Ei , Psiu! Sabia que eu Te Amo ?
29 Será mesmo ?
Notas iniciais
Preferia ter caído.
Eu iria me machucar bem menos, do que dirigir a palavra com essa ... , bom, esse ser humano.
– Ana ... é você mesmo ? — insiste.
– Peter — digo com desgosto.
Lembranças ruins atingem minha mente, e eu só quero sair correndo dali, mas resolvo enfrentá — lo.
– Hey — diz ele — Você mudou.
– E o que te importa ? — fico na defensiva.
– Nossa ... — ele tosse, e da um sorriso sarcástico — esqueceu do que houve entre n ... — interrompo — o.
– Haha — dou uma risada — Você realmente acha que houve algo entre nós ?
– Não fui eu quem me afastei .
– NÃO FOI VOCÊ ?!! — Respiro — Olha ... eu não devo nenhuma satisfação a você.
Saio, em direção a minha sala, mas ele me puxa .
– Tem certeza ? Tem realmente certeza ?
– Não encoste um dedo em mim de novo se não eu te arrebento.
– Virou valentona agora ? — diz ele, rindo , lentamente.
Puxo meu braço, e saio " vazado " dali.
O dia tinha que começar mal ?
Chego na sala e o professor Clet já esta na aula.
– Professor licença — digo, batendo na porta.
Ele me olha, depois olha meio que por trás de mim, não intendo muito bem, até me virar do lado e ver Peter.
– Ana ... O que a atrasou ? — pergunta o professor.
– Eu ... — Peter me corta.
– Estávamos conversando e perdemos o horário .
Olho para Peter furiosa . O que ?!
O professor volta a me olhar.
– Ana ... vocês se atrasaram por causa disso ? Não escutaram o sinal.
– Não escutamos — responde Peter.
– Eu falei com ela — o professor diz.
Todos da sala se entreolham e dão gritos de zombaria contra a situação. Eu sei onde isso pode dar, então melhor parar por aqui.
– Sim professor — minha voz sai simples, demonstrando verdade — Não ouvimos o sinal. Só ouvia o " blá, blá , blá " que a matraca do Peter falava.
Agora ele me olha com raiva. Segura essa.
– Bom — o professor ainda diz meio desconfiado — entrem e se sentem, não iremos perder mais algum segundo, do nosso precioso tempo, que passa, enquanto vocês e acertam ai.
Entro, e observo o local. Onde me sentar ?
Me sento na segunda fileira depois da janela, na quarta carteira.
Tiro meu material rapidamente e só agora, começo a refletir que aula estamos.
Português , ou melhor, língua portuguesa.
Tiro minha apostila de Port. , arranco pra fora meu estojo, guardo meu celular, e retiro meu caderno.
Sinto alguém tocar meu ombro. Viro me para trás.
– Olá , Ana .
– Ed ! — digo, empolgada — Não o vejo desde o começo das férias !
– Vejo que já chegou " divando " minha " Frô " !! — diz ele, e começo a rir.
Não pensei em como me fez falta esse apelido divertido, no qual ele me chamara. E como ele falara errado a pronúncia de " flor ".
– Saudade do frô ! — suspiro — E ... não, não cai nessa de novo, o Peter é um mané.
– Eu ouvi — diz ele, que percebo que está sentado do meu lado direito, opa !
– Problema é seu — diz Ed.
Sorrio e olho para Peter. Quando ele me olha faço biquinho pra provocá — lo.
Qual a parte que eu iria parar por aqui ? Ah é ... nenhuma !
– Valeu Ed — digo.
– De nada.
– Professor, tem gente atrapalhando meu raciocínio com conversas ... — Peter diz.
– Indireta é ? — digo.
– A culpa não é minha se você é burro — diz Ed.
– A culpa é das estrelas — diz Peter, debochando.
– NÃO METE O LIVRO LINDO NISSO SEU TONTO ! — digo — NÃO METE O LIVRO!!
– Vem me impedir ! — ele diz , fazendo sinalzinho com a mão, me chamando.
– Liga não frô , esse tipo de gente é assim, se contenta em tirar a paz dos outros, porque não tem paz pra si mesmo. Ai fica morrendo de inveja e faz isso ! — Ed me defende.
Sorrio fraco pra ele.
Ele retribui com uma piscadela.
Peter encosta a mão no meu ombro.
– Eu disse pra não encostar em mim de novo, vou te arrebentar.
Ele desencosta de mim, e fica se batendo levemente no rosto, em gesto de provocação.
– Vem ! Bate ! Bate em mim! Quero ver se é capaz! VEM ANA ! BATE AQUI Ó ! BATE AQUI! PARA DE PEDIR PRA SEU AMIGUINHO GAY TE DEFENDER, VENHA VOCÊ MESMA ! ME BATE! BATE AQUI Ó! — agora foi o Ó !
Antes que eu me levante para acertá-lo, Ed, demonstrando ser um bom amigo, e ao mesmo tempo, mais descontrolado que eu, vai pra cima de Peter, acertando seu queixo. Peter solta uma exclamação de dor, mas da dois socos um pouco acima da boca de Ed, fazendo- a sangrar.
Sem pensar, vejo que Peter pretende bater mais em Ed, então me jogo na frente dele, tentando o defender, e a mão de Peter ainda vem na minha direção. Coloco a mão na frente do rosto, para tentar protege-lo . Alguém solta um grito. Peter percebe que vai me acertar, e não Ed. Ele tenta parar, mas seu soco pega de raspão no meu dedo indicador e no meu dedão, fazendo- os arder muito.
Peter é puxado pra longe. Alguém separou a briga. Olho pra trás e Ed está respirando com dificuldade e com a boca sangrando.
– ED! — Exclamo — Você está bem ?
– Eu ... ARGH! — ele respira, acalmando se — Você está bem :
Tento mexer minha mãe, mas só consigo piorar a dor.
Abaixo a cabeça.
– Isso é tudo culpa minha — sussurro .
– PROFESSOR ! A ANA NÃO CONSEGUE MEXER A MÃO DELA.
O professor vem e depois de vários sermões, do tipo :
" Viram onde a briga leva ? " ou outros como " Não importa quem começou, os dois estão errados , pois, além de brigarem entre si, envolveram a amiga, que tentava protege- los e separa — los " ...
Uma coisa ele estava errado. Eu não tentava proteger os dois. Eu tentava proteger o Ed, e só. Mas acabei protegendo Peter também , de levar murros do Ed, e acabei com dois dedos quebrados.
ÔOO dia.
Fui levada a enfermaria, enquanto os meninos, se dirigiam a diretoria. Depois eu também haveria de ir na diretoria, dar " meu depoimento " . Isso aqui realmente virou uma prisão. Mas eu sentia falta. Não de brigas. Mas de meus amigos, com Ed, que me defendem a todo custo, e estão sempre do meu lado.
O que será que virá ainda mais por hoje ?
Descanso enquanto enfaixam minha mão, e penso em o que falar, e o que fazer, na diretoria.
Fale com o autor