E lá estava ela, de novo e de novo, mais uma vez, ela vinha, com suas sapatilhas que uma vez já foram roxas, hoje são impregnadas do cinza escuro, que a neve que cobria o passado deixava, sua meia-calça estava bem velha e rasgada, bom as lojas param de vender, então o jeito era usar o que tinha.

Ela sabia o caminho de baixo da neve, então fazia muito tempo que não caía, mas de vez em quando seu corpo desejava sentir a sensação de perder o equilíbrio, de estupidamente cair, mas, seus olhos não deixavam, eles eram mais fortes, mais sábios e mais cautelosos.

Finalmente chegando onde odiava estar, mas pela primeira vez como sempre, ela chega a porta e ao dar três batidas o esperado acontece, a porta cai levantando a neve e as cinzas para o ar, e com o empenho do vento subiam para o céu. Ela então estende as mãos juntas e pede para que a levassem junto, mas pelo jeito o céu não gostava dela, e não a levantava, mesmo com o sagaz vento que cortava aqueles que não temiam a neve em meio às Cinzas.

Ela então adentra na casa, passando de quarto em quarto enquanto olhava para as velhas paredes queimadas, para os móveis que poderiam ser confortáveis um dia, para os quartos, onde muitas histórias deveriam ter continuado, ela então chega em um quarto que mesmo feito de cinzas agora, suas memórias não se esqueceriam dali, ela já esteve nesse lugar antes das cinzas.

Seus olhos mortos, viam duas coisas diferentes em um mesmo lugar, ela podia ver as cinzas dançarem, formando as "silhuetas dos mortos" como ela gostava de chamar. Pelas cinzas podia ver duas crianças brincando de pular na cama para ver quem pulava mais alto, uma terceira silhueta chega dançando, mas já sai de lá, porém as duas crianças não mais estavam pulando, agora elas estavam sentadas na cama, pareciam conversar, mas não durou muito, levantaram-se e sentaram para em frente a parede, parece que estavam jogando.

Os olhos dela pararam de ver as cinzas por alguns instantes algo que raramente fazia veio a tona, uma lágrima vazia e fria desceu, parando em sua mão, dessa vez ela tinha certeza que essas silhueta morta se tratava de seu passado, era ela lá com certeza, mas ela não conseguia lembrar quem era a outra criança, e a sensação de dúvida não saciava.

Ela se aproxima do lugar onde as silhuetas estava sentadas, e faz o mesmo, suas canelas ficam cheias de cinzas e neve, mas desta vez até mesmo seu vestido foi impregnado, ela então estende as mãos para o monte de cinzas procurando algo, e quem sabe porque, talvez sorte, ou uma infelicidade do estúpido destino, ela encontrou.

Um cartucho de vídeo game, estava sem nada para identificar o que tinha nele, mas ela lembrava daquele cartucho amarelo, porém uma duvida lhe vem a cabeça, como que não queimou, se tudo queimou, porque aquele pequeno cartucho não havia queimado, ela então olha bem de perto como se quisesse achar alguma coisa a mais que não estaria visível sem alguma dedicação, porém foi em vão.

Como ultimo recurso ela o assopra fazendo com que as cinzas presas se libertassem de sua terrível prisão, mais uma vez as cinzas dançavam, e mais uma vez uma silhueta se formava, desta vez era apenas uma criança, ela parecia estar triste, pois estava sentada em cima da cama com as mãos sobre as pernas. Nesse momento, ela se assusta e corre para de baixo da cama, outra silhueta adentrava pela porta, mas, diferente do garoto que possuía um cinza claro, esta era um cinza tão escuto quanto a neve negra. Em passos pesados espalhando as cinzas para os lados ele foi em direção a cama. Ela podia ver a criança apavorada e tremendo, quando a silhueta da neve negra chegava mais e mais perto de descobria a pequena criança de baixo da cama. Porém antes de conseguir ver o desfecho, seus olhos começam a doer, e ele teve de fechá-los.

Não podia mais ver as cinzas nesse dia, se não as dores viriam corta-la de noite. Ao olhar para o céu vê que as grande cinzas que nunca saíam do céu, começavam a se mover com ferocidade, estava na hora de ir, mas não sem antes, como sempre, juntar as cinzas das silhuetas que dançavam, em um plástico, ela junto de pouco em pouco com cuidado para não pegar cinzas que não fossem de silhuetas. Pois sabia o quanto seria perigoso fazer isso.

Ela levanta-se e limpa as cinzas de suas canelas, bate sua saia para que não levasse as indesejadas cinzas com sigo. Em passos largos e perna manca, sai da casa, mas não sem antes levantar e colocar a porta de volta ao seu devido lugar e marcar com duas madeiras cinzentas um "X", sobre a porta.

Enquanto andava o vento começava a cortar cava vez mais, as dores começavam a aparecer, felizmente ela havia chegado em sua casa. com dificuldade para empurrar a porta para fecha-la, ela apoia-se com seus pés contra a parede, e consegue empurra, mas seus pés estavam a cortar, e a sangrar, estava doendo mas não tanto quanto seus olhos.

Com os olhos quase fechados ela segue pelo escuro até encostar suas mãos na parede...

Notas finais
A próxima atualização acontecera em breve, pelos meus cálculos devem ocorrei mais três atualizações antes de terminar o capitulo, então se gostaram deem seu feedback, para me incentivar a continuar escrevendo, e postar novas atualizações e episódios em menores espaços de tempo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.