Einfache, aber wahr
1 One-Shot
Notas iniciais
A tradução do título é "Simples, mas verdadeiro"
Esperamos que gostem! ♡
Era época de Natal, em que todos se juntam aos seus parentes, crianças ansiosas para brincar com seus brinquedos, tempo de união. Apesar do frio e da neve, algumas pessoas circulavam pelas ruas procurando algum presente para dar à suas famílias, nas ruas principais haviam algumas aglomerações. Não muito longe dali, um casal e uma criança entravam em uma loja de brinquedos, que teria a função de agradar o garoto. Assim que entraram na loja, o menino estudou a loja com os olhos surpreendentemente lilases, procurando algo que despertasse sua curiosidade e foi analisando os brinquedos de cada um dos corredores. Na loja havia apenas eles como clientes, até que os sinos da porta anunciam a chegada de outro garoto com uma aparência um tanto incomum: era albino e possuía olhos incrivelmente vermelhos. Logo que entrou no local, sua atenção foi roubada por uma cena que acontecia um pouco mais aos fundos da loja. Um garoto como ele, tirando o fato de ser bem vestido, com cabelo castanho e arrumado em um penteado impecável, óculos que com toda certeza eram da marca mais cara da cidade e tinha uma pinta em seu queixo, apontava para um brinquedo na prateleira, um soldadinho de chumbo, mas a reação de seus pais não foi uma das melhores.
— Roderich? Você quer este brinquedo? – A senhora disse incrédula, apontando para o soldado. Ela era muito parecida com o garoto, certamente era sua mãe – Tão medíocre...
— Mas eu gostei. – O garoto insistiu, ele tinha realmente gostado do brinquedo. Era simples? Sim, mas chamou sua atenção.
— Escolha outro. – O pai interferiu na conversa – Vamos, Roddy... Não seja modesto, qualquer brinquedo é melhor que esse.
— Mas eu quer-
— Chega! Roderich! Vamos embora. – Cortou friamente e puxou o menino para fora da loja e o homem os acompanhou. Gilbert esteve assistindo ao acontecimento, em silêncio. Talvez não fosse certo interromper uma discussão de família. Lembrou da feição de decepção do outro menino quando o brinquedo foi negado, ele não parecia caro... Então por quê? O menino parecia ter um bom coração, talvez merecesse ganhar aquele soldadinho de chumbo... Talvez. De qualquer maneira, não era da sua conta se o outro garotinho iria ganhar um brinquedo ainda melhor (e ainda mais caro), ou um sermão dos pais. Ele estava ali para comprar o seu próprio presente, com o resto da mesada que seu papai havia dado. Sem mais nem menos, botou as mãos em seus bolsos, retirando de lá o seu dinheiro e fazendo a conta do quanto tinha. Cinco e cinquenta, sete, oito... Dez euros. Caminhou por vários corredores, cheios de prateleiras repletas de brinquedos, mas nem um deles o agradava ou era possível de se pagar. O que ele poderia achar com dez euros? Após percorrer os olhos por quase a loja inteira, em uma mesinha afastada, quase aos fundos da loja, achou dois brinquedos, um do lado do outro, que curiosamente custavam exatamente 10 euros. De um lado tinha um carrinho azul que, pelo seu brilho, mais parecia ser de porcelana do que de plástico. Era pequeno, quase não ocupava a mão inteira, mas muito bonito para o seu preço. Já do outro lado, havia um... Um soldadinho e chumbo? Não podia ser possível que era o mesmo soldadinho de chumbo que o outro garoto queria. “Como era o nome dele? Rod... Rod o que? Roddy, mais fácil! Enfim, esse tal de ‘Roddy’ bem que merecia ganhar o brinquedo, quem sabe eu encontre com ele depois”, foi o que Gilbert pensou e assim o fez. Pegou seu dinheiro e o comprou. Agora, como iria entregar? Talvez nem visse mais o garoto, mas se esforçou a pensar positivo. Fez seu caminho de casa observando a neve cair, distraindo-se. Chegou a sua casa rapidamente e, novamente, sua atenção foi roubada, pelo mesmo garoto de antes. Ele e seus pais estavam entrando no apartamento a frente de sua casa. Então era ali que ele morava? Talvez. Quando entrou em sua casa, escondeu o presente atrás de si. Seus pais estavam na sala, passou rapidamente por eles para não conseguirem ver o presente. Foi em direção ao seu quarto, abriu e fechou a porta lentamente evitando qualquer barulho vindo da madeira velha mal pintada, que separava seu quarto de um corredorzinho estreito. Jogou-se em sua cama e olhou para a caixinha de presente que depositou em seu colo. Agora, a única coisa que tinha que pensar era como ia entregar o presente ao garoto. "Sair na rua, durante a noite de natal, e apertar todos os botões do prédio dele até acertar? Não... Vai levar uma eternidade. E deixar na frente da porta até ele ver? Não... Alguém pode pegar... E enviar para o correio entregar? Ah... Já gastei toda a mesada... Droga!" Toda a positividade de antes desapareceu. Não havia nem um jeito de entregar aquele presente ao menino. Mas, mesmo assim, ele não iria desistir; algum milagre de natal ia acontecer em resultado de sua boa ação. Roderich estava chegando a casa com seus pais, sabia que levaria uma bronca. Foi direto para o seu quarto, estava frustrado demais. Aquilo era tanta injustiça, um mero brinquedo, um dos únicos que gostou, na verdade, ele não podia ter, pelo motivo de ser “simples demais”. “Ridículo”, ele pensava. Não demorou muito para seus pais o chamarem para o jantar, ele já esperava por alguns comentários da parte deles. Terminou sua refeição antes, usou sua boa educação e os desejou boa noite, depois foi novamente para o seu quarto. Fechou a porta e foi para perto de sua escrivaninha e sentou-se. À sua frente estava uma janela, que mostrava a rua repleta de neve, pouco movimentada. Ficar observando a neve cair lentamente estava deixando-o sonolento, e assim resolveu dormir. Amanhã o dia seria longo. Já era 25 de dezembro, o dia do natal, em que todas as famílias estavam reunidas, compartilhando o momento de confraternização e botando o papo fora, enquanto os pais preparavam as comidas para a ceia. A família de Gilbert era distante, sendo assim, em épocas comemorativas apenas seu pai, sua mãe e seu irmão mais novo festejavam com ele. Ele é muito próximo de seu irmão, o pequeno Ludwig, os dois não viveriam um sem o outro. Logo após a ceia, os pais levantaram e foram lavar as louças, assim disponibilizando um único dia para as crianças poderem descansarem das tarefas domésticas e brincarem com os novos presentes. Gilbert correu até seu quarto, pegar o presente do outro garoto. Ele precisava tentar entregar logo, mesmo não sabendo se Roddy estava em casa ou não. Parou um pouco para olhar pela janela e observar o prédio do outro garoto, pensando em tentativas de como entrar lá. Tinha uma árvore posicionado bem à frente de seu ponto de visão, então, abriu a janela e tentou enxergar melhor. Em consequência, acabou olhando para baixo, após quase cair de tanto se pendurar, estava realmente difícil de enxergar! "Não pode ser... Roddy!" Pensou em voz alta, após ver a figura do menino que tanto procurava sentado em baixo da árvore, bem tristinho e cabisbaixo. Agora era sua chance, o milagre de natal realmente aconteceu. Enquanto seu irmãozinho brincava no chão da sala com o presente que "recebeu do Papai Noel", o mais velho conseguiu escapar e sair de casa. Desceu as escadas do prédio o mais rápido possível, segurando o soldadinho de chumbo e gritando o nome do menininho. Roderich não estava muito feliz com aquele Natal e resolveu sair um pouco. Ao lado de onde morava havia uma árvore e ali em baixo se sentou. Estava frio, mas naquele momento não ligava, estava chateado demais para isso. Passou um tempo ali, mas de repente começou a ouvir alguém chamá-lo. Pensou que seria sua imaginação, mas percebeu que estava errado quando a voz parecia aproximar-se.
—Roddy!- Quando chegou ao último degrau, pulou para cima da porta e a abriu- Ei... Roddy!- e assim, deu de cara com o menino que, por acaso, estava muito confuso.
—D-Desculpa... Mas eu te conheço? Quem é você?- Roderich o questionou, estranhando a tamanha intimidade por tê-lo chamado pelo apelido. Gilbert não respondeu nenhuma das perguntas, apenas estendeu o soldadinho de chumbo para o garoto, e disse: "Feliz Natal!" Antes de pegar o soldadinho, ele ajeitou os óculos, dando portas para uma expressão alegre, que por conta do brilho no olhar, dava para notar o quanto estava apaixonado pelo brinquedo. Levantou de onde estava, abandonando seu lugar de baixo da árvore junto com toda a tristeza que trouxe de dentro de casa, e agarrou o brinquedo com suas mãos, não conseguindo tirar os olhos do soldadinho. Ele estava em choque, enquanto o outro garoto o olhava namorar o soldadinho com um grande sorriso. -Eu não trouxe nada pra você...
—Ah... Não se preocupe com isso. Eu já ganhei o presente que eu queria. – Sentou-se onde o outro estava e esperou ele a fazer o mesmo.
— Obrigado, eu acho. – Juntou-se ao outro. – Agora, por que você me chamou de Roddy? Suponho que não nos conhecemos.
— Isso é verdade, o senhor que estava te acompanhando no dia da loja, acho que era seu pai, te chamou desse jeito.
— Entendi... Meu nome é Roderich, e o seu?
— Gilbert. Espera... Rod o quê? – Que nome mais difícil de decorar.
— Roderich. – Disse lentamente.
— Roderich. – Repetiu – Ah... Mas Roddy é mais fácil... Ou talvez jovem mestre? – A pergunta foi para si mesmo.
— Tudo bem! Chame como quiser. – Desistiu de insistir com o garoto.
Depois de um tempo, decidiram sentar em baixo da mesma árvore, e continuar a conversar e botar o papo fora, até quando perceberam que já estava à anoitecer, e que era melhor voltar para dentro de casa e passar o resto da noite com a família.
Levantaram, e juntos foram até o outro lado da rua, na porta do prédio de Roderich.
—Quando podemos nos encontrar de novo, jovem mestre? -Gilbert o perguntou, na esperança de poder ver o novo amigo novamente, e assim, talvez conquistar uma amizade de longa data.
—Ah... Não vai ser mais possível de nos encontrar.
—Por quê? – Perguntou um pouco confuso – O que aconteceu?
—Amanhã eu e minha família vamos nos mudar para um bairro distante... Do outro lado da cidade, para ser exato. E a minha família... A minha família não irá gostar de você ou da nossa amizade.
O outro já iria o questionar novamente, mas logo se lembrou do que a mãe dele disse no dia anterior.
—Está bem. Eu entendi. – Respondeu realmente triste por não ter pelo menos a chance de encontrar os pais dele para mostrar quem ele é, e apenas ter que ser julgado por uma questão financeira boba.
—Mas não fique assim. Eu realmente gostei... De você.
Os dois permanecerem em silencio.
—Roderich! – Uma voz ecoou de dentro do prédio, já estava na hora de Roddy subir.
—Adeus... – Gilbert disse, o olhando com tristeza no olhar.
—Adeus.
O outro sorriu, antes de entrar no prédio junto com o soldadinho de chumbo, escondido em meio aos seus casacos.
— Ah... Feliz natal!
Enquanto subia as escadas, olhou para trás e desejou de volta:
— Feliz natal.
*****
Gilbert já estava encerrando seu expediente. Trabalhar em um escritório era realmente estressante. Ficar enfornado em uma sala com uma roupa formal em comparação ao seu estilo casual era mais difícil do que pensava, além disso, havia as dores de cabeça geradas pelo trabalho. Mas não podia reclamar, ele, agora, possuía uma vida confortável, sua condição econômica melhorou também. Juntou suas coisas e despediu-se de seus colegas de trabalho.
Estava nevando e o Natal estava se aproximando. Não se importou com a neve e fez seu caminho de casa normalmente. Chegando lá, retirou o excesso de roupa que o protegia do frio, não precisava mais dentro de casa. Fez um simples jantar e assistiu TV até tarde. Aquilo era cansativo, a mesma rotina, o mesmo caminho de sempre, mas logo estaria de férias e poderia aproveitar o momento com seus amigos. Decidiu ir dormir, amanhã teria uma festa de confraternização da empresa.
*****
A festa era um tanto formal, não poderia esperar menos de seu chefe. Estava conversando com os seus colegas quando alguém colocou a mão em seu ombro levemente. Virou-se e deu de cara com seu chefe.
— Senhor Edelstein?
— Olá, Gilbert. – Saudou – Queria que você conhecesse meu filho. – Uma figura um pouco mais baixa saiu de trás do mais velho. Ele estava surpreso, a pessoa era o seu “amigo” de infância. Ficaram se encarando em silêncio, ambos processando o que estava acontecendo.
— Roderich. – Disse inconscientemente.
— Pelo visto vocês já se conhecem, vou deixá-los conversar.
*****
Aparentemente a conversa na festa não foi tão inconveniente ou vergonhosa. Um ano se passou, e eles ainda mantinham contato. Todo final de semana um ia visitar a casa do outro, estavam totalmente à vontade. Mesmo sendo adultos, Gilbert mostrava um lado mais infantil para Roderich, e raramente, ele entrava na brincadeira dele. No final do ano, quando já estava perto do natal, Gilbert o chamou para passarem a data juntos. Nenhum dos dois podia negar que estavam ficando cada vez mais íntimos. Até que perceberam que havia algo mais que amizade, o modo em que pensavam tanto um no outro, se preocupavam tanto um com o outro e se sentiam em relação ao outro. Algo definitivamente cresceu. Um sentimento que ambos não podiam mais controlar: o amor.
Organizaram um jantar simples na casa de Gilbert. Tudo estava correndo perfeitamente bem, seguindo os planos do albino. Agora só faltava trocar os presentes. Os dois estavam sentados no sofá conversando sobre assuntos triviais, até que ele percebeu que já estava na hora, mas Roderich agiu antes.
— Gilbert, eu trouxe um presente para você. – Disse com um pequeno sorriso.
— Eu também! Pode ir primeiro. – Droga, ele estava começando a ficar nervoso, mas foi apenas por um segundo até ver uma caixa sendo estendida à sua direção. Pegou o presente analisando cada detalhe, as fitas estavam perfeitamente arranjadas. Puxou-as e rasgou cuidadosamente a embalagem. Era um headphone vermelho. Roderich tinha acertado totalmente no presente. Colocou o objeto em seu pescoço. Estava mais confiante agora.
— Espere aqui, vou pegar o seu presente. – Anunciou deixando a sala. Foi até o seu quarto e pegou uma pequena caixinha vermelha e um buquê de flores. Escondeu os presentes atrás de si e voltou para o local onde o outro o esperava.
— Então... – Percebeu a demora do outro que estava parado a sua frente apenas encarando – O que você tem para mim?
Gilbert inspirou e expirou, era agora, tinha que ser agora. Entregou primeiramente as flores. Roderich ficou surpreso e corou um pouco, mas as aceitou. Eram lindas. Enquanto estava admirando o buquê quase não percebeu uma pequena caixinha vermelha que estava prestes a ser entregue a ele. Hesitou na hora de receber e abriu cuidadosamente. Um anel. Olhou para Gilbert como se quisesse uma explicação para tudo aquilo, que logo foi esclarecido.
— Quer namorar comigo? – Falou com um tom extremamente carinhoso. Roderich estava paralisado, talvez ainda estivesse processando tudo o que estava acontecendo.
— Sim. – Respondeu timidamente. Ele sorriu tão naturalmente, estava tão feliz. Gilbert não perdeu tempo e o puxou para um beijo, confirmando todo o amor que sentia.
— Feliz Natal! – Selaram os lábios novamente.
Notas finais
Espero que tenham gostado desse "especial" de Natal (atrasado, eu sei)
Feliz Natal e Feliz Ano novo! ♡♡
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