Eis o fantástico mundo maravilhoso de sua mente
2 Capitulo II. Ilustre I
Notas iniciais
Sabe quando as vezes você finge estar em um lugar diferente do que o que você realmente está ? Sim, é confuso. Mas era o que Elisa fazia. As vezes ela fingia que estava num campo de futebol praticando coral ou nos braços do king kong.
Ela ainda tinha a cabeça apoiada nas mãos, o seu gato ainda latia e agonizava do lado de fora do seu quarto e o relógio sobre a sua cabeça retumbava. Tic tac, tic tac, tic tac.
Ela se lembrava de quando comprou o relógio. Havia o aberto e o “adaptado” para girar ao contrário, no sentido anti-horário, havia trocado também o papel de fundo. Funcionava incrivelmente bem para enganar as suas amigas para ficarem um pouco mais na casa dela. Parecia um relógio normal refletido num espelho. Alias, ela tinha fetiches com espelhos. Talvez um dia ela entrasse em um espelho ficasse loira, alta e rica.
Ou virasse um homem, por que espelhos são ao contrário. Oh, imagine um mundo todo ao contrário. Água seria veneno? Chocolate seria sabão? Cachorros seriam gatos? (Isso ela aprovava) Adultos seriam crianças .... Oh, crianças seriam adultos?
Na opinião de Elisa não havia nada pior que ser adulto. Era como viver frustradamente para emprego, reclamar da falta de dinheiro e falar em política. Adultos eram entediantes e previsíveis. Adultos eram como ratos indo direto para a ratoeira, e ainda reclamando, mas não fazendo exatamente nada para mudar.
O gato uivou e chamou Elisa para a realidade.
— OH, cale-se Oif, vá caçar um rato. – Gritou nervosa. E riu nervosa, o gato não lhe responderia, então se jogou na cama confortável e olhou o teto ( pensando em ali dependurar inúmeros cds velhos ou um gigantesco cartaz de ilusão ótica, ela amava ilusões óticas).
Ilusões de ótica não era incríveis? Lhe enganavam tão bem e você gosta da sensação, ela particularmente gostaria de entrar em um lugar feito de ilusões de ótica.
— Eu sou um cachorro! – Reclamou uma voz chorosa da porta.
— Ora, mas se eu digo que você é um gato você é um gato. – Suspirou Elisa, puxando o travesseiro para a cabeça e abanando negativamente a cabeça.
O gato tornou a uivar e Elisa pulou na cama, não era possível o seu gato falar. Ou era? O que era realmente possível? Ela estava ficando confusa, como na vez que tentou entender se na realidade gosto de galinha é o gosto de chocolate ou se o certo é o errado, se o que achávamos que era uma coisa era outra. Ela havia visto uma vez um filme em que ensinavam para a criança desde pequena que preto era branco e logo concluiu que o verde poderia ser roxo e sermos todos crianças enganadas.
Ela pensava se era possível o seu cachorro falar e nisso um ponto preto que estava no teto branco começou a crescer.
— Olhe só, acho que eu enlouqueci. Mas e se eu já era louca e na realidade ser louca é normal? – Murmurou Elisa baixando os olhos para o relógio.
Pontos pretos aumentavam, cachorros que eram gatos falavam, relógios giravam ao contrário e ele estava sozinha em casa com medo.
— Mas ser louco é normal. – Resmungou uma voz para Elisa.
— Oh, cale-se Oif. Se você continuar falando concluirei que estou louca e irei dormir. – Murmurou a menina puxando o travesseiro para a cara. Se ela fingisse que não havia escutado ela poderia não ter escutado. O que era verdade e mentira alias?
— Quem é Oif ? – Resmungou uma voz no ouvido de Elisa, a fazendo paralisar. Uma pessoa normal iria gritar, pular e se estapear tentando tirar um bicho que falava de sua orelha, mas Elisa paralisou. Ou não, ela havia retirado o travesseiro do rosto e encarava uma aranha de 40 centimetros.
Não era uma aranha normal, ora, ela tinha 40 centimetros! E também era bizarramente bonita. Elisa achou ela bonita, odiava aranhas, mas ela era bonita. A cabeça era preta e os olhos eram círculos dentro de círculos vermelhos e amarelos, hipnotizantes ! O resto do corpo tinha linhas azuis e laranjas. E o fato mais engraçado eram as pernas, fininhas, fininhas e cada pé tinha um calçado, ou luva, diferente. 8 no total, um tênis, um sapato de salto, uma bota de chuva, uma luva de cozinha, uma luva de filme de terror (tinha 4 garras de aço), e por último uma vassoura.
A aranha estranha voou para cima. Não era essa a frase certa, usou a teia para voltar, e a teia era outra coisa engraçada, era roxa e era feita de centenas de fios entrelaçados, como numa trança, e alguns saiam da trança e eram da cor preta, como se perdessem o encanto ao sair da trança.
Elisa pigarreou e se sentou, não era uma aranha comum, ela falava, e ela era educada. Não muito, mas fazia questão para aranhas de 40 cm coloridas e cheia de sapatos diferentes.
— Oh, é meu gato que é um cachorro. Ele criou a mania de falar agora, veja bem, se eu o responder na presença de uma pessoa vão achar que sou louca. – Explicou.
— E se ele tivesse criado a mania de não falar apenas para não o acharem louco? Sendo que esta a fazer uma loucura? – Rebateu a aranha, rindo e se balançando na trança roxa, de lá para cá. – Sou Ilustre I.
— Bem, Senhor I, sou Elisa Cresswell. – Murmurou, achou um nome estranho, I.
— Não é I, é Ilustre I. Lhe chamam de Elisa ou Cresswell? – Perguntou a aranha aborrecida, as linhas do corpo passaram de azuis para verdes, mas logo voltaram a azuis.
— Ah, Ilustre, me chamam de Elisa. Ilustre me lembra de lustre, você vive num lustre? – Questionou Elisa, talvez estivesse dormindo, mas era uma criatura interessante o Ilustre I, então aguardou sua resposta.
— Não sei o que é lustre, o que é um lustre? – Questionou Ilustre, se inclinando para Elisa, num interesse notável.
— É algo que tem luz dentro. – Lembrou Elisa.
— Como o sol?
— Ah não, dá para apagar. O sol não se apaga. – Se gabou Elisa.
— Aonde eu vivo chamamos isso de asacortes. – Gargalhou Ilustre, se balançando mais na teia.
— O que é um Asacorte? – Ela não conhecia aquilo, seriam lâmpadas que voavam?
A aranha ficou quieta e foi até um canto e começou a trançar com as luvas um desenho com teia roxa. Depois de algum tempo lhe apareceu tesouras com asas.
— Mas isso é uma tesoura voadora! – Reclamou Elisa, mostrando uma tesoura pendurada ali por seu quarto. A aranha voou para cima dela e a remexeu.
— Está estragada! Uma real Asacorte ao sacudirmos levanta voo e começa a iluminar um local inteiro. Você deve levar a sua Asacorte para o Mrs. Scissors, ele sabe tudo sobre Asacortes. – Sorriu a aranha, voltando para perto dela.
— Mrs. Scissors não seria uma mulher? – Perguntou Elisa, por que no inglês Mr. era um homem e Mrs. era uma mulher.
— Não, mas as aratopeias que vivem no seu chapéu são. – Explicou a aranha. Elisa levou a mão a cabeça.
— Não estou entendendo nada, você é uma aranha louca! – Gritou Elisa.
— Aonde eu vivo você que é louca. – Murmurou a Aranha aborrecida.
— E aonde você vive? – Perguntou Elisa, cruzando os braços. Num hospício talvez? Havia hospícios para aranhas coloridas?
— Algumacoisaland. – Sorriu a Aranha, indo para o relógio e o remexendo até cair o vidro protetor e logo dobrou a seta, revelando uma porta. – Você quer ir ver?
Elisa observou o relógio e riu. Como iria entrar num relógio?
— Sou muito grande! – Debochou, e a aranha revirou os olhos. Ou ao menos lhe pareceu.
— É só você fingir que é pequena. Vamos lá, tente!
— Mas e o Oif? – Questionou, observando a porta. A aranha bateu o salto alto na parede irritada, as linhas azuis ficando vermelhas.
— Eu o levarei, ande rápido, tenho que ir ver o Mrs. Scissors. – Resmungou a aranha.
Elisa deu ombros e ficou de pé na cama, de frente ao relógio. Como ela “imaginar” que era pequena iria funcionar, mas enfim. Ela fechou os olhos, e se imaginou do tamanho de um cupcake, cupcake eram deleciosos.
— CÉUS ! – Gritou quando se viu encolhendo e arredondando. A aranha a enrolou na teia roxa e riu. Elisa era cor de rosa e fofa, temeu por segundos que a aranha a comesse viva!
— Imagine-se pequena e não um cupcake vivo! – Debochou, e Elisa tornou a fechar os olhos e os abriu novamente. Tinha exatos 30 cm! Mas se encolheu com um certo medo do Ilustre I, que riu e a entrelaçou mais na teia.
— Deixe de medo, e seja bem vinda ao Algumacoisaland. – Sorriu Ilustre, a levando para dentro do relógio. — Lhe prometo que a época mais maravilhosa da sua vida chegou.
Os olhos de Elisa brilharam: Seria agora que sua vida tediosa ia realmente ser fantástica como imaginou? Os sonhos se tornariam realidade? A felicidade estava mesmo no fim do arco íris. Junto com unicórnios! E eles não eram brancos, eram de todas as cores possíveis e neons! Sim! E fadas, teriam fadas sim também. Junto com lobisomens, centauros, gnomos, duendes, sereias...
A menina delirava enquanto escutava Ilustre e por fim Elisa então não se lembrou de mais nada.
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