Eileen descobriu a Sra. Rose na sala de jantar. Ela a olhou de cima a baixo claramente desaprovando suas roupas. A Sra. Rose não estava sozinha, havia uma pessoa de costas para ela, olhando pela janela, Eileen percebeu tarde demais quer era a mesma figura encapuzada que vira do lado de fora da casa mais cedo, por algum motivo estremeceu.

-Sim? – perguntou Eileen.

-Não seja insolente! Você tem visita. Vou permitir que converse a sós com o Sr. Soyer apenas por consideração à sua madrinha. – disse a Sr. Rose saindo da sala e fechando atrás de si.

-Sr. Soyer? O que faz aqui? Porque está vestido assim? – o homem já havia se virado e Eileen o reconheceu como seu professor de atividades complementares, era seu professor preferido, muito sereno e um pouco novo comparado ao restante de seus professores. – E o que você tem a ver com a minha madrinha?

-Srta. Grey. Me desculpe aparecer assim, mas preciso tratar de alguns assuntos com você – Ele olhou sob meu ombro, para a porta e ficou ainda mais sério. – Mas precisa ser em outro lugar, onde não poderemos ser ouvidos.

— Bom, nessa casa será impossível, todas as paredes têm ouvidos. – disse Eileen supondo que a Sra. Rose estaria ouvindo a conversa atrás da porta. O Sr. Soyer olhou pela janela, a chuva ainda caia forte.

-Arg! Vai ter que ser aqui mesmo, que se dane. – disse ele mais para si mesmo, ele foi até a porta e a tocou, cochichou algo e para o espanto de Eileen uma película arroxeada e tremeluzente cresceu da mão de seu professor cobrindo toda a porta. Eileen deu um gritinho com o susto. – Acalme-se Eileen, acho que posso te chamar assim não é? Vou te explicar tudo...

— O-oque está acontecendo? – gaguejou a menina dando um passo para trás. O Sr. Soyer com calma se sentou em uma das cadeiras da sala e pediu que Eileen se sentasse, em vão.

-Bom Eileen, meu nome é Edward Soyer como você já sabe, mas não sou apenas seu professor, sou seu guardião neste mundo, enviado aqui por minha, bom, nossa mãe, a quem você chama de madrinha – Edward parou e observou a reação de Eileen, ela finalmente se sentou, caindo pasma na cadeira em sua frente. – Eu sei que vai ser muita informação para você digerir de uma só vez, mas não temos muito tempo, nossa mãe finalmente pode nos chamar de volta à onde pertencemos..

— Isso é alguma brincadeira Sr. Soyer? – Interrompeu Eileen, com a cabeça ainda girando confusa – O que quer dizer com “nossa mãe”? Eu não tenho mãe!

— Sim, você tem Eileen. Eu sinto muitíssimo que tenha que descobrir assim, mas nós somos meio irmãos e eu venho te protegendo já a alguns anos a pedido de nossa mãe. Ela não pôde ser revelar até hoje para te proteger, mas agora ela pode se reunir a você e nós vamos a seu encontro essa noite...

— Espere ai! Eu não vou a lugar nenhum com você, encontrar sabe-se lá quem só porque está me contando uma história maluca

-Eileen, por favor, apenas me ouça, eu sei que você pode sentir a verdade no que estou te contando, se não nem estaria aqui ainda... – ele recomeçou com tentando controlar a voz – Você sempre gostou de mim, certo? Sempre tivemos uma ligação, diferente dos outros professores.. – Eileen teve que concordar com isso, era estranho mas ela sempre gostou dele. – Então, nós temos uma ligação de sangue. Você faz coisas entranhas acontecerem, não é? Não sem encaixa em lugar nenhum, se sente diferente em todos os aspectos... Bom nós somos diferentes das pessoas normais, você ainda mais que eu.

— O que quer dizer? – ele havia tomado sua atenção, descrevendo como ela se sentia e nunca havia contado para ninguém.

— Mantenha sua mente aberta, ok? Bom. Nossa mãe é Hécate, a deusa grega da magia. – ele pausou por um breve momento – Eu sei que você sabe quem é pois teve aulas de mitologias. Então, os deuses Gregos são reais, assim como os semideuses, é o que somos, eu sou filho de Hécate com um mortal, e você também, bem, não exatamente um mortal comum mas isso ela mesma pode te explicar em breve. O que você precisa saber que Hécate tenta ser uma boa mãe, comparada aos outros olimpianos, ela não te abandonou, sempre olhou por você, mas ela precisava te esconder pois seria uma imã para os maiores perigos do nosso mundo...

— O que quer dizer com “nosso mundo” – perguntou Eileen, que por algum motivo ainda não tinha surtado.

-Bom, nosso mundo não é aqui, nossa realidade é outra. Viajar entre as realidades é algo que nossa mãe e alguns de seus filhos podem fazer. Ela te enviou para cá ainda pequena pois este é um mundo sem criaturas mágicas e aqui você ficaria mais segura, infelizmente você se perdeu pelo sistema por alguns anos e ela me enviou para te encontrar, desde que te achei ela se tornou sua madrinha e eu seu guardião, garantindo assim que você tivesse a melhor educação e treinamento oferecidos por aqui.

-Como pode dizer que ela não me abandonou? – questionou Eileen com os olhos marejados – Tudo que eu fui a vida toda foi abandonada...

— Eileen... eu sinto muito, essa sua dor eu não posso justificar. O que posso dizer é que Hécate teve boa intenção. Nem sempre ela foi presente para a maioria de nós, em nosso mundo os semideuses costumavam ter destinos cruéis, éramos caçados e não vivíamos muito, tivemos que passar por algumas guerras para as coisas começarem a mudar e os deuses se permitirem ser pais de verdade. No entanto Hécate sempre tentou nos auxiliar o máximo possível... Você irá entendeu melhor quando a encontrar...

Eles ficaram calados por alguns minutos, Eileen estava absorta em seus pensamentos, sua mente girava rapidamente por diversas lembranças, várias ocasiões fez coisas entranhas acontecerem, como a poucos dias na briga com as garotas da casa, os pratos voaram... sim eles voaram com a raiva dela e coisas do tipo aconteceram antes mas a garota se convenciam de que eram coisas de sua cabeça. Além disso Eileen sempre sentiu uma intrusa em todos os lugares, sempre fora dos padrões. Edward a observava.

-Tudo começa a fazer sentido, não é? – supôs ele e continuou – O seu TDAH e sua dislexia, bom, todos nós temos, faz parte de ser um semideus, sua mente é programada dessa forma, para ler em grego antigo e usufruir de seus reflexos natos, apesar que você lida com isso bem melhor que a maioria.

-Porque agora? – interrompeu a garota- porque me contar a verdade agora?

— Boa pergunta. Bem, os semideuses e os deuses estiveram em guerra por algum tempo contra forças malignas, a guerra finalmente terminou a algumas semanas e este tem sido o melhor momento para Hécate te revelar em muito tempo, ela quer se encontrar com você desde que a enviou para cá, e agora ela finalmente pode. Dê a ela essa chance Eileen, ou ao menos se dê a chance de conhecer suas origens...

-Eu.. hamm.. tudo bem. Eu não tenho nada que me segure aqui mesmo. – disse Eileen se lembrando que estava ponto de fugir novamente, estaria nas ruas novamente, porque não se jogar nessa loucura toda, loucura essa que Eileen sentia lá no fundo que era verdade... Talvez sempre tivesse sido louca afinal. – E como vamos fazer... hamm... essa viagem?

— Bem... — começou Edward claramente aliviado pela resposta de Eileen – Vamos usar a lua, hoje não é a melhor noite com toda essa chuva mas.. ainda assim deve dar certo. – ele se levantou indo em direção da porta – você precisa de quanto tempo para arrumar suas coisas antes de irmos?

— Já esta tudo pronto, minha mochila está no meu quarto. – respondeu a garota sem dar mais detalhes, e Edward não pareceu querer mesmo.

— Ótimo. Eu vou tirar o selo da porta, você vai para seu quarto e espera alguns minutos e saia para me encontrar do outro lado da rua. Eu vou dar uma desculpa qualquer para essa senhora irritante e te espero lá. A chuva está diminuindo, é o melhor momento, não demore. – dito isso, Edward tocou na porta e a película de dissipou, ele parecia eufórico, provavelmente feliz por voltar para casa, supôs Eileen.

Os próximo 30 minutos se passaram como um borrão, Edward deu uma desculpa qualquer para a Sra. Rose e saiu, Eileen subiu e saiu da casa facilmente, como ela teria saindo mais cedo para fugir. Ela encontrou com o homem em frente a casa, eles andaram por algum tempo até chegar em um gramado no parque do bairro, a chuva havia dado uma trégua.

— Acho que aqui está bom, a lua sairá em breve – começou Edward olhando para o céu – Eu sei que deve ter muitas perguntas Eileen, não posso responder todas agora pois temos que aproveitar a noite a luz da lua que potencializa nossos poderem. – Ele tirou um colar de dentro da roupa, era um belo pingente, um círculo com uma arvore dentro sob a lua em suas fases. Edward segurou a mão de Eileen e levantou o colar no mesmo momento em que uma nuvem se afastou e a lua apareceu tímida, o colar brilhou e começou a girar, o homem fechou os olhos e disse em uma língua esquisita que Eileen estranhamente entendeu – Mãe, leve-nos para casa.

Eileen sentiu um puxão em seu interior, sentiu girar e girar e de repente sentiu o chão sob seus pés novamente. A garota abriu os olhos e antes que pudesse olhar em volta vomitou. Se curvou e quase caiu, Edward a segurou rindo.

— Calma, calma, já acabou. A primeira viagem é sempre assim, você já vai se sentir melhor. – disse ele. Eileen se endireitou envergonhada, não gostava de demonstrar fraqueza a ninguém. Ela então pode olhar em volta, estava em frente a uma pequena casa com paredes cobertas por trepadeiras, haviam duas tochas iluminando a entrada.

— É aqui? Chegamos?

Notas finais
Entãoo... estou tentando. Se houver alguém ai me deixe saber o que estão achando ;)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.