El Barón - Série Cartel Cortez 01
2 Capítulo 02...
Notas iniciais
P.o.v Meghan
We're not alone
We share no stories
Just something in your eyes
Don't be afraid
The shadows know me
Let's leave the world behind
Take me through the night. (01)
Nada contra Alan Walker, até porque eu amo ele com todas as minhas forças, mas, nem mesmo acordar com minha música favorita, melhora o fato de que eu estou acordando as 07:00 horas da manhã é só Deus sabe o quanto abomino acordar cedo.
Crio coragem por intervenção divina, por que se não fosse Ele eu não levantaria daqui tão cedo, ainda mais com um motivo tão chato, desligo o aparelho que vem me deixando de mal humor todas as manhãs, as vezes fico imaginando como um auto falante tão pequeno como o do celular tem a capacidade de se igualar a uma caixa potente de som de manhã? esse aparelho está fazendo da minha vida um inferno, só o todo poderoso sabe a vontade que tenho de jogar esse telefone na puta que pariu.
Depois de dar fim no toque do despertador, finalmente consigo pensar com clareza sobre o que tenho que fazer hoje, não consigo evitar a carranca de desagrado ao me recordar que tenho que visitar Andressa hoje.
A maioria não faz a menor idéia, mas Andressa é minha mãe a nossa convivência nunca foi das melhores mas agente sobrevive ou para ser mais exata, aturamos uma a outra, ou seja, definitivamente minha relação com minha mãe não é das mais saudáveis.
Porém, ela continua sendo minha mãe é eu me sinto na obrigação de fazer isso, mesmo que eu não goste.
Caminho até o banheiro enquanto retiro o pijama, um tanto infantil para minha idade, sou obrigada a admitir e nada e melhor do que sentir a água morna em contato com a minha pele, relaxando cada musculo tenso e fazendo com que o cansaço desaparecesse bem aos poucos, para ser sincera, eu ando um lixo a pressão do trabalho está acabando comigo, as vezes penso porque escolhi ser desenvolvedora de sistemas e softwares, deveria ter escolhido algo mais tranquilo porém eu adoro meu trabalho, me sinto bem em meio aos computadores.
Termino rapidamente o banho, não suporto atrasos e mesmo que Andressa não faça a menor questão de ser visitada, ainda mais por mim, não costumo me atrasar aos compromissos aprecio a pontualidade, me enrolo na grande toalha felpuda é sorrio ao lembrar do dia em que a comprei, acho que de longe Jeff nunca passou tanta vergonha na vida, quando ele me viu com o carrinho abarrotado de toalhas como aquelas ele surtou, e claro que achei exagerado eu estava levando somente algumas a mais, pelo visto Jeff não achou o mesmo que eu, já que me obrigou a me desfazer de pelo menos metade das trinta toalhas que haviam no carrinho.
Sigo até o closet que foi impecavelmente arrumado por mim mesma e um dos meus vários momentos de tédio o que é muito comun, prefiro usar algo mais basico, uma calça jeans de lavagem escura é citura alta, com um cropedd estilo ciganinha na cor vinho, e por último aquele tradicional tênis branco da Nike que todos usam, encaixo meus inúmeros anéis em seus respectivos lugares, eles são obrigatórios em qualquer roupa que eu use.
Penteio meus cabelos pretos que vão até um pouco abaixo dos ombros e os deixo solto, um rimel para ressaltar meus olhos azuis acinzentados e estou pronta, dou mais uma olhada rápida no espelho e sorrio pra mim mesma satisfeita com o resultado, saio do quarto e desço as escadas enquanto rumo para a cozinha que por mais inacreditável que seja não está de pernas para o ar.
Não tenho costume de comer em casa geralmente eu me levanto e vou direto para a casa de Jeff.
Enquanto preparo um suco de morango natural, lembro do quão chato vai ser aturar a chata da mamãe por uma manhã inteira, como uma barrinha de chocolate só para não ficar com fome mesmo e ter que pedir comida para Andressa, porque se eu fizesse isso com certeza ela engataria em um longo discurso sobre o quanto sou irresponsável por não tomar um café da manhã decente e que se fosse Anne com toda certeza tomaria um café da manhã que preste.
E novamente isso me lembra como odeio ter que visitar minha mãe, mas é minha mãe, fazer o que.
Suspiro contrariada, deixando a pouca louça na pia, enquanto saio a procura de minha bolsa, que parece que sumiu sem dar notícias.
Quando finalmente acho a bendita, mais que depressa saio de casa, a contragosto, claro é me preparando psicologicamente pra todas as reclamações e cobranças que irei ouvir de minha amada mãe.
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Observo a casa em estilo vitoriano que continua linda é muito bem cuidada mesmo com o passar dos anos.
Puxo o máximo de ar que consigo para os meus pulmões e solto em seguida, desço do carro e vou até a porta para o que será nas próximas horas um sacrifício.
Paro em frente a porta enquanto um suspiro cansado insiste em sair da minha boca, tomo coragem e aperto a campanhia.
Segundo depois Andressa está abrindo a porta com um sorriso de orelha a orelha, o que me assusta um pouco mas também me deixa feliz por saber que ela está sorrindo por me ver, aos poucos o sorriso daquela que chamo de mãe vai morrendo aos poucos, todas as vezes que alguém bate a porta eu tenho a impressão que minha mãe pensa que é Ela, tenho para mim que Andressa ainda não aceitou a realidade mesmo que ela insista em dizer que sim, seu rosto jovial adquiri uma espresão de descrença com um misto de decepção e tristeza, porém isso não me abala, não mais, eu sei que não é a mim que ela quer. E já me conformei com isso, mesmo que doa internamente.
— Olá mãe — Dou um sorriso tentando ser o mais simpática possível — Como a senhora está? Se cuidando? — digo de forma divertida
— Olá Megham, bom te ver — ela sorri, um sorriso que não chega aos olhos, até porque não era eu quem ela queria aqui do lado dela — Sim estou me cuidando, mesmo que eu ache que ainda estou nova demais para essa pergunta.
Após as perguntas de rotina, é comigo estando acomodada no sofá, minha mãe alfineta.
— Meg essas roupas são muito informais, não acha que deveria usar algo mais social como sua irmã usava? — Estava demorando.
— Não mãe, eu gosto dessas roupas, é eu não sou a Anne — repito a mesma frase todas as vezes que venho aqui, e mesmo assim ela não aprende.
Minha mãe me olha de forma superior e solta uma de suas pérolas.
— É claro que você não é Anne, ela nunca usaria isso.
Prefiro não responder.
É assi silêncio se instala e não tenho nenhuma intenção de quebra — lo.
Observo a sala que combina com o bom gosto de Andressa, as paredes impecavelmente brancas, alguns portas retratos de nos três em momentos "familiares" aturaveis, até porque nunca fui feliz com minha mãe, pra ser sincera nunca me encaixei na "familia sempre me senti uma intrusa na relação perfeita de mãe e filha de Anne e Andressa". Andressa também sempre me deixou de lado acho que ela me encarava mais como uma obrigação, um fardo.
A maioria das fotos são de minha irmã Anne, cinco anos mais velha que eu.
O orgulho da mamãe a filha perfeita, a filha que seguiu um carreira promissora na área de advocacia.
Anne era o oposto do mim era alta, bem magra, quase seca, loira de cabelos lisos até os ombros, e olhos azuis, que aliás são as nossa unica semelhanças.
Anne era centrada, objetiva, é obediente ao contrário de mim, a filha rebelde, explosiva e agressiva.
E onde Anne está hoje?.
Morta!
Anne sofreu um acidente de carro a cinco anos atrás, ela estava voltando do escritório aonde ela era estagiária.
Naquele dia lembro que antes de ir para o escritorio Anne e minha mãe haviam combinado de jantar juntas em um restaurante, como elas sempre faziam as sextas — feiras, eu como sempre me recusei a ir, minha mãe também não fazia questão que eu fosse, eu seria como um estorvo no jantar das duas.
Anne com pressa de chegar em casa a tempo, ultrapassou o limite normal de velocidade que costumava usar, é acabou perdendo o controle do carro, batendo de frente com um caminhão.
A roda da frente esmagou o carro de Anne que ficou presa mas ferragens.
Eles a tiraram do carro, mas era tarde.
Anne estava morta, ela sofreu múltiplas lesões internas, inclusive na cabeça todas a lesões ocasionadas pela batida o que levou Anne a uma hemorragia fatal.
Eu tinha quize anos, foi difícil perder minha irmã não éramos muito próximas, mas foi complicado saber que eu não a teria por perto, éramos só nos três, meu pai nos abandonou logo após meu nascimento.
Minha mãe após o acidente se transformou, para pior, antes pelo menos ela não ligava pra mim, deixava eu levar minha vida em paz, mas, depois do acidente ela dirigiu todas as suas atenções a mim, o que me deixou bastante preocupada na época.
Com o tempo eu percebi o que ela pretendia.
E adivinha?.
Seu objetivo era me transformar em uma copia, uma substituta para a minha irmã.
Andressa tentou me forçar a cursar direito, sugeriu que eu mudasse a cor do cabelo para loiro, enquanto isso acontecia eu tirava paciência não sei da onde pra ser gentil com minha mãe ou fingir que não havia entendido. Afinal ela havia perdido a filha favorita, seu tesouro.
Porém, gota'd água foi quando ela me chamo de Anne.
Naquele momento eu explodi é aos berros e respondi que meu nome era Meghan e que eu nunca seria Anne.
Parece que naquele dia ela acordou, e se deu conta do que estava fazendo.
Ela me olhou com uma expressão de desprezo tão grande que eu achei que fosse morrer, porque ali eu soube que ela realmente não se importava comigo.
Flashback ON
Eu estava ofegante após gritar meu nome na cara de Andressa.
Ela me olhava com uma expressão de asco misturado com decepção.
— Eu não sei em que momento eu fiquei tão descontrolada pela dor aponto de pensar ou sequer cogitar a possibilidade, de que algum dia você seria uma terço do que Anne foi enquanto esteve viva.
Em seus olhos havia dor e muito sofrimento, mas nem isso me impediu de constatar o óbvio.
Andressa me odiava...
Fim do Flashback
No momento em que ela pronunciou aquelas palavras eu tive certeza, que ela queria me transformar em Anne, somente para satisfazer seus caprichos e suprir a falta de minha irmã.
Aos dezoito anos, sai de casa, não aguentava mais minha mãe com todas suas maluquices, me mudei para um apartamento perto da faculdade, era do outro lado da cidade, pequeno, mas atendia minhas necessidades da época.
Com isso eu meio que perdi um pouco o contato com minha mãe, até porque, quando eu disse que iria sair de casa, ela faltou arrumar minhas malas.
Ela nem se dignou a falar algo, somente me olho e saiu.
Pra me sustentar comecei a trabalhar em uma lanchonete durante a noite como garçonete, não era o melhor salário do mundo, mais era razoável, dava pra me sustentar e ainda sobrava um pouco, trabalhei na lanchonete por dois anos até terminar minha faculdade de programação de metassistemas, após o término da faculdade consegui um emprego em uma grande empresa, com o salário que eu ganhava na empresa, consegui comprar minha linda casa em uma parte mais segura da cidade, que é a casa que moro atualmente.
Deixo minhas lembranças pra trás e olho diretamente para o relógio, pendurado na parede.
13:00 hora
Preciso ir ao mercado!
Minha mãe após a nossa pequena troca de farpas, se sentou na poltrona preferida é começou a zapear pelos canais da TV, é sempre, assim eu chego, ela faz as observações em relação a minha roupa, de como eu deveria me vestir melhor, fala de como eu deveria tentar ser mais parecida com Anne, e depois se senta e começa a ver TV, levanto do sofá e me despeço de Andressa, ela nem responde, nada que eu já não esteja habituada
Saio da casa e ao chegar do lado de fora, respiro fundo.
O clima de nostalgia que aquela casa me trazia não era bom.
Entro no carro e dou partida saindo daquele lugar, esperando a próxima visita que se Deus quiser vai demorar bastante.
Ao dizer aquilo em minha mente, eu jamais imaginava, que não voltaria a ver minha mãe.
Não tão cedo.
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