Efeito Dominó
13 The Silver Towers
Regina fitou a cidade através da grande vidraça do vigésimo quinto andar. Baltimore com certeza podia denominar-se uma das mais lindas e apaixonantes cidades dos Estados Unidos; o porto servia como moldura para as luzes cintilantes dos diversos prédios e estabelecimentos e suas jornadas através das madrugadas. Depois de muita pesquisa, ela havia reconhecido o ponto estratégico para a construção das torres empresariais e sentiu-se orgulhosa por mais um projeto terminado. A festa estava animada na cobertura; o som podia ser ouvido dali. Fitou seu reflexo no espelho; os cabelos presos no topo da cabeça, o vestido dourado que contornava seu corpo — delineando-o com a sensualidade da seda, a ousada fenda em sua coxa, a maneira como os ombros destacavam-se desnudos.
Ouviu dois toques na porta. Ela autorizou a entrada e Stuart apareceu no reflexo da vidraça. “Sua secretária pediu para avisar-lhe que é o momento do discurso comemorativo.”
Regina assentiu e ele se retirou. Ela virou-se e fitou a sala ao seu redor; os imóveis planejados, a pintura delicada e elegantemente contraposta em tons pastéis. Não fazia ideia de quem já estava na festa; tivera que resolver todos os assuntos peculiares e pendentes antes do lançamento. Caminhou até a porta e apagou a luz atrás de si. O corredor em que estava lhe dava acesso à escada de incêndio, onde Stuart a aguardava. Ele abriu a porta e ela passou por ele, de modo que ela podia chegar ao terraço sem ser observada. Três lances de escada e um pouco mais cansada, ela chegou ao patamar desejado. Ele abriu a porta e ela deu apenas um passo para a frente, quando ouviu o anfitrião animado clamar por seu nome.
“Senhoras e senhores, a alma deste lançamento! Com vocês, Regina Delfino!”
Aplausos e aplausos, uma música instrumental incrivelmente motivante e lá estava ela. A empresária. Com um sorriso magicamente aberto, sorrindo e cumprimentando as pessoas que encontrou enquanto fazia seu caminho até o pequeno palco. Um spot de luz a seguia em seu percurso. Ela cumprimentou o rapaz bem vestido em um smoking branco e gravata borboleta vermelha e ele cedeu o espaço para ela.
“Boa noite, Baltimore!” Mais palmas foram ouvidas, e finalmente ela teve uma visão panorâmica da festa. Havia realmente muitas pessoas ali; seus olhos treinados analisaram cada detalhe sobre o posicionamento das mesas e dos garçons. Tudo sob controle. “Que noite maravilhosa para um lançamento que vai mudar a vida de milhares de pessoas!” Ela retirou o microfone do suporte e se pôs a caminhar pelo pequeno palco. Seus olhos encontraram Zelena no canto esquerdo do bar, acompanhada por seu marido. Perguntou-se o que Frank estava fazendo ali. Ele não tinha um jantar ou algo parecido? Naquele momento, ela não podia se dar ao luxo de pensar em ambos. “Há muitos anos, quando procurava um lugar para locar o projeto Silver Towers, eu buscava a cidade perfeita. Mais do que isso, eu buscava a população correta.” O som da música havia sido reduzido e ela percebeu que grande parte da multidão realmente havia parado para ouvi-la. Seus olhos reconheceram um rosto na multidão; quem era mesmo aquela mulher?
“Vocês sabem, um investimento não favorece apenas a construtora, não somente a investidora, não somente a projetista ou o CEO envolvido. Não. Um investimento como esse conta com o retorno dos cidadãos da cidade escolhida. Com o apoio dos comerciantes, dos empresários, da força latente da economia local. Sem empresas, escritórios, negócios autônomos e particulares em cada uma dessas salas empresariais, teremos apenas um símbolo arquitetônico que custou alguns milhões. Nós também precisamos de vocês. Do seu retorno. Através das Silver Towers, eu ofereço a vocês não somente um novo símbolo de potência e relevância econômica, mas a oportunidade de crescimento através de interesse externo. Afinal, somos os Estados Unidos da América. Nosso dinheiro vem muito mais de fora do que de dentro, correto?”
Risos se alastraram pela multidão. Ela ergueu uma taça e sorriu ainda mais largamente. “A Apple’s Queen deseja a vocês uma noite maravilhosa. Bebam, comprem andares e mais andares e comecem a jogar! Que a sorte esteja com vocês!”
A multidão gritou e ela foi aplaudida mais uma vez; a música voltou ao volume anterior e aos poucos a multidão se espalhou. Ela desceu, caminhando até a loira que continuou parada exatamente no mesmo lugar; os olhos azuis a fitavam com interesse e um sorriso insinuativo morava em seus lábios. Os cabelos loiros na altura dos ombros estavam bem penteados em ondas largas, e combinavam com o vestido branco e de corte simples escolhido pela mesma.
“Parabéns, Senhora Delfino.” O sotaque britânico serviu de gatilho para Regina, que imediatamente lembrou-se de onde a conhecia. O casamento.
“Margot Bishop.”
“Em pessoa.”
“Ao que devo o prazer de sua presença?” Questionou Regina, guiando-a para o bar. Ela percebeu que Frank as fitava de longe, com um semblante de preocupação e por alguma razão sádica, adorou provocar esta reação. Margot sentou-se no bar e sorriu para o bartender; Regina abaixou a cabeça, rindo da ousadia da mesma. “Você é rápida.”
“Como você.” Rebateu a loira. “Diga-me: já está pronta para se juntar a mim e destruir seu marido?”
“Por que acha que eu vou, em algum momento, dar uma resposta positiva a você?”
O bartender colocou uma marguerita na frente da loira. “Obrigada Jeferson.” Margot virou-se para o lado, aproximando-se ainda mais de Regina. Seus corpos estavam próximos; os olhos da loira fixos nos olhos castanho chocolate da morena. Com um movimento simples, Margot alcançou uma mecha de cabelo saindo de seu penteado e o colocou atrás de sua orelha, aproximando-se um pouco mais. Com os lábios bastante próximos, ela sussurrou. “Porque eu estou na estrada há muito tempo, Regina. Eu conheço homens como o seu marido e conheço o seu marido. Ele é um escorpião. Você pode tratá-lo como um animal de estimação. Você pode inclusive amá-lo e fazer a vida dele um verdadeiro paraíso. Porém um dia, quando você menos esperar, ele irá enterrar aquele ferrão em você. Não porque ele não a ama. Não porque ele queria lhe causar mal. É a natureza dele.”
“E qual é a sua natureza?”
“De lobo, assim como a sua. Trabalhamos melhores sozinhas, mas sabemos como viver em sociedade e atacamos em grupo. Leões têm reis. Nós temos alfas.”
“Você é estranhamente agradável para uma criminosa traiçoeira, Bishop.” Riu Regina, afastando-se dela. Levantou-se, pegou o copo da mesma e bebericou a marguerita — por sinal, maravilhosa.
“E você é estranhamente inteligente para fazer o papel de esposa-troféu.”
“Todos nós precisamos fazer algum papel, não é mesmo?” Sorriu. “Mas não perca as esperanças. Um dia eu posso precisar dos seus serviços.”
***
Ela estava conversando com um dos ministros do comércio sobre a revitalização do Centro de Pesca quando ela fitou Stuart conversando com uma bela mulher. Parte de si sentiu uma pontada de ciúmes da intimidade que dividiam; a morena estava de costas para ela de modo que ela pode apenas observa-la alinhando a gravata do rapaz e recebendo um dos mais doces sorrisos que Regina já o vira dar.
Quando a mesma virou-se na sua direção, ela riu. Mellie Grant. O rosto inconfundível da primeira dama que se tornou Senadora. Os olhos azuis cintilantes e os lábios pintados num vermelho vivo; o vestido, uma verdadeira obra prima, era todo preto com um decote bastante fundo. Ela e Stuart vieram na sua direção, antes que Regina tivesse alguma reação. “Regina, está é a minha tia, Mellie Grant. Tia, esta é…”
“Regina Mills Delfino, mente brilhante que comanda o Império Apple's Queen e proprietária de mais empreendimentos que posso contar nos dedos das mãos. O prazer é meu.”
Elas trocaram beijinhos no rosto, elegantemente. “Stuart fala muito sobre você.”
Regina riu. “Infelizmente não posso falar o mesmo. Stuart não fala nada. Ele é uma cova selada.”
“Em minha defesa, eu…”
“Não tem defesa, rapaz.” Brincou Mellie. Ela rapidamente retomou a conversa com a anfitriã. “Você pensa em ingressar no campo político algum dia, Regina?”
Havia algo nessa mulher que inspirava confiabilidade e esta sensação era demasiadamente rara para Regina. Seu primeiro instinto era quase sempre desconfiar e se auto proteger. “Política não me agrada. Considero um território neutro.”
“Você tem talento para o jogo. Me deixe saber se mudar de ideia algum dia.” Mellie não era uma mulher de muitas amizades femininas pelo simples fato da grande rivalidade. Torcia para que em algum momento na história as mulheres percebessem que juntas tinham mais força do que quando tentavam sabotar uma à outra; lutava pelo empoderamento e pelo feminismo numa tentativa de união. O ambiente em que vivia não lhe permitia confiar em muitas pessoas e isso tornava inviável construir novos relacionamentos; porém fitando a morena a sua frente ela sentiu uma incomum simpatia.
Regina sorriu. “Eu preciso adular alguns investidores, me desculpem. Foi um prazer conhece-la, Mellie.”
“O prazer foi meu. E considere meu convite.” Respondeu Mellie, tocando o antebraço da morena com a ponta dos dedos, as unhas pintadas em azul cobalto destacando-se.
“Conte com isso.” Ela se afastou, deixando Mellie e Stuart sozinhos novamente.
“Ela é muito mais bonita pessoalmente.”
“Ela é.” Concordou ele, fitando-a de longe.
Mellie seguiu o olhar dele e percebendo que se encontrava em Regina, deu um passo a frente e bloqueou a visão dele. “Não cometa um erro.”
Ele riu. Era engraçado vê-la preocupada. “Não se preocupe. Eu continuo um bobo apaixonado pela Ruby.”
“Oh. Após todos esses anos?”
“Após todos esses anos.”
***
“Você está deslumbrante.” A voz de Frank soou próxima de sua orelha, enviando um arrepio para a sua nuca. Ela deu meia volta e virou-se, encarando-o. Ele havia descartado o terno, ficando apenas com a camisa social na cor rosa; os cabelos escovados para trás o deixavam ainda mais bonito. Ele havia cortado a barba; pequenos detalhes que não lhe passavam despercebidos mesmo que ela quisesse.
“Não tanto quanto você.” Ele se aproximou e deslizou as mãos em seus braços numa carícia gentil. “Parece que Margot tem uma queda por você.”
“Ela é persistente.” Brincou Regina. Ela olhou ao redor, analisando o time de seguranças ao redor dele — o número parecia ter aumentado. “Onde está seu braço direito?”
“O filho dele sofreu um acidente e ele precisou sair de seu posto.”
Regina deu um passo à frente e ajeitou a gravata dele, aproximando seus corpos e olhando-o nos olhos. “Você ter permitido que ele fosse ficar com o garoto foi muita empatia, baby.” Ela puxou a gravata e beijou seus lábios com cuidado e carinho. “É o tipo de coisa que me atrai mais e mais.”
Frank deslizou as palmas das mãos pelas costas dela, aprofundando o beijo e tornando-o mais quente. Ele pensou no quanto ela estava enganada; pensou na audácia de Robin Lockhood ao enfrenta-lo; mas precisava do bastardo e se Regina queria vê-lo como um cavalheiro em armadura reluzente, que fosse. Os lábios dela estavam quentes e macios e ela suspirou baixo quando eles se afastaram. “Vamos para casa.” Pediu ele, as mãos deslizando para o quadril dela e deixando claras as intenções de seu convite.
“Ainda há pessoas para eu conversar e as vendas inaugurais ainda não foram encerradas. Não posso.” Frank respirou fundo, retirando suas mãos do corpo dela lentamente. “Você não tinha um jantar hoje?”
“Desmarquei. Você não iria, não fazia sentido.”
Ela o encarou com surpresa. Não era como se esperasse que sua companhia fizesse qualquer diferença a ele; afinal, ele tinha um vasto catálogo de escolhas. Frank tinha este efeito sobre si que ela própria detestava; poucas palavras que tinham o poder de modificar seu humor, de reerguer sua autoestima, de fazer com que ela se sentisse confiante, especial, amada. Como uma viciada, ela sabia que esse comportamento era destrutivo; o efeito era curto e rapidamente ele a empurraria de volta ao vortex de traição e rejeição mas ela sentia-se ilogicamente atraída pelo precipício. Sorriu.
“Isso foi bonito da sua parte, Frank.”
“Vejo você em casa?” Questionou ele sem olhar para seus olhos.
“Voltarei tarde.”
“Pode ser que eu não esteja em casa. Annalise está no meio de um caso.”
Ela sabia que não existia nenhum caso e que ele não iria se encontrar com Annalise. Como ela havia rejeitado a oferta dele, ele iria atrás de outra mulher que a aceitasse. Ela respirou fundo e beijou os lábios dele suavemente. “Preciso voltar para a festa.”
***
Ela estava perdendo a sanidade e sabia disso. Os pensamentos pipocavam na sua mente, bloqueando sua própria consciência. Ela estava saindo sorrateiramente de sua própria festa para vê-lo e não poderia estar se sentindo mais culpada, mas algo parecia incrivelmente certo naquela decisão. Regina fitava as ruas vazias; enquanto se perguntava o porquê de se importar tanto mas a resposta nunca apareceu.
Virou-se para o interior do carro e fitou o jovem segurança. Ele dirigia com o semblante sério, e vez por outra algum desavisado com o farol alto lançava uma luz sobre seu rosto, iluminando-o. “Algum problema, Sra. Delfino?” Questionou, indicando que ele percebera que ela o estava assistindo.
“Por que está me ajudando?”
Era um risco para ele. Trocar os carros, despistar o sistema de rastreamento de seu marido, despistar os outros seguranças para que ela pudesse se encontrar com seu tutor.
“Eu não tenho certeza do que está acontecendo entre vocês e também não preciso saber, Regina. Mas você gosta dele e ele lhe faz bem. É o suficiente para mim.”
Ela assentiu, balançando a cabeça lentamente e mergulhou de volta em seu silêncio. Cerca de cinco minutos depois, ele estacionou e ela olhou em volta. Era um condomínio classe média, bem preservado, jardins bem cuidados e uma portaria. “Entre por aquele portão.” Disse Stuart. “Eu vou dar a volta e te encontro do outro lado. Assim você fica longe das câmeras.”
Ela abriu a porta do carro e saiu, caminhando com o máximo de dignidade sobre o chão de concreto queimado. Os sapatos caros que usava não eram páreos para a textura do lugar mas ela não se importou. Passou pelo portão que parecia abandonado, possivelmente uma entrada desabilitada há anos e avistou Stuart do outro lado. “Que? Como você chegou aí tão rápido?”
“Não sou eu que estou de salto alto.” Provocou ele, estendendo o braço para que ela apoiasse seu peso. Eles atravessaram o jardim entre os prédios rapidamente, o som dos saltos ecoando por todo o vazio da noite. Stuart fitou as unhas dela fincadas em seu smoking e sorriu; possivelmente ela não fazia ideia de quão firme estava segurando-o. Ele assumiu para si o que era óbvio: havia se afeiçoado a ela. Passavam tanto tempo juntos que foi inevitável para ele conhecer melhor a mulher esplêndida sobre a qual ele tinha o dever de proteger; foi inevitável se apegar à mulher delicada e com um ótimo senso de humor; foi inevitável sentir-se indignado por todas as porcarias que a cercavam e a adotar um comportamento protetor a seu respeito. Regina não merecia o tratamento que Frank lhe dava, e Stuart sabia disso mais do ninguém; foram muitas as noites em que ele a vira desmoronar em álcool e lágrimas. Talvez noites demais para seu próprio limite.
Ele parou em frente à porta de Robin. “É aqui.”
***
Roland estava sentado no sofá assistindo Marsha e o Urso. Estava muito mais tranquilo agora; o pequeno ganhara dois pequenos pontos no canto de sua têmpora esquerda que praticamente se perderiam por baixo do cabelo encaracolado. Robin suspirou, observando a concentração do pequeno na garota atormentando o pobre urso.
Os médicos foram mais do que atenciosos e realizaram todos os exames cabíveis para se certificar de que Roland não estava em perigo, deixando seu pai completamente tranquilo. Uma leve observação foi recomendada, e Robin ligara para Megan no mesmo instante. Ele sabia que ela aceitaria passar mais tempo com o pequeno gratuitamente, porém seu bom senso não aceitaria. Não se pode roubar o tempo das pessoas ao bel-prazer alheio, e ela tinha contas a pagar como todos. O representante do parque os acompanhou o tempo todo, anotando e questionando sobre como poderia ressarcir os gastos médicos; Robin entendera que o acidente realmente fora algo incontrolável — Roland se distraiu em um momento inoportuno — de modo que assim que pôde agradeceu ao homem e o mandou para casa.
Fechou os olhos e alongou o pescoço. Estava tenso; a conversa com Frank não havia sido a mais polida possível e ele tinha quase certeza de que uma represália o aguardava. Não temia a demissão, afinal a equipe de seguranças estava longe de ser proficiente. Alguns nomes se destacavam porém em seu quadro geral era muito mais decepcionante do que agradável. Com esse pensamento em mente, caminhou até a cozinha. “Quer algo para beber, Roland?”
“Chocolate.” Respondeu ele, sem tirar os olhos da televisão.
Robin retirou o leite da geladeira e preencheu o copo personalizado do arqueiro verde com o líquido, adicionando três colheres de chocolate. Colocou no microondas, aguardou meio minuto enquanto pegava uma cerveja para si. Guardou os recipientes de volta aos seus lugares e rapidamente retornou para a sala. “Sente direito, filho.” Pediu, e assim que o pequeno garoto ajeitou-se alinhando as costas e apoiando-a no sofá ele lhe entregou o copo.
A campainha tocou e ele arqueou as sobrancelhas. Não estava esperando por ninguém, mas concluiu que possivelmente Megan havia esquecido alguma coisa ou então comprado um bolo para Roland. Ele estava vestindo apenas a calça do moletom e meias, e Meggie já estava bastante acostumada com isso; em último caso havia uma camiseta sobre o mancebo. Caminhou até a porta tranquilamente, mas foi repentinamente surpreendido ao abri-la.
“Regina?”
Se houvessem lhe pedido para montar uma lista com os nomes de pessoas que ele jamais esperaria na porta de sua casa, ela estaria no primeiro lugar. Ela estava maravilhosa, o cabelo preso em um penteado suspenso com alguns fios soltos, os ombros destacados pelo vestido dourado; seus olhos imediatamente capturaram os dele e eles permaneceram alguns instantes hipnotizados um pelo outro quando Stuart pigarreou e os trouxe de volta à realidade. “Não é seguro ficarmos muito tempo do lado de fora.”
Robin concordou, estendendo a mão para que ela entrasse. Stuart o cumprimentou apenas com um aceno, eles estavam estranhos sobre a relação deles depois do breve desentendimento da manhã. “O que faz aqui?”
Regina deu uma leve olhada ao redor; a casa era linda e bem decorada, sem muitos móveis e razoavelmente organizada para um homem que morava sozinho. Ouviu o barulho da tevê e uma gargalhada baixa e concluiu que o filho dele também estava acordado. “Eu… Soube que seu filho se machucou e vim checar se precisam de alguma coisa.”
Robin tentou não argumentar sobre o fato de que aquela não era sequer uma justificativa plausível. Ela poderia ter perguntado à Stuart. Poderia ter enviado outro segurança, poderia ter perguntado a Frank, enviado Ruby, ou mesmo pago uma equipe de cuidados especiais. Conhecia o comportamento desta família como a palma de sua própria mão. Mas diante de todas essas possibilidades, Regina Mills Delfino escolhera ir até seu apartamento. “Roland? Venha aqui na cozinha, por favor.”
Regina escutou os passos leves pelo assoalho de madeira até que a figura dele apareceu atrás das calça de moletom de Robin. Ele ergueu os olhos brilhantes e amendoados para ela, curioso. “Quem é essa moça bonita, papa?”
“Você a conheceu na festa, Roland. Ela é Regina Mills. Eu trabalho para ela.”
Roland observou-a em silêncio e Regina sorriu quando ele se aproximou lentamente, um passo por vez, até finalmente estar na frente dela. Ela deslizou os dedos pelos cabelos escuros e encaracolados em um cafuné carinhoso. “Ouvi dizer que você se machucou hoje.”
Ele ergueu o cabelo na altura da têmpora, exibindo o pequeno curativo. Regina concordou mentalmente sobre o fato de nunca ter visto uma criança tão encantadora; Robin fazia um ótimo trabalho. Tomou o devido cuidado com seu vestido e lentamente se agachou, ficando na altura do mesmo. Com cuidado, tocou o rosto delicado e infantil e beijou sua testa. Ele deu uma risada tímida que fez o coração dela flutuar e saiu correndo de volta para a sofá.
“Roland é um pouco tímido para o pequeno encontro.” Assegurou Robin, e ela concordou.
“Ele parece bem.”
“Ele está.” Um sorriso preencheu seus lábios e destacou suas covinhas, detalhe este que não passou despercebido por ela. Na verdade, aquele pequeno detalhe apenas fez com que ela sentisse um leve tremor na parte alta de seu abdômen. “Os médicos só pediram para mantê-lo sob observação nas próximas vinte e quatro horas.”
Havia algo na maneira que Robin a encarava, algo intenso e alarmante que soou na cabeça de Stuart. Quase como se Robin fosse despi-la e toma-la ali mesmo, na frente dele. Regina pediu um copo de água, ciente da névoa densa que agora permeava entre os três e Stuart capturou o olhar de Robin para ele. O olhar de ambos alternou-se entre ela e Roland; o segurança mais jovem concordou com a ideia ao balançar a cabeça positivamente.
“Por aqui.” Indicou Robin, pousando sua mão sobre a parte baixa de sua cintura, acima da linha do quadril e a guiando na direção da cozinha. Stuart tomou o sentido contrário, caminhando até o sofá.
Regina o acompanhou em silêncio, seus olhos fitando as faixas de músculos lombares sendo retraídas e relaxadas a cada passo. Ele acendeu a luz e ela encostou o corpo na mesa de madeira; com cuidado preencheu um copo com água do filtro e lhe entregou. Ela podia sentir o olhar inquisitivo, a maneira curiosa e intensa com a qual ele encarava seus mínimos movimentos. Ela terminou de beber a água e devolveu o copo, assistindo em silêncio enquanto ele o lavou. Estava pronta para fazer o caminho de volta à recepção, pegar Stuart e voltar para a festa quando percebeu que Robin havia se recostado na bancada da pia, os olhos fixos nos seus de uma maneira obstinada que a fez corar instantaneamente.
“Posso lhe fazer uma pergunta, Regina?”
Uma leve dor reclamou em seu ventre e ela sabia que era a ansiedade crepitante em todo o seu corpo. Robin tinha este efeito sobre ela. “Sim.”
Ela mordeu o lábio inferior quando ele veio até ela lentamente, estudando sua reação. Parado à sua frente, ela podia observar os detalhes nas irises azuladas como o céu de Nova York; havia algo refletido ali que lhe parecia vagamente familiar. Os olhos dele deliciaram-se abertamente de cada centímetro de pele exposta, recriando uma espécie de adoração visual. “Por que veio até aqui?”
Ar escapou dos pequenos pulmões enquanto ela tentava elaborar uma resposta ao menos lógica, mas nada lhe ocorreu. Na verdade, a maneira com que os olhos dela aumentaram e seus lábios formaram um “O” só confirmaram que ela não estava pronta para aquela questão. Ela podia sentir o enrubescer de suas próprias bochechas. “Só queria me certificar de que vocês dois não precisavam de nada. Mas já estou de saída.”
Ela tentou desvencilhar-se dele e voltar, mas Robin segurou em seu braço de maneira firme mas sem utilizar força. Eles passaram pela porta lateral da cozinha e entraram uma sala que ela identificou como uma espécie de lavanderia. O cômodo estava escuro, e a última coisa que ouviu foi quando o segurança ativou a tranca; no instante seguinte sentiu as firmes e másculas mãos segurando seu rosto e então ele a beijou. O choque inicial durou segundos e ela deu acesso a ele, entreabrindo os lábios e permitindo que a língua dele avançasse para sua boca, fazendo-a gemer. Ele era firme e passional na maneira que a beijava, fazendo com que seu estômago borbulhasse de antecipação. Calor emanava do encontro feroz de seus lábios; Robin deslizou as mãos até a cintura fina e a virou, encurralando-a entre ele a parede. Ela fechou os olhos, as palmas abertas contra a parede sólida, a sensação ardente do corpo dele grudado ao seu, pressionando-a. Dedos firmes agarraram seu cabelo em um forte puxão e ela deitou a cabeça para trás, sentindo o hálito quente dele sobre seu pescoço. Uma onde de calor ecoou pelo seu corpo quando ela sentiu os lábios dele sobre o lóbulo de sua orelha, sugando lentamente e o sussurro quente que veio em seguida. “Não minta para mim.”
Ela soltou o ar preso em sua garganta quando ele a pressionou ainda mais contra a parede e ela pôde sentir que ela não era a única afetada pela situação; Regina encostou a cabeça contra a parede e gemeu quando ele fincou as duas mãos em seu quadril e esfregou sua virilha contra ela, denunciando o tesão que explodia em sua calças. “Lockhood.” Gemeu ela, sentindo-se absurdamente febril; ele mordeu a pele de sua clavícula e os dedos dele se apertaram ainda mais contra seu osso pélvico. Ela deitou sobre o corpo dele, relaxando e as mãos dele encontraram seus seios, espalmando-os e fechando-se sobre eles, uma espécie de doce tortura. “Por que você veio até aqui, Regina?”
Ele puxou seu cabelo e ela cedeu, submetendo-se ao seu toque. Robin segurou-a pelo pescoço e pousou os lábios sobre a orelha dela. “Responda.”
“Eu… precisava ver você.”
Ele a puxou pela cintura, virando-a de frente para si e então a prensou novamente na parede. Seus dedos viajaram para o quadril, subindo lentamente o tecido enquanto Regina cruzava os braços ao redor de seu pescoço, aprofundando o beijo. Calafrios percorreram a espinha dela ao sentir a ponta dos dedos dele sobre as suas coxas, em carícias suaves, movimentos circulares que estavam derretendo seu sistema nervoso. Ela estava com os olhos fechados e se perguntou por que ele estava demorando tanto; quando abriu os olhos encontrou o par de írises azul escuro fitando-a com intensidade. “O que quer que eu faça por você, Regina?”
“Só… não pare.”
Ela fechou os olhos, sem perceber o sorriso perverso nos lábios dele. Ela cravou as unhas nas costas dele arranhando o dorso nu enquanto encaixava uma das pernas ao redor da cintura dele, afundando o salto nas dobras da calça de moletom. Robin entrelaçou seus dedos nos dela e beijou seu pescoço, deliciando-se com os murmúrios que escapavam pelos lábios delicados. A pele dela deveria ser interditada por ser tão macia e quente, definitivamente viciante; ela enfiou as mãos em seus cabelos e puxou, capturando o pescoço dele e mordendo com força. Ele urrou, e ela deu uma risada que o fez adora-la. Eles não deveriam estar demorando tanto. Stuart o mataria assim que estivessem sozinhos, ele tinha certeza. Com esse pensamento em mente, Robin ajoelhou-se na frente dela; os olhos dela arregalaram-se quando ela entendeu a intenção dele. Ele ergueu o vestido dela até a cintura, e com a outra mão acariciou sua perna; os dedos deslizaram por toda a pele numa carícia suave que acabou na parte baixa de sua coxa, onde ele levantou e encaixou por cima do seu ombro. Ansiosa, ela bufou ao sentir os lábios dele em beijos provocantes na pele interna de sua coxa e enfiou os dedos entre os cabelos loiros, guiando-o diretamente para onde o queria.
Robin não podia negar que essa urgência e impaciência dela o agradava; Regina sabia ser exigente quando queria. Compreendendo a urgência dela, ele beijou-a por cima do tecido da fina calcinha sem costura e em seguida afastou o mesmo, deslizando a língua pela pele completamente sensível e encharcada. Ele olhou para cima e a fitou, os cabelos desalinhados, os olhos fechados e as costas arqueadas. Uma das mãos dela estava encostada na parede e a outra acariciava seus cabelos e ele voltou a lamber cada centímetro, devagar e com um ritmo moderado, apenas apreciando seu sabor e o prazer que estava dando a ela. Com cuidado ele deslizou uma mão e ajudou a abrir o caminho, permitindo que a língua alcançasse pontos ainda mais fundos, enviando ondas de prazer direto ao centro de seu sistema nervoso. “Meu Deus, Robin…”
Ele era um deus do sexo e ela não conseguia imaginar as coisas que poderia lhe causar quando estivessem nus sobre uma cama. O pensamento enviou outra onda de prazer exatamente para onde ele a beijava, e a língua dele escorregou para sua entrada, causando uma fraqueza em suas pernas. Por sorte, Robin antecipou seu movimento e a segurou firme, impedindo-a de interromper o que ele estava fazendo. Continuou seus movimentos, deslizando a língua por entre seus grandes lábios até o clitóris, sem focalizar o toque em apenas um lugar. Sentiu que ela havia começado a mover-se lentamente contra ele, indicando que o orgasmo começara a se formar na parte baixa de seu ventre. Abocanhou sua carne, brincando com a língua ao redor do clitóris; ela puxou seu cabelo, indicando que estava chegando ao seu limite. Ele deslizou a língua por ali mais uma vez, antes de se afastar e fazê-la abrir os olhos, confusa. Robin levantou-se, encaixando a perna dela sobre a sua cintura e então encaixou a cabeça no vão entre seu pescoço e sua mandíbula, mordendo-a ali. Ele imitou os movimentos da penetração, impulsionando os quadris para a frente e para trás e sentiu as mãos dela em sua bunda, apertando e puxando-o para si. Ele segurou seu rosto e a beijou; Regina capturou sua língua e a sugou, desfrutando seu próprio sabor. Ela gemeu contra seus lábios quando sentiu dois dedos deslizando para seu interior, lenta e preguiçosamente.
“Você quer gozar?” Sussurrou ele, prensando-a na parede e beijando a pele seu pescoço. Ela cravou as unhas nos ombros dele, já no limite da excitação que a arrebatara de seu próprio corpo. Robin sorriu, deslizando a língua pelo pescoço dela enquanto seus dedos deslizavam para dentro e para fora em um ritmo torturoso. “Por favor, Robin.” A voz dela soou como uma súplica fraca e frágil, e ele deslizou os dedos curvando-os um pouco mais e atingindo o ponto certo dentro dela, causando-lhe um repentino frio na barriga.
“Por que eu faria isso? Para você repetir com o seu marido?” O sussurro dele parecia um combustível para a sua excitação, levando-a além do precipício. “Você imaginou meus lábios entre as suas pernas quando o beijou pela manhã?” Ele voltou a movimentar seus dedos lentamente, torturando-a. Segurou a mandíbula dela com firmeza e a beijou com força, sua língua tomando posse dela, deslizando para dentro da boca macia. Assim que ele se afastou por mera necessidade de ar, ela deitou a cabeça contra a dele, e eles permaneceram com os rostos encostados por algum tempo. “Eu só quero que me responda uma coisa, e então nós acabamos aqui, tudo bem?”
Ela balançou a cabeça, concordando. Robin mordeu o lábio inferior dela, puxando a carne com suavidade e então deslizou o polegar sobre o clitóris dela, fazendo seu quadril estremecer. “Você transou com ele?”
“Não.” Ela respondeu de maneira convicta e foi a vez dele de suspirar. Voltou a bombear os dedos para dentro dela, acrescentando velocidade ao seu ritmo mas controlando-se. “Por que você o beijou?”
“Além do fato de…” Ele investiu contra ela com um pouco mais de força, e ela segurou o ar. “Ele ser meu marido?”
Robin parou de movimentar os dedos e ela sentiu o choque imediatamente. Ela agarrou os cabelos dele e alinhou seus rostos, forçando-o a olhar em seus olhos. “Porque se eu deixar de toca-lo de uma hora para outra ele vai descobrir que existe outra pessoa envolvida. Então se é isso que tenho que fazer para manter você entre as minhas pernas, é o que eu vou fazer.” Ele a encarou com os lábios entreabertos, como que pensando no que ela havia dito. “Dito isso…” Ela limpou a garganta e chamou a atenção dele. “Eu gostaria que você me comesse. Se não for pedir muito.”
Ele sorriu para o sorriso que ela lhe ofereceu e passou a bombear os dedos para o interior dela; seus lábios se encontraram novamente, os beijos alternando entre leve roçar de lábios e encontros profundos de línguas; as mãos dela deslizando por seu pescoço e lombar em carícias suaves. Ela agarrou-o quando sentiu sua musculatura enrijecendo; gemeu quando ele intensificou a velocidade, criando um gancho com os dedos e tocando seu ponto g. Ela grunhiu sons sem definição e coerência, até que gemeu seu nome, fechando as pernas ao redor dele enquanto seu corpo reproduzia espasmos por toda a sua espinha. Robin manteve-a ali, segurando seu corpo e acalmando-a. “Você é muito bom nisso.” Elogiou ela.
“Espere até experimentar o pacote completo.”
Ela colocou o vestido de volta ao lugar com um sorriso nos lábios. “E quando será isso?”
“Veremos.” Respondeu ele, ajudando-a a refazer seu penteado, delicadamente puxando os fios para dentro do acessório que o segurava. “Vou lhe dar um tempo para se recuperar e lhe encontro na sala.”
Ela assentiu e ele a deixou ali.
***
Quando ela retomou seu caminho, ela encontrou Robin e Stuart conversando. Ambos deram meia volta, virando-se na sua direção. “Precisamos voltar para a festa, Stuart.”
Ela fitou Robin e estava prestes a lhe dizer algo quando alguém puxou seu vestido. Seus olhos viajaram para o pequeno rosto e os olhos amendoados que a observavam com curiosidade. “Eu sei quem você é.”
Ela sorriu. “Ah é? Quem sou eu?”
“Você é a namorada dos sonhos do meu papa!” Gritou o pequeno, alegre e saltitante. Robin ficou vermelho instantaneamente, causando uma crise de riso em Stuart — ele teve que lutar para segurar a gargalhada em sua traqueia.
“Roland!” Chamou Robin, percebendo o olhar perplexo de Regina sobre ele. Ele pediu desculpas sem fazer som, apenas fazendo o sinal das palavras e ela sorriu.
“Olha aqui, é a descrição que você falou, papa!” Respondeu o pequeno, erguendo no ar um caderno com algumas palavras rabiscadas em uma caligrafia redonda. “Cabelos castanhos e ondulados como os meus, olhos castanho com brilho caramelo e um sorriso lindo. Não foi o que você disse?”
Ele não podia desmentir suas próprias palavras. Aguentando o olhar risonho de Stuart e o olhar inquisidor de Regina, ele sorriu para o filho. “Sim, Rollo. Foi o que eu disse. Mas era outra pessoa.”
“Precisamos ir.” Interrompeu Regina e ele agradeceu-a mentalmente por tirá-lo daquela situação. Ela se debruçou e beijou Roland, agradecendo pelo carinho e recebeu um abraço apertado.
Robin os escoltou até a porta. Stuart se despediu primeiro e se afastou, deixando-os a sós. Mas Regina apenas se aproximou e beijou-lhe o rosto delicadamente. Quando seus olhares se encontraram novamente, ela sorriu abertamente fazendo o coração dele acelerar. “Eu não acho que você estava falando de outra pessoa, mas seu segredo está a salvo comigo.”
Mas ela desapareceu na escuridão do pátio antes que ele pensasse em responder.
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