma faca pequena e muito pontiaguda. Apontou para a garganta dela o que fez a respiração de Letty acelerar. Mas ele desceu a faca e usou para tirar-lhe a mordaça. Ela umudificou os lábios instintivamente ao sentir sua boca livre.

— Também vou soltar suas mãos.- Campos disse. – Mas nem pense em querer me atacar, cariño porque meus associados estão preparados para dar um tiro bem no meio da sua testa se algo acontecer comigo, então...

Ele cortou as cordas das mãos dela e Letty deu alguns passos para longe dele dentro do quarto.

— O que você quer de mim?- ela perguntou. – Eu não te denunciei para os tiras!

Campos riu.

— Letty, você não sabe mentir. O Braga é onipresente. Ele sabe de tudo e com certeza sabe que você está mentindo. Mas se quer mesmo saber o que eu quero de você, eu te digo. Você é a minha moeda de troca.

Letty olhou pra ele sem entender.

— Ora, eu não acredito que você não sabia que eu sabia do seu namoradinho, o Toretto. Eu te disse, Letty, o Braga sabe de tudo. Mas confesso que fiquei surpreso com o envolvimento daquele policial, de qualquer forma estamos sempre um passo à frente de vocês.

— O Dom vai descobrir que vocês me pegaram e vai vir atrás de você, principalmente de você, Campos!- Letty disse entredentes.

— Bom, acho que no momento ele está um pouco impossibilitado depois do tiro fatal que levou no deserto.

— Tiro?- Letty retrucou pensando que um dos capangas que a sequestrara poderia estar dizendo a verdade sobre o que acontecera com Dom.

Campos riu.

— Como eu disse, Letty você é a nossa moeda de troca.

Ele saiu do quarto e Letty ficou gritando.

— Nãoooo, isso é mentira. Você é um mentiroso!

Do lado de fora do quarto, Campos instruiu seus homens que estavam armados em frente à porta do motel.

— Em circunstância nenhuma entrem naquele quarto a não ser que eu ordene. Me entenderam, cabróns?

Os homens assentiram silenciosamente enquanto Letty ainda gritava no quarto.

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Gisele alongou os músculos diante do espelho da penteadeira em seu quarto. Era seu ritual diário depois de terminar seus afazeres para com a organização do padrinho. Sempre era assim. Fazia tudo o que tinha de fazer sem questionar e depois ia para o sossego do seu quarto ser ela mesma e sonhar que o mundo podia ser um lugar melhor.

Ela ergueu os braços, inspirou e expirou. Moveu os quadris finos de um lado para o outro. Colocou a mão esquerda no lado direito da cabeça e pressionou-a para que pendesse para o lado contrário. Foi nesse momento que ela ouviu o inconfundível choro de uma criança. Primeiro bem baixinho, mas logo o choro ficou mais alto.

Gisele parou seu alongamento, pegou sua jaqueta atirando-a no ombros, sem se preocupar em colocar os sapatos e saiu de seu quarto seguindo o som do choro. Parecia estar vindo de algum lugar próximo ao seu quarto.

Caminhou pelo longo e estreito corredor devagar, apurando os ouvidos, até que chegou diante de um dos outros quartos da onde claramente podia ouvir o choro muito bem. Abriu a porta sem bater e encontrou Tigre, um dos capangas de seu padrinho olhando uma revista pornográfica enquanto uma criança de poucos meses berrava ao lado dele em uma cadeirinha de bebê. A criança estava vermelha de tanto chorar e Tigre tinha potentes fones de ouvido em sua cabeça e ignorava completamente o choro do bebê.

— Tigre!- Gisele chamou, mas ele nem sequer percebeu que ela tinha entrado no quarto. – Tigre!- ela chamou mais alto e nada.

Gisele então se aproximou dele e retirou os fones de ouvido, olhando direto em seus olhos. Tigre assustou-se.

— O que está fazendo, coño?- ela indagou. – O que esse bebê faz aqui?

Tigre deu de ombros.

— Não sei. A Pity, aquela gostosa que faz uns bicos pra organização trouxe a criança e o Campos me mandou cuidar muito bem dela.

— Ah, sim!- comentou Gisele com ironia. – Estou vendo que você está fazendo um excelente trabalho.

Gisele se aproximou do bebê e o olhou com afeição.

— Como é o nome da criança?- perguntou.

— E eu sei lá.- respondeu Tigre.

— Não sabe nem se é menino ou menina?

— Não.- ele admitiu. – Não fui olhar debaixo da fralda e nem quero. Aff, não suporto crianças!

O bebê ainda chorava quando Gisely o tirou da cadeirinha com cuidado e o embalou.

— Pode deixar que eu vou cuidar do bebê agora.- ela disse a ele.

— Tem certeza?- retrucou Tigre paracendo muito interessado em que ela o fizesse mas ainda um pouco hesitante: — Pode ser que o Campos não goste. Ele deu a ordem pra mim.

— Pode deixar que eu me entendo com o Campos. Agora sai daqui!

— Sim, senhora!- disse ele saindo do quarto imediatamente e fechando a porta atrás de si.

Assim que ele saiu Gisele falou com o bebê:

— Hey, não chora, bebezinho. Eu vou cuidar de você.

Ela colocou-o de volta na cadeirinha e abriu a parte de baixo do macacãozinho para checar a fralda e notou de imediato que estava muito molhada.

— Agora eu sei porque está tão chateado.- Gisele disse com a voz doce. – Ou melhor, chateada.- ela se corrigiu ao retirar a fralda da criança. – Você é uma menina. Uma menina linda.

Gisele a limpou com os lenços umedecidos que encontrou na bolsa de bebê ao lado da cadeirinha e colocou-lhe uma fralda limpa. Terminou de vesti-la e a tomou de volta nos braços. A menina se acalmou. Ela procurou na cadeirinha e na bolsa por qualquer coisa que pudesse indentificar a criança, mas não encontrou.

— O que o Braga está fazendo dessa vez?- questionou-se Gisele com preocupação. Em todo seu tempo na organização ela nunca o tinha visto roubar crianças para chantagear ninguém, mas havia muita coisa que ela não sabia, coisas das quais ela se omitia.

Naquele momento segurando aquela menina pequena e desprotegida, Gisele sentiu-se mal, muito mal.

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Depois que Campos a trancara naquele motel, Letty procurou acalmar-se pouco a pouco. Não ia adiantar nada gritar, se descabelar e esmurrar a porta. Aqueles sujeitos podiam mesmo matá-la, não estavam brincando e ela definitivamente não podia morrer. Tinha que voltar para sua filha, voltar para Dom. Estava tão preocupada com ele, tinha que vê-lo.

Por isso depois de algum tempo pensando, ela decidiu arriscar um jeito de escapar daquele lugar. Era um plano muito clichê que tinha desenvolvido em sua mente, mas que esperava que funcionasse.

Ela entrou no banheiro do motel, arrumou os cabelos diante do espelho e enxugou o suor do rosto com uma toalha de papel. Em seguida os botões de sua blusa deixando entrever parte de seu sutiã preto. Amarrou a camisa em um nó acima do umbigo e respirou fundo antes de se dirgir até a porta e dar três batidinhas. Os dois homens do lado de fora primeiro a ignoraram, mas Letty insistiu.

— O que é, mulher?- indagou um deles finalmente.

Letty reconheceu a voz dele como sendo a do mais baixo e menos forte dos dois.

— Eu tô com sede... – ela disse com voz de coitadinha.

— E eu com isso?- retrucou o homem. – Bebe água da torneira!

— Ah, mas eu estava pensando em algo mais forte pra beber.- acrescentou Letty com a voz dengosa. – De repente a gente podia beber alguma coisa e conversar, como é o seu nome mesmo?

— É... – o homem começou a dizer, mas o outro o interrompeu.

— Ei, não diz teu nome pra ela não.- advertiu.

— Meu nome é Gus!

O outro revirou os olhos.

— Hey, Gus, que tal a gente se entender um pouco hein?- Letty perguntou. – Eu estou me sentindo tão sozinha aqui dentro.

Gus sorriu e disse para seu companheiro:

— Vou buscar uma cerveja pra ela.

— Quê?- retrucou o outro. – Ficou doido? – O chefe disse que...

— Ela é gostosa, Patrick! E está a fim de mim! Vou buscar a cerveja...

Letty ouvia a conversa deles de dentro do quarto e sorriu maldosa ao ouvir os passos de Gus se afastando. Ele não demorou muito a voltar com a cerveja e mesmo a contragosto de Patrick, entrou no quarto com Letty. Porém antes que ele entrasse deixou sua arma com o colega dizendo que não iria precisar dela para o que iam fazer.

Ele lambeu os beiços ao entrar no quarto ver que Letty estava deitada na cama em uma pose sedutora, com a blusa quase aberta, exibindo a barriga sarada.

— Eu trouxe isso aqui pra matar a sua sede. – ele mostrou a cerveja pra ela.

— Obrigada.- disse ela se levantando da cama e indo até ele.

— Mas eu sei de outra coisa que vai matar a minha sede, gatinho.- ela disse beijando-o na boca com vontade. Gus suspirou.

Ela se abaixou na frente dele e abriu-lhe a calça. Gus fechou os olhos esperando pelo momento em que ela colocaria seu membro para fora e o tomaria em sua boca, mas ao invés disso, sentiu o punho dela contra suas partes baixas, só que não teve tempo de gritar porque ela o empurrou contra a cama e sufocou-lhe pelo pescoço, o suficiente para que ele desmaiasse profundamente.

— Foi bom pra você, Gus? Porque certamente foi muito bom pra mim!- ela disse saindo de cima dele. Agora tinha que se preparar para lidar com o outro homem.

Continua...