Efeito Dominó

18 The Horse You Came In On Saloon


Robin fitou a pequena caixa azul bebê da relojoaria Tiffany’s Co, incerto sobre o seu conteúdo. A entrega fora feita na mansão por uma transportadora especializada que funcionava através de ordens de serviço, ou seja, irrastreável. Tinha suas suposições sobre o conteúdo da mesma, considerando que Frank havia ultrapassado as quarenta e oito horas estipuladas por Margot Bishop. Ele acreditava piamente que a mesma não ousaria levar seu blefe adiante, mesmo depois do segurança ter o alertado sobre a seriedade das ameaças feitas no Mosaic. Essa vagabunda não tem culhões para fazer nada, essas foram as palavras dele.

Ele não abriu o pacote. Havia uma fita de seda branca que formava um laço ao redor da pequena caixa e um envelope azul bebê da mesma cor da caixa. Seguiu caminho até o escritório de Frank, encontrando-o sentado na mesa de sinuca enquanto fazia um silencioso malabarismo com duas bolas. Seus olhares se cruzaram assim que o mesmo percebeu sua presença e em seguida os olhos verdes caíram sobre a pequena embalagem. Seu semblante mudou rapidamente, e em um momento de completa raridade, Robin viu medo nos olhos de seu chefe.

“Ela não fez… isso.” Comentou ele, a voz grave e sufocada. Recusou-se a manusear o pacote e pediu a Robin silenciosamente que o fizesse. Com cuidado, o mesmo desatou o laço e abriu o pacote, afastando-o na direção do chefe. Delicadamente posicionado sobre uma macia almofada branca, havia um dedo decepado. Feminino, fino, unhas pintadas de vermelho. “Não…” Sussurrou Frank, olhando em volta; seus dedos viajaram para os próprios cabelos que ele puxou em desespero. “Que merda que eu fiz?” Ele voltou sua atenção para o membro dentro da embalagem agora aberta e pegou o envelope preso à tampa, retirando um pequeno papel do interior do mesmo.

“Você tem doze horas. Ou a próxima entrega irá em uma caixa maior.”

Num ímpeto de raiva, Frank jogou as bolas de sinuca contra as vidraças de seu escritório, causando o estrondo espalhafatoso de vidro sendo derrubado sobre o chão. “Filha da puta! Maldita Bishop! Eu quero esganá-la com as minhas próprias mãos!”

Robin permaneceu parado o tempo todo, observando o desespero do homem à sua frente. Observando a maneira com que seu rosto mudou de cor rapidamente, ganhando um tom vermelho intenso, a jugular destacada em seu pescoço, as lágrimas prontas para desfilar rosto abaixo. Ele estava completamente fora de si. Caminhou até a mesa, jogando suas coisas no chão, derrubando seus móveis caros. Depois de algum tempo, sua lucidez veio à tona. Respirando pesadamente, ele fitou o segurança que permanecia intacto como um forte carvalho no meio de uma furacão, e o mesmo retribuiu seu olhar.

“O que quer que eu faça, Sr.?”

“Ligue para Garret O’Shea, do banco suíço. É hora de pagar o resgate.”

***

Correndo na esteira como se corresse na São Silvestre de Paris, Regina tentava conciliar seus novos exercícios de respiração. Suas pernas não haviam demonstrado nenhum sinal de dor; ela aproveitou para variar alguns exercícios, alternando corridas na diagonal, de costas, e aos pulos. Continuou, permitindo seus pensamentos viajarem para os contratos que precisava assinar naquele dia. Não tinha certeza se a reunião sobre o centro esportivo era nessa semana e anotou mentalmente que deveria perguntar à Ruby mais tarde.

Pausou a esteira e caminhou até a lateral esquerda. Pegou um par de caneleiras de cinco quilos cada e as atou aos seus tornozelos, voltando à esteira logo em seguida. Reativou a esteira, começando com um ritmo moderado e forçando-se a correr um pouco mais. Fechou seus olhos e se concentrou no exercício, mas seu subconsciente a traiu e trouxe seu marido ao holofote. Ele parecia transtornado nos últimos dias. Não havia sequer dormido em casa, estava ainda mais estressado que o normal, literalmente à beira de um colapso nervoso. Robin havia se afastado, caminhando na sombra de Frank e Stuart negou ter alguma ideia do que estava acontecendo. Não lhe restava muito a não ser torcer para que a situação se resolvesse, qualquer que fosse. Seu marido não era o mais carinhoso entre todos, e um pico de estresse tão elevado apenas enfatizava isso.

“Você vai se matar assim.”

A voz feminina a assustou e ela teve que bater no botão de emergência, pausando a esteira imediatamente. Com os olhos arregalados, ela fitou Cora Mills.

“Mãe?” Mas não esperou por resposta. Sentou-se na base do aparelho e retirou as caneleiras, jogando-as no chão. Levantou-se e caminhou até a mesma mas permaneceu afastada. “Não vou abraçar você porque estou toda”

“Nojenta.”

“Suada.” Corrigiu ela, revirando os olhos. “Até parece que Cora Mills nunca reproduziu em seu corpo banhado de Chanel nº5 algo tão primitivo quanto suor, não é mesmo?”

Regina caminhou até o pequeno estande e retirou uma das toalhas, enxugando seu rosto. Seus olhos fitaram seu reflexo e ela refez o rabo de cavalo, fitando as linhas de seu abdômen. Usava apenas um top vermelho e shorts preto. Nada de extravagante.

“É uma bela academia que você mantêm aqui.” Comentou Cora e Regina subitamente lembrou-se da presença da mãe ali. Virou-se, sentando em um dos aparelhos e fitou a elegante senhora vestida com uma saia e uma blusa branca singular, um clássico conjunto CH. Seus cabelos brilhavam sob a luz do sol que invadia o local, realçando pequenas nuances avermelhadas. Manteve contato visual por algum tempo, mas desviou. Faziam muitos anos que sua mãe não vinha à sua casa e muito tempo que ela não tomava iniciativa em procurá-la. A ideia de que algo havia acontecido estava pipocando em sua mente, mas ela não ousou pronunciar nada a respeito.

“Foi ideia de Frank.”

“Não teria sido mais barato pagar a mensalidade em outro lugar? Quer dizer, achei que o propósito fosse sair um pouco da fortaleza, conhecer novas pessoas.”

“Como se ele quisesse que eu tenha contato com pessoas.” Resmungou Regina e Cora imediatamente fitou seu rosto.

“Ele não era tão ciumento assim.”

“As coisas mudam. Você mais do que ninguém sabe disso.” Regina bebeu um gole de sua água. “O que faz aqui, mãe? Aconteceu alguma coisa? Zelena está lhe dando trabalho?”

“Eu só queria conversar.”

Regina riu, um som leve carregado por certa medida de ironia. Fitou a mulher mais velha por algum tempo sustentando o contato visual. Sua mãe nunca queria só conversar; ela sequer podia lembrar-se do último diálogo que tiveram a não ser sobre negociações. “Certo.” Concluiu, sem vocabular suas reais impressões daquela abordagem. “Mas não aqui. Vamos para o jardim.”

Cora a seguiu pela porta lateral e um lance de escada depois elas alcançaram o jardim, acessando a área dos quiosques de palha e o chão de pedregulhos. Sentaram-se, e Cora observou a visão panorâmica que tinham do jardim, onde bem distante havia grupos de jovens rapazes treinando como um pequeno pelotão. “Isso é realmente necessário?”

Perguntou, obtendo a atenção de sua filha assim que ela terminara os pedidos a um de seus empregados. Regina acompanhou seu olhar e fitou a equipe de segurança se movendo em sincronia. “Frank leva segurança muito a sério.”

“Você tem um pequeno exército no jardim. Acho que nem o presidente tem tanta segurança.” Concluiu a mulher mais velha, pensativa. Algo não parecia certo, como se seus instintos estivessem lhe alertando mas ela não entendesse os sinais. “Você tem certeza de que está tudo bem com você?”

Era obvio que não. Regina sabia que não havia nada de saudável em ter tantas pessoas sendo treinadas para atacar e defender no quintal de sua casa; era um número desnecessário. Sabia que não havia nada de saudável em construir uma academia dentro da sua propriedade para evitar que sua esposa tivesse contato com outras pessoas. Não havia nada de saudável em sua atitude de saciar desejos sexuais com um dos funcionários da casa mas dizer isso em voz alta só tornaria tudo ainda mais difícil. “Mãe, o que você quer? Eu não estou acreditando muito que você veio à minha casa após tanto tempo para jogar conversa fora. Você nunca se importou, de qualquer forma. Você se importa com a empresa e posso garantir que quanto a isso está tudo correndo maravilhosamente bem.”

“Eu estou dentro da empresa, posso ver com meus próprios olhos, Regina.”

Regina apenas arqueou as sobrancelhas como quem espera uma novidade. Ela deixou sua atenção deslizar para longe, observando Stuart e um dos outros seguranças simulando um combate com cabos de vassoura. “O que aconteceu com você? Você mudou tanto que…”

“Nem pareço a garota que você manipulava com tanta facilidade.” Completou Regina, encarando sua mãe com os olhos tristes. “Eu fiz o que você queria que eu fizesse. Me casei com quem você gostaria que eu casasse. Segui a carreira que você queria que eu seguisse e alcancei o estilo de vida que você almejava. O que mais você quer de mim, mãe?”

“Quero saber se você é feliz.”

“E o que felicidade tem a ver com isso?”

Cora suspirou. Aquela pergunta dizia muito mais do que se sua filha tivesse de fato respondido. Sentiu um leve ardor no peito. O que ela havia feito com a sua menina?

“Eu não entendo o que aconteceu, Regina. Você estava tão apaixonada e tão animada com a empresa, com a presidência…”

“O papai morreu. Foi isso que aconteceu caso você tenha esquecido.” Sibilou ela e finalmente Cora viu no reflexo nos olhos da mais nova uma emoção com a qual ela havia se acostumado. Dor. “Ele morreu e você me empurrou para a saída mais próxima, desaparecendo logo em seguida. Esquecendo que ele deixou duas filhas e que era sua função nos ajudar e proteger. Você fugiu das suas responsabilidades.”

“Eu também estava sofrendo!” Clamou Cora, os olhos marejados.

“Eu nunca disse que não estava. Mas você falhou conosco. Então não venha aqui me perguntar o que aconteceu comigo. Você sabe muito bem que a morte dele quebrou todas nós. E Zelena, apesar de ser uma filha da puta, foi a única que teve integridade e atravessou seu luto levando nossas responsabilidades nas costas.”

Um senhor caucasiano de cabelos finos e olhar bondoso se aproximou com um copo de suco de cranberry e um liquido verde que aparentemente devia ser um suco desintoxicante. Ele colocou-os sobre a mesa e os afastou em seguida. “Henry sempre…”

“Mãe, não. Eu não quero falar sobre o meu pai. Continua sendo um assunto doloroso para mim.”

“Tudo bem.” Consentiu Cora, o olhar caindo sobre a mesa de mármore. Possivelmente aquela visita havia sido a pior ideia que tivera nos últimos meses e ela começou a se arrepender lentamente. Era óbvio que as coisas não iam simplesmente se resolver, e ter acreditado nisso nem que fosse por um segundo fora muito inocente da sua parte.

“Você teve outro alguém? Depois dele?”

Seus olhares se cruzaram mas diferente do que pensava, não havia uma sombra de julgamento no olhar de sua filha. “Não.” Pensou em Arthur mas convenceu-se rapidamente que um beijo não poderia ser considerado algo realmente sério.

“Você não precisa ficar de luto a vida toda. Ele não ia querer isso.”

“E o que você quer? “

Regina sorriu, a feição do seu rosto relaxando. “Eu não tenho que querer nada. Você é minha mãe, não minha filha. Todo mundo, sem exceção, deveria vivenciar o amor quantas vezes esse lhe fosse apresentado.” Ela tomou um longo gole do líquido verde antes de continuar. “Ele sempre estará vivo em nossos corações mas não é por isso que a senhora deva parar de viver.”

“Você conhece o namorado de sua irmã? Vez por outra ela aparece com echarpes cobrindo o pescoço marcado, como se eu não conhecesse esse truque dela desde a adolescência.”

Os olhos de Regina se abriram ainda mais mas ela focou no jardim, tentando silenciar seus pensamentos. Tentou bloquear a visão dos lábios de seu marido sobre a pele dela, marcando-a porém suas tentativas demonstraram-se mal sucedidas. Pela primeira vez na vida, ela invejava sua irmã. “Se é que é um namorado só. Zelena nunca acreditou em monogamia.”

Cora assentiu; segundos depois analisou a mulher sentada na sua frente. “E você? Há quanto tempo você e seu marido não transam?”

“Mãe!” Exclamou Regina, surpresa com a objetividade dela. Suas bochechas ganharam um tom rosado. “Isso é pergunta que se faça?”

“Deve fazer muito tempo, já que você não quer responder.”

“Eu não quero conversar com você sobre isso.”

Cora suprimiu uma risada. “Tudo bem. Mas não tem problema em buscar ajuda externa para resolver esse tipo de problemas.”

Regina arqueou uma sobrancelha, encarando-a. Não queria assumir, mas sentia falta dela e aquela conversa poderia ser a mais insana que já tiveram — porém era como voltar para casa. “Ajuda? Como terapia?”

“Eu ia sugerir um amante mas pode ser terapia.”

“Meu Deus! Eu vou fingir que essa conversa nunca aconteceu.” Respondeu ela, rindo genuinamente.

“Você que sabe. Mas olha… Você tem um catálogo de maus caminhos correndo no seu gramado. Não é tão difícil assim arrumar uma distração.” Ela se levantou e caminhou até Regina, tocando seu rosto e beijando o topo da sua cabeça. “Eu preciso ir agora.”

“Venha mais vezes, mãe. Você é um pouco louca mas me faz rir.”

Cora assentiu, sorrindo como uma criança que acabara de ganhar o presente de natal. Regina observou-a se afastando e depois voltou sua atenção para o gramado, pensativa. Realmente, arrumar uma distração não era difícil. A parte difícil era parar de se distrair.

***

Robin estava em um dos bancos de madeira localizados no fundo do bar. Esse era novo no amplo leque de opções de Frank Delfino. Bem posicionado na St. Thames, o bar chamado The Horse You Came In On Saloon tinha sua raiz bem locado na cultura country, carregando dos mais simples ao mais marcantes traços referentes ao mundo dos cowboys. A fachada não revelava muito, como em todos os estabelecimentos de prestígio. Uma das primeiras coisas que aprendera ao adentrar o universo de casas noturnas e bares como segurança de um homem sem moral alguma e sem problema com seu destino era que quanto mais discreto, mais procurado. Estabelecimentos de alto luxo se escondiam por trás de fachadas simples como uma mera porta escura com um número no meio.

A iluminação interna não era necessariamente escura mas conversava algo de marrom, como um fundo opaco de papel envelhecido. Quadros antigos, banners, propagandas, fotos em papeis que estavam desbotando e diversos lampiões constituíam a decoração local, além dos balcões mesas e cadeiras revestidos em madeira envernizada. As paredes de tijolos antigos adicionavam uma espécie de sobriedade ao local, assim como os barris de madeira transportam seus clientes à uma perspectiva privilegiada dos botecos antigos da Idade Média. Luzes de neon lilás iluminam as prateleiras de bebidas e uma banda toca nuances de rock no outro ambiente.

Seu telefone toca e ele observa Frank a distância, sentado entre duas loiras que estão vestindo shorts menores que uma calcinha e blusinhas coladas ao corpo com um decote generoso. Provavelmente ele não vai se importar.

“Lockhood.”

“Oi.” A voz dela desliza para seu canal auditivo como um liquido espesso e quente, fazendo com que um arrepio atinja sua nuca.

“Você está bem?” Pergunta ele, os olhos fixos em seu chefe.

“Onde está meu marido?”

“Ocupado.”

Ele percebe um breve silêncio. Sabe que mesmo não estando tão próximo da banda o som é facilmente perceptível para o outro lado da linha e ela já deve ter percebido em que espécie de lugar ele está.

“Ele está em seu campo de visão?”

“Sim.”

Poucas coisas poderiam ser comparadas à uma situação tão insana quanto aquela. Sentado no fundo de um bar estilo saloon, de frente para seu empregador e seu interessante ménage enquanto fala em uma linha privada com a esposa do mesmo, que por acaso ele está tendo algum tipo de relacionamento sexual. Se havia como sua vida se tornar ainda mais complicada, ele não conseguia imaginar.

O tom de voz dela diminuiu consideravelmente, apenas um pouco mais alto que um sussurro.” Ele não está sozinho, não é mesmo?”

“Eu não acho que você deva continuar nesse assunto, Regina.” Alertou ele e ela sabia que ele estava tentando evitar que ela fosse além do que gostaria de ouvir.

“Loira ou morena?” Continuou ela, ignorando o alerta dele e ouvindo suspirar.

“Loiras.”

“Oh. Plural… Bonitas?”

Robin riu. “Se você quer dizer gostosas, deveria dizer.”

A risada dela ecoou pela linha e ele tentou evitar sorrir mas fora impossível. “Elas são?”

“Eu trocaria ambas por você.” Ele mordeu o lábio inferior e fitou a lombar de uma das loiras, percebendo uma grande tatuagem de sereia. “São lindas mas não tem nenhum sex appeal.”

“E eu tenho?”

Ele riu. “Você é o próprio sex appeal, Regina. A maneira como anda, a maneira com que se move, a estrutura de seu corpo, sua voz… até a maneira com que você sorri. É hipnotizante a ponto de ser magnético.”

***

Sentada dentro de seu carro, na garagem da Apple’s Queen, ela sentiu seu rosto ardendo. Apesar de deliciada com a maneira direta com a qual Lockhood lhe elogiava, ela ainda buscava um modo saudável e menos acanhado de lidar com aquela atenção. A voz dele lhe dizendo aquelas palavras lhe causava sensações indescritíveis por todo o corpo a ponto de lhe fazer ignorar completamente o fato de que seu marido estava fodendo duas mulheres ao mesmo tempo em algum bar pela cidade.

“Eu arrumei um local.” Anunciou ela, mordendo o lábio inferior.

“Sobre isso…” Respondeu ele, e o silêncio que veio a seguir parecia o gatilho inicial de um irremediável desespero. Ela colou o celular contra sua orelha, ensandecida pela continuação. A ideia de que ele havia mudado de ideia se fez presente e ela sentiu uma pequena cólica por isso. “Eu preciso lhe contar algo importante.”

“Eu estou ouvindo.”

O silêncio a deixava ainda mais ansiosa, empurrando-a para a beirada de seu precipício emocional. “Eu preciso ter certeza de que você quer realmente continuar com isso, Regina. Eu sou um homem de gostos distintos e apesar de eu conseguir manter isso em seu devido lugar algumas características acabam transcendendo.” A voz dele parecia ainda mais grossa e intensa e ela fechou os olhos, encostando a cabeça no descanso do banco e cruzando as pernas para aplacar a excitação que começava a nascer entre suas pernas.

“Robin a menos que isso envolva me colocar numa gaiola e querer que eu ande de quatro com uma coleira no pescoço eu garanto que não me importo.”

Ela o ouviu gargalhar do outro lado da linha e não pode evitar rir em resposta. “Eu não acredito. Era justamente o que eu ia pedir.” Ele riu novamente e voltou a falar em seguida, com o tom um tanto mais sério. “Eu trabalhei como Dominator em uma casa BDSM por algum tempo e nesse período eu desenvolvi alguns gostos… Eu não estou dizendo que vou fazer nada com você. Eu conheço limites. Mas preciso avisar que muitas vezes, gentileza não me excita. Eu tenho um perfil um tanto mais rígido.”

Regina fechou os olhos e respirou fundo, digerindo aquela informação. Robin Lockhood com um chicote na mão, prestes a açoitar sua carne. Robin Lockhood amarrando seus pulsos com cordas. Robin Lockhood observando-a se masturbar e dando-lhe instruções enquanto ela pediria gentilmente que ele a deixasse gozar. Pensamentos indecorosos mergulharam sua mente na mais pura luxúria e ela apertou suas coxas uma contra a outra. Um gemido ecoou dos seus lábios inconscientemente quando ela imaginou as coisas que ele poderia fazer com ela e por alguns segundos ela esqueceu que ele estava do outro lado da linha. “Regina, fale alguma coisa.”

“Você é capaz de me dar prazer, Lockhood?”

“Mais do que você já sentiu em toda a sua vida até agora.”

“É só isso que preciso saber.” Um carro estacionou ao seu lado, denunciado pelo farol alto. “Eu preciso desligar agora. Cuide do meu marido.”

“Eu acho que já há pessoas suficientes cuidando dele.” Respondeu ele, fazendo-a rir. Ela se despediu e após colocar o celular de volta à bolsa, girou a chave na ignição e ligou seu carro.