Efeito Dominó
11 Nirvana
“Não temos nada para conversar, Lockhood.”
Ela sorriu, virando-se para a mesa e voltando sua atenção aos papéis; sabia que sua tentativa jamais seria bem sucedida podia sentir os olhos dele contornando as curvas de seu corpo, a linha de seu quadril delineada pela saia lápis e a camisa fina de cetim. Virou-se para ele, encostando-se na mesa quase sentando mas sem depositar o peso de seu corpo ali.
“Você vai encrencar aquele garoto.”
Oh. Ele estava ali para falar sobre Stuart. Ela respirou fundo, cruzando os braços. “Ele só vai se encrencar se você dedurá-lo. É este o problema?”
“Poderia ter sido Frank.”
“Mas foi você.” Respondeu ela com as sobrancelhas erguidas, parecendo entediada com a conversa. “Algo mais, Lockhood?”
“Você não pode ter tudo, Regina.”
“Eu prefiro ser chamada de Senhora Delfino.” Provocou ela com um sorriso travesso nos lábios. Virou-se de costas para ele, fingindo prestar atenção nos papéis sobre a mesa. “Se era só isso, pode se retirar.”
Regina mordeu o lábio, mas não se virou. Estar em um ambiente fechado com ele era esmagador e sufocante e tudo que ela queria era que ele lhe deixasse sozinha. Mas ao mesmo tempo grande parte dela desejava ardentemente que ele continuasse ali, enfraquecendo-a. Ela não ouviu nenhum sinal de movimentação e virou-se lentamente, fitando o loiro que continuava na mesma posição. “Você tem algum problema de interpretação, Lockhood?”
Robin riu e ela voltou a encostar-se contra a mesa, observando o segurança. Faíscas nasciam do encontro de seus olhares, refletindo por todo o cômodo. Ele deu um passo atrás, seguido pelo olhar fixo e atento dela; seu braço esticou-se lentamente e seus dados alcançaram a maçaneta. Um movimento suave de dedos acionou a tranca. Ela sentiu como se todo o ar que consistia dentro de seu corpo tivesse esvaído de repente. Robin sorriu, observando a reação dela tomada pela surpresa e caminhou em sua direção, mas parou antes, de modo que havia ainda uma estimulante distância entre seus corpos. “O que pensa que está fazendo?”
“Interpretando.” Respondeu ele, os olhos fixos nos dela; seu semblante sério apenas agravando a situação por entre as pernas dela. “Eu estou tentando interpretar os seus sinais, Senhora Delfino.”
A pulsação dela estava acelerada. Ela já havia ficado a sós com o segurança antes; de fato, ela havia feito muito mais do que apenas isso. Mas aquele momento era completamente diferente, tanto pela iniciativa do homem musculoso à sua frente como pela porta trancada, que lhe proporcionava a possibilidade de não serem interrompidos. Seus pensamentos estavam lhe traindo e ela estava ciente disso, mas não ousou interrompê-los. “Qual é o seu jogo, Regina? Você senta no meu colo e se esfrega toda em mim em um momento e no outro parece que me detesta. Eu sei que você me quer. Eu posso ver quando seus olhos estão sobre os meus braços, sobre minhas mãos, pela maneira que você olha para os meus lábios como eu falo.”
Regina permaneceu em silêncio. Surpresa pela objetividade dele, ela respirou fundo e seus olhos caíram sobre os lábios do mesmo. Ela realmente o queria. “O que você quer Regina?”
Robin respirou fundo e deu mais um passo; a distância entre os corpos acabou e ele segurou na mão dela, seus dedos deslizando pela pele de Regina e enviando descargas elétricas para a espinha dela. Havia algo no encontro de seus corpos que causava ebulição na morena, lavas transbordando de um vulcão em erupção. Ele trouxe a mão dela aos lábios, beijando os nós de seus dedos. “Robin…” Suspirou, sua voz saiu fraca e vulnerável. Robin soltou sua mão e deslizou ambas pela linha de sua cintura, descendo-as até a borda do quadril onde ele apertou firme fazendo-a vibrar. Regina fechou os olhos, atenta ao toque dele em seu corpo; sentiu um arrepio quando os dedos dele deslizaram por seu pescoço, afastando alguns fios de cabelo que ali estavam. Os lábios dele roçaram a pele acima de seu ponto de pulsação e ela apertou as coxas uma contra a outra para aplacar o tesão que sentia. “Diga o que quer que eu faça Regina.”
Ela não queria dizer. Sabia que no exato momento em que as palavras saíssem de seus lábios, estaria rendida. Mas seu corpo estava em chamas, e tudo que ela desejava era que ele lhe sentasse naquela mesa e enfiasse a língua em sua boca. Ela sentiu os lábios dele em seu pescoço, os dentes pincelando sua carne em uma mordida e seu bom senso desapareceu por completo. Enfiou as unhas nos cabelos dele e o puxou para si, segurando em seu rosto, os olhos fixos nos deles, os lábios próximos. “Prazer, Lockhood. Eu quero que me dê prazer.”
Robin grunhiu; sua mão rapidamente encontrou espaço entre a nuca dela enroscando os dedos nos cabelos negros e com um puxão aproximou seus lábios, tomando-a em um beijo quente e molhado, sua língua pedindo permissão enquanto suas mãos deslizavam pelas costas dela. Regina não sabia como, mas ele parecia conhecer cada um de seus pontos vulneráveis, tocando-a com a língua e a fazendo derreter ainda mais. Deslizou as mãos pelo próprio corpo e puxou a saia lápis para cima ganhando movimento; Robin agarrou sua bunda e apertou fazendo-a gemer audivelmente, suspendeu-a do chão e a sentou sobre a mesa, puxando a saia ainda mais a fim de se encaixar entre suas pernas. Regina ergueu uma das pernas e encaixou o salto no jeans do loiro, entregando-se ao toque; a boca dele caiu sobre o pescoço dela, a língua subindo e descendo entre as pequenas mordidas, a outra mão acariciando sua coxa com firmeza, as pontas dos dedos fazendo pressão na pele exposta. “Oh shit” Gemeu ela quando ele voltou a beijar sua boca e passou a apertar suas coxas com as duas mãos.
Robin desabotoou sua camisa, os olhos brilhando de antecipação; os seios pressionados pelo bojo firme, a renda vermelha contrastando contra a pele branca. Ela respirava pesadamente, arfando; o movimento fazia com que o par de seios volumosos subissem e descessem com graciosidade. Voltou a beijar o pescoço dela, deliciado pela maneira que ela se entregava ao tombar a cabeça para trás e segurar seus braços com cuidado; os lábios deslizaram pela linha da traquéia na direção dos seios, sua língua brincando com o limite entre o seio e a renda do sutiã. Regina estava queimando; suas chamas internas subindo em labaredas pela parte baixa de seu ventre e ela achou que iria explodir antes de ele realmente tocar. “Se você não tomar uma atitude agora não terá oportunidades de fazer isso novamente.” Provocou ela.
Robin gemeu exasperado pela ideia de nunca mais voltar a tocá-la.
Deitou-a com pressa sobre a mesa, sentindo-a grunhir. Regina segurou na borda da mesa, os olhos fechados, os dentes sobre o lábio inferior. Ele a fitou naquela posição, as costas arqueadas, entregue ao seu toque e almejou vê-la nua na mesma posição. Mas não podia arriscar, não tinha ideia se aquilo voltaria acontecer depois. Agachou-se, seus lábios tocando a parte interna da coxa dela; Regina gemeu, mordendo os lábios e tentando abafar o calor ardente na parte baixa de seu ventre. Robin subiu os beijos, as pontas dos dedos acariciando seus tornozelos, subindo até a parte superior de suas coxas. Ele subiu a saia lápis e abriu as pernas dela mais um pouco; os lábios fechados e um beijo leve em sua virilha, por cima da renda vermelha. “Fucking Jesus” Gemeu, as unhas pintadas de preto brincando com seus cabelos enquanto ela abria ainda mais as pernas escancarando-as para ele. Robin riu, e levou o polegar até seu clitóris, acariciando o caminho até a entrada de seu sexo por cima do tecido fino. “Pode me chamar de Robin.” Ela estava profundamente excitada, molhada e pronta para senti-lo.
“Você me quer aqui?” A voz dele estava rouca e o sotaque fez com que ela estremecesse imediatamente. Ela disse alguma coisa incompreensível e ele voltou a sorrir, pressionando o polegar sobre o clitóris e deslizando-o lentamente. “Eu não ouvi, Regina.”
“Use essa boca para algo útil, Lockhood.” Ela agarrou os cabelos dele e puxou guiando-o exatamente para onde queria. Robin colocou os dois polegares por dentro da calcinha de renda e abriu as palmas, levando o tecido ao seu limite e rasgando-o ao meio. Antes que ela pudesse dizer algo, a sensação quente e elétrica da língua dele deslizando por seus grandes lábios arrancou-lhe o ar dos pulmões, e tudo que ela pode fazer foi dar um soco na mesa e gritar. “Puta merda!” Robin continuou delicadamente, tomando-a com cuidado, a língua deslizando por cada centímetro com suavidade. Evitou ao máximo tocar seu clitóris, atiçando a área ao redor dele com a língua amolecida; usou os dedos para abrir espaço e deslizou a língua ali, os gemidos cada vez mais altos incentivando-o a continuar. Ele seguiu seu caminho até a entrada dela, forçando uma penetração suave e ela tentou fechar as pernas, de modo que Robin teve que segurar firme em suas coxas para mantê-la parada. Seu gemido soava choroso e rendido, mas a maneira firme com a qual ela estava agarrada aos seus cabelos mantendo-o exatamente ali indicava que ela estava gostando. Ele abriu os lábios e abocanhou sua intimidade, lábios e língua trabalhando juntos em uma carícia molhada e suave; ele voltou a subir e descer, não deixando nem um centímetro sequer sem atenção, devorando cada pequeno espaço.
Foi quando ele voltou para a área próxima ao clitóris que ele sentiu que o corpo dela começou a tencionar e seu gemido ficou ainda mais esganiçado. Ele apertou os dedos na coxa dela e concentrou-se em lambê-la, mixando pressão e suavidade; Regina gemeu, apertando Robin ainda mais contra si, sentindo o estopim do prazer cada vez mais próximo. A língua dele era incansável e parecia conhecer todos os atalhos diretamente para o prazer dela; segundos depois ela clamou pelo nome dele como quem fazia uma prece, mas Robin continuou seus movimentos até que ela explodiu junto com uma onda de prazer que fez seu corpo estremecer entre espasmos fortes e soluços, os dedos dos seus pés contorcendo-se. Robin levantou-se e debruçou sobre ela, sua língua encontrando com a dela em um beijo repleto de luxúria, as unhas dela em seu pescoço, agarrando-o com a mesma urgência. Ela capturou seu pulso e trouxe sua mão os lábios, levando o indicador e o dedo médio dele aos lábios e os abocanhando numa simulação de sexo oral que fez com que o pênis dele ficasse ainda mais desconfortável dentro do jeans. Ao umedecer os dedos dele com sua saliva, ela os afastou e o puxou pela mandíbula, mordendo o lábio inferior dele e sussurrando. “Eu quero eles dentro de mim. Agora.”
Robin puxou o quadril dela deixando-o ainda mais próximo da beirada da mesa, seus lábios estavam na altura da orelha dela quando ele lambeu o lóbulo. “Como quiser majestade.”
Ele enganchou os dedos no cabelo dela e puxou, colocando sua posição submissa e ela deslizou uma perna para a cintura dele assim que sentiu os dois dedos deslizando para dentro dela. “Você me enche de tesão, Regina.” Confessou ele, passando a bombear os dedos sem pressa; Regina segurando em sua camisa com os dois punhos cerrados. Uma das coisas que mais lhe traziam vida eram os momentos de suprema sensualidade, onde ela podia liberar sua aura sexual exuberante e sentir-se desejada; e ela sequer se lembrava da última vez que sentira o que estava sentindo nos braços do segurança. Ele inclinou os dedos, criando a curvatura de um gancho e voltando a penetrá-la, dessa vez com mais força e precisão. “Right there” Pediu ela, fincando as unhas no braço dele; Robin voltou a atacar seu pescoço com pequenas mordidas e beijos molhados, os dedos seguindo no ritmo firme e acelerado. Não demorou muito e ela choramingou de prazer; Robin soltou seu cabelo e ela deixou sua cabeça cair contra a camisa dele, entre os dois punhos firmemente cerrados. Ele gemeu, imaginando quão quente ela seria se fosse seu membro no lugar de seus dedos; Regina era deliciosamente ardente, o corpo suscetível ao mais simples dos toques. Uma deusa. Ela ergueu um pouco mais a perna encaixada sobre a cintura dele e ele inseriu mais um dedo; voltou a bombear com força.
Ela murmurou algo que ele não entendeu, mas no instante seguinte, as paredes internas dela se fecharam contra os seus dedos, e ela o agarrou com força, cedendo ao orgasmo que a inundara. Robin mordeu o lábio inferior enquanto acariciava as costas dela para acalmá-la. Assim que Regina conseguiu voltar a respirar de maneira estável, ela se afastou e eles voltaram a se encarar. Robin retirou um lenço do bolso e limpou a morena delicadamente por entre as pernas. O ato fez com que Regina sorrisse pelo cavalheirismo; ele guardou o lenço e a desceu da mesa, arrumando a roupa dela. Assim que a arrumou, seus olhos azuis encontraram os olhos cor de chocolate e ele sorriu. “Eu preciso ir, já devem estar me procurando.”
“Tudo bem.”
Por alguns instantes, Regina o fitou com um semblante que ele ousava dizer que era acanhamento; quando as bochechas dela tomaram um tom rosado, ele teve certeza. “Robin, sobre o que aconteceu aqui…”
“Eu fiz o meu trabalho, Sra. Delfino. Você tinha uma necessidade e eu supri. Certo?”
Regina assentiu os olhos fixos um no outro. Ela sabia com o que estava concordando; criando um novo título para algo, transformando a imagem para que não sentisse culpa caso acontecesse novamente. Mas ela não podia importar-se menos. “Certo, Lockhood. Considere-se dispensado.”
Robin segurou em sua mão e a trouxe aos lábios, beijando-o com delicadeza. Segundos depois, ele saiu da sala.
***
Arthur ergueu o copo de refrigerante e bateu delicadamente contra o copo de soda dela. De todos os encontros possíveis que ele imaginaria com Cora Mills, a mente de aço que ergueu o império da Apple's Queen diretamente do chão e os levou aos mais altos céus, nenhum deles envolvia estarem sentados nos fundos de uma lanchonete fast food. “Quem diria que a CEO da empresa come hambúrgueres no tempo vago?”
Ela riu, dando lhe uma imagem completamente diferente da que ele conhecia. Parecia uma mulher, não apenas uma figura pública insensível. “CEO também comem.”
“Podemos passar às perguntas clichês ou vamos às pessoais?”
Cora fitou os olhos azuis, analisando se deveria ter este tipo de conversa com ele. Mas Arthur havia salvado seu emprego e ela não tinha muito a perder em uma conversa casual. “Pergunte o que quiser. Só não garanto que vou responder.”
Ele sorriu e ela achou que o sorriso dele era doce e muito bonito. “Por que cedeu a empresa à suas filhas?”
“Foi uma boa escolha.” Sorriu ela, e levou o canudo aos lábios. Sugou um pouco da bebida, e respirou fundo antes de continuar. “Tudo que nasce de nós precisa ser desvinculado em algum momento. É por isso que filhos saem de casa, é por isso que magnatas vendem empresas, é por isso que a economia funciona. Porque se você não abre mão destas coisas, elas passam a tomar mais e mais de você. Deixam-lhes vazia. Eu estava perdendo tudo. Meu casamento. Minhas filhas. Tudo que me fazia vagamente humana. “Então percebi que era hora de parar.”
“Uau.”
“Já está tarde, Arthur. Preciso ir para casa.”
Ele sabia que não era adequado argumentar. A madrugada estava prestes a começar e eles trabalhariam amanhã. Sorriu, balançando a cabeça de maneira afirmativa. “Tudo bem. Posso ao menos levá-la em casa?”
“Claro.”
Ele ergueu a mão e chamou a atendente. Quando a mesma chegou, Cora tentou adiantar-se, mas foi impedida pelo rapaz de cabelos pretos e olhos azuis que abriu a carteira e tirou duas notas, deixando uma generosa gorjeta. Em seguida ele estendeu a mão e ela colocou a mão sobre a dele, delicadamente. Segundos depois eles estavam na rua. “Sua casa é longe daqui?”
“Dois minutos de táxi.”
Ele parou um táxi que passava e eles entraram pela porta traseira. Cora disse o endereço e eles seguiram rapidamente, o som da rádio preenchendo as lacunas de espaço entre eles. Assim que o carro parou, Arthur saiu na frente e lhe estendeu a mão, guiando-a para fora. Cora aceitou e ambos caminharam lado a lado até a porta. Ela virou-se para ele, os cabelos revoltos pelo vento forte. “Obrigada, Arthur. Foi um bom jantar.”
Ele deu um passo na direção dela e segurou seu rosto, os lábios dela se entreabrindo com surpresa, mas ele apenas debruçou o rosto e beijou-a na bochecha com carinho. “Eu que agradeço. Tenha uma boa noite, Cora. Até amanhã.”
Quando Arthur se afastou, ela não entendeu. Em sua mente, as intenções do rapaz lhe pareciam claras. Achou que ele a beijaria ali e faria de tudo para que ela o convidasse para dentro. Mas isso nunca aconteceu. Chamou-o pelo nome e ele parou virando-se para ela com as mãos no bolso e um semblante preocupado. Cora segurou o ar e caminhou até ele, com passos firmes e decididos; Arthur a fitou confuso. Assim que o alcançou, ela deslizou a mão para a nuca do mesmo, puxando-o para baixo e encaixando suas bocas em um beijo firme, que durou mais do que eles esperavam. Os lábios deles eram macios sobre os seus uma sensação que ela quase tinha esquecido. Assim que se afastaram, ela percebeu o sorriso nos lábios dele. “Achei apropriado. Espero que não se importe.” Disse ela, e o soltou, fazendo o caminho de volta para sua casa sem olhar o homem com cara de bobo deixado para trás.
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