Efeito Dominó

8 Royal Blefe


A madrugada era sempre silenciosa na mansão; e agora que Regina realmente tinha o que fazer, o silêncio era seu aliado. Transformou um dos diversos quartos desocupados em um escritório minimalista e luxuoso; uma ligação para sua design de interiores favoritas e voila— um novo ambiente decorado e equipado pronto para ser usufruído. Melina a conhecia bem; suas escolhas eram reflexos das predileções de Regina. As paredes em um fim cinza quase branco, os móveis de madeira escura, os pequenos objetos coloridos para trazê-la de volta à realidade; uma pintura bonita de uma mulher de costas para ela e de frente para uma longa cadeia de montanhas; uma cafeteira de luxo sobre a mesa do canto onde algumas garrafas identificavam um bar emergencial; Melina também colocara um quadro branco em uma das paredes.

Regina sentou-se na cadeira e voltou a escrever seus relatórios. Precisaria explicar a venda de suas ações ao conselho e também levar o dossiê com todo o desfalque feito por sua irmã. Não fazia ideia de que horas eram; estava na sua terceira caneca de café. Com os cabelos presos em um coque e com os óculos de leitura, ela parecia até mesmo uma professora escrevendo lições — exceto se desconsiderado o pijama delicado de elefantes. A porta se abriu e seu olhar cruzou com o de Frank; ele entrou no escritório devagar e analisando o novo local. “Melina fez um bom trabalho aqui.” Comentou, caminhando ao redor com curiosidade. Minutos depois, ele parou perto da janela. “Você vendeu ações para sua mãe?”

“Você estava com Zelena até agora?”

Ele a fitou como se ela tivesse profanado a blasfêmia mais vulgar de todas, mas ela sequer tirou os olhos do papel onde redigia o esboço de seu relatório. De todas as reações que imaginava para quando sua esposa finalmente estivesse frente a frente com suas infidelidades, nenhuma se comparava ao atual descaso e indiferença, à frieza com que ela estava se portando. “Sim, eu vendi. Como empresária é necessário tomar algumas decisões que são difíceis, mas é preciso enxergar a situação como um quadro geral.”

Regina ergueu o rosto e captou o olhar que ele lhe lançava; o rosto de quem subestimara sua inteligência. “Eu sei o que está pensando, Frank. Não foi uma retaliação simplesmente porque descobri que vocês estão tendo um caso. Não foi porque eu gastei um dinheiro absurdo com um presente de casamento e você o colocou no pulso dela. Quando você me trai, a culpa não é das suas amantes. Eu não sou casada com elas. Porém se punir você está fora de questão, que Zelena pague o pato.”

“Ela é sua irmã, Regina.” O tom de cautela e compaixão na voz dele fez com que ela tivesse vontade de rir.

“E você é meu marido. Mas isso não impediu vocês de se comerem nem de roubar meu dinheiro pelas minhas costas.”

Ela fixou o olhar no dele, desafiando-o a prosseguir. Frank manteve o olhar dela por algum tempo mas cedeu, os ombros caindo em um claro sinal de desistência. “Sua mãe também não é de confiança. Nem Margot Bishop.”

“Quem?”

“Não se faça de desentendida, Regina. Eu sei que ela abordou você no casamento da Amelia, quando estava indo embora.”

“Ah.” As sobrancelhas dela se arquearam por alguns segundos, como se a lembrança estivesse aparecendo gradativamente. “Quando você estava por baixo de uma mulher qualquer em dos quartos daquele salão e me deixou sozinha na mesa e eu fingi que estava com dor de cabeça para ir embora e me poupar da humilhação. Me lembrei.” Os olhos dele se arregalaram e ele perdeu alguns tons de cor, beirando a palidez. “Ah, então isso os seus seguranças não lhe disseram. Que eu não saí da festa por estar com dor de cabeça. Eu estava enojada depois de ver aquela mulher sentada no seu pênis. Foi exatamente isso o que aconteceu, e por isso eu fui embora antes.”

“Regina.” Chamou ele, o tom de voz repreensivo pela escolha de palavras dela. As sobrancelhas se uniram em uma carranca de raiva.

“Na verdade a proposta que ela me fez não tem nada a ver com você, querido. Parece que Margot Bishop joga para ambos os times…” Regina sorriu, balançando a cabeça como se uma lembrança feliz brincasse em sua mente. Ela voltou a encarar a tela do computador; perguntando-se quanto tempo ele iria ficar ali encarando-a com aquele semblante de incredulidade. “Você se importa em me deixar terminar este relatório? Preciso entregá-lo amanhã.”

Frank aproximou-se da mesa e colocou ambas as mãos sobre ela, inclinando o rosto para que nada estivesse no caminho entre eles; o olhar dele — confuso, surpreso — em nada se harmonizava com o olhar frio e calmo de sua esposa. “O que aconteceu com você, Regina?”

“Você me aconteceu, babe.” Ela soltou os papéis e uniu suas mãos, entrelaçando os dedos finos e voltando a encará-lo com um sorriso delicado. “E essas são apenas as consequências dos seus atos.”

Frank bufou, irritado. Sem dizer mais nem uma palavra, ele saiu do escritório. Regina cedeu à sua postura e fechou os olhos, descansando seu corpo contra o encosto da cadeira giratória. Lágrimas tentaram emergir por entre seus cílios longos, mas ela os forçou, impedindo-as de cair. Respirou fundo algumas vezes, permitindo que o ar expandir seu diafragma até a respiração estar serena e estabilizada novamente. Assim que sentiu-se melhor, voltou a escrever em seu relatório.

***


Robin acordou naquela manhã, e tudo em que ele conseguia pensar era sobre Regina Mills. Sabia que estava se arriscando em uma jornada perigosa e cujo retorno era incerto; sabia que não havia uma justificativa para aquele comportamento que não lhe causaria destruição e ruína. Mas como os pobres pescadores hipnotizados pelo canto das sereias, ele se sentia docemente enfeitiçado pelos sentimentos que alimentava a respeito dela. Odiou a si mesmo por tê-la afastado na academia — maldita hora para seus princípios fazerem uma entrada triunfal. Ela estava à sua frente vestindo quase nada de roupa e deslizando a mão pelo seu corpo e tudo que sua mente pensou foi em uma desculpa para fugir. Yey.

Mais uma manhã enfiado em um cassino. Frank estava sentado à mesa de pôquer particular, com uma oferta que beirava em torno de dois milhões de euros; à sua frente o dono do cassino, à sua esquerda o proprietários das cadeias de hotéis Hilton e à sua direita um dos mafiosos mais bem sucedidos da Alemanha, Le Pierce. Robin conhecia o jogo de Frank; cada um de seus movimentos — o movimento da sobrancelha, do dedo mínimo, quando ele passava a língua sobre os lábios, o movimento de seu pomo de adão ao receber um Royal Flush — nada disso era novidade para o segurança. Pela maneira descontraída com que Delfino estava sentado, era óbvio que a mão não era boa. Manipulador de linguagem corporal, ele sempre invertia a mensagem a ser passada; parecia tenso e preocupado quando tinha um jogo perfeito em mãos — e o contrário, igualmente.

De repente, Robin percebeu que ele retirou uma carta da manga. Seu olhar treinado vasculhou a reação de todos na mesa, porém este não esboçaram nenhuma mudança, sequer milimetricamente. Pierce saiu, sendo acompanhado pelo dono do cassino. Eles riram, empurrando suas cartas para o centro da mesa. “Isso é loucura, Carlton. Vamos ao bar. Deixem que se matem.”

Retiraram-se da mesa, deixando Frank e Bartolomeu Hilton frente a frente, acompanhados apenas por Robin. Bart sorriu, relaxando contra a cadeira. “Vamos, Delfino. Pare de blefar. Você não tem nada aí.”

“Tem certeza disso?”

“Tenho. Absoluta.”

Frank riu, preenchendo a sala. Ele colocou as cartas sobre a mesa, viradas para baixo. Endireitou-se e fitou o oponente nos olhos; desafiando-o. “Então vamos tornar esse desafio mais interessante.”

As sobrancelhas de Bart se estreitaram e ele demonstrou interesse. Sentou-se com a espinha alinhada; mantendo-se atento. “Qual é a proposta?”

“O Hilton Hotel localizado em San Diego.”

“Você só pode estar brincando.” Respondeu o outro, rindo. “O que você possui que equivale a um dos meus mais luxuosos hotéis?”

“Eu sei o projeto do seu concorrente. Honestamente, a Windsor irá passa-lo para trás logo. O projeto Skylights está em fase de término e”

“Como você sabe sobre este projeto?”

“Da mesma maneira que você, caro Bartolomeu. Eu faço meu dever de casa.” Frank sorriu.

Robin não esboçou sua surpresa. Sabia que Frank era manipulador, mas os estágios que o mesmo alcançava com seus trâmites eram impressionantes. Ele havia planejado tudo para que Bartolomeu e ele ficassem a sós — o herdeiro Hilton jamais aceitaria marcar uma reunião com ele de maneira formal, e Delfino sabia disso. Bart virou as cartas e as empurrou para o centro da mesa, assumindo sua derrota e fazendo com que um sorriso brotasse nos lábios de Frank.

“Eu desisto.” Ele se levantou e ajeitou o terno caro; olhou em seu relógio e suspirou. “Amanhã, às sete da manhã na Hilton Tower. Leve o projeto e eu levo o contrato de posse.”

Frank sorriu, o rosto marcado por um sorriso que estava dois milhões de euros mais rico. “É um prazer fazer negócios com você, Sr. Hilton.”

Bartolomeu apertou solenemente a mão estendida por Frank. “Lhe digo o mesmo, Frank Delfino.”

Ele se afastou e Robin recolheu todas as peças do cassino, colocando-as no saco de veludo roxo, seguindo seu chefe em seguida.

***

Regina suspirou enquanto encarava o espelho; o rosto estava vermelho, sua respiração entrecortada. Seus braços ardiam pelo uso excessivo do aparelho da remada; as pernas formigavam um pouco. O cabelo preso em um rabo de cavalo alto revelava alguns fios soltos mas não se importou. Seus olhos vasculharam a extensão de seu corpo; os lábios abrindo um sorriso de esplêndida satisfação. A blusa cropped cobria busto mas deixava o abdômen definido em evidência; a calça legging cinza contornando suas curvas sinuosamente. Sentiu-se extremamente gostosa; deu meia volta e encostou-se no espelho, fechando os olhos e permitindo que sua mente fantasiasse e suas mãos seguissem a fantasia. Deslizou os dados pelos seu abdômen, mordendo o lábio inferior; subiu suas mãos por baixo do cropped, apertando seus seios de maneira firme. Um gemido ecoou em seus lábios; deslizou as mãos para baixo, apertando sua própria cintura, fazendo pressão na pele de suas coxas com a ponta dos dedos e voltando. Virou-se novamente, e fitou seu reflexo. Ela era maravilhosa, como Frank não via isso?

Ouviu um barulho do lado de fora e isso a tirou de seu devaneio. Ela caminhou até a porta do vestiário e encostou-se na mesma. Robin estava ali. Havia algo de bom e ruim em notar o segurança pessoal de seu esposo com tempo livre; ela podia conversar com ele, isso também significava que Frank não estava ocupado com trabalho e sim com suas indistintas diversões. O pensamento de que sua própria irmã era parte do leque ressoou levemente contra seu estômago e ela escolheu ignorar. Robin estava usando uma regata e uma bermuda esportiva; os fones de ouvido brancos estavam plugados e ele se locomoveu distraidamente enquanto colocava mais discos de peso na barra. Ela se deu conta de que ele não havia lhe visto quando ele deitou sobre o apoio, os pés firmes no chão; assistiu religiosamente quando ele segurou firmemente a barra com as duas mãos e a levantou; o prazer secreto de ver as faixas de músculos sendo esticadas e retraídas era esmagador. Ele era uma montanha e ela nunca havia desejado tanto uma escalada.

Caminhou para fora do vestiário e o olhar dele encontrou com o seu. Ele sentou-se, retirando os fones enquanto ela se aproximava. “Eu não a vi, Sra. Delfino.”

“Eu estava no vestiário.”

“Deseja que eu me retire?” O rosto dele parecia calmo e sereno, despreocupado e ela o invejou por tamanha paz de espírito.

“Não. Continue seu exercício, eu estava observando.”

Ele tentou elaborar alguma resposta, mas não conseguiu pensar em nada. Dando-se por vencido, ele deitou o corpo contra o assento e ergueu a barra mais uma vez. Sentiu-se um pouco desconfortável — não era comum ter plateia em seus treinos — mas continuou. Ele só não esperava o próximo movimento dela; sem dizer nada, Regina aproximou-se dele e passou uma das pernas por cima de sua virilha, ficando em pé com o corpo dele deitado entre suas pernas e sentou-se. “Você quer que eu saia?” Foi tudo que ele ouviu, a voz suave e melódica adentrando seu canal auditivo. Ela estava sentada sobre a parte baixa de seu ventre usando uma legging fina e ele temia que ela descobriria como ele sentia-se a respeito dela muito em breve.

“Não…” Sussurrou ele. Ele fechou os olhos e tentou concentrar-se no exercício. Ergueu os braços e suspendeu a barra novamente. Regina permaneceu sentada ali em silêncio enquanto ele continuava o movimento dos braços.

“Você me deseja, Lockhood?”

Ele fitou a barra e continuou os movimentos de erguer e abaixar. “Eu não posso desejá-la, senhora Delfino.”

“Não foi essa a pergunta que eu fiz.” Ela colocou as suas mãos sobre o tórax dele e apoiou um pouco de peso ali, direcionou a força para seu quadril e rebolando lentamente sobre a virilha dele. “Eu perguntei se me deseja.”

“Sim, senhora.”

“Você sabe que corre risco de vida por isso, Sr. Lockhood?”

Ela continuou rebolando por cima dele; um gemido escapou por entre seus lábios quando ela sentiu a ereção crescente por baixo dela. Ele a desejava; e sentir-se desejada havia se tornado uma sensação tão esquecida que ela sentiu como se uma parte de si há muito adormecida tivesse acabado de despertar. “Sim, senhora.”

Robin fechou os olhos e segurou na barra com tanta força que os nós de seus dedos estavam esbranquiçados. Ela rebolou contra a ereção dele, fazendo-o gemer. “Lockhood.” Gemeu ela, e ele soltou a barra, levantando-se; o movimento dele fez com que ela estivesse agora em seu colo. Os dedos dele deslizaram pela pele de suas costas, arrepiando-a; ela estava linda, os olhos fechados e os lábios carnudos abertos, entregue ao prazer daquele momento. Robin segurou a nuca dela com cuidado, mordiscando o lóbulo da orelha dela e depois passando a língua. “Eu não vou fazer nada a não ser que a senhora peça. Então use as palavras certas.” Sussurrou, para em seguida suspende-la do chão e virar seus corpos colocando-a sentada sobre o assento. Ele debruçou-se e segurou seus cabelos, puxando-os para que ela inclinasse o pescoço. Ele depositou um beijo molhado sobre o ponto de pulsação dela, deslizando a língua por um segundo. Ela gemeu.

O barulho da porta de correr fez com que eles se afastassem rapidamente. Stuart entrou na sala e Regina o fitou, acuada. Sem dizer uma palavra a nenhum dos seguranças, ela retirou-se. Robin a acompanhou com os olhos até que ela desapareceu. Quando ele se virou para o segurança mais novo, percebeu que estava na mira de um revólver Taurus.

“Eu quero saber o que está acontecendo entre vocês dois, Robin. E eu só vou perguntar uma vez.”