Efêmero
9 Capítulo VIII: A Decisão
Notas iniciais
Capítulo VIII: A Decisão
Escrito por: Wenky (Andréia)
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Hermione tinha a aparência mais pálida do que de costume em função da claridade gerada por sua própria varinha que refletia contra o seu rosto. Os olhos castanhos da garota o encaravam com determinação, e brilhavam com uma intensidade até então desconhecida por ele.
De súbito, ao estar novamente diante dela, ele tornou a sentir um formigamento estranho na boca do estômago. A sensação se apresentava numa intensidade menor, não tão incômoda quanto havia sido da primeira vez, mas ainda estava ali, e ele bem sabia que não deveria estar.
Então, ela começou a falar lentamente e sua voz já não se apresentava tão familiar para ele, tratava-se de um eco distante e até mesmo difícil de distinguir, de maneira que ele teve que se esforçar para conseguir escutá-la. Embora ela estivesse perto, tão perto que ele era capaz de sentir sua respiração quente indo de contra a seu rosto, o fato de sua voz estar ecoando no pequeno cômodo em que os dois se encontravam lhe proporcionou calafrios.
Draco começou a sentir como se estivesse a perdendo, apesar da proximidade. Era como se ela desaparecesse aos poucos. A sensação veio a se confirmar quando seu rosto anteriormente nítido começava a se apresentar como nada além de um borrão diante de seus olhos.
— Você... vai... ter... que... me matar... se quiser.... isso — ela falava pausadamente e de repente Draco sentiu que aquelas eram as palavras que o assombrariam pelo resto da sua vida especialmente porque ele sabia que era verdade. Só havia um jeito de aquilo acabar.
No momento seguinte, o borrão que em que Hermione havia se transformado desapareceu junto com a luz que emanava de sua varinha. Ele havia sido deixado sozinho e completamente no escuro até que uma luz esverdeada invadisse o cômodo. Suado e com os músculos do corpo trêmulos, Draco abriu os olhos.
Levou alguns segundos até que sua visão se ajustasse e ele conseguisse reconhecer a mobília que fazia parte de seu mais novo quarto, ainda atordoado, ele se esforçou para se colocar sentado na cama. Era a segunda vez que sonhava com Hermione, tal como na primeira vez, ele também acordara com o corpo salpicado de suor em função do conteúdo do sonho. Contudo, dessa vez ela havia sido a protagonista. Não havia Lucius, Yaxley, Snape ou até mesmo o próprio Voldemort. Porém, ele não era capaz de dizer que havia sido menos perturbador.
O sonho infligia uma sensação angustiante de perda. E ele nem fazia ideia de que a possibilidade de perdê-la, ainda que num sonho, pudesse lhe causar tanto incômodo. Chegava a ser desesperador porque o sentimento se apresentava como algo completamente fora de seu controle.
No entanto, em busca de uma explicação racional, Draco decidiu atribuir aquilo aos recentes acontecimentos que certamente estavam deixando seus nervos à flor da pele. Até porque, ele estava acostumado com os pesadelos que haviam começado há praticamente quatro anos atrás, quando se tornara oficialmente um Comensal da Morte.
Tornou a se deitar na cama e com os olhos fixados no teto começou a divagar acerca de que horas da madrugada o relógio marcava e quantas horas ele ainda tinha até que desse o horário de estar novamente no Ministério, e foi quando ele tomou uma decisão.
*****
Fleur estava animada com a visita inesperada da Sra. Weasley acompanhada de Ginny, de maneira que já havia dado início aos preparativos para um almoço em família. Bill Weasley, por sua vez, havia ficado incumbido de assistir Victoire, a primeira filha do casal que estava prestes a completar dois anos de idade em breve.
Assim que viu a neta, Molly Weasley suavizou a expressão e logo tratou de pega-la no colo amorosamente. Ginny, porém, permanecia resignada e trocou olhares rápidos com Harry antes de se direcionar até Hermione que, como conhecia a garota durante tantos anos, poderia dizer quase com total certeza que havia algo de errado.
Em partes, se sentiu culpada, pois devido aos últimos acontecimentos, ela pouco havia pensado na amiga. Havia tantas coisas em sua cabeça naquele momento e ela simplesmente não conseguia parar de pensar em seu último contato com Draco na noite anterior, onde presenciou o súbito interesse dele no medalhão Slytherin.
A partir desse fato, uma grande variedade de perguntas circundava por sua mente, por mais que estivesse certa de que Draco estava muito provavelmente os enganando e que ele queria a joia, parte dela se recusava acreditar pois cultivava um resquício de dúvida. Além disso, a desconfiança com que Harry se referia aos acontecimentos daquele breve encontro estava lhe deixando extremamente incomodada.
Ele sabia que algo estava acontecendo, o problema, contudo, era que nem a própria Hermione poderia dizer de fato qual era a real situação e achava inútil insistir no assunto até que obtivesse respostas. Em partes, ela sabia que tudo aquilo também era fruto da sua própria teimosia e por ela insistir em carregar os fardos por conta própria, sempre priorizando aos amigos, mas já estava decidida a não dar o braço a torcer.
Desde o Natal ela havia conversado pouco com Ginny, tendo em vista que ultimamente a garota passava mais tempo na casa de seus pais do que com Harry, se limitando a fazer visitas rápidas e esporádicas aos amigos na casa do irmão e da cunhada. Naquele dia em questão Ginny se aproximou de Hermione com uma expressão de angústia, colocando-a em alerta, afinal, pelo o que conhecia da amiga, Hermione poderia dizer que aquela era a primeira senão uma das poucas vezes que havia a visto em tal estado.
— Podemos conversar? — Ginny perguntou, assumindo um tom baixo de maneira que evitasse os olhares furtivos de Harry e da Sra. Weasley — Em particular — completou.
Sob olhares curiosos, especialmente por parte de Harry, as duas se direcionaram para um dos quartos, localizados no andar superior da casa. Hermione fez questão de fechar a porta, a fim de proporcionar-lhes maior privacidade. Ginny se manteve cabisbaixa e se acomodou em uma poltrona que havia no canto esquerdo do quarto da amiga e, quando ela levantou a cabeça novamente, a fim de iniciar a conversa, Hermione pôde perceber seus olhos marejados.
Instantaneamente, Hermione foi invadida por uma forte preocupação misturada a um terrível sentimento de culpa. Era claro que algo estava errado com Ginny Weasley, a garota, definitivamente, não estava agindo normal. De repente, se sentiu incrivelmente estúpida por não ter percebido antes e a razão para isso, em muito se devia ao fato que ela não tinha se dado o trabalho de se questionar sobre o assunto, havia simplesmente se esquecido.
— Ginny... — Hermione começou a falar, mas rapidamente a amiga a interrompeu. Agora, as lágrimas já irrompiam desinibidas, mas ela fez questão de secá-las antes de começar a falar.
— Eu não deveria estar te incomodando com isso — disse — Eu sei o quanto você tem estado ocupada com tudo o que vem acontecendo na Ordem ultimamente, mas é que... — ela entrecortou a fala.
— Você não está incomodando — Hermione a assegurou, assumindo um tom suave na fala e se aproximando. Estava apreensiva pelo o que a amiga possivelmente diria a seguir.
— Mamãe veio aqui hoje por uma razão, ela queria que eu viesse também por causa disso, senão ela mesma contaria...
— Ginny, que está acontecendo?
— Eu... eu acho que estou grávida — Ginny disparou. Subitamente, Hermione foi invadida por sentimento de angústia desesperador. E ela poderia dizer quase que com total propriedade como Ginny estava se sentindo naquele momento — Mione, eu estou com tanto medo — completou, já incapaz de conter as lágrimas.
Hermione se aproximou da amiga e a envolveu num abraço apertado. Em seguida, seus pensamentos se direcionaram a Teddy Lupin que perdera seus pais e agora estava sendo criado pela avó, Andromeda. Ela sabia perfeitamente quais eram os temores da garota. Eles ainda estavam em guerra e, pior, numa guerra quase perdida. Harry, ou Ginny, ou até mesmo ela, poderiam morrer a qualquer momento.
Quando ela se desvencilhou de seu abraço e as duas amigas se entreolharam durante algum tempo, Hermione pôde ter certeza acerca dos medos de Ginny, pois eles estavam estampados em seus olhos.
— Eu vim evitando o Harry ultimamente porque eu não quero que ele se preocupe com isso, você conhece ele. Eu estava pensando que talvez ele possa acabar se precipitando e fazendo algo impensado, achei que evita-lo fosse uma saída mais eficiente — explicou — Só que a mamãe acha que eu não posso continuar escondendo.
— Você deveria falar com ele — Hermione disse — Vocês precisam se ajeitar, vão ter que passar por isso juntos.
— Eu sei — ela suspirou — Eu estava pensando, como você acha que Harry vai reagir a possibilidade de que essa criança cresça órfã, como ele cresceu? — completou com uma das mãos indo até a barriga — Estamos vulneráveis. Todos nós.
Hermione contorceu o cenho, agora com a cabeça baixa, sem olhar a amiga, ela mordeu com força seu lábio inferior. Então, pousou uma mão sobre o joelho de Ginny e ali selou uma promessa.
— Nada vai acontecer a você ou a Harry, nós vamos vencer essa guerra — disse — Eu prometo. Vamos ficar bem, todos nós.
E foi quando ela tomou uma decisão.
*****
Draco provavelmente estava tendo o dia mais agradável no Ministério do que já tivera em todo o período que trabalhara por lá. Evidentemente sua sala no Departamento dos Trouxas ainda continuava a mesma, velha e sucateada. Mas havia algo diferente no ambiente, especialmente na forma como os outros bruxos estavam o tratando, até mesmo Theodore Nott estava se dando o trabalho de cumprimenta-lo, coisa que não fazia desde que os dois estavam em Hogwarts juntos.
Encontrar Pansy em um dos corredores do Ministério lhe chamou a atenção, afinal, havia alguns dias, talvez uma semana, desde a última vez que eles se esbarram. Porém, ele não dedicou muito mais do que alguns segundos à ex-namorada. Eles trocaram um breve olhar, provavelmente o primeiro desde que terminaram, e Draco logo se pôs em direção a seu principal objetivo ali: ir até Yaxley.
Pansy, por sua vez, havia o direcionado um pequeno sorriso que, ou ele não percebeu, ou simplesmente decidiu ignorar. No entanto, embora ela se sentisse um pouco infeliz com aquilo, preferiu não dar mais atenção ao fato do que era necessário. Cabia a ela achar um modo de levar Yaxley até Hermione, e o primeiro passo era descobrir como Draco entrava em contato com a garota.
Ela estava ciente das habilidades de Hermione, a bruxa, apesar de seu sangue de trouxa, conseguia se destacar em todas as aulas que tinham juntos. Particularmente, Pansy passara seus anos em Hogwarts nutrindo certa inveja dela, assim como os demais colegas, incluindo o próprio Draco.
Ainda a intrigava profundamente e era uma terrível dor de cabeça tentar compreender o que realmente havia entre Draco e Hermione, o porquê ele havia entrado em contato com ela. Pansy entendia que os Malfoy estavam arruinados, mas mesmo assim parecia absurdo demais. A lembrança dele falando o nome dela enquanto dormia em sua cama foi algo que a atormentou durante dias, ela foi invadida por um ciúme que considerou completamente infundado. Por pior que estivesse a situação era, no mínimo, impensável conceber que Draco tivesse algum envolvimento amoroso com a sangue ruim.
Afastando os pensamentos da cabeça, Pansy se encaminhou para o corredor onde ficava o Departamento dos Trouxas indo em direção à pequena sala onde o ex-namorado se instalara nos últimos anos. Manteve em mente que, se conseguisse fazer com que Yaxley chegasse até Hermione e eliminasse qualquer resquício que sobrara da Ordem, não só estaria contribuindo para o mundo mágico, mas talvez aquilo ajudasse Draco a colocar a cabeça no lugar. Talvez ele até mesmo conseguisse ser promovido.
Em todo caso, ela aprendera que não deveria priorizar tanto aquilo, mesmo que quisesse acreditar que seus esforços no final das contas não seriam assim tão necessários, pois Draco faria o que lhe fora solicitado com eficácia e que tudo era só uma questão de tempo. Pansy havia compreendido durante o tempo que trabalhara para Voldemort que, muitas vezes, para um bem maior, eram necessários sacrifícios. E por mais que lhe doesse aceitar, se Draco Malfoy realmente se revelasse um traidor, então ele haveria de pagar por isso.
Diferente do que ela havia imaginado, não houve dificuldade em adentrar o pequeno escritório. A bagunça que o local estava a deixou surpresa, particularmente, Pansy não se lembrava de ter estado ali durante outro momento. Não a surpreendia mais o porquê o relacionamento dos dois ter se deteriorado de tal forma, havia se tornado evidente que os dois estavam vivendo vidas um tanto diferentes àquela altura.
Ela dedicou alguns minutos tentando decifrar que tipo de objeto mágico Draco e Hermione poderiam estar usando para se comunicar, mas deveria admitir que não era fácil. Havia alguns papéis espalhados sobre a mesa de Draco e uma estante repleta de livros escorada em uma das paredes, o que tornava o espaço ainda menor. Pansy se limitou a vasculhar a estante e as gavetas embutidas na mesa de escritório, mas sem sucesso.
Sobre os papéis espalhados se encontrava uma moeda, parecia um tanto velha e desgastada, mas ainda preservava seu brilho dourado. Era o tipo de coisa que não lhe chamaria a atenção caso não estivesse ali procurando por algo que pudesse ser suspeito. Segurou o objeto entre os dedos, e pôs se observá-lo. Estava quase o deixando de lado até que percebeu que ele estava modificando, como se quisesse lhe dizer alguma coisa. Sentiu que havia finalmente encontrado o que estava procurando.
Draco adentrou a sala de Yaxley assumindo a expressão mais confiante que pôde. O outro Comensal o cumprimentou com um rápido aceno e, sem fazer rodeios, o rapaz disparou:
— Eu sei onde podemos encontrar Hermione Granger.
Ao escutá-lo um brilho cintilou nos olhos de Yaxley, que passou a encarar Draco com maior interesse pelo o que o rapaz tinha a dizer.
— Conte-me mais sobre isso — disse.
— Ela tem o medalhão — Draco continuou — Mas não vai desistir dele tão fácil assim. Você estava certo, teremos que matá-la — um sorriso enviesado se formou nos lábios de Yaxley ao ouvir o outro dizendo aquilo — Mas eu venho considerando, talvez devêssemos submetê-la a um interrogatório antes, ela sabe coisas que podem nos ser úteis.
— E onde podemos encontrá-la? — Yaxley indagou, indo direto ao ponto.
— Largo Grimmauld, número doze — Draco respondeu sem emoção — Eu me certifiquei que ela vai até a antiga residência dos Black em intervalos regulares — completou.
Assumindo que havia fornecido a Yaxley toda informação que ele necessitava, Draco fez menção de deixar o cômodo, mas foi surpreendido pela voz do outro Comensal.
— Continue a vigiando, e me diga quando pudermos agir. Nós deveríamos ir até a sangue ruim juntos, vai ajudar a fortalecer nossa parceria... e a comprovar sua lealdade, Malfoy.
— Eu o manterei informado e avisarei quando chegar o momento mais apropriado para agir — Draco disse antes de efetivamente deixar Yaxley a sós. Um sorriso de satisfação se formou eu seu rosto, ele havia conseguido o que queria.
Pansy se direcionou à sala de Yaxley pouco mais de trinta minutos após a saída de Draco. Ela tinha uma expressão consternada e segurava a pequena moeda nas mãos, fez questão de fechar a porta atrás de si antes de anunciar o motivo pelo qual estava ali.
— Eu acho que encontrei alguma coisa na sala de Draco — disse, entregando o pequeno objeto nas mãos do homem — Acho que a moeda está envolta de algum feitiço, mas não consegui fazer com que se revelasse para mim. Eu estou certa de que está tentando nos dizer algo.
Yaxley segurou a moeda entre os dedos, tinha o cenho franzido enquanto analisava-a cuidadosamente. Então, tudo finalmente começou a fazer sentido para ele, como se tivesse finalmente encontrado a peça que faltava em seu quebra cabeças. Com uma expressão de satisfação, ele compartilhou com Pansy seus pensamentos em voz alta.
— Hermione Granger vai estar hoje às nove da noite no Largo Grimmauld, número doze — disse, se virando para Pansy — Isso significa que vamos finalmente descobrir em qual lado a lealdade de Malfoy realmente está — completou, deixando-a apreensiva.
*****
Faltava poucos minutos para às nove da noite e, naquele dia em questão, Hermione havia sido a primeira a desaparatar no local. Aparentemente a antiga casa de Sirius Black estava exatamente como ela se lembrava dois dias atrás, na última vez que estivera ali. Contudo, Hermione ainda sentia que havia algo de errado. Talvez na atmosfera do lugar, parecia fria e aterrorizante, como as ruas da cidade haviam se tornado desde que Voldemort assumira o poder.
Subitamente, ela pensou na possibilidade de haver dementadores ali. Mas a ideia soou absurda demais até que, para seu horror, duas figuras flutuantes cobertas por um manto negro se materializassem diante dos seus olhos junto da silhueta do homem que, devido a penumbra em que a casa se encontrava, ela não foi capaz de identificar quem ele era.
Rapidamente, Hermione puxou sua varinha, pronta para conjurar um patrono a fim de se livrar dos dementadores, que pareciam estar a sugando para um vórtex onde todas suas angústias eram acentuadas ainda mais. No entanto, o homem foi mais rápido. Devido a escuridão, ela não conseguia mais identificar onde exatamente ele se encontrava, mas se seus sentidos não estavam a enganando, uma voz que vinha da sua esquerda fora responsável por, em questão de segundos, retirar a varinha de suas mãos.
— Expelliarmus! — a voz masculina ecoou, junto com o barulho da sua varinha que, se seus cálculos estavam certos, caía a alguns metros de distância de onde ela se encontrava.
Sentiu sua respiração vacilar. Se antes ainda havia alguma dúvida de que Draco estava traindo a Ordem, agora ela tinha finalmente suas suspeitas confirmadas. De repente, quis chorar por sua estupidez, mas a figura do homem, que ela identificou como Yaxley, ter finalmente se materializado na sua frente, a impediu. Não demonstraria fraqueza ao inimigo, por mais que estivesse em desvantagem. Sendo assim, o cumprimentou com um olhar altivo quando ele começou a falar.
— Ora, ora — ele disse, num tom malicioso — Eu achei que vocês seriam mais inteligentes ao escolher um local para se esconder — completou, fazendo uma menção óbvia ao fato de ter sido ele o responsável por descobrir o trio no Largo Grimmauld, três anos atrás, após a fuga do Ministério. — Tsc, tão óbvios — desdenhou.
Hermione se limitou a responde-lo com o silêncio. Sentia-se aflita, por mais que colocasse sua mente para trabalhar, sem a varinha, ela não conseguia vislumbrar uma maneira de se sair bem daquela situação. Seus pensamentos começaram a alternar entre o ódio que sentia por Draco Malfoy naquele momento, a conversa que tivera com Ginny mais cedo e Monstro, que ela temia que estivesse morto, pois já havia ficado claro que Yaxley estava ali há algum tempo, a esperando. Ele havia planejado tudo para pegá-la de surpresa.
— Se eu pelo menos soubesse que seria tão fácil encontrá-la, eu não teria enviado aqueles dementadores atrás de você — ele continuava a falar, encoberto de um prazer quase sádico. Fazia uma clara referência ao ataque que de dementadores que Hermione sofrera junto com Draco, no ano anterior. Os olhos da garota, ao ouvir as palavras dele, cintilavam numa raiva reprimida que ela já não tinha certeza a quem deveria direcionar. Concluiu, com desespero, que eles já estavam sendo observados durante algum tempo — Mas eu devo admitir, você teve uma saída espetacular, eu fiquei surpreso.
— O que você quer? — ela perguntou entredentes.
— Draco Malfoy me informou que você estaria aqui. Eu sei que vocês dois vêm formando uma parceria, mas aparentemente ele percebeu em tempo que não seria agradável terminar como o pai. Sinto muito, você deve estar decepcionada — Yaxley pausou, como se tivesse se dando o deleite de observar a expressão contorcida de raiva que se formava no rosto da garota. — Você tem algo que meu mestre deseja. Eu quero o Medalhão de Slytherin de volta e o que mais você puder me falar para que eu considere poupar sua vida.
Enquanto ele falava, um dos dementadores se aproximava de Hermione. O mal-estar piorou, mas ela se manteve firme. A testa estava salpicada de suor e uma gota escorreu, lentamente, pelo seu rosto. Respire, Hermione. Insistiu em repetir o mantra a si mesma enquanto o dementador se preparava para sugar-lhe a alma. Concentrou-se em se manter calma e se agarrou com tudo o que tinha a seu objetivo.
— Eu não tenho medo de morrer, idiota — se esforçando para ignorar a terrível sensação que de estar prestes a receber um beijo de um dementador, Hermione retrucou enquanto assumia um tom de sarcasmo e um sorriso enviesado se formava em seu rosto — Se Malfoy não te informou direito, me matar é a única forma que você vai conseguir chegar até a Harry ou a esse medalhão — completou, determinada. Depois de tudo, morrer era a última coisa que poderia assustá-la no momento.
— Harry... Potter? — Yaxley parecia surpreso com a menção a Harry. Hermione se sentiu confusa acerca da possibilidade de Draco não ter revelado a ele tudo que sabia, considerando que ele havia a entregado ao Comensal. Porém, antes que pudesse racionalizar o que estava acontecendo, foi surpreendida por uma luz esverdeada vindo em sua direção.
— AVADA KEDRAVA!
Em questão de segundos, seu corpo foi atirado para trás. Tudo o que sua mente conseguiu registrar no momento que se seguiu foram flashs de uma expressão de incredulidade estampada no rosto de Yaxley e de cabelos loiros prateados vindo em sua direção.
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