Efeito Borboleta

9 Um Contratempo




"Aqueles que não aprendem com o passado estão condenados a repeti-lo."

(Stephen King)

***



R.P.D

Delegacia de Polícia de

Raccoon City


- Caramba! Aonde vocês foram que demoraram tanto? — Indagou uma Jill Valentine mau humorada. — Santa incompetência!

- Ei Jill, vê se abaixa esse tom. Não sou obrigado a ter que ver essa tua cara feia de quem comeu e não gostou. – Chris não resistiu e resolveu provocar a sua ex-namorada.

- Isso. Continua sendo um babaca que eu te tiro do caso! — Jill vociferava e fuzila Chris com seus olhos azuis acinzentados.

- Você não tem toda essa autoridade, senhora Valentona!

- Você quer pagar pra ver?!

- Lá vai esses dois começar com essa putaria de briga de casal. — Comenta Marvin Branagh parando ao lado de Leon, enquanto o ex-casal continua a discutir.

- Mas, eles não são mais um casal. — Leon diz baixinho.

- Mas já foram. E isso sempre vai pesar na relação deles. É como se sempre tivessem competindo pra tudo. Até pra ver quem é mais idiota!

No meio dessa confusão, Leon percebeu que a delegacia parecia mais agitada que o normal. E não era por conta das brigas entre Valentine e Redfield.

- O que tá acontecendo, capitão? — Haviam policiais correndo de um lado para outro, os telefones não paravam e até mesmo o chefe Irons também parecia agitado.

- Vamos para a sala de investigação e conversaremos com mais calma lá. — Eles seguem para a tal sala onde a policial Sheva Alomar os esperava.

— Então, vocês encontraram a Sherry Birkin?

- Sim, capitão. Sherry, aparentemente, parece bem. Deixamos ela com os pais e depois fomos atrás de coletar o máximo de informações das testemunhas que a encontraram.

Sheva ao lado de seu parceiro Kevin Rayman, foram os primeiros a chegar ao local onde Sherry teria sido encontrada. E, para o espanto de todos, a garota foi encontrada no mesmo lugar onde ela havia desaparecido há duas semanas. E ainda vestindo o mesmo uniforme da escola que usava no dia em que desapareceu.

— Precisamos descobrir o que aconteceu durante esses 14 dias em que ela ficou desaparecida. — Afirmou Jill tão intrigado pelo caso quanto os outros. — Ela disse onde estava? Se havia alguém com ela?

— Ela disse que estava sozinha e que havia se perdido. E na verdade a garota estava assustada e muito emocionada quando viu o pai dela. Mas, aconteceu uma coisa estranha... — Sheva respondeu se lembrando do que presenciou enquanto estava com a família Birkin. — Ela ficou repetindo: "Papai, você está vivo. Aqui nesse mundo você ainda está vivo." E então ela se agarrou ao pai dela e começou a chorar. Depois Annette Birkin nos mandou embora.

— Que papo estranho. — Resmungou o capitão se sentindo apreensivo.

— É. Tem muita coisa estranha acontecendo nessa cidade. — Leon murmura pensando sobre aquele clarão no céu e sobre o encontro inusitado que teve com Ada Wong. E de repente ele não conseguia parar de pensar naquela mulher.

— Eu acho que precisamos investigar mais a fundo esse caso e ficar de olho em Annette e William Birkin. — Jill afirmou enquanto folheava as páginas com o relatório sobre o caso Sherry Birkin.

— Bom, pelo menos a menina voltou e está sã e salva. — Dizia Chris se lembrando da própria filha. — Acho que se isso acontecesse com a Jenna, eu já teria enlouquecido. — Ele troca um olhar demorado com Jill.

No fim o grupo passou quase a noite inteira trabalhando na RPD. E só no dia seguinte que o chefe de polícia Brian Irons, decidiu fazer uma coletiva de imprensa para dar novas informações sobre o retorno de Sherry e, assim, acalmar a população.





Jack's Bar


Depois de mais um dia de muito trabalho na Universidade, Ada decide tirar um momento para se divertir indo beber um pouco com os amigos de longa data, Rebecca Chambers e William Birkin. Aliás, Birkin ficou tão feliz com o convite das amigas, pois fazia algum tempo que não saia para descontrair. Porém, ele não apareceu sozinho, resolveu trazer consigo Albert Wesker.

- Como Annette não quis vir, decidi arrastar Albert comigo. Só assim para conseguir livra-lo do trabalho.

- Mas, ninguém pode culpa-lo. Quer dizer, fazia tempo que não tínhamos alguém tão... dedicado ao projeto. — Rebecca surgiu em sua defesa, usando um tom que Ada conhecia muito, um tom de flerte.

- Não exagera, senhora Chambers. É que você não conheceu o antigo Wesker. — Ele retornou seu flerte em tom de brincadeira se sentando na frente de Ada com quem trocou um olhar rápido.

- E como era o antigo Wesker? — Chambers continuou com o seu jogo de flerte que fez Ada ter que se esforçar para segurar o riso.

- Bem, a versão jovem de Albert Wesker não levava nada a sério. Só queria curtir a vida adoidado. — Ele deu um sorriso atrevido olhando na direção de Ada que tentou o ignorar. O pior que aquele homem tinha um sorriso que facilmente poderia seduzir qualquer mulher.

Nesse instante, o garçom se aproxima para trazer os seus pedidos: duas garrafas de cerveja para compartilhar entre Chambers, Wesker e Birkin e uma garrafa de Soju para Ada (sua bebida favorita).

- E como estão as coisas agora que sua filha foi encontrada? – Ada resolveu perguntar curiosa. Eles ainda não tinham conseguido conversar, depois que Sherry retornou para casa.

- É claro que Annette quer ficar o tempo todo só cuidando da nossa filha. Tem medo até de piscar os olhos e perdê-la de novo. Não posso culpa-la por esse sentimento. — William parou e pensou sobre a sua filha que ficou desaparecida por dias. A menina de 12 anos retornou diferente e parecia estar sempre assustada, principalmente, com a ideia de perder o pai. Ela também tinha pesadelos constantes, não conseguia dormir direito e começou a falar umas coisas tão estranhas.

- Eu ainda me sinto cansado e, talvez, um pouco culpado.

- Culpado pelo quê, Will? — Ada percebeu como aquilo parecia estar atormentando a mente de seu amigo.

- Por nada. Vamos esquecer isso. — Ele desconversou. — Eu não vim aqui para remoer os meus problemas. Eu vim para esquecê-los. — Sua filha estava segura em casa, com a mulher e ele só estava tentando aproveitar um momento entre amigos, como há anos não fazia.

Eventualmente, o foco do assunto mudou para Wesker que passou a contar um pouco sobre si, suas experiências durante a NASA, sua vida na Alemanha e entre outras coisas peculiares e, vez ou outra, trocava olhares com Ada que não passava despercebido por Birkin.

- Se ser Astronauta era um de seus sonhos... Por que você veio parar aqui em Raccoon City? — Ada questionou após virar mais um copo de Soju. Depois ela poderia culpar o álcool, por estar sendo muito curiosa sobre a vida daquele forasteiro.

- Te respondo se você responder a seguinte pergunta... — Ele lhe deu outro sorriso presunçoso. — Por que uma cientista que estava se tornando famosa lá fora, de repente decide se enterrar nessa cidadezinha?

- Boa. Acho justo. — Chambers a provocou erguendo o seu copo e brindando com Wesker, ao mesmo tempo que dava uma piscadela para Ada, só para irrita-la mais.

- Bem, eu poderia apenas dizer que... isso não é da sua conta! — A Professora arqueou as sobrancelhas e deu um sorriso torto numa expressão clara de ironia. — Mas, a verdade é que, por algum motivo que não sei explicar... Raccoon City é o único lugar do mundo em que me sinto conectada. Talvez, seja por ser a minha cidade Natal. — Ela no fim decide ser um pouco sincera. — Sua vez.

- Bem, eu... tive alguns problemas pessoas. Queria encontrar um lugar onde poderia me livrar desses problema. Foi, então, que o destino resolveu colocar Raccoon City no meu caminho.

- Ah, que romântico! — Debochou Rebecca fazendo todos rirem.

Eles continuam bebendo e jogando conversa fora. E por algum tempo os papos renderam e se tornaram leves. Eles até chegaram a debater sobre o livro de ficção cientifica de Ada chamado "QUANDO DOIS MUNDOS PARALELOS SE COLIDEM." Esse livro além de ser uma ficção cientifica, também misturava romance. E falava sobre um homem e uma mulher que viviam em mundos paralelos distantes. Um vivia em um mundo cujo o presente era 2050 e outro em 2021. Até que um dia os dois mundos acabam se cruzando, através de um buraco de minhoca que se abre durante uma lua de sangue. A história também falava sobre como uma única escolha foi capaz de mudar o futuro de todo mundo.

- É irônico mesmo como uma simples escolha, por menor que seja, possa determinar o futuro de alguém. — Wesker comenta ainda muito animado com o assunto.

- E como essa única escolha é capaz de dividir o mundo em duas partes tão iguais e... ao mesmo tempo... tão distantes. — Disse Rebecca já um pouco grogue após compartilhar uma quarta rodada de cerveja com o Will. — Isso quer dizer que, se universos paralelos existirem... talvez, num deles... eu me tornei uma médica.

- Então, nesse mesmo universo onde a médica Chambers vive... — Wesker decidiu entrar na brincadeira. — Deve viver um Wesker que se tornou um Astronauta famoso.

- Nesse mesmo universo em que essa médica... e esse Astro... astronauta vivem... — Birkin se interrompe, apenas para bebericar o resto de sua cerveja. — Talvez, haja uma versão minha... menos... covarde e que fez escolhas... mais corajosas. — Normalmente, William seria um homem mais reservado e não conseguiria se abrir assim com ninguém. Talvez, tudo fosse efeito da bebida.

- Tipo que escolhas?! — Ada resolveu perguntar se sentindo muito intrigada com seu amigo. A princípio Will fica hesitante, voltando a possuir uma postura perturbada.

— E se por acaso você descobrisse... que hoje é o seu último dia na Terra? — William questiona olhando entre as outras duas mulheres.

- Como assim? — Ada ganhou uma ruga de preocupação em sua testa.

- E se você soubesse que hoje seria o dia... da sua morte? — As duas mulheres trocam olhares de estranhamento, mas depois começaram a rir, achando que aquilo fosse uma piada.

- Will, para com isso! — Resmunga Wesker sendo o único mais sóbrio entre os quatro. — Você tá ficando assustador.

- Não. É sério! — William diz em tom alterado. — Sabe a Annie Kennedy...

- O que tem ela? — Ada dá de ombros, a princípio não dando importância as ladainhas de seu amigo.

- Ela sabia que... que ia morrer naquele dia. — Ele solta um suspiro profundo e triste. — Você sabe que a perda dela foi dolorosa para toda equipe. E, principalmente, para mim... -Definitivamente, o álcool estava fazendo Birkin ficar com a língua solta.

- Com licença, mas... — Interrompe Wesker. — Quem é Annie Kennedy?

- Uma antiga professora nossa. — Responde Rebecca. — Ela morreu há 14 anos... Foi assassinada.

- Nossa, que coisa horrível. Sinto muito! — Wesker não sabia o que deveria dizer naquele momento, então, resolveu se calar e deu um olhar breve a Ada, percebendo que a bela mulher de ascendência asiática tinha uma expressão angustiada no rosto.

- Se eu soubesse que seria a última vez que a veria... – Repetia Will se sentindo melancólico. — Eu... eu teria... Eu teria me despedido de outro jeito dela... Eu teria dito que... que... Eu a amava! — Isso surpreendeu tanto Rebecca quanto Ada.

- Eles ainda não encontraram o assassino? — Ada perguntou se sentindo insegura e, ao mesmo tempo, ansiosa.

- Infelizmente, o caso continua sem solução. — Afirmou Rebecca. — E o assassino até hoje não foi pego.

- Mas, eu sei que o filho dela... ainda não desistiu de descobrir quem... quem foi que a matou. — Assim que William disse isso, Ada o encarou pasma. A professora havia esquecido que Annie tinha um filho. E, de repente, ela se viu pensando no rapaz e se sentindo ainda mais perturbada por toda aquela história.

- Olha, ele tá aqui... — Até que, inesperadamente, Birkin para olhando, fixamente, para atrás de Ada. Ele ergue a mão na direção da porta do bar onde três pessoas haviam acabado de entrar. — Ele é o filho dela. — Ada se vira para ver o que tinha chamado tanto a atenção de Will. — Ele é o filho da Annie.

Uma das três pessoas, que havia acabado de entrar no Jack's Bar era nada mais e nada menos que Leon Scott Kennedy. E, como se aquele policial tivesse pressentido que alguém estava o observando, ele se vira bem na direção da mesa onde os quatro cientistas se encontravam. Seus olhos azuis, imediatamente, se cruzam com os pequenos olhos castanhos mel de Ada.





Notas finais
Gosto que a partir desse cap a gente já começa a ver as várias dinâmicas diferentes entre os personagens. De um lado temos o grupo de policiais ligados ao protagonista masculino (Leon), do outro lado temos o grupo dos cientistas ligados a protagonista feminina (Ada). Então, são duas realidades diferentes que acabam se entrelaçando por causa da relação que vai se construindo entre Aeon. Bjus 😘