Efeito Dominó

15 Are you the one?


Nem Annalise, nem Micaela, nem Wes, ninguém. Ele havia tentado falar com ela desde manhã, havia entrado em contato com a família, checado emails, redes sociais. Laurel não estava em lugar nenhum.

Frank retirou o celular do bolso e discou alguns números, sendo atendido logo em seguida. “Preciso saber se uma pessoa deixou o país.” Um breve momento de silêncio se fez enquanto ele ouvia atentamente as orientações da pessoa do outro lado da linha. “Laurel Castillo. Não, eu não quero saber. Apenas procure.”

Levou dois minutos de uma extenuante espera apenas para confirmar o que ele suspeitava. Ela não havia viajado também. Ele estava andando de um lado para o outro dentro da boate, o cheiro do charuto cubano que queimava silenciosamente no cinzeiro preenchendo a sala e alimentando sua ansiedade. Havia enviado uma equipe de sentinela para o apartamento dela e dois de seus seguranças vasculharam o local toda à procura de evidências, mas nada fora encontrado. O carro dela continuava na garagem do prédio, intacto.

Seu telefone tocou e ele arremessou o mesmo contra a parede, fazendo com que estilhaços voassem por toda a sala. “Merda!” Bradou, caminhando até a mesa e empurrando tudo que havia sobre a mesma para o chão. Ele socou a mesa de madeira, sentindo o impacto em seus ossos. A resposta era bastante óbvia. Ela havia sido levada. Laurel não sumiria sem deixar nenhum rastro, de maneira tão perfeita e sem avisar ninguém — muito menos sem avisá-lo. Mas a ausência de pedidos, de resgaste, de condições, nada disso era promissor. Se fossem sequestradores baratos e amadores, já teriam feito o primeiro contato. Mas quem quer que fosse a mente por trás da manobra, sabia que o tempo apenas agravaria a reação dele.

A porta se abriu e ele fitou os olhos azuis de Zelena. Ela usava um longo vestido branco e os cabelos presos em um penteado trançado. Os olhos rapidamente captaram a bagunça de papeis e utensílios de escritório jogados ao pé da mesa e ela paralisou, sem dar um passo à frente. “É uma hora ruim?”

“É uma hora de merda.” Respondeu ele, os ombros tensos e a cabeça latejando de dor. A presença dela ali só tornava as coisas ainda mais complexas e ele não estava nem um pouco disposto a lidar com as futilidades da mesma.

“O que aconteceu?”

“Laurel foi levada.”

Os lábios dela se apertaram um contra o outro, as sobrancelhas se levantaram; o choque inicial aos poucos foi se transformando em uma face repleta de malícia. “A namoradinha…”

“Não comece com essa merda.” Sibilou ele com a voz rouca e sem nenhuma emoção a não ser completo desprezo, e talvez pela primeira vez, ela sentiu o que era ser devidamente congelada por Frank Delfino. Sentiu-se ligeiramente penalizada pela irmã que lidava com isso quase todos os dias.

“Foi só um comentário, e eu não dou a mínima para ela. Eles já ligaram estabelecendo a moeda de troca?”

“Não são amadores, Zel. Eles querem me atingir. Querem alguma coisa que eu tenho.”

Ela sorriu, dando a volta pela sala dele. Constatou que a beleza estética e o glamour da mansão vinha de sua irmã e não dele. Aquela sala possuía a decoração mais desconexa e desmanzelada que ela já havia visto, sem contar na escolha dos materiais e cores totalmente sem sincronia. “E você dará a eles.”

Ele se virou, o semblante nem um pouco amigável. Ela já havia visto várias nuances daquele homem, mas era a primeira vez o que o vira tão abatido e tão raivoso. “Você está insinuando alguma coisa?”

“Não é uma insinuação, Frank. É apenas a verdade. Se eles pedirem tudo que você têm, você vai acabar dando tudo o que você têm. Ninguém é tão obcecado por alguém quanto você por essa garota.”

Ele fechou os olhos e concentrou-se na própria respiração, escolhendo ignorá-la. “O que é que você veio fazer aqui?”

“A garota quase morreu, Frank.”

“Achei que era esse o plano.”

“O plano era atingir Arthur.” Ela encarou o cunhado nos olhos, aproximando-se dele. “Pelo amor de Deus, Frank. A menina tem 15 anos. Você quase a matou.”

“Eu não estava dirigindo carro algum.”

“Você o contratou, então é você o responsável.” Sussurrou ela rispidamente, como se quisesse desintegrá-lo em fumaça imediatamente. “Existem maneiras melhores que não envolvam machucar crianças.”

“Ao contrário de você, eu não tenho fraquezas. Eu faço o que precisa ser feito.” Frank caminhou até a porta, abrindo-a. “E caso você não se importe, eu tenho coisas mais importantes a fazer do que ouvir sua ladainha.”

Zelena balançou a cabeça, rindo. Ela caminhou na direção da porta, mas parou dois passos antes e fitou o homem que a olhava atônito. “Você acha que engana alguém com essa postura? Eu posso sentir daqui o cheiro do seu medo, Delfino. Eles vão tirar o que quiserem de você.”

“Vá se foder, Zelena.” Respondeu ele em um tom seco.

“Prefiro ser fodida, mas pode ser. E deixe Arthur comigo agora. Daqui para frente eu sei exatamente o que fazer.”

Ela saiu caminhando com um sorriso diabólico no rosto, ignorando a força com que Frank bateu a porta de vidro logo atrás de si.

***

Cora estava sentada na sala de espera quando Arthur retornou, acompanhado de um dos policiais. Ele aparecia um pouco mais abatido do que quando eles haviam chegado, mas não estava tão nervoso. Passos largos o trouxeram até a poltrona ao lado da sua e ele se sentou. “Como ela está?”

“Podia ter sido muito pior, segundos os médicos. Ela fraturou uma perna e algumas costelas, mas nenhum orgão interno foi atingido. Teve um concussão também.” Os olhos dele ficaram embaçados pelas lágrimas se formando. “Mas ela está fora de perigo agora. Eu… Eu só não consigo acreditar que eu quase perdi a pessoa mais importante da minha vida. Minha menina… Eu não imagino o medo e a dor que ela deve ter passado.”

Ele respirou fundo e passou os dedos pelos cabelos escuros. Apoiou os cotovelos sobre as pernas, curvando o corpo e sentiu os efeitos que a adrenalina do momento havia mascarado. Sentiu o medo, o desespero, a preocupação, todos os ingredientes misturados se chocando contra ele como se fosse uma bola de lama arremessada contra seu tórax. Ele começou a chorar, lágrimas silenciosas e dolorosas que logo se tornaram em uma torrente de sentimentos e dores. Ele se permitiu sentir a dor daquele momento por algum tempo, mas se deu conta de que Cora estava ao seu lado, observando. “Me desculpe…” Pediu ele, limpando o rosto com as costas da mão. “Você já fez muito por mim, não merece me ouvir chorando como um bebê.”

Ela deslizou sua mão sobre a dele, entrelaçando seus dedos e chamando sua atenção. Com a outra mão ela segurou na base de seu rosto e cuidadosamente fez com que ele olhasse para ela. “Não me peça desculpas por ser um bom pai, Arthur. Sua única filha acabou de ser atropelada, e escapou viva por pouco. Você tem todo o direito de chorar. Eu também estaria chorando se fosse uma das minhas filhas.”

Ele colocou a outra mão sobre a mão que o acariciava, segurando-a ali em uma carícia firme. “Obrigado. Você não tinha nenhuma obrigação de me acompanhar, e ainda assim está aqui. Obrigado mesmo. Eu nem sei como agradecer.”

“Eu gosto de você e me preocupo. Eu não gostaria que você sofresse um acidente no meio da caminho. Violet precisa de você ao lado dela.” Ela desvencilhou suas mãos delicadamente, trazendo-as de volta ao seu colo. “Alguma notícia sobre o motorista?”

Arthur respirou fundo, ajeitando-se na poltrona e realinhando a coluna que já começava a reclamar da posição anterior. “Era sobre isso que o Delegado queria conversar. Parece que não foi acidental. Testemunhas viram o carro estacionado minutos antes do atropelamento e eles tem fortes motivos para acreditar que quem quer que fosse estava esperando pela Violet.”

“Isso é absurdo!” Exclamou ela, o semblante franzido com horror. “Como é que alguém planeja atropelar uma criança? Quem é que faria algo assim?”

Ele a fitou, procurando uma resposta. E encontrou. Estava ali, nos traços de seu rosto. Em seus genes. Era bastante óbvio que o que havia acontecido era uma consequência por ele ter brincado com quem não devia. Zelena havia deixado bastante claro o que aconteceria se ele quebrasse a parte dele do acordo, e ele fora tolo o bastante para desafiá-la. Era apenas um acerto de contas que quase lhe custara caro demais. Encarando o rosto da mulher que apenas o ajudara, ele podia ver os traços da mesma mulher que causara tudo aquilo a ele.

“Eu não faço ideia.” Mentiu ele. Mas ele sabia exatamente quem seria capaz de fazer aquilo.

***

Assim que entrara na suíte e o vira sentado na varanda, ela soube que havia algo errado. Ela estava usando a vestimenta típica das partidas de tênis, o conjunto branco de regata tênis e saia plissada, todos brancos como neve. Colocou a raquete e a pequena bolsa sobre o mancebo, caminhando até ele. Frank estava usando apenas a calça de um de seus pijamas, sem camisa, um dos charutos cubanos enfiados entre seus lábios e um copo de uísque sobre a mesa esculpida em madeira artesanal.

“Você está bem?” Perguntou ela. Mas ela sabia que não. O rosto dele havia envelhecido uma década em horas, como se toda a energia vital de seu organismo houvesse sido sugada para fora dele. Algo bastante sério havia acontecido e ela não fazia ideia e se dependesse dele responder a ela, bem, ela continuaria não sabendo.

“Por que não estaria?” Respondeu ele, sem sequer olhar para ela. Deu mais um longo trago no charuto e apagou a ardência com um gole da bebida. Ela o fitou, ligeiramente preocupada com as crises de comportamento autodestrutivo e imaginando que poderia ser uma recaída. Sem responder, voltou para dentro de seu imenso quarto. Sentou-se na beirada da cama e retirou os tênis, imersa em seus próprios questionamentos. Seu celular tocou e ela caminhou até o closet para pegá-lo mas silenciou a chamada de sua mãe; não estava com paciência para aguentar mais uma rodada de intrigas entre sua mãe e sua irmã.

Regina observou pelo espelho que ele havia deixado a varanda e viera até a cama. Na mão esquerda ainda pousava a garrafa de uísque, e ele deu um gole bastante cheio antes de sentar-se na cama e colocar a garrafa na beirada da mesma. Ela caminhou até a cama, e ele lançou-lhe um olhar atento, suas irises mostrando-se ainda mais escuras do que já eram. Frank bateu na cama com a palma da mão, e sussurrou. “Vem.”

Ele estava bêbado. Ela devia virar as costas para ele e mandá-lo para o inferno. Devia pensar em sua própria sanidade mental e no quanto ele estava transtornado para de fato mostrar interesse nela. Ele só queria apagar as memórias que o atormentavam. Mas ela percebeu que dizer não a ele era dizer não a si mesma, e ela o queria. Seu desejo ardente pelo fruto que lhe proibido a impulsionou e ela escalou a cama, engatinhando até alcançar o colo dele, sentando-se e acomodando-o por entre suas pernas. As mãos dele viajaram para seu quadril, apertando suas nádegas com força, e fazendo um gemido fraco escapar por entre os lábios dela. Regina debruçou-se e capturou os lábios dele em um beijo carinhoso, suas mãos acariciando os braços dele, deslizando pelo tórax e depois subindo na direção dos ombros. Ela passou a rebolar quase que imperceptivelmente, sentindo as mãos dele subindo e descendo por suas coxas, vez por outra voltando ao seu quadril, apertando-a, abafando a fome e desejo que os cercava.

O cérebro dela estava recebendo milhares de estímulos como se seus neurônios houvessem triplicado a potência de suas sinapses, lhe causando um curto circuito sensorial. Ele a estava tocando, ele a estava beijando e aquele acontecimento era mais do que raro, de modo que ela não tinha sequer noção do que estava fazendo. Nem se lembrava corretamente da ultima vez que eles haviam de fato dormido juntos no pleno sentido da expressão.

Ela agarrou a mandíbula dele e puxou para o lado, os lábios alcançando o pescoço dele onde ela passou a beijar delicadamente. Mas tudo que ela conseguiu ouvir foi um gemido oco e gutural vindo da garganta dele. No segundo seguinte, ele rapidamente a virou contra a cama e segurou seu pulsos contra a cama; e pelo olhar no rosto dele, ela sabia que seu momento havia definitivamente acabado. “O que você estava pensando, Regina?” Questionou ele. Sua voz estava impessoal e fria, e ele a encarava com objetividade. “Eu não quero transar com você. Você já fez isso e bem…” Ele gargalhou, e os olhos dela ficaram marejados. Por que ele estava fazendo aquilo? “Você não tem capacidade de dar prazer a um homem, Regina. É por isso que absolutamente ninguém lhe quer. Porque você só é bonita, nada mais. Você é como uma obra de arte, linda, mas não pode ser tocada.” Ele riu novamente, sentindo prazer de vê-la se contorcendo por baixo dele numa tentativa de soltar seus pulsos. “Você tem que me agradecer por continuar casado com você, pois estou lhe fazendo um favor. Com essa falta de habilidade sua, você não vai nunca fazer um homem feliz.”

Ele a soltou e com alguma dificuldade, saiu de cima dela. Cambaleante, ele caminhou para dentro do banheiro dele e fechou a porta. Algumas lágrimas teimaram de cair pela lateral de seus olhos, e ela as limpou rapidamente. Ouviu o som das torneiras da banheira de hidromassagem sendo ligadas e respirou fundo. Seus olhos captaram a garrafa de uísque e ela a pegou, trazendo aos seus lábios e bebendo um longo gole. Fechou os olhos e tentou experimentar a sensação por algum tempo.

***

Suas pernas doíam. Exercícios na cadeira adutora e abdutora eram o que os homens comuns gostavam de chamar de ‘exercícios para mulheres’ mas homens inteligentes sabiam que nada fortalecia mais a musculatura dos membros inferiores do que a combinação das duas. E claro, um bom treino é um bom punhado de dor bem direcionado. Agachou e subiu algumas vezes, alongando as pernas.

Retirou a regata e jogou em algum dos aparelhos, caminhando até a frente do espelho. Não havia nada fora do lugar; seu shape estava intacto e muito bem conservado. Robin ajoelhou-se, e passou a realizar as flexões contra o acolchoado. Uma, duas, três, cinco, doze, quinze, vinte… a contagem continuou, levando-o adiante de suas próprias limitações. Ele se pressionou até o limite em duas sequências, deixando apenas o intervalo de um minuto entre elas. Treinar forte era o que o distinguia dos babacas tradicionais de academia e essa diferença era mais do que essencial para Robin. Ele a almejava.

Alternou para flexões com apenas um dos braços, dividindo-as em turnos. Era uma dor quase agradável, e ele continuou incansavelmente até seus braços ficarem dormentes. Ele já havia realizado pelo menos cinco treinos diferentes e seu corpo pedia um pouco mais de descanso antes da exaustão completa. Ele se levantou e respirou fundo, colocando a regata ao redor do pescoço e estava prestes a caminhar até o rádio para desligar o som quando a porta se abriu e ela apareceu em seu campo de visão. Vestindo apenas uma regata branca e uma saia também branca e plissada, os cabelos soltos, o rosto levemente corado. Ela estava descalça, e veio caminhando em sua direção com toda a calma do mundo.

“O que você…” Tentou perguntar ele, mas ela fora muito mais rápida. Ela puxou as duas pontas da regata que ele colocara atrás da nuca, fazendo uma corda e encaixou sua boca na dele; Robin sentiu o leve ardor do uísque, mas a língua dela havia se chocado com seus dentes e ele não conseguiu pensar em outra coisa a não ser lhe ceder acesso. Ela aprofundou o beijo, tomando-o, sua língua deslizando sobre a dele, sugando, ganhando espaço e acariciando-o. Ela soltou a regata e seus dedos deslizaram para o cabelo loiro, acariciando-o; as mãos de Robin estavam delicadamente pousadas em sua cintura, incerto sobre o que ele deveria fazer naquele momento. Suas bocas já estavam vermelhas por causa da sofreguidão do beijo quando eles se separaram e ele a fitou, o rosto marcado por confusão e surpresa.

“Shhhh.” Sussurrou ela, segurando no pulso largo dele e caminhando com ele até o vestiário das mulheres. Ela empurrou-o porta adentro e virou-se para fechar a porta; Robin permaneceu parado ainda não entendendo onde é que ela pretendia levar aquilo. Frank estava na mansão e poderia aparecer ali a qualquer momento, e ou ela estava querendo que ele a assassinasse ou ela estava realmente muito bêbada, e nenhuma das duas parecia uma boa opção. Mas antes que ele pudesse questionar, sentiu as mãos dela em seu tórax empurrando-o até que sua lombar se chocasse com a parede. Ela o encarava como um leão prestes a devorar a caça e ele não sabia se devia temer ou se sentir lisonjeado por isto.

Regina caminhou até ele e virou-se de costas também, deitando seu corpo contra o dele. Ela pegou as mãos de Robin e apertou contra o seu corpo enquanto subia e descia vagarosamente, rebolando contra o corpo dele, esfregando-se contra ele. Você não tem capacidade de dar prazer a um homem, Regina. Encaixou o quadril na altura da virilha dele e rebolou, esfregando-se com o princípio de ereção que se formava por baixo dela. Ouviu-o sibilar numa tentativa vã de conter os gemidos, que deixaram de ser contidos quando ela deslizou a mão dele para dentro de seu top.

“Oh” Gemeu ele, deslizando o polegar ao redor do mamilo rígido. Ele não fazia ideia do que se passava na mente dela, mas também não se opôs. Ela continuou roçando seu corpo sobre o dele, atiçando-o e ele estava mais do que rígido quando ela deu meia volta e fitou seus olhos. Havia desejo por toda parte, impresso em cada uma das indistintas nuances de caramelo e marrom presentes naquele par de irises; ele manteve o contato visual enquanto sentia as mãos dela deslizando por seu abdômen, delineando cada centímetro. Ele arfou quando sentiu ela deslizando uma das mãos para dentro do shorts de brim, os dedos delicados contornando o pênis ereto e iniciando um movimento suave, subindo e descendo. Ela ainda estava olhando em seus olhos quando se aproximou, sussurrando contra os seus lábios sedutoramente. “Eu não quero ouvir nada além de gemidos. Sem conversa. Entendido?”

Ele assentiu, balançando a cabeça afirmativamente. Robin não era exatamente um homem a ser comandado, ele gostava de estar no controle mas aquele momento era algo inexplicável e ele não ousaria parar agora. Ele precisa ver. Seus olhos acompanharam com antecipação quando ela lentamente agachou-se, os lábios beijando seu dorso, deixando um leve rastro de saliva caminho abaixo até que ela se ajoelhou e cravou as unhas em suas coxas, lambendo o volume por cima do tecido e ouvindo-o suspirar. Com essa falta de habilidade sua, você não vai nunca fazer um homem feliz. Regina delicadamente puxou a peça para baixo de seu quadril, as unhas deslizando pela pele dele e enviando arrepios diretamente ao centro de sua espinha dorsal. Ele estava completamente endurecido e ela sorriu, orgulhosa de ter causado esta reação. Frank estava errado sobre ela, e ela ia provar isso a si mesma. Ela continuou bombeando o orgão sensibilizado, se inclinando e beijando a base do pênis, sua língua deslizando pelo saco escrotal; sentiu quando os dedos dele deslizaram por seu cabelo mas ele não impôs força, criando apenas uma carícia que lhe dizia gentilmente que ele estava completamente de acordo.

Ela estava impressionada. Não que ela tivesse grandes parâmetros sexuais como base de comparação, mas o que Robin escondia em suas boxers era definitivamente valioso. O tamanho não era absurdo mas era grosso, e ela sentiu um arrepio em sua nuca imaginando a sensação de tê-lo dentro dela. Voltou a selar o saco escrotal com os lábios entreabertos, sugando a pele ali sem pressa alguma. “Ohhh” Gemeu ele, e ela sorriu, deliciando-se da reação dele. Ela estendeu a língua e provocou-o, um toque leve e úmido, deslizando a mesma verticalmente por toda a sua extensão; finalizou fechando os lábios ao redor da glande, sugando-o e o soltando com o som de ploc!.

Um vulcão de sensações emergiu de seu interior e ela segurou-o pela base, levando os lábios e engolindo-o por completo. Robin urrou, e ela sentiu que a musculatura das pernas dele ficou tensa, mas isso não a impediria de continuar. Continuou lambendo, deslizando sua língua pela extensão dele enquanto subia e descia; o líquido pré-ejaculatorio misturou-se com sua saliva facilitando a movimentação. Ele estava gemendo alto, ignorando a situação perigosa em que se encontravam; ela voltou a abocanhá-lo, os lábios fechados ao redor de seu diâmetro, lambuzando-o enquanto o chupava. Você não tem capacidade de dar prazer a um homem, Regina. Ela afastou os pensamentos, estreitando os lábios ao redor dele e continuando sua deliciosa tortura.

Robin estava com dificuldades de respirar. Além do fato de que Regina Mills Delfino, esposa do seu chefe e magnata empresarial, estava de joelhos à sua frente e com os lábios ao redor de seu pênis ele precisava conciliar a vontade de falar com a adrenalina proveniente do risco de ser pego em flagrante. Ele não ia aguentar muito tempo, e não por falta de tentativa pois estava usando todo o autocontrole que possuía para não explodir de tesão. “Regina, eu não vou…” Começou ele, a voz rouca sinalizando o quanto ele estava se reprimindo. Mas assim que os lábios dela o deixaram, o arrependimento o atingiu. Seu corpo estava borbulhando e ele havia afastado a cura.

“Eu disse sem conversa. Nem uma palavra, Lockhood.” Respondeu ela, seduzindo-o. Ela o fitou, observando o homem despido, o suor tornando seu corpo ainda mais atraente, as bochechas rosadas e o olhar perdido entre a luxúria e a tortura e decidiu que era uma boa lembrança para ser utilizada em seus momentos de prazer solo. Seu maxilar já começara a dar sinais de cansaço; faziam anos desde a última vez que ela chupara um homem com tanto vigor e ela adoraria continuar aquilo por horas — Robin era sensacional — mas ela imaginou que o que ele estava tentando lhe dizer é que ele não aguentaria por muito mais tempo. Ele parecia ainda maior entre seus lábios e ela resolveu dar uma pausa, libertando-o e voltando sua atenção para a base, deslizando a língua entre os testículos e puxando a pele entre seus lábios.

Sem avisar, ela o deslizou para dentro dos lábios e deslizou os dentes por sua extensão, intensificando a pressão de seus lábios e movimentando-se com velocidade. A mão dele estava sobre a cabeça dela, brincando com seu cabelo enquanto ela continuava incansável. Ela podia sentir o lubrificação entre as suas pernas, escorrendo para fora da calcinha minúscula mas não era esse seu objetivo e ela podia esperar. Era sobre ele e sobre a capacidade dela. Regina estreitou os lábios novamente e sentiu quando um arfado sufocante escapou por entre os lábios dele, fazendo com que ele puxasse os cabelos dela; ela sabia o que ele estava fazendo, avisando-a que estava se perdendo mas ela também tinha um recado a dar. Fincou as unhas no quadril dele e o puxou para si, abocanhando-o e sentindo o liquido espesso preencher sua boca. Ele grunhiu o nome dela, e suas pernas crepitaram com espasmos musculares e assim que ela o retirou da boca, os joelhos dele cederam e ele se ajoelhou, ficando frente a frente com ela.

A respiração dele estava acelerada e ela estava apenas observando com orgulho o estado deplorável dele quando Robin circulou a cintura dela e a abraçou, os lábios dele encontrando seu pescoço e beijando-a. Ele a soltou segundos depois e se levantou, estendendo a mão e ajudando-a a se levantar. Robin puxou seu shorts de volta e sorriu para ela fazendo-a enrubescer. Suas pernas estavam fracas mas ele não poderia se importar menos. “Você quer falar sobre isso?” Ele sorriu maliciosamente. “Ou talvez uma revanche?”

Ela ajeitou os cabelos, voltando ao estado natural de incerteza ao redor dele. “Eu só estava tentando provar algo.”

“Se importa em me dizer o quê?” Questionou ele, acariciando a lateral do rosto dela. Ela manteve o contato visual, admirando a sinceridade e a confiança transmitido pelos olhos azuis.

“Eu queria provar que sou capaz de dar prazer a alguém.”

Ele sorriu, os dentes alinhados fazendo-a sentir ainda mais confortável na presença dele. “Espero que você tenha se resolvido. Porque eu pessoalmente nunca tive nenhuma dúvida sobre isso.”

Os olhos dela ganharam uma nova camada de brilho e ela sorriu. Segurou-o pelo rosto e beijou sua bochecha. “Obrigada Robin.”

Ele não entendeu porque ela estava agradecendo a ele, se ela havia lhe proporcionado o melhor boquete que já recebera em toda a sua vida. Mas não tivera oportunidade de perguntar. O barulho da porta sendo fechada chamou sua atenção e ele percebeu que estava sozinho novamente.

***

Regina saiu de seu banho ainda mais leve. Vestiu uma de suas camisolas de cetim e soltou os cabelos que estavam presos em um coque. O quarto estava escuro; ela caminhou até o banheiro dele e bateu na porta. Não ouviu nenhuma resposta, e ousou abrir uma fresta da porta.

Deitado dentro da banheira, ele estava adormecido, possivelmente embalado pelo efeito do álcool. Ela caminhou até ele e retirou o aparelho de som de seu alcance, evitando futuros acidentes. Se ele queria dormir ali, ia amanhecer ali. Deslizou os dedos pelo cabelo dele e beijou sua testa, ouvindo resmungar alguma coisa para qual não deu nenhuma importância.

Saiu do banheiro, fechando a porta com cuidado atrás de si e seguiu na direção da sua grande cama, rastejando para baixo dos cobertores grossos. Fechou os olhos e suspirou. Ele estava errado. Seu marido estava errado. Ela era capaz de dar prazer a um homem. Mas infelizmente, seu marido não era este homem. Lembrou-se dos grunhidos de Lockhood ecoando em seus ouvidos e aninhou-se ainda mais no acolchoado de seu cobertor e quando finalmente o sono a abraçou, ela estava sorrindo.