Notas iniciais
OneShot Germancest, yay ~ ♥
Espero que gostem ~
Enjoy ♥

Manhã de sábado, seis horas.

Um loiro abriu os olhos ao sentir a luz do sol em suas pálpebras, visivelmente incomodado e irritado. Levantou-se com dificuldade e fechou as cortinas violentamente.

Ele não queria acordar naquele dia.

Voltou para a cama, deitou-se e ouviu o barulho de sua porta se abrindo. Se virou e deixou apenas um olho meio aberto para ver do que se tratava a situação.

Um de cabelos castanhos avermelhados havia adentrado seu quarto e parecia procurar algo.

- O que você quer?

- Ah, Doitsu! — o outro gritou para o loiro, que estava completamente sonolento (para não dizer mal humorado, como sempre). — Eu não sei onde o par da minha bota tá, então vim procurar.

- Saia já daqui, com certeza a sua bota não está comigo. — Alemanha, ainda deitado, ficou de costas para o companheiro e tentou voltar a dormir.

- Ok então, Doitsu, vou perguntar para o Nihon! — o de cabelos avermelhados saiu, esquecendo a porta aberta.

Com ódio, Alemanha observou a porta escancarada, e mais do que nunca, teve vontade de gritar com o aliado para ele ser menos inútil e idiota.

- Esse Itália, viu... — Ludwig levantou-se de má vontade e fechou a porta estrondosamente, trancando-a para que ninguém abrisse-a novamente e perturbasse um dos seus frequentes momentos de desejada paz.

Com o cabelo desajeitado, ainda jogado para frente, o alemão puxou um pouco a cortina e olhou através da janela, repetindo as palavras que dizia todas as manhãs.

- Irmão... Eu espero te ver novamente. — o loiro suspirou e voltou a se deitar. Ele estava tendo um sonho, toda noite esse sonho aparecia em sua mente, e esse sonho estava começando a incomodá-lo. Sonhava sempre com a volta do irmão, ele ansiava por isso — mais do que qualquer um — e ainda tinha confiança de que, algum dia, o irmão voltaria.

Revirou-se na cama procurando a posição exata, a melhor para voltar a dormir. Nos últimos dias, Ludwig sempre ansiava pela noite para poder dormir.

Ele só podia ver o irmão no sonho, e era o que ele mais queria.

Achou finalmente uma posição que o agradasse e fechou os olhos. A um ponto de adormecer, ouviu um estrondo enorme vindo da cozinha, seguido de uma voz feminina que dizia algo parecido com "Exijo falar com o Alemanha neste exato momento!". Um minuto depois, Alemanha foi novamente perturbado com batidas na sua porta.

- Alemanha-san? Tem uma mulher aqui que insiste em vê-lo... Ela alegou que o conhece e que era muito íntima do seu irmão. — ao ouvir a palavra "irmão", o alemão levantou-se de um salto da cama — E também disse que tem notícias dele.

O loiro não conseguia pensar em outra coisa. Agiu sem ao menos pensar. Abriu a porta, mesmo de pijamas.

Ele apenas queria saber se aquela solidão ia acabar. Ele ansiava pelo término da solidão. Ele não entendia muito bem a solidão, mas ele tinha certeza de algo.

Ele queria ser encontrado. Por ele.

Por Prússia.

- Japão? Quem é que quer me ver? — Ludwig perguntou ansioso.

- Não sei, ela não disse nada... Ela só requer sua presença. — Japão disse meio sem graça.

- Eu já vou, espere um pouco só. — Alemanha levou os cabelos para trás, colocou rapidamente seu uniforme e se dirigiu à sala.

Lá se encontrava apenas uma mulher. Cabelos ondulados não muito longos, e ela também usava uma roupa militar.

- Alemanha. — ela disse, séria.

- Hungria. — o alemão disse mais sério ainda. Aquela mulher... Era a paixão de Gilbert.

O maior motivo de solidão para Ludwig.

Era o que ele achava, mas ele estava errado.

- Tenho notícias de Prússia. — Elizaveta Héderváry aproximou-se do irmão de seu rival.

- E quais seriam? — o loiro tentava esconder a animação em sua voz.

- Ele está próximo. Você pode se encontrar com o Prússia. Apenas ande algumas milhas ao leste e o encontrará. Na sua antiga casa.

Alemanha ficou pasmo. Gilbert voltara para a antiga casa que vivia? Agradeceu Elizaveta, que logo se retirou e deixou o alemão na sala. Depois de raciocinar o que havia acabado de acontecer, abriu a porta, ignorando as incessantes perguntas de Kiku Honda e Feliciano Vargas, e começou a se dirigir ao leste.

Finalmente se livraria daquela solidão.

Da insistente einsamkeit.

.x.

Uma guerra perdida, ele não estava nada bem.

Dentro de uma casa completamente destruída, residia um albino. Ele, com a face cortada, o corpo em um estado horrível, havia perdido uma guerra, e sua vida estava a um fio.

E ele tinha certeza que ninguém iria ajudá-lo. Porque ninguém sabia dele.

Ele estava imerso em uma imensa solidão.

Só de pensar que, se não tivesse fugido, e rejeitado a ajuda de seu irmão, ele não estaria daquele jeito.

Morrendo.

Não, o digníssimo Prússia não ia se rebaixar. Ele pensava assim. Mas nem ele conseguia resistir à uma tristeza daquelas. Sentiu algumas lágrimas escorrerem de seu rosto.

Mas não porque ele iria morrer.

Mas sim porque ele sabia que ninguém iria salvá-lo daquele abismo.

Cada vez mais lágrimas, ele já não se importava. Gilbert Beilschmidt não se importava em se rebaixar. Mas, antes de morrer, o albino tinha um desejo. Ele queria ver alguém.

Ele queria ver o West.

Mas Gilbert estava acabado. Ele não podia ao menos se levantar. Ele sentia que, se levantasse, suas pernas quebrariam com uma facilidade igual a de um copo caindo de uma mesa.

Ele sabia que era arriscado tentar procurar West, podia custar-lhe a vida. Mas ele queria abrir o coração ao irmão. Ele queria dizer que um dia o amou. Ele queria ser livre. E era assim que se sentia.

Ele era o copo, a mesa era sua casa, e Ludwig era o chão. Se ele saísse de casa e fosse encontrar o irmão, ele iria morrer.

Se quebrar.

É esse sentimento que a solidão passou para ele.

.x.

O loiro corria ofegante, desesperado. E se Prússia tivesse se envolvido em uma guerra? Aquele idiota com certeza havia perdido, e poderia estar morrendo, se já não estivesse morto.

Viu a casa, não checou se a porta estava aberta ou não; a chutou com força, fazendo-a cair arrebentando sua fechadura que estava trancada. Olhou para todos os lados e se deparou com dois olhos escarlates que o observava.

Por alguns momentos não acreditaram no que estavam vendo. Prússia não acreditava que via Alemanha daquele jeito, desesperado para vê-lo; desesperado por ele. E Alemanha não acreditava que via Prússia daquele jeito, desesperado para viver; desesperado às lágrimas.

- West... — Gilbert sussurrou logo secando as lágrimas com a manga da jaqueta e sorriu do seu típico jeito; um sorriso cínico e convencido do qual Ludwig sentia falta.

Mas não aconteceu como o albino imaginava; o loiro não foi correndo em sua direção abraçá-lo e confortá-lo, chamando-o de idiota por ter entrado em uma guerra sozinho.

- Você se encontrou com a Hungria, Irmão?

Também não ocorreu como o loiro imaginava; o albino não negou insanamente e se aproximou desesperado dizendo que era digno demais para aquele tipo de contato.

- Minha guerra foi contra ela. — Prússia disse, firme — Mas claro que o digníssimo eu a deixei ganhar. Não bato em mulheres. — ele sorriu como se ele estivesse em perfeito estado.

Mas West sabia que ele não estava. O resquício de solidão que sentia não o permitia acreditar que estava.

- Você é um tremendo idiota, sabia, Irmão? — Alemanha disse, se aproximando de Prússia.

- O que você quer dizer hein, seu... — mas o Beilschmidt não conseguiu terminar a frase; pois sua surpresa foi maior. Ludwig abraçou o irmão desesperado e com lágrimas quase saindo de seus olhos úmidos.

Gilbert preferiu não falar nada. Apenas retribuiu o abraço do West, a pessoa que mais queria ver.

- West.

- O que foi? — o loiro sussurrou deixando sua alegria transparecer.

- O digníssimo eu ama você.

Alemanha congelou. Rapidamente se separou do irmão e olhou mais do que surpreso para o mesmo.

- É isso aí que você ouviu. Agora, corresponda meus digníssimos sentimentos! — Prússia disse sem o mínimo de vergonha.

- Eu correspondo. — o alemão disse simplesmente, deixando o irmão perplexo. Mas Gilbert sabia o que fazer.

E simplesmente beijou West.

Não o importava a família, a irmandade. Ambos se amavam, isso era o que importava no momento.

E Alemanha não ia deixar Prússia morrer tão rápido.

"Porque você está aqui, eu posso ser eu mesmo.

Apenas para ser forte, e passar pela solidão"

Notas finais
Espero que tenham gostado ♥
Muitos feels ;A; Estava obviamente ouvindo Einsamkeit enquanto escrevia isso.
Reviews povo? ~ ♥
Obrigada por ler ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!