Egoist.

1 Oneshot. - Crough Syrup.


Notas iniciais
Primeira oneshot JongKey que posto, espero que gostem ~

‘’Não me condene, por favor. Sei que é a primeira coisa que você vai fazer quando terminar de ler isso aqui, por isso essa é a primeira coisa que lhe peço. Eu até diria para você nem ao menos começar a ler a partir daqui, se achar que não será capaz de me condenar pelo resto da vida antes mesmo de chegar ao fim, mas sei que de nada adiantaria, que você não me daria ouvidos e leria mesmo assim. Mas, de todas as formas, você precisa saber, então, que seja.

Eu sinto muito, Kibum.

Eu realmente, realmente, sinto muito. Eu lamento muito, lamento com cada fibra do meu ser. Lamento que as coisas tenham que ser assim, você sabe que eu lamento, não sabe?

Você sabe que eu não queria que as coisas seguissem esse rumo, e, da mesma forma que sabe disso, sabe que não havia nada que eu pudesse fazer, não sabe?

É claro que você sabe, por isso trate de desmanchar essa cara de pouco caso que eu sei que você está fazendo. Pare de agir como se eu não me importasse com o que aconteceu, como se eu fosse o único culpado por isso tudo, porque nós dois sabemos que era algo que estava muito longe do meu alcance.

E pode parar com esse sorriso de escárnio que eu sei que você está dando enquanto faz algum trocadilho maldoso em relação a minha altura, mentalmente.

Embora Jinki tenha dito que seria muita falta de tato da minha parte mandar esse convite, achei que seria ainda mais falta de tato não convidá-lo, pois esse é um momento importante na minha vida, e não é como se eu pudesse simplesmente deixá-lo de fora, como se você não fosse alguém importante.

É bem provável que Jinki é quem esteja certo, e que você simplesmente me odeie ainda mais por ter mandado esse convite, mas tudo bem. Eu não te culpo, do mesmo jeito que não vou te culpar, e sim entender perfeitamente se você não quiser comparecer, embora eu, quero dizer, nós, fossemos ficar muito alegres com a sua presença.

Eu, ao menos, ficaria.

Sei que estou pedindo muito, muito mais do que eu jamais poderia ter o direito de pedir outra vez, sei que estou tendo a sensibilidade de uma pedra, sendo egoísta e não pensando em como você se sente, e sei ainda mais que te pedir para comparecer ao meu casamento é praticamente uma ofensa.

Mas eu preciso de você aqui, Key.

Eu preciso de você aqui, porque se você não estiver aqui, não vou ter forças para dizer ‘’não’’. Vou acabar me forçando a seguir adiante com toda essa cerimônia. Se você for, eu prometo, eu prometo que vou sair correndo no último segundo, vou te pegar pela mão e ir embora sem nem pestanejar. Vou acabar com todos os negócios da minha família, vou desapontar meu pai mais uma vez. Vou desapontar meu pai quantas vezes forem necessárias, quantas vezes você quiser.

Eu preciso de você comigo, preciso que esteja lá, porque, se estiver, vou conseguir jogar tudo para cima.

E, embora eu saiba que nesse exato segundo você esteja achando que eu sou um idiota egoísta, que não está fazendo o uso de nem meio neurônio, não me importa.

Nos últimos meses, é tudo que eu tenho sido.

Egoísta.

Mesmo quando eu estou fazendo o que as pessoas julgam certo, eu estou sendo egoísta. Se faço o que acho que devo fazer, estou sendo egoísta. Se faço o que gostaria de fazer, estou sendo egoísta. Se faço o que meu pai quer que eu faça, pensando apenas em dar-lhe satisfação, estou sendo displicente comigo mesmo, com os outros, e ainda assim, egoísta.

Eu não tenho uma escolha certa, porque aparentemente, nenhuma delas é, coisa que não consigo entender. Qual é o problema em querer ser feliz com a pessoa que realmente amo?

Qual o problema em querer fazer a vontade do meu velho pai, para que, quem sabe assim, pela primeira vez na vida, ele diga que sente orgulho de mim?

Estou abrindo mão de tudo que poderia me trazer felicidade por uma porcaria de casamento arranjado, estou abrindo mão de tudo o que poderia me trazer felicidade para não trazer vergonha à reputação da minha família, estou abrindo mão de toda e qualquer chance de ser feliz só pra não fazer uma garota — por quem não consigo sentir nada além da mesma pena que sinto de mim mesmo – ser humilhada em público ao ser deixada sozinha em um maldito altar onde eu nem ao menos queria estar.

Eu estou sacrificando a minha vida, não importa que escolha eu tome, eu estou sacrificando a porcaria da minha vontade e da minha felicidade, e mesmo assim ninguém consegue ver nada além de um Jonghyun que eles julgam ser um egoísta que só pensa em si mesmo, e nunca nos outros.

Mas se eu já sou tão egoísta assim, quem se importa se eu for mais uma vez?

Um sinal, Key. Eu só preciso de um sinal. Se você me der esse maldito sinal, eu saio correndo daquela igreja com você. Se você estiver lá e me der esse sinal, eu largo tudo, não me importa meu pai, a empresa do meu pai, ou a maldita vergonha que será para a SeKyung ser largada no altar pelo noivo.

Sempre me disseram que eu era egoísta, quando eu na verdade não estava sendo.

Não do jeito certo.

Então essa é a hora de eu não pensar em ninguém além de mim e do que me interessa.

E a única coisa que realmente me interessa, é você.

Se mesmo depois de todos esses meses e dessa confusão toda, você ainda quiser esse imbecil do seu lado, saiba que eu não tenho mais medo de fazer minhas próprias vontades. Sei que agora é tarde, e que não é do seu feitio ficar esperando por alguém. Quanto mais alguém como eu. Você sempre deixou isso bem claro.

Um único aceno, Kibum. É tudo que eu preciso. Eu sei que é loucura, eu sei que é insensato, e sei que você me acha o maior idiota do mundo. Que você neste exato momento deve estar dizendo para si mesmo como eu sou a criatura mais estúpida do mundo, e que deve estar morrendo de vontade de acertar um soco no meio da minha cara.

Mas, Key… Um sinal. Só um sinal.

É tudo que eu preciso pra criar coragem de mudar a minha vida, definitivamente. Eu quero mudar, mas quero mudar do seu lado. Nenhuma mudança fará a diferença ou terá sentido se eu não tiver você.

Por favor, Kibum.

Eu finalmente estou conseguindo me desvincilhar daquela bigorna que sempre esteve amarrada em mim, sempre me puxando mais pra baixo. Eu finalmente estou conseguindo nadar em direção a superfície, depois de tanto tempo me afogando.

Dessa vez, ou eu começo a boiar, ou afundo de vez.

Só… Eu só preciso de um sinal.

Jong.’’

Passou os olhos pela carta pela última vez antes de guardá-la no bolso, ainda pensando se devia mesmo entrar naquela igreja. Suspirou, tentando avançar um passo que fosse, mas parecia que estava afundado em cimento. Com muito custo, atravessou a majestosa entrada da igreja impecavelmente decorada. Tomou um lugar, e tentava não chorar a cada segundo que se passava.

Pensou que ia desabar quando o viu parado naquele altar. Fez de tudo para que seus olhos não encontrassem os dele, ou acabaria fazendo uma loucura. Uma loucura que ele havia jurado para si mesmo que não faria. Durante toda a cerimônia, tratou de olhar para um ponto fixo bem alto, para que as lágrimas não tentassem escapar. Mas, quando a pergunta que todos esperavam ecoou pela igreja lotada, não houve como evitar. Seus olhos encontraram os de Jonghyun no mesmo instante, e o mais velho apenas o encarava, esperando que ele desse um sinal, qualquer sinal. Não conseguia ver direito com a visão turva, mas sabia que os olhos de Jonghyun estavam fixos nos seus, ansiosos por algo que ele havia jurado não fazer, embora seus músculos ardessem de vontade de fazê-lo dar um pulo, e embora suas cordas vocais ardessem de vontade de gritar.

Ao invés de fazer qualquer uma das coisas, apenas piscou demoradamente, deixando que uma lágrima escapasse de seu controle e rolasse pelo seu rosto.

Naquela noite, Kim Kibum não se manifestou.

Porque não foi preciso.


Notas finais
Melosa, sem sentido e confusa, mas mesmo assim, espero que tenham gostado.
Mereço reviews?
See ya ~
Hanko - 08/07/12.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!