Efeito Dominó
7 Capítulo 7: Uma Tarde NaruHina
Notas iniciais
POV Naruto
Ela é um estrupício. Fora isso que surgira em minha enquanto Sakura colocava uma multidão de pessoas entre nós. E bem... Somente agora eu tinha certeza que o “apoio moral” que ela me oferecera não passava de um “te vira jovem”. Deixei um suspiro irritadiço escapar por meus lábios. Logo depois, senti uma mão tocar em minhas costas e encarei Deidara que sorria abertamente.
― Cadê a Sakura? ― ele perguntou e eu dei de ombros. ― Eu não sabia que você iria carrega-la para esse encontro. Se soubesse talvez eu tivesse arrumado um acompanhante para ela. E você sabe muito bem de quem estou falando...
E sim, eu sabia perfeitamente a quem ele se referia. Não era nenhum segredo para ninguém da turma do curso de Relações Internacionais que Sasori estava perdidamente encantado com a nada sutil Sakura Haruno. Eu conhecia Sasori já fazia quase dois anos. E, sabia melhor que ninguém, que ele era um bom cara. Talvez ele fosse bom demais para Sakura. Mas eu também a conhecia a tempo o suficiente para saber o que ela diria sobre a possibilidade de um romance.
― Ela não é fã desses encontros. ― deixei que a declaração escapasse francamente por meus lábios. Bem, nem mesmo eu era um fã desses encontros e estava ali somente por uma pura falta de noção. Afinal, eu nem me lembrava do que me fizera aceitar tal ideia ridícula. ― Então, provavelmente, ela esteja escondida na loja do Nagato.
― Bem... Não seremos apresentadas? ― a voz feminina alcançou meus ouvidos atraindo nossa atenção. Ela era visivelmente alta. Os curtos cabelos negros contrastavam com sua pele alva. Os olhos, redondos e castanhos, encaravam Deidara e logo após fixaram-se em mim. ― Prazer... Meu nome é Kurotsuchi. ― ela disse acenando brevemente. ― E essa aqui... ― apontou em direção a moça ao seu lado. Os longos cabelos negros estavam trançados sobre seu ombro direito. Os olhos eram tão claros que se assemelhavam a duas pérolas cristalinas. Ela sorria um pouco desconfortável com os olhares sobre si. ― É Hinata Hyuuga.
― Prazer... ― ela disse e só então percebi o óbvio. Eu já havia visto Hinata em algum lugar, mas não conseguia me lembrar da ocasião. Chegava a ser frustrante, mas era impossível evitar. E com isso eu senti uma estranha sensação percorrendo meu estômago. Provavelmente eu a observava parecido a um retardado, pois ela abaixou o olhar e resmungou alguma coisa na garganta. ― É...
― Garotas... ― Deidara fez o favor de trazer novamente para a realidade. Ele puxou-me pelo braço e aproximou-se das garotas. ― Esse aqui é meu parceiro, Naruto Uzumaki. E, bem... Hinata. ― ele chamou a garota de olhos perolados. Ela o encarou e eu repeti a mesma ação da morena. Conhecia Deidara o suficiente para saber que ele, provavelmente, falaria besteira. ― Está solteiríssimo. E bem... ― fora perceptível a forma como a morena ficara desconcertada, afinal, eu também estava no mesmo barco que ela naquele momento. Sim, nas mãos malucas de Deidara, eu me sentia em um Titanic eterno, prestes a afundar no mar congelante. ― Mesmo que ele possua uma queda de quase a vida inteira pela melhor amiga, ele ainda está solteiríssimo.
Se eu realmente não precisasse de Deidara para a apresentação do seminário no final de semana, ele já estaria morto e estirado ao chão. Sim, pois aquilo já era apelação demais até mesmo para o último chefão de jogos de luta no videogame. Aquilo era um nível hard de idiotice ou apenas sua queda para prováveis ações kamikazes como acontecia com os terroristas. Afastei o loiro de perto de mim. Sim, pois, Deus me perdoe pelo o que eu vou afirmar agora e que Ele não faça meus cabelos caírem por essas palavras, mas loiros são realmente idiotas.
― Vamos tomar alguma coisa? ― Kurotsuchi parecera perceber a péssima atmosfera formada após a declaração desnecessária de Deidara. Ela puxou o loiro de longas madeixas pelo braço em direção a lanchonete mais próxima. ― Vamos, Hinata. Vamos Naruto.
Sim, eu poderia facilmente esfolar a garganta de certo loiro que tinha intuitos suicidas. Deidara morreria e, se a polícia tentasse descobrir quem havia sido seu brutal assassino, eu mesmo teria o prazer de confessar o crime. Suspirei lentamente enquanto seguia os três. Ah! Sakura, minha doce Virgem Maria! Por que fizeste o desfavor de deixar-me a beira da desgraça? Por que és tão cruel comigo, oh magnífica?
Sentamos em uma das mesas de uma lanchonete ali próxima. O filme iria começar em apenas meia-hora, então tínhamos que buscar algo que fizesse o tempo passar mais rápido. Kurotsuchi ergueu-se da cadeira vermelha e encarou-nos perguntando o que gostaríamos de pedir. Resmungamos pedidos tolos como milk-shake de morango e suco de alguma fruta desconhecida e, logo depois, vi a garota de curtos cabelos negros puxar o loiro pelo braço para que ele a acompanhasse.
Somente eu e Hinata permanecemos naquela mesa vermelha e deserta. A tensão era visível graças a irreverente ideia de Deidara durante nossa apresentação. O clima era pesado, de certo modo. Como eu podia ter tanto magnetismo para amigos irreverentes e imprevisíveis? Não, porque primeiro de tudo, Sakura falara o que não deveria e provocou uma série de efeitos negativos com o Uchiha. Agora, nesta manhã, Deidara fizera o favor de fazer-me de palhaço na frente das meninas que até então eu não conhecia. Sim, eu realmente não era um sortudo quanto a amigos. Provavelmente toda aquela massa cinzenta que deveria pertencer a eles fora transplantada com sucesso em outra pessoa durante a criação das espécies. Ou então eles foram trocados na maternidade por alienígenas excêntricos que foram expulsos de seu planeta natal apenas pelos mesmos motivos que os fazem de idiotas nessa Terra.
― Sinto muito pelo o que Deidara falou. ― murmurou a morena ao meu lado atraindo minha atenção. Eu não esperava um pedido de desculpas vindo dela, isso era um fato inquestionável. Encarei a figura que estava do meu lado direito. Meu rosto estava completamente confuso após sua declaração. Ela sorria, ainda timidamente, em minha direção. Os longos cabelos negros trançados pareciam ganhar um tom azulado na presença da luz. Ela era de alguma forma, completamente exuberante. Mas nunca que eu conseguiria dizer tais palavras em voz alta. ― Acho que você ficou sem jeito com o que ele disse. Estou certa?
― Eu estou acostumado as irreverentes “quebras de gelo” peroladas por Deidara, então você não precisa se preocupar com isso. ― retruquei rapidamente. Não era definitivamente uma mentira. Deidara sempre fora desse modo e, assim como acontecia com Sakura, eu estava completamente acostumado a estas ações. ― Fiquei preocupado que você não tivesse gostado do modo como ele falou.
― Kuro me avisou sobre isso. ― murmurou a Hyuuga soltando uma breve risada. ― E, bem... Eu já deveria esperar algo assim. Normalmente não sou boa com essa coisa de encontro às escuras.
― Desculpe-me mudar de assunto, mas... ― sussurrei chamando a atenção da morena e rapidamente retirando-me daquela conversa. Não estava completamente certo em manter diálogo sobre os desastrosos encontros às escuras que eu já fui forçado a comparecer. De canto de olho eu podia facilmente vislumbrar a imagem de uma morena chamada Kurotsuchi e um loiro chamando Deidara observando nossa conversa, ainda distantes. Eu sabia, desde o início, que ali havia um grande dedo pobre do loiro. Deidara e suas fúteis ideias de juntar-me com alguma garota. ― Mas eu acho que já te conheço.
― Eu sou... ― murmurou a morena ainda desconcertada. Ela parecia não ter certeza se iria ou não comentar seja lá o que estivesse passando por sua mente. ― Sou amiga de infância do Sasuke. ― ela disse e eu deixei que meus olhos levemente se arregalassem ao receber a informação. Só então me lembrei do motivo de Hinata ser tão familiar. Ela fora a garota que havia ajudado o Uchiha a erguer-se do chão quando eu lhe desferi um bom soco. ― O cara que você depositou um soco.
― Ah... Aquilo foi... ― eu não sabia ao certo o que comentar. Minha mão esquerda ergueu-se e foi passada sobre os fios loiros completamente assanhados. Não esperava encontrar uma amiga do Uchiha, mas agora... ― É que...
― Sei perfeitamente porque fez aquilo. ― disse a morena. ― Não o recrimino por isso, afinal, Sasuke também não fora o exímio cavalheiro com sua amiga. Ele faria o mesmo se a situação fosse inversa e eu estivesse no lugar de Sakura.
Ela parecia incrivelmente compreensível. Qualquer outra pessoa diria que eu fui um tolo. Qualquer um diria que eu havia provocado uma briga e que poderia ter sido facilmente expulso. Mas ela não. Ela sabia perfeitamente os motivos que me levaram a tal ato. Ela sabia que o amigo estava errado e mesmo que fosse amiga dele não recriminou Sakura por ter criado aquela imensa confusão ou até mesmo a mim que tentei proteger sua honra.
― Já passei por vários aperreios ao lado do Sasuke. ― confirmou a Hyuuga facilmente deixando que seus olhos fixassem-se aos dedos das próprias mãos. Ela batucava os polegares na mesa para, logo depois, batucar os indicadores e assim sucessivamente até que todos os dedos houvessem passado pelo tampo da mesa. ― Ele sempre esteve comigo e sei que ele nunca deixaria nada de mal me abater.
― Parece que vocês se dão muito bem. ― eu deixei que a afirmação tola escapasse por meus lábios antes mesmo que eu chegasse a impedi-la de ser formada. Encarei o tampo da mesa tentando fixar meu olhar em outro lugar que não fosse seus olhos perolados encarando o nada como se lembrasse de momentos dolorosos. ― Até me lembra de como eu e Sakura nos tratamos.
― Bom, pelo menos eu não tenho uma paixão de infância pelo Sasuke. ― a Hyuuga deixara a afirmação escapar por seus lábios. Um sorriso franco e brando escapara por seus lábios deixando que um suspiro irritadiço escapasse por meus lábios. ― Certo?
― Por favor, você também não... ― sussurrei desgostoso, mas não consegui evitar que a risada ecoasse por meus lábios em seguida. ― Eu não tenho uma paixão de infância pela Sakura.
[...]
Quando o filme, uma péssima história sobre um grupo de pessoas que acabavam perdidos numa ilha após a queda de um avião, terminou eu ainda busquei com os olhos a figura de cabelos rosados que eu havia visto entrar na loja de Nagato. Quando perguntei a meu primo sobre o paradeiro de Sakura, ele apenas comentou que ela havia saído horas antes, mas apenas por vislumbrar seu rosto eu percebi que havia mais história por trás de sua face séria e irritadiça. Porém, como ele não comentara nada, eu decidi que não deveria incomodá-lo com perguntas.
― Encontrou? ― murmurou Deidara para mim assim que me aproximei novamente do grupo. Kurotsuchi resmungava algo sobre uma blusa com estampas de pandas que havia comprado enquanto eu conversava com Nagato. Ela mostrava a estampa para Hinata que não parecia nada animada com a figura de pandas. Neguei para o loiro que apenas deixou um resmungo escapar por seus lábios. ― Aquela Sakura...
― Nagato disse que ela saiu da loja horas atrás. ― sussurrei declarando o mesmo que meu primo havia me dito. ― Provavelmente ela foi para casa. Vou tentar ligar para ela no caminho.
― Ótimo. ― disse rapidamente o loiro. ― E quando falar com ela diga que da próxima vez ela me avise se aparecer para nosso passeio. Eu provavelmente chamarei Sasori na próxima oportunidade.
Deixei a provável ideia de resposta por parte de Sakura em minha mente. Não era necessário que palavras tão feias escapassem para os ouvidos dos três a minha frente, era? Suspirei enquanto retirava a chave do carro de dentro do bolso. Encarei o loiro e as meninas, pronto para despedir-me, mas algo no rosto de Hinata chamou-me a atenção.
― Naruto... ― a voz dela me chamara. Encarei-a ainda a espera de qualquer que fosse sua declaração. Deidara estava muito ansioso a descobrir o que a morena diria, mas a garota de cabelos curtos puxou-o pelo corredor humano na saída do shopping, deixando-me a só com a Hyuuga. Meus olhos prenderam-se nas pérolas que ela possuía nas órbitas. ― Será que pode me dar uma carona? Eu não encontrei o Sasuke também, então... Bem, digamos que ele não é um fã do shopping.
― Tudo bem. ― sussurrei. Conhecia perfeitamente outra pessoa que contrariava qualquer ideia de idas ao shopping, compras ou qualquer outra coisa deste estilo. A única loja que Sakura aturava naquele lugar era a pertencente a meu primo, Nagato. Se não fosse por ela, nunca que a rosada aceitaria pisar os pés naquele local. ― Vamos.
O caminho até o estacionamento fora feito no mais completo silêncio. Hinata permanecera quieta até que entrássemos no March preto de meu pai. O carro seria, em breve, um presente de aniversário. Já havíamos combinado e eu já tinha a carteira em mãos, então ele não via problema em deixar-me dirigir quando fosse necessário. Abri a porta do passageiro para a morena que agradeceu com um resmungo quase inaudível e que, se eu não estivesse ao seu lado, nunca conseguiria ouvir. Dei a volta no carro e entrei pela porta do motorista. Coloquei a chave na ignição e o motor roncou caloroso quando a volta na chave fora dada. Soltei o freio de mão e pisei na embreagem antes de retirar o carro da vaga.
Hinata resmungava as coordenadas do caminho através das ruas. Aquele era um bairro quase que desconhecido por mim, mesmo que ficasse apenas a alguns quarteirões de distância de minha casa. Havia uma grande praça central, completamente arborizada e a Hyuuga apontou para uma casa de andar simples com uma tintura amarelada nas paredes. As janelas estavam abertas e o som de uma música alta era facilmente ouvido do local em que eu estacionara o carro.
― Minha irmã ouvindo Taylor Swift novamente. ― disse a morena atraindo minha atenção. ― Ela tem um gosto musical bem... Digamos... Jovial. Mesmo que eu prefira músicas mais antigas como algumas do Scorpions. Diferenças irreconciliáveis entre irmãs.
― Não acredito... ― deixei minha fala escapar automaticamente. Era bastante coincidência. Pelo o pouco que nós conversamos naquele shopping, eu percebi que tínhamos os mesmos gostos culinários e de literatura, além é claro da aversão para com filmes tolos de pessoas perdidas em ilhas desertas. Agora eu descobria que gostávamos da mesma banda? Isso confere produção? ― Que você gosta dos Scorpions.
― Acho que devo agradecer a minha falecida mãe. ― disse a morena rapidamente. Um sorriso fraco escapou por seus lábios. ― Ela sempre ouvia os discos do Scorpions no toca-fitas antigo que tinha em casa. E bem... Eu sempre estava por perto ouvindo também.
Ela me encarou e por um momento eu me senti estranhamente desconfortável. O sol já havia desaparecido dando espaço a uma lua cheia e o céu escuro coberto de estrelas pequenas e brilhantes. Eu poderia facilmente destacar sete constelações que se formavam no céu naquela época do ano. Virei meu rosto para frente a fim de evitar ao máximo que minhas bochechas transmitissem a sensação estranha através de mudança da temperatura corporal e, consequentemente, as famosas bochechas coradas.
― Eu vou indo... ― sussurrou a Hyuuga. Eu iria virar meu rosto e encará-la para, quem sabe, despedir-me educadamente, mas a surpresa fora maior quando senti lábios finos tocarem, sem intenção, os meus. Tanto meus olhos azuis quanto os perolados de Hinata arregalaram-se. A sensação de desconforto era visível na atmosfera. Virei meu rosto para a esquerda a fim de não encará-la. Meus olhos bateram na figura de duas crianças que brincavam de amarelinha na frente de uma casa. ― É... Até.
A porta do March fora aberta e rapidamente a morena descera. Logo após, eu apenas pude ouvir o som da porta metálica sendo fechada e quando virei meu rosto a vi caminhar, a passos rápidos, para dentro da casa. O jardim florido recebia água através dos sprinklers. O som que eles faziam atingia certeiro nos meus ouvidos. Encarei a imagem da rua deserta a minha frente. Por Deus! O que havia acontecido?
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