Notas iniciais
Então pessoas taí o primeiro capitulo, não leia se você não leu o livro! Spoilers é péssimo né. Então leiam e espero que gostem pequenos grãos de purpurina.

Meus olhos sonolentos se abrem ainda desfocados, simplesmente para saber que já não há mais muitos motivos para viver. Tenho meus pais, Isaac, Kaitlyn e de certa forma os país de Gus. Por eles, faço o que posso para sobreviver. Não quero ser como uma bomba, porque se eu desistir, e a bomba chamada Hazel "estourar", devastara todos ao meu redor junto com ela.

Não quero devastar ninguém. Eu mesma já estou devastada o suficiente.

Agora, dois meses depois de sua morte. Dois meses sem Augustus, sei a dor de perder alguém que amamos. Não quero isso para mais ninguém.

Desligo o BiPaP e me conécto ao Felipe. A verdade é que não há lá muitos motivos para fazer isso. Quase nunca me levanto ,voltei a assistir America's Next Top Model e já li Uma Aflição Imperial umas seis vezes. Raramente saio de casa, e quando o faço é apenas para ver o Isaac ou os pais do Gus. Minha mãe não me obriga mais a ir ao Coração Literal de Jesus.

-Hazel venha tomar café, tem ovos fritos!- O grito estridente da minha mãe ecoa pelo quarto, mesmo depois desse tempo, não é muito na verdade mas de qualquer forma ela ainda não entendeu a minha teoria dos ovos.

Não grito respondendo porque antes de qualquer coisa, só ao mencionar dos ovos fritos meu estomago embrulha, o gosto ruim invade minha boca, não tenho tempo para pensar em nada mais além de arrastar Felipe comigo para o banheiro.

Não tem comida no meu estomago, de modo que vomito água. Dou descarga e sento no vaso. Isso tem acontecido de uns umas semanas para cá. Desde pouco depois da morte de Augustus na verdade. Não dei atenção no começo, afinal eu tenho câncer, isso é um efeito colateral de se estar morrendo. Dra. Maria disse que logo passaria, a verdade é que ela nem me examinou nem nada, disse que passaria, minha mãe disse que ela falou que podia ser meu emocional. Por causa morte do Augustus. Mas o fato é que esses enjoos e tonturas tem se tornado mais frequentes. Não contei aos meus pais, se minha mãe pergunta se estou bem eu assinto, porque imagino meu pai chorando compulsivamente. E esse pensamento me embrulha mais o estomago que meus rotineiros enjoos. Talvez Dra. Maria esteja certa. Talvez seja meu emocional.

Escovo os dentes e troco de roupa, tomando cuidado para não passar perto da roupa que usei no dia em que fomos visitar Van Houten, e nos beijamos na casa da Anne Frank. Augustus e eu.

Há muitas lembranças desse dia.

Foi quando tive a minha primeira vez. Não houveram gritos, ou muitos gemidos, ou ápices de prazer. Só duas pessoas. Dois efeitos colaterais. Como um só. Não poderia ser mais especial do que isso.

Mas também foi o dia em que descobri o quão doente Augustus estava. O quanto o câncer o havia atingido.

Afasto os pensamentos antes que eu faça algo idiota como chorar agora. Isso é tarefa do meu pai, chorar o tempo todo, não minha. Talvez eu faça isso mais tarde, como em todas a noites em que me afogo no travesseiro molhado pelas lagrimas salgadas. Efeito colateral das melhores lembranças. Daquelas que não vão voltar. Como beber estrelas com um certo cara gato.

O cheiro dos ovos agora faz minha barriga roncar como louca. Parece que não como a séculos. O que não é verdade. Meu luto, ao contrário do que eu imaginei, não exterminou meu apetite. Estranhamente, tenho comido mais vorazmente que nunca. Talvez isso explique minha mais nova Barriga Ligeiramente Estufada.

Ataco o prato ignorando totalmente minha teoria sobre comer ovos no café e os modos que um dia eu tive.

-Hazel deixe pelo menos o prato!- Diz minha mãe em tom de brincadeira, sorrio para ela, o que a faz alargar mais ainda o sorriso já estampado. Não tenho sorrido muito.

-Hazel- Ela chama novamente. Pigarreio para que ela prossiga, já que minha boca esta cheia.- Tem absorvente no seu quarto? Os meus acabaram.

-Perai- Respondo de boca cheia me levantando da mesa.

Me surpreende mamãe querer absorvente, para mim ela já tinha até passado pela meno pausa. Não que ela seja velha, é só que ela é... meio velha.

Entro no banheiro e abro o armário. Levo um susto quando vejo.

Há um estoque de absorventes ali.

Pacotes econômicos intocados.

Sento no chão tentando assimilar esse fato. Tenho passado tanto tempo imersa em minha tristeza que não prestei atenção nem mesmo em meu ciclo menstrual. Vasculho minhas tão abaladas memórias, percebendo uma coisa que seria notável, não fossem problemas maiores.

Eu não menstruei uma vez se quer desde que conheci Augustus.

Umas semanas antes de conhece-lo no Coração Literal, meu fluxo havia vindo, e depois.... Nada.

Notas finais
Então o que acharam? Mereço reviews? Efeitos do colaterais do capitulo?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.