Efeitos do acaso
1 Sangue
Notas iniciais
Acordo. Abro os olhos e meu quarto esta um breu total. Me levanto. Estou tonta. 'Oque será que aconteceu noite passada?' penso comigo mesma, meu quarto esta com pegadas de sangue, às sigo.. elas me levam em direção ao espelho da sala de jantar. Estranho..
Resolvo ir tomar café.. em cima da pia esta uma faca ensanguentada e um copo com um pouco de tequila, tento me lembrar da noite passada mas.. n me recordo muito bem. Eu poderia dizer que meus pais tinha algo haver com aquilo, mas eles saíram de viajem a três dias, apenas eu me encontro na casa. Uma adolescente normal de 16 anos, com os hormônios à flor da pele estaria dando festas noturnas com direitos a 'sexo, drogas e rock in roll', mas não sou uma adolescente normal. Nunca fui exatamente. Sou apenas uma garota do ensino médio, querendo não ser notada, apesar de sofrer bulling pelos óculos estilo nerd e por ser ainda virgem. Queria saber qual era o problema da minha virgindade. Qualquer um sabe que a maioria das pessoas da escola são virgens. Só falam o contrario para se engrandecer na frente dos de mais. Pura ignorância.
Enfim, acabo meu café; na verdade, leite com cookies. Vou até a área de serviço, pego álcool e panos, chegou a hora de limpar o rastro de sangue. Pra minha surpresa, não existe mais rastro de sangue. Fico um tempo parada, sem reação. 'Porra! cade o sangue daqui?' penso comigo mesma.
9hrs marca o relógio. Estou atrasada pra escola, mas quem se importa com a escola quando se tem um mistério ocorrendo em minha casa. Não sei se é mistério ou não, ou apenas algo em minha mente. Ideias flutuam em minha mente, estou ficando louca, mas esta na hora de enfrentar mais um dia de bulling.
No caminho até a escola, vou escutando a mesma musica que escuto todo dia. The smiths- Asleep. Ela me deixa leve, na medida do possível. Chego na escola. Olhares de reprovação, mas quem se importa?. Na sala, me sento na ultima cadeira da ultima fileira, perto da janela, onde é possível ver os garotos do time treinando, não gosto de futebol mas gosto de vê-los treinando, na minha frente esta Hector. Hector é o cara que me faz suspirar. Ele é mais alto que eu (apesar que qualquer um é mais alto que eu, simples detalhe), tem um corte de cabelo que me deixa em êxtase, olhos negros, pele clara, não é bom em esportes mas leva jeito com as palavras, o único defeito é ser capacho de Stela. Na verdade ele.. ele tem uma certa atração por ela, e ela me odeia, e eu tenho uma atração por ele e odeio ela.
Aula de geografia, melhor impossível. Hector sempre se vira pra falar comigo nas aulas de geografia, mas desta vez não virou. Não aguento mais, cutuco seu ombro e peço o apontador emprestado, ele se vira, seus olhos estão vermelhos, provavelmente chorou a noite passada, ele me entrega o apontador.
–Esta tudo bem contigo? — Pergunto secando uma lagrima que escorre em seu rosto.
–Na verdade não, Stela...- Ele para por um instante, seus olhos enche de lagrimas, ele prossegue- Stela esta em coma!
–Oque aconteceu com ela? — Digo de maneira fria.
– Pelo que Mary me disse, ela foi meramente esfaqueada ontem na madrugada, ninguém sabe ao certo por qual motivo, e muito menos quem foi. — Mary é a irmã mais nova de Stela.
Hector se vira e começa a chorar. Agora as coisas começam a fazer sentido. Stela foi esfaqueada e eu acordo cm rastro de sangue em minha casa, uma faca ensanguentada na praticamente no mesmo dia. Não pode ser possível. Eu não posso te-la esfaqueado.
Minha cabeça doí. Quase não vejo as aulas passarem, não desci para o intervalo, continuei imoveu, e percebo que Hector também não se moveu muito. Resolvo me levantar, pego a cadeira mais próxima, e me sento ao seu lado. Num ato confuso, o abraço. Ele encosta sua cabeça em meu busto, e não para de dizer: 'porque logo ela, quem pode ter feito tamanha crueldade, você consegue entender isso Kim?', permaneço em silencio. Naquele momento resolvo que não importa oque eu tenha feito na noite anterior, eu iria me tornar próxima de Hector.
Ele se levanta, arruma o cabelo e me olha nos olhos..
– Obrigado por tentar me ajudar Kim.
– Desculpe não ter ajudado o quanto queria — Eu não estava acreditando que enfim estávamos conversando sobre qualquer coisa sem ser sobre geografia. — Se precisar de alguma amiga para conversar, não sei se sou útil, mas quero que saiba que pode contar comigo.
Ele balança a cabeça positivamente.
O ultimo sinal toca. Me levanto pra ir embora e ele me segue. Sim, estamos conversando, inacreditável. Precisou Stela ser esfaqueada para começarmos a conversar. Se eu soubesse, tinha à esfaqueado antes, seja lá como tenha feito aquilo.
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