Efeito Dominó

40 Hipocentro


As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras.

Friedrich Nietzsche

Regina ficou em pé, encostada em uma das pilastras majestosas da garagem, observando com atenção os fiscais judiciários retirando carro por carro. Pensando no quanto aquilo era irônico. No que sua mãe sentiria ao ver o queridinho dela falindo, lutando para manter o estilo de vida que ele não podia mais bancar. Ele estava louco, ela podia dizer; com certeza o sangue dele borbulhava de raiva quando ele se lembrava que seus bens seriam leiloados, e que as pessoas pechinchariam sobre a sua desgraça. Não levaria tempo para que sua falência se tornasse viral, e então, viriam os jornalistas. Dois advogados tentavam negociar com os agentes, enquanto Frank andava de um lado para o outro, parecendo um maluco alucinado; os cabelos desalinhados, o caríssimo terno todo abarrotado, suor escorrendo pela sua testa. Foi quando ele a viu, e pareceu absurdamente irritado com ela, caminhando na sua direção como que movido pelo ódio.

“Não sei por que está sorrindo, Regina. Se eu falir, você vai cair comigo.” Sibilou ele. Ela nem havia se dado conta de que estava sorrindo; por isso diziam que o cérebro é uma peça tão poderosa. “Na riqueza e na pobreza, lembra?”

“E quem disse que eu não tenho dinheiro?”

“Então onde está essa merda?”

Ela encarou-o e deu um passo a frente, tornando quase inexistente a distância entre eles. “Essa merda de dinheiro é meu. Exclusivamente meu. Datado de antes do casamento, e você não colocará um dedo nele.”

“Veremos, Senhora Delfino.” Zombou ele, afastando-se dela e voltando a gritar com um dos manobristas. “Esse carro não faz parte da lista, seu desgraçado!”

De longe ela observou Robin ao telefone. Ele parecia agitado. Andava de um lado para o outro, os olhos perdidos no horizonte, os dedos nervosamente correndo seus cabelos loiros da frente para trás. Stuart não havia aparecido, e Regina perguntou-se se acontecera alguma coisa com Ruby. Ele teria ligado, certo?

“Senhora, nós temos um mandado para a penhora das suas joias também. Poderia nos acompanhar até elas?” Perguntou um dos fiscais. Um dos advogados contratados por seu marido também os acompanhou, junto com Sawyer, seu segurança suplente. Ao subir as escadas, ela suspirou, cansada de viver aquele pesadelo por um homem que não valia a pena. Pensativa, acompanhou-os até a porta do quarto e caminhou até o cofre na parede, abrindo-o com sua senha de seis dígitos. Sem se preocupar com seu conteúdo, ela os deixou ali e aproveitou o momento de distração do segurança. Precisava sair. Pegou uma das chaves dos carros inferiores estacionados no pátio externo, e em poucos segundos, estava na estrada de acesso á saída.

***

Quando saiu de casa, Stuart nunca pensou que poderia ser seu último dia. Fizera tudo que um homem normal faz em um dia absolutamente normal e tedioso. Vestiu-se, colocou uma mochila nas costas, um boné na cabeça, beijou sua namorada, tomou café da manhã, cantarolou durante o caminho enquanto pilotava sua moto pela estrada. Planejara chegar mais cedo, treinar um pouco, espairecer a mente. Mas nada disso fora possível. Ao entrar na propriedade dos Delfinos, uma van que estava estacionada avançou na sua direção, derrubando-o da moto. Ainda atordoado, ele percebeu que alguém pulou da porta lateral da mesma, e no segundo seguinte, algo afiado picou seu tornozelo. Sua vista passou a escurecer, e ele teve certeza que fora drogado. Ouviu o som da sua moto sendo ligada, mas não teve tempo de reagir. O que quer que tenha sido injetado nele era muito potente. Segundos depois, ele não vira mais nada.

***


Regina suspirou, encarando-a.

Margot era uma incógnita muito agradável. Como uma equação que você não consegue entender, mas não consegue desviar os olhos. Havia algo nela que era hipnótico. Viciante. “Não se culpe. Eu entendo, Robin é um homem e tanto.”

O comentário a fez revirar os olhos. “Era exatamente por isso que eu não queria contar isso a você. Logo a você, Bishop. Que não esperou nem um pouco para pular no colo dele.”

“Você me culpa, Regina?” Sorriu a loira, erguendo a taça de martini. “Você tem um homem daqueles à sua inteira disposição, e prefere brincar de bem-me-quer, mal-me-quer com ele. Tudo bem por mim. Mas bem, eu sou bem mais direta. Acho que são os trejeitos britânicos.”

Regina observou uma foto das três sobre a lareira. Margot, Mellie e Victoria, no que parecia ser um daqueles bangalôs sobre a água que faziam sucesso em Bora Bora.

“Afinal, o que houve com Victoria?”

“Seu marido quase a matou. Ele foi até ela depois que ela o entregou para Annalise. Dizem minhas fontes que ele foi chorando até a porta dela, ajoelhou-se pedindo perdão e ela bateu a porta na cara dele.”

Regina suspirou. “Isso quer dizer que ele está devastado.”

“E isso preocupa você?”

“Um homem com nada a perder é indescritivelmente perigoso. Ele pode fazer qualquer coisa.”

“Ele não vai acha-la. Mellie a levou para a Casa Branca.” Margot bebeu sua vida. “Tudo que a Grayson sempre sonhou, com absoluta certeza.”

Regina caminhou até a vidraça do escritório novo. O trânsito era bastante calmo naquela hora particular do dia. Como se todas as pessoas houvessem combinado de estarem ocupadas naquele momento determinado. “Eu tenho tido pesadelos.”

Margot levantou-se e caminhou até ela, parando um pouco antes e dando-lhe espaço. “Que tipo de pesadelos?”

Regina respirou fundo. “Com Frank. Ele me mata em todos eles. As vezes o sinto sobre mim, as mãos tão fortes sobre o meu pescoço que posso ouvi-lo quebrando. Outras vezes, acordo quando ele atira na minha cabeça. As vezes acho que ele simplesmente vai me jogar de algum prédio alto e me ver cair, com um sorriso satisfeito no rosto. É como se eu soubesse que jamais vou escapar dele com vida.”

“É quase engraçado...”

Regina virou-se, sem entender o tom na voz da loira. Encostou-se na janela, e permitiu que a ladra se aproximasse um pouco mais, tornando aquilo basicamente uma confissão. Ignorando a tensão que se formara, Regina sussurrou. “O que é engraçado?”

“Você se envolveu com um homem convictamente condenado pelo assassinato de varias pessoas. Mas quem lhe deixa com medo é o seu marido. Eu entendo que Frank é violento. Mas ainda assim..."

“Bishop.”

“O que? Você finge não ter vasculhado a vida do segurança? Ele sabe muito bem que todos sabem do passado dele."

“Deixe-o fora disso.”

Um sorriso malicioso atravessou os lábios dela enquanto ela encarava Regina. “Tudo bem. Por ora.” Ela afastou-se de Regina, bebendo o resto do seu martini. Abriu uma das gavetas. “Seu passaporte novo está pronto. Identidade nova. Tem um cartão de crédito nesse nome também caso necessário. É sempre bom ter um backup caso algo dê errado.”

“Nada pode dar errado.”

“Regina, nada está imune ao acaso, e você sabe disso. Não dá pra começar um incêndio dessa magnitude e querer sair ilesa. Haverá queimaduras, e vão doer. Prepare-se.”

Margot a deixou com essa fala, e saiu, atendendo o celular no meio do caminho. Regina apenas não sabia que as queimaduras já haviam começado.

***

Um balde de água gelada o acordou. Com dificuldade, ele abriu os olhos. Percebeu que os pulsos estavam presos em algo acima da sua cabeça. Os pés alcançavam o chão, mas não totalmente. Quando a claridade finalmente assentou-se, ele se arrependeu de ter aberto seus olhos.

Frank Delfino o encarava.

“Bom dia, Grant. Tenho algumas perguntas para você.”

Talvez qualquer outra pessoa sentisse o auge da adrenalina correndo pelo seu sangue naquele momento; o coração estressado devido a sobrecarga de estresse. Mas de alguma forma, Stuart sabia que aquele dia chegaria. Não sabia quando seria, mas sabia que não escaparia disso. Um dia, ele seria colocado à prova por eles. Ergueu a cabeça e percebeu Donovan atrás dele.

“Veja bem. Seu coleguinha aqui, Donovan, está dizendo de maneira bastante convicta que você está comendo a minha mulher.”

Grant sorriu, encarando Donovan. Então era por isso. Ele sequer seria torturado por Frank ter descoberto a verdade. Ele seria provavelmente espancado e morto porque um colega de trabalho ficou invejoso demais de privilégios que Grant nunca desejara. O destino realmente tinha um senso de humor maquiavélico. “Mentir sobre mim nunca fará você o melhor, Donnie.” Provocou ele, sorrindo.

Mas Frank não gostara da piada. O primeiro soco veio com força, atingindo Stuart no abdômen e fazendo-o respirar fundo, segurando a dor entre os dentes. Doeu, mas ele fez o bastante para concentrar-se. Ao recuperar o ar, ele olhou nos olhos de Frank. “Eu nunca toquei em Regina.”

Donovan saiu de trás dele e atingiu o rosto dele em um soco que fez Stuart cuspir sangue. “Controle-se.” A voz de Frank saiu fria e ríspida. “Eu estou conversando com ele. Você fica parado aí no seu canto de bosta, ou vou mandar pendurar você também.”

Stuart pensou em Ruby. Ele jamais voltaria a vê-la. O pensamento fez seu coração pesar. Mas ele simplesmente não podia entregar Regina ou Robin. Sabia que Frank mataria os dois, e ele não conseguiria viver com isso. “Você sabe o que eu faria se você tivesse tocado em um fio de cabelo dela, Grant?”

“Sim, senhor.”

“Eu estriparia você aqui mesmo, e traria cães para comer suas tripas.”

“Ele está mentindo. Eu nunca encostei nela.”

Frank sorriu, um riso desnorteado que assustou Stuart. Ele parecia louco. Como se estivesse perdendo a cabeça. “Donovan, me deixe sozinho com ele.”

“Senhor ele pode...”

“Você não me ouviu, seu filho da puta? Saia agora!”

Stuart observou-o saindo, e fechando a porta. Agora, eles estavam sozinhos. Numa sala estranha, sob uma iluminação quente e ineficaz, sem janelas, fazendo-o suar ainda mais do que o estresse da antecipação estava fazendo. Frank puxou uma cadeira, sentando-se na frente de Stuart. “Mas você deve saber de alguma coisa, Grant. Regina já não é a mesma. Enquanto ela rastejava por migalhas de atenção, era uma coisa. Eu podia dobrá-la, eu podia manipular ela, podia dizer o que quisesse – e ela voltaria em dias, com os olhos brilhando, implorando para que eu a amasse.”

Grant evitou sorrir. Mas era o que ele queria. Você pode me matar, mas ao menos eu a livrei de você, cretino desgraçado.

“Mas agora...” Frank suspirou, encarando-o. “Ela simplesmente não se importa. Se eu for indiferente com ela, se for carinhoso, se estiver em casa ou não. Ela simplesmente reage às coisas como se já as esperasse. Nada a abala. Estamos falindo, a casa sendo desmontada, e ela simplesmente transita por entre as caixas como se nada estivesse acontecendo.”

Grant não emitiu nenhum som.

“E mulheres só mudam assim por causa de um homem. Todas elas são iguais.” Ele levantou-se, aproximando-se do loiro. Seus olhos se cruzaram, e ele sibilou. “E eu sei que não é você. Ela o trata como um irmão. O que quer dizer que não é você, mas você definitivamente sabe quem é.”

Frank caminhou de um lado para o outro. “Me dê nomes, Stuart. Eu o deixarei sair vivo se entregar o cara.”

“Eu não sei do que o senhor está falando.” Foi tudo que ele conseguiu dizer.

“Você sabe sim, desgraçado.” Sibilou ele, acertando Stuart com outro soco, fazendo a face do mesmo pulsar. Sua cabeça começava a latejar, e outro soco fez com que todo seu corpo estremecesse de dor. “Você vai falar, Grant. Vou me certificar disso.”

Mas tudo o que Grant conseguia ouvir era a voz de Regina em sua cabeça. Você salvou minha vida, Stuart.

“Eu não sei.”

Uma risada maldosa ecoou em seus ouvidos. “Você é durão, Grant. Gosto disso.” E antes que percebesse, algo absurdamente duro encontrou seu tórax, fazendo-o gritar. Frank o havia atingido com a cadeira, e na queda ela acertara também seu joelho. “Quem é o filho da puta com quem Regina está me traindo?”

“Ela jamais trairia você.”

Frank encarou-o, e pela primeira vez, Grant percebeu que ele pareceu triste. “Era o que eu achava.” E tão repentinamente quanto, a tristeza perdeu-se por trás do olhar ensandecido combinado ao sorriso diabólico. “Mas eu posso sentir. Toda vez que olho para ela, vejo em seus olhos que está mentindo para mim. Eu sou casado com ela, eu conheço Regina melhor do que ela mesma.” Frank deu meia volta nela, golpeando-o pelas costas, na altura das costelas. “Anda, filho da puta. Diga quem é. Diga com quem estou sendo sacaneado.”

Frank voltou para a frente, usando a força do joelho para acertar a boca do estomago dele, fazendo-o soltar um pouco de bile e perder o ar. Em seguido, seu punho fechado encontrou o rosto do loiro, lançando-o para trás com violência. “Sou eu, sou eu!” Gritou Stuart, tentando respirar.

“Você?”

“Sou eu, sou eu, sou eu...” Sussurrou Stuart, lágrimas escorrendo pelo canto de seus olhos enquanto ele encarava o chão, sentindo o corpo perdendo a força de ficar em pé, as algemas mais pesadas ao redor de seus pulsos. “Me mate de uma vez.”

Frank riu, caminhando até ele. Puxou os cabelos loiros para trás, encarando-o. “Eu não acredito em você. Você é apenas um moleque...”

Afastando-se, Frank puxou a cadeira e voltou a sentar-se na frente dele. Abriu o paletó, puxando um dos saquinhos, e aproximando-se da mesa, delicadamente ajeitou uma carreira. Do outro bolso, tirou um pequeno canudo e debruçando-se, cheirou tudo de uma vez. Ajeitou-se na cadeira, esperando pacientemente o barato da droga. “Não entendo por que arriscaria sua vida assim para defender alguém, Grant. Diga quem é, e eu dou um jeito nos dois, e você pode seguir sua vida. Nada acontecerá com você. Você está sendo o pior otário. Ninguém faria a mesma coisa por...”

Alguém faria.

Foi quando a epifania atingiu seu cérebro. Alguém faria a mesma coisa por ele. Alguém daria a vida por ele como ele estava tentando fazer. “Eu não acredito...” E então o olhar em seus olhos fez com que Stuart sentisse um arrepio percorrer todo o seu corpo, causando-lhe um congelamento instantâneo, assustador e inevitável. Ele sabia.

“É McLocksller.” Frank encarou o chão, incrédulo. Como se fosse apenas isso que faltava para todo o mundo, como ele conhecia, deixasse de existir. “Eles estão juntos.” Como uma cascata, memórias aleatórias o atingiram. A maneira que ela ficava ‘confortável’ perto dele. Todas as vezes que mandara Robin fazer a segurança dela. Todo o tempo que ficavam sozinhos. Como ele protegia Grant, como os dois faziam trabalhos juntos o tempo todo. Grant os cobria. Esse tempo todo, Robin estava transando com a sua mulher. Dentro da sua mansão, dentro de seus carros, em sua própria cama. “É o Robin.” Sussurrou ele, percebendo o pânico nos olhos do segurança suspenso que balançava a cabeça.

“Sou eu. Robin nos dá cobertura, mas eu sou o homem que você quer, Frank.” Tentou Stuart.

Frank sorriu, levantando-se. “É ele, Grant. Ele é o único que faria o mesmo por você. Que tentaria salvar você.” Frank pegou o resto da droga e colocou na ponta da faca. “Abra a boca.”

Stuart negou-se. Qualquer chance de fugir que ele tivesse seria colocada em risco se ele estivesse drogado. “Ou você abre a boca agora, ou vou mandar o Donovan ir fazer uma visita à sua secretariazinha e darei carta branca para ele fazer o que quiser com ela.”

O pensamento fez com que ele abrisse a boca imediatamente, permitindo que Frank passasse a faca em sua língua, colocando o pó branco sobre ela. “Agora engula.”

Stuart fez o que ele disse. Frank sorriu. “Você ficará aqui. Não pretendo matá-lo, pelo menos ainda não.” Ele caminhou até a porta. “Mas não tente nenhuma besteira, garoto de ouro. Vou deixar ordens para Donovan quebrar você por inteiro se fizer qualquer coisa, e sabemos que ele está sedento por isso.”

Frank saiu apressado, deixando-o para trás. E finalmente, Grant desabou. Lágrimas vieram aos seus olhos quando ele se deu conta de que estava tudo acabado. Frank estava a caminho para matá-los. Estava tudo perdido. Roland ficaria definitivamente órfão. Regina morreria, Robin morreria, ele possivelmente também morreria. Ruby ficaria sozinha, e Graham possivelmente tentaria reconquistá-la. Ela mandaria a carta, e ele nem queria imaginar a merda que seria se ele encontrasse seu destinatário.

Seu corpo todo gritava de dor. Seu rosto latejava, e ele tinha certeza que alguma costela estava, para dizer o mínimo, trincada. Sentia desconforto para respirar. Pensou em sua tia Mellie e em como não teria a oportunidade de dizer o quanto estava orgulhoso.

“Quem diria, preferido da patroa...”

Ele virou-se para ver Donovan sorrindo para ele. Sentiu um leve rangido nas algemas acima da sua cabeça. A estrutura que as segurava não era muito forte. Se ele conseguisse ser jogado para longe dela, conseguia dirigir. “E você, fracassado?”

“Não é porque o chefe disse para manter você vivo que não posso te dar uma surra, Grant.”

“É mesmo?”

“Não me provoque.”

Stuart sorriu, os dentes cobertos de sangue. “Você não aguentaria metade do que aguentei aqui. Você é fraco, Donovan. Por isso não tem o respeito de ninguém. Nem meu, nem do Frank e muito menos dos outros seguranças.”

Donovan desferiu o primeiro gancho de direita, acertando Stuart em cheio. “É isso o que melhor que pode dar, Donnie?” Stuart riu. “Que vergonha. Pobre Donnie, uma decepção em casa, uma decepção no trabalho.”

“Eu vou matar você, porra.”

“Melhor pegar uma faca então. Com esse teu soquinho de merda, você só vai terminar daqui dois meses.” Stuart abriu um sorriso largo. “É por isso que ele nunca te deixou ser segurança oficial da casa, Donnie. Ele pode farejar essa tua fraqueza de merda de longe. Deve achar você o mais merdinha de todos. O zero à esquerda.”

E como planejado, e absolutamente previsível, Donovan jogou-se contra ele, segurando-o pelas pernas e puxando-o para o chão. O peso em dobro fez com que os ganchos soltassem, e os dois caíram no chão. Em segundos, Grant fez o que foi treinado a fazer. Passou a corrente pelo pescoço de Donovan e fechou, segurando com força até que ele simplesmente apagou. Não sabia se ele estava morto ou simplesmente desacordado. Não podia se importar. Rastejando, ele vasculhou os bolsos, procurando uma chave. Encontrou a chave do Volvo.

Correndo por sua vida, e perdido, ele tentou encontrar a saída. Era uma casa com muitas portas, mas ele tentou seguir o fluxo da entrada de ar, e rapidamente encontrou a saída. O que não estava em seus planos eram os outros seguranças que estavam do lado de fora.

“Pega! O chefe disse para tombar ele se ele fugisse!” Gritou um deles. Stuart pulou da varanda para cima de um dos carros, e então escorregou até o Volvo. Segundos depois, deu a partida e arrancou como se a sua vida dependesse disso, ouvindo os carros e as motos que arrancavam atrás dele. Sua visão parecia embaçada, e seu corpo mais pesado que de costume. Droga, a cocaína. Era isso. Alcançou a rodovia, e então percebeu onde estava. Acelerou o máximo que o carro lhe permitiu, tentando fugir das motos potentes que estavam quase alcançando-o.

Algo tilintou atrás dele, e ele percebeu que estavam atirando. Merda.

Seus dedos estavam cobertos de sangue, e ele estava com dificuldade de achar o telefone de Robin. Fez uma curva fechada, desviando de um caminhão e enfiando-se em um espaço minúsculo, fazendo com que uma das motos fosse direto para o penhasco na curva da rodovia. Amortecido pela adrenalina pipocante, ele resmungou quando ouviu a voz da secretaria eletrônica. “ROBIN, ELE SABE.” Gritava ele, rodando o volante em sua mão direita, tentando sobreviver, tentando salvá-los. “ELE VAI MATAR VOCÊS DOIS. FUJA. FRANK SABE DE TUDO, ROBIN, ELES VÃO ME MATAR PORRA, SE ALGO ACONTECER DIGA A RUBY QUE...” Mas sua mensagem foi interrompida pelo bipe familiar. Jogando o celular no banco, Stuart desviou de um carro e foi nesse exato momento que um dos carros bateu na sua lateral com força, jogando-o para fora da pista.

Ele viu o precipício abaixo de si e então fechou os olhos.

***

Longe dali, Roland estava segurando o celular pessoal de Robin enquanto o mesmo conversava com Megan. Distraindo-se com um balão vermelho que alguma outra criança soltara, ele dera alguns passos sem olhar para onde estava pisando, e não viu o buraco que o fez tropeçar, lançando o celular para dentro da fonte de água onde muitos jogavam suas moedas.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.