Efêmera Ilusão
35 Capítulo XXXV: Olhos cor de mel.
Notas iniciais
– Você não se liga, cara. Nós poderíamos ser cunhados, porque você não reservou sua irmã para mim? – Paul fala enquanto come seu jantar.
Passei o dia todo como um zumbi porque dormi pouquíssimo durante a noite, Josh acordou umas duas vezes durante a noite, insaciável, e justo no dia do meu aniversário, não consegui descansar nem um pouco, tudo está perfeito e correndo como o combinado, a única coisa fora dos planos é o fato de que minha querida cunhada irá acompanhar a mim e Taylor no clube, fora isso, está tudo bem. Serena está com os avós e espero que ela esteja bem e se comportando.
– Minha irmã não é um objeto, Paul. Fale isso mais uma vez e eu quebro o seu nariz. – a boca de Josh se curva apenas de um lado, em um sorriso de deboche. Ele passa o braço por cima de minha cadeira, seus dedos acariciando meu ombro.
– Falando nisso, onde os pombinhos estão? – Taylor fala, na intenção de provocar Josh.
– Eles resolveram sair depois de nós... Estão em nosso apartamento. – murmuro segurando o riso, Carl e Taylor acenam do outro lado da mesa, debochadamente. Josh nos repreende apenas com o olhar.
– Joshua, pare de agir como se sua irmã fosse a virgem Maria, ela é sua irmã, o sangue que corre em suas veias é o mesmo que corre nas dela, resumindo... Ela deve ser uma safada. – Taylor provoca e todos caem na risada, exceto Josh.
– Eu não sou um safado, logo Jennifer também não é. – a expressão de meu namorado é séria e eu admiro o quão fofo ele fica sério, aborrecido.
– Não é o que parece quando Lex me conta das aventuras sexuais de vocês dois. – ela enfia uma batata frita na boca e eu engasgo minha Coca. Como ela fala isso na frente de Paul e Carl?!
– Taylor! – repreendo-a e ela sorri, encolhendo os ombros. Josh exibe aquele sorriso que me conquistou desde o princípio, aquele sorriso, que deixa amostra apenas alguns de seus perfeitos dentes, um sorriso irônico e cheio de si, sexy ao extremo. Ai, ai!
Charlie e Jennifer chegam ao restaurante quando já estamos todos terminando de jantar, os dois parecem alheios as nossas conversas e eu fico contente por isso, o fato de Jennifer estar caidinha por meu irmão me faz pensar que ela nem me incomodará o tempo que estiver aqui, seja esse tempo indeterminado ou não.
Por insistência de Taylor, concordamos em ir ao Cielo nos divertir um pouco, antes de os rapazes nos liberarem para sair sozinhas. Estou animada com a idéia de ver homens lindos dançando em um clube na companhia da minha melhor amiga e claro... Da minha querida cunhada. Já Josh não compartilha da mesma emoção.
– Você está muito chato. – murmuro desanimadamente para Josh, que envolve seus braços em minha cintura firmemente, enquanto nos embalamos ao ritmo afro-latino da boate.
– O que há de errado? – ele me observa confuso, me puxando para mais perto.
– O que há de errado?! Você está quase me sufocando da forma que está me segurando contra você, e mal fala comigo. – encaro-o sentindo meu rosto ruborizar de irritação.
– Desculpe, Lex. Estou tenso com essa coisa de você ir nesse... Clube com as meninas. – ele beija minha testa demoradamente e força um sorriso para mim.
– Joshua, você quer ir junto? – solto uma gargalhada, jogando a cabeça para trás e ele aproveita a brecha para salpicar beijos em meu pescoço. – eu não vou fazer nada demais, você sabe disso...
– O problema não é o que você vai fazer ou não vai fazer... E sim o que os tais strippers farão. – ele morde seu lábio inferior fortemente, seu lábio assume uma cor branca, o sangue fugindo, com tal força que ele aplica.
– Cale a boca e aproveite enquanto está comigo aqui... Depois você terá que ir pra casa e não me verá por umas três horas, e eu chegarei cansada. – beijo seu maxilar carinhosamente, sentindo-o tenso.
– Cansada do que? – ele me olha preocupado, esperando uma resposta, as sobrancelhas erguidas em tensão.
– Joshua... – bufo e ele suspira, se rendendo a um sorriso lindo.
– Amo você, vamos aproveitar a noite. Enquanto tenho você aqui, como você disse... Depois estará cansada. – ele revira os olhos e estampa uma expressão arrogante no rosto, parecendo um menino de cinco anos. Caio na risada e não resisto em enchê-lo de beijos.
Josh me envolve em seus braços, abraçando-me por trás protetoramente, enquanto algumas pessoas fumam e conversam do lado de fora do Cielo. Estamos decidindo como eu, Taylor e Jennifer voltaremos para casa do Clube de Strip. Josh está cada vez mais tentado a arrumar alguma desculpa para não irmos, mas ele sabe que brigarei muito se ele impedir minha noite de diversão.
– Você pode ter uma noite de diversão comigo, em casa. Na cama. No sofá, na cozinha... Aonde você quiser. – ele sussurra em meu ouvido esquerdo e eu me arrepio toda, cravo minhas unhas em suas mãos que pousam tranquilamente em meu ventre, repreendendo-o.
– Nós vamos nos divertir, depois. Agora preciso me divertir com Taylor, Deus sabe a quanto tempo não fazemos algo diferente juntas. – encolho os ombros, tentando consolá-lo. O olhar de carência que ele me oferece é de amolecer o coração, mas sei que está jogando para me fazer desistir. Joshua...
– Nem venha, senhor “Panacão”. Essa noite é nossa, e quando eu digo nossa, é das mulheres, “panacões” não estão incluídos. Agora façam o favor de irem para suas respectivas casas, nós tomaremos um táxi na volta, relaxem, maricas. – Taylor fala e eu e Jennifer não conseguimos conter o riso.
Estamos divididos três carros, no de Carl está Taylor e Paul, no de Charlie, Jennifer e no de Josh apenas eu e ele. Logo chegamos a frente do clube e Josh me encara nervoso enquanto arrumo meu curto vestido no corpo.
– Você vai ficar bem? Esse vestido é muito... Curto. – ele diz, fazendo gestos com as mãos, ao indicar o comprimento de meu vestido.
– Eu vou ficar bem, a pergunta é, você vai ficar bem? Veja se não vai ficar pirando em casa e cuide bem da minha gordinha, ok?! – ele sorri e confirma com a cabeça. Inclino-me e encosto meus lábios nos seus, ele me beija repetidas vezes, acariciando minha nuca e fazendo-me relaxar.
– Vou buscar nossa gordinha agora e colocá-la para dormir, mas papai não irá dormir, irá ficar acordado esperando a mamãe. – tenho vontade de rir com a forma que ele fala “papai e mamãe” e ele percebe, rindo e relaxando um pouco mais.
– Você tem que dormir amor, por favor... Não fique preocupado ok?! Ninguém vai abusar de mim, agora eu preciso ir, as meninas já estão me esperando ali na frente. – beijo-o mais uma vez, sentindo o saboroso e confundível gosto de seus lábios molhados e mentolados do chiclete que ele come. – Quando eu chegar, dou de mamar para Serena. Mas acredito que não vamos demorar muito, então você vai conseguir segurar as pontas, não fique tenso. Amo você, muito. – seguro seu rosto e mordo a ponta de seu nariz, ele ri.
Quando abro a porta do carro para sair, sinto um vento forte na rua, um calafrio me percorre o corpo todo e estremeço, Josh percebe e tira a jaqueta de couro que estava vestindo, inclinando-se para colocá-la sobre meus ombros.
– Quando estiver lá dentro... Tire a jaqueta e a coloque sobre as pernas, amo você. Comporte-se. – ele ri e eu reviro os olhos, fechando a porta em sua cara.
– Você não vai beber, Alexandra? – Jennifer chega a nossa mesa com três taças de margarita e me encara com sua expressão de sempre, aguardando uma resposta.
– Não, obrigada. Terei que amamentar Serena daqui umas horas, quando chegar em casa. – ela assente diante minha resposta e senta-se ao lado de Taylor, entregando uma taça do drinque a mesma. É melhor assim.
Os meninos nos largaram no clube faz, mais ou menos, uns vinte minutos. Eu aproveito enquanto o show de delícias, como Taylor apelidou o espetáculo, não começa e observo o local. Por dentro, o lugar é basicamente como uma boate, com garçons e barmans apenas vestindo pequenas gravatas borboleta e calças de Oxford pretas apertadas pra caramba.
As luzes coloridas dançam pelas paredes e eu beberico minha água, pensando em um Joshua nervoso, em casa. Sozinho, olhando TV enquanto espera a namorada e a irmã chegarem de um clube de strippers. Meu coração se aperta.
O lugar fica escuro de repente, tirando-me de minhas divações sobre Josh e logo uma música super sensual ecoa por todo o lugar. Algumas poucas luzes se acendem no palco diante de nós, agradeço silenciosamente por minha amiga ter conseguido lugares ótimos bem na frente para nós três. Eu não vejo sinal de nem um homem e todas as mulheres já estão gritando, em polvorosa. Só então percebo o quão cheio o lugar está, e pensar nisso me deixa com calor, tiro a jaqueta de Josh de cima de meus ombros e pouso-a em minhas pernas nuas, o couro gelado toca em minha pele quente e faz-me arrepiar, penso que Josh ficaria feliz se visse que segui seu conselho, agora.
Três lindos homens surgem no palco e dançam sensualmente, sem direcionar seus olhares para alguma mulher em questão. Seus movimentos são rápidos e confiantes, sem contar no quão sexy os três são. Mesmo iluminados pela luz fraca do palco, a beleza dos três caras é gritante, cada um lindo a seu modo. Como se o responsável pela iluminação lesse meus pensamentos, a luz fica mais forte e posso ver cada detalhe das feições do que mais me chamou atenção. Ele tem os cabelos negros e desgrenhados, alguns fios caem sensualmente em sua testa, e eu me derreto com a visão desse homem perfeito passando as mãos por seu abdômen deliciosamente malhado, seus olhos são de um tom mel que eu nunca vi, e o corpo... O corpo nem se fala.
Tanto eu, quanto Taylor e Jennifer não conseguem piscar com tamanha maravilha em cima do palco, por um momento, penso que Taylor está prestes a babar, mas não dou-me tempo de perceber e volto os olhos pro gato selvagem moreno dos olhos cor de mel, não consigo deixar de acompanhar cada movimento de sua dança, dos três homens no palco, só tenho olhos para ele. Enquanto o observo, reflito se Josh não deveria aprender a dançar e investir em alguns strip-teases para mim. Sorrio com o pensamento e olhos cor de mel encontram os meus. Imediatamente, os três strippers descem do palco e cada um se encaminha para um lado da platéia, quando vejo que o meu predileto se encaminha para a minha direção, sinto meu corpo gelar. Não venha para cá, não venha para cá, não venha... Não, ah!
Minhas suplicas internas são inúteis, o lindo homem monta em meu colo e imediatamente sinto o cheiro do que deve ser sua loção pós barba, um cheiro homem másculo e vaidoso, enlouquecedor. Ele envolve meus cabelos em um punhado e puxa levemente minha cabeça para trás, tendo acesso ao meu pescoço.
Sinto-o distribuir beijos molhados e quentes do meu ombro ao meu pescoço, ele faz esse caminho e o repete seguidas vezes, sinto o efeito disso em minha calcinha. Cristo, ele precisa parar!
Posso ver o olhar apavorado e animado de Taylor, e o olhar também apavorado porém raivoso de Jennifer de canto de olho, fecho os olhos e rezo para o senhor gostoso tudo de bom parar imediatamente ou eu arrancarei suas roupas. Amo Josh, mas esse homem é simplesmente... Maravilhoso!
Quando ele para de beijar meu pescoço, percorro meu olhar rapidamente por seu corpo e só então me lembro de que ele veste apenas uma cueca boxer preta, de algodão. Enquanto permanece em meu colo, a mulherada enfia notas de dez e até cinqüenta dólares em seu bumbum e eu coro com o sorriso que ele me lança, enquanto pressiona seu corpo no meu, no ritmo da dança. Isso parece durar uma eternidade. Sinto como se meu corpo estivesse virando líquido e esparramando no chão.
– Meu. Deus. Amiga! – Taylor fala animadamente, quase dando pulos no banco traseiro do táxi. O motorista apenas a olha com um ar sério pelo espelho retrovisor. – o que foi aquilo? Ele gostou de você! Ele era o mais lindo, eu vi que você não tirava os olhos dele, e nem ele de você! Meus Deus! Eu queria aquele homem em cima de mim, e aqueles beijos no pescoço? Aquilo deve ter sido o paraíso! – ela me bombardeia com palavras, uma atrás da outra.
– Taylor, não exagere. Ele é um stripper, faz isso com todas. E apenas foi comigo essa noite, dei azar de estar na frente. – forço um sorriso para Taylor e encosto a cabeça no vidro do carro, vendo as luzes da cidade passarem rápido conforme o motorista ganha velocidade.
– AZAR? Alexandra Boulevart. Por tudo que há de mais sagrado nessa terra. Você chama aquilo de azar? Aquilo foi uma puta de uma sorte! Meu Deus, queria eu um azar desses na minha vida... Ai! – ela suspira e fecha os olhos, abanando-se com a sua carteira, é impossível não rir com a cena. Mas logo meu riso se desmancha ao perceber a carranca de Jennifer, não quero nem ver o que me espera quando ela abrir a santa boquinha para Josh. Em todo caso, eu não fiz absolutamente nada de errado.
Durante todo o percurso até chegarmos na frente de nosso prédio Jennifer ficou quieta e emburrada. A expressão muito parecida com a de Josh quando está zangado. O taxista largou primeiro a mim e a Jennifer em casa, já que estávamos primeiro no caminho, pagamos nossa parte da corrida e nos despedimos de Taylor, que ainda não estava acreditando no que aconteceu comigo e que mandou beijos para Serena milésimas vezes.
Enquanto Jennifer gira a chave na fechadura, eu tiro meus sapatos que estão me matando de dor, logo que entramos no apartamento, nos deparamos com um Josh sonolento assistindo a um jogo de basquete na ESPN, mas que insiste em não se entregar para o sono, seus olhos brilham quando nos enxerga.
– Vocês demoraram... – ele murmura baixo demais e pisa pé por pé até chegar em mim, ele segura meu rosto com as duas mãos e planta um beijo no centro de minha boca, nos cantos e no queixo. Sorrio enquanto ele demonstra carinho, sem nem se importar com a presença de Jennifer.
– Eu vou me deitar, boa noite para vocês dois. – Jennifer mais rosna do que fala normalmente e sai da sala, indo em direção ao seu quarto.
– O que há de errado com ela? – ele pergunta, quase sussurrando.
– E-eu não sei. – gaguejo ao me lembrar do stripper lindo em meu colo mas tento espantá-lo de meus pensamentos, Josh parece perceber que escondo algo mas resolve ignorar, apenas me observando desconfiado. – porque você está falando tão baixo?
– Serena. Ela é impossível sem você em casa, dormiu faz mais ou menos vinte minutos, chorou tanto, amor. Eu pensei que iria morrer sem saber o que fazer. – seguro o riso e Josh faz beicinho e me puxa até o sofá, sentando-me em seu colo. – não foi uma boa primeira vez de nós dois sozinhos em casa, apenas pai e filha.
– Logo você se acostuma, amor. Estou tão cansada e ainda preciso fazer Serena mamar... – suspiro e encosto a cabeça no peitoral de Josh, absorvendo seu cheiro reconfortante.
– Logo você se acostuma? Não sei o que você quis dizer com isso, mas espero que não tenha em mente continuar freqüentando aquele clube. Falando nisso, como foi lá? Vou pegar Serena no berço para você... – quando ele faz menção de se levantar, eu o seguro e me levanto também.
– Não... Vou amamentar na poltrona do quarto dela, vamos. – puxo-o pela mão e ele me segue.
Serena mal consegue manter os olhos abertos enquanto ama, e quando os mantem, fica quase vesga de sono, eu e Josh caímos na risada, ela não se rende... Menina teimosa.
– Você não me contou como foi no clube. – Josh fala baixo, sentando-se no encosto da poltrona e passando as pontas dos dedos nos cabelos claros de Serena.
– Amanhã falamos sobre isso, ok? Estou quase dormindo... E se você continuar passando os dedos dessa forma que eu sei que é muito relaxante na cabeça da sua filha, ela irá capotar de sono e não conseguirá terminar de mamar, e nem me deixará fazê-la arrotar. – olho-o de canto e ele ri, passando os dedos nos meus cabelos, dessa vez.
– Veja Serena, sua mãe está com ciúmes. – ele murmura e eu belisco sua perna, ele faz a engraçada expressão de dor e eu caio no riso silenciosamente, tentando não atrapalhar a mamada de Serena.
Quando deitamos nossa filha no berço, de um bebê morrendo de sono, Serena passa para um bebê ligado na tomada 220, eu e Josh nos olhamos apavorados com a possibilidade de Serena não dormir, mas Josh volta a fazer a caricia em seus cabelos finos e delicados e ela vai se entregando a um sono gostoso só de olhar aos poucos.
– Ela está ficando parecida com você... – sussurro, abraçando Josh por trás. Vejo o resquício de um sorriso orgulhoso em seu rosto e encho-o de beijos. Penso que podem existir muitos caras lindos, que dancem perfeitamente bem e que tenham corpos deliciosos, mas ter o namorado perfeito que tenho, não tem preço, sinto uma gratidão enorme por ter Josh e Serena em minha vida e instantaneamente relaxo, esquecendo a expressão fechada e zangada de Jennifer e o fato de ela estar no quarto ao lado.
Amo Josh, amo o que nos tornamos.

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