Efeito Borboleta

43 Lembranças Esquecidas


Notas iniciais
Demorei, mas eu voltei. Nesse capítulos Leon estará lidando com o luto após a morte de seu capitão. E Ada vai estar lá para consolá-lo com todo o seu amor.






"A raiva te torna menor, enquanto o perdão te força a crescer além do que você era."

(Cherie Carter-Scott)

***



R.P.D

Delegacia de Polícia de Raccoon City

Tinha amanhecido e Leon não havia conseguido ir para casa. Ainda estava com as roupas molhadas e sujas de sangue, mas pouco se importava com isso. Kennedy decidiu se refugiar na sala dos STARS e passou um tempo ali, folheando os arquivos da cena do crime, em busca de qualquer evidência que o levassem ao assassino. Em algum momento, o detetive parou na mesa de seu capitão e se viu tocando, carinhosamente, a poltrona onde o homem costumava a se sentar. Uma série de memórias surgiu em sua mente dos momentos em que todos os STARS estiveram ali trabalhando, conversando, brincando, fazendo planos. Houve tantos momentos bons que antes ele percebeu que não valorizou. Momentos bons vividos ao lado de Barry Burton.

Um sentimento de saudade o invadiu. Nunca mais iria poder vê-lo sentado ali, sorrindo, lhe dando ordens, brigando com todo mundo, ou apenas em silêncio reflexivo. Pensar sobre isso lhe trouxe também um sentimento de revolta e ódio. Era como se tivesse voltado no tempo e retornado ao dia da morte de sua mãe, a dor era a mesma, assim como o seu desejo de vingança.

— Então, você estava se escondendo aqui? — Ele houve a voz de Claire invadir a sala. — Acho que se esconder, vai resolver as coisas? — A voz dela é cheia de amargura. Uma amargura que se apossou dele também. — Leon! — O homem passa por ela tentando ignorá-la e vai se sentar em sua mesa mexer em seu computador. — Algumas pessoas têm maneiras diferentes de lidar com a dor. Nenhuma delas é o jeito certo, ou errado... — A ruiva continua falando, tentando manter uma voz calma, mas as lágrimas estão ali querendo sair. — Ainda assim, a coisa pior que você pode fazer é... fugir. — Há um soluço que escapa dele. — Portanto, fique do nosso lado. Fique ao lado da Sally... Era o que... — Naquele momento, seus olhos verdes começaram a lacrimejar e a voz a falhar. — Era o que seu capitão... ia querer... Que você estivesse lá para se despedir dele. — Então, Leon se levanta e a encara. De repente ambos estão chorando.

De repente, ela o abraça enquanto tenta o consolar. E dessa vez, ele se permite chorar nos ombros dela.







Capitão, Barry Burton

(1970-2021)

Todos os polícias da RPD com seus uniformes formais, ao lado do chefe Bryan Irons estavam ali prestando uma homenagem simbólica ao homem que tinha sido um grande amigo leal, um grande mentor, um cidadão exemplar, pai e um marido apaixonado. O Prefeito da cidade havia decretado luto por três dias. Era uma perda lastimável.

Leon estava lá na frente da lápide dele, colocando rosas brancas em seu túmulo antes de ir se reunir com os seus companheiros de equipe.

— Um minuto de silêncio. — Ele diz antes de todos os polícias fazerem a saudação militar, um ato de respeito e a última despedida ao seu capitão.

Naquele momento da bela homenagem, Sally desabou a chorar nos braços de Claire. Era um momento tão bonito e, ao mesmo tempo, tão melancólico. Ela havia perdido o seu companheiro de vida, seu amante, seu grande amor. E ao perdê-lo parecia que nada mais fazia sentido. Porém, teria que aprender a viver sem ele presente em sua vida.

Ada que também estava ali, ficou de longe apenas observando em silêncio, pois se sentia uma intrusa ali. Sua sorte é que sua irmã estava ao lado dela, segurando a sua mão e não a deixando ficar sozinha.






Residência Kennedy


No final o chefe Irons decidiu que o melhor era ainda manter Ada na Residência Kennedy até que eles resolvessem o que fazer. O Assassino ainda está a solta e tentar retirar a Professora da cidade outra vez seria muito perigoso. Além disso, os STARS ainda estão de luto. Portanto, a RPD precisará de um, ou mais dias até se reorganizar.

Pelo menos dessa vez, Fong Ling veio com ela para a casa de Leon e, assim, as duas irmãs poderão se fazer companhia. Aliás, Fong Ling resolveu fazer o jantar, entretanto, o detetive Kennedy não quis se juntar a elas e subiu para tomar um banho e depois se trancou em seu quarto.

Após o jantar Ada aproveitou que sua irmã foi dormir e resolveu bater na porta do quarto de Leon. Depois de tudo que aconteceu com o Burton ela não conseguiu falar em nenhum momento com ele. Essa era a sua chance.

— Leon. — Quando a porta se abre ela se depara com um rosto abatido.

— O que você quer? — Sua voz não é gentil e isso a deixa nervosa.

— Eu só... — Ada sente um nó na garganta. — Só queria saber como você estava? E eu trouxe um pouco da janta. — Ela tinha preparado um prato para ele, pois parecia que o homem não tinha comido nada naquele dia.

— Não estou com fome. — Ele lhe dá as costas, mas pelo menos não bate a porta na cara dela.

— Tudo bem. — Ada resolve entrar no quarto dele mesmo sem ser convidada, deixando o prato em cima da escrivaninha ao lado da cama.

Por alguns minutos, ela fica em silêncio, esperando que ele pare de ignorá-la, porém o policial cabeça dura continua de costas olhando para a janela.

— Eu pensava que viajar no tempo tornaria as pessoas mais felizes. — Aquele clima melancólico a faz criar coragem para desabafar sobre suas próprias aflições. — Eu acreditava que viajar no tempo seria como uma segunda chance de consertar os erros do passado e de rever nossos entes queridos. — Agora a viagem no tempo não parecia mais sedutora como antes, após todos esses acontecimentos trágicos. — Vejo agora que tudo é uma mera ilusão. — Ela fecha os olhos e solta um suspiro cansado. — Infelizmente, meus amigos, sua mãe e até o capitão... caíram nessa mesma ilusão.

— É por isso que essa coisa de viagem no tempo... precisa parar. — Leon lhe responde friamente. — E é por isso também que... — Ele engole em seco, sentindo o coração se apertar, assim que se vira para encará-la. — É melhor que você vá embora logo.

— Então, você também me acha culpada? — Ela olha quase suplicante para o detetive que desvia o olhar.

— Não. Eu não te culpo. — Ele é sincero e, igualmente, impassível. — Mas, o único jeito de parar isto... é se você for embora.

— Mas e se eu quiser ficar e te ajudar? — Ela dá um passo mais perto dele e ergue uma de suas mãos tocando no rosto masculino, o forçando a encará-la. — Eu quero te ajudar!

— Você só vai me atrapalhar! — Seus azuis ainda são gélidos, quando Leon resolve segurar meio firme os pulsos dela, a impedindo de tocá-lo. — Então, vamos parar de sermos egoístas! — E depois fecha os olhos, assim que sente a garganta embargar novamente. — Por você, eu já quebrei muitas regras. E por causa disso... ele... ele... morreu. — Um silêncio pesado, cheio de angústia e dor paira sobre eles, até que o detetive se afasta, cansado demais de brigar e vai abrir a porta. — Você precisa ir embora... porque eu... Eu não posso mais te proteger.

— Tudo bem, eu vou embora... — Ada resolveu provocá-lo. — Se você parar com essa sua obsessão de caçar o Assassino da sua mãe...

— Não é uma obsessão! — Ele grita nervoso. — É justiça pela morte da minha mãe e agora... pela morte do meu capitão!

— Será que não vê que isso ainda vai te matar?! — Ela grita de volta e não arreda o pé do quarto dele.

"Por que aquele homem tinha que ser tão teimoso?"

— Se não pode fazer isso por si mesmo, faça pelas pessoas que gostam de você.

— Ada, por favor, para! — Leon tenta se livrar dela, mas a mulher teimosa o pega desprevenido se jogando em seus braços e o abraçando apertado.

— Será mesmo que você quer que eu vá embora? — Há um minuto de silêncio. Ada ainda permanece com a cabeça no peito dele, ouvindo o coração de Leon batendo desenfreadamente.

— Tudo bem, você venceu. — Leon suspira derrotado, ela afrouxa o abraço e os dois se entreolham. Em seguida, ele recua até a porta e a tranca. — Mas, agora você não pode mais fugir. — Sua voz é ronca e sua postura é determinada.

Seus passos retornam até ela, nunca perdendo o contato visual, os dois estão com o coração martelando no peito quando seus lábios se encontram num beijo desesperado. As mãos femininas se enroscam nos cabelos dele ao passo que as mãos masculinas seguram firme a sua cintura. Eles estremecem cheios de desejo e expectativa.

Por um instante, se afastam ofegantes, azuis antes tristes agora a fitavam com uma intensidade que parecia despir não apenas suas roupas, mas todas as suas defesas, deixando-a exposta e, ainda assim a fazia se sentir protegida e confiante da sua próxima decisão.

Ada sem hesitar começa a se despedir na frente dele se livrando primeiro do roupão, depois da camisola de seda até ficar completamente nua. Leon já estava a devorando com os olhos e a achando a mulher mais linda e sexy do mundo. Ele também começa a se despir rápido e desajeitado enquanto a Professora Wong se aproxima dele e, gentilmente, segura o seu rosto entre as suas pequenas mãos.

— Você é lindo. — Ela sussurra trêmula, em seguida é calada pela boca faminta dele. As mãos frias e calejadas a erguem fazendo-a entrelaçar as pernas na cintura dele.

Leon a deita em sua cama, seus corpos nus se entrelaçam. Sem demora seus toques se tornam atrevidos, percorrendo cada pedacinho um do outro, suas bocas se unem outra vez em beijos quentes, lascivos e promessas escapam por entre seus lábios enquanto eles fazem amor, suavemente, querendo fazer aquele momento ser duradouro e especial. O quarto cheira a suor e luxúria. E se tornou o lugar de aconchego.

Naquela noite fria, onde o clima antes era de luto, sofrimento e incertezas, agora havia sido dominado pela paixão avassaladora que uniu duas pessoas opostas, porém que compartilhavam dos mesmos sentimentos.

Naquela noite, Ada se entregou profundamente a Leon, sem pensar nas consequências, sem pensar no futuro. Por agora ela só queria estar nos braços dele e fazê-lo se sentir seguro e amado.



***/ /***


Ada acorda no dia seguinte sozinha na cama dele e isto a deixa tão frustrada. Ela se veste apressadamente, ainda perturbada pela ideia de que, talvez, o que eles fizeram não passaria de uma noite de sexo para o homem que estava de luto e precisando extravasar suas emoções. E, talvez, este fosse o erro dela.

A questão é: Ela se arrependeu do que aconteceu entre os dois na noite passada?

— E aí maninha, dormiu bem? — Assim que abre a porta dá de cara com sua irmã fazendo piadas cheias de insinuações. — Pela cara do Leon foi bom, hein?

— Você falou com o Leon? — Ada indagou ansiosa.

— Sim. Ele foi tomar banho. — Isso a encheu de alívio que não dura muito, pois logo sua irmã lhe entrega o seu celular. — Alguém está ligando pra você. — Fong a deixa sozinha.

Ela olha para tela do celular e se depara com mensagens de um número desconhecido que sabia que eram de Albert Wesker, perguntando como eles estavam e como Leon estava. Ada entra em seu quarto já pensando em ignorá-lo até que outro pensamento lhe vem à mente:

"Você acha possível que a morte do Burton, possa ter alterado o destino do Leon?" Ele demora um pouco para digitar uma reposta.


"Eu acho que é possível." Wesker se pegou pensando muito nisso. Poderia ser apenas um resquício de esperança, ainda assim, era melhor do que nada.

"Se isso foi possível, significa que o capitão morreu para salvar o Leon." Esse pensamento se tornou mais forte, depois que ela se lembrou das últimas palavras que Barrydisse antes de morrer. "Ele falou que ele era um viajante do tempo. Você sabia disso?" Houve uma certa demora pela resposta.


"Sim. Viemos do mesmo futuro. Assim como Spencer." Ele não deveria ter revelado isto, mas dane-se. Ele estava cansado de proteger Spencer.

— Spencer? — A mulhermurmura para si mesma, totalmente, perplexa.

"Desde quando ele tem mentido para gente?"


"Desde quando ele foi resgatado."


"O que aconteceu com o outro Spencer?" Ada estava desconfiada e muito nervosa agora.

"Ele está morto."


"Como ele morreu?" Wesker opta por não lhe responder aquela pergunta. Ao invés disso, ele resolve mandar um link para Ada e algumas fotos que pareciam a princípio sem sentido.

Entre as fotos que lhe foram enviadas havia uma foto de um homem segurando uma garotinha em seu colo. Isso aguça a sua curiosidade. Em seguida, ela clica no link que se abre revelando várias informações sobre o assassinato de Park Seong Chan que havia ocorrido em 1989.


"DOUTOR PARK SEONG CHAN, ASSASSINADO EM SUA CASA."

"FILHA DE CIENSTISTA DA CORPORAÇÃO UMBRELLA É ENCONTRADA NA CENA DO CRIME EM ESTADO DE CHOQUE."

(Abril de 1989)


De repente, a sua mente começa a se encher de memórias. Memórias que vão sendo desbloqueadas lentamente e lhe revelando um passado assustador que há muito tempo havia sido esquecido.

O rosto da menina da foto se parecia com Alice Wesker, só que não era ela. Os rostos da garotinha do futuro e a garotinha do seu passado começam a se misturar em sua mente, como se fossem uma só. Como se tivesse viajado no tempo, Ada se vê de volta naquele corredor escuro, sozinha chamando pelo PAI. A tempestade, o corpo do homem caído no chão, o Assassino e, por fim, havia mais uma outra pessoa importante naquele cenário. — Uma mulher que havia pulado sobre a criança, antes de ouvir de novo o barulho ensurdecedor do tiro.

— O café tá pronto... — Fong Ling retorna para o quarto e, de repente, encontra Ada caída no chão, desmaiada. Ela grita chamando a atenção de Leon que havia acabado de sair do banheiro.

— O que foi que aconteceu com ela? — Ele se ajoelha ao lado do corpo e a pega em seus braços. — Ada, fala comigo! — Porém, a mulher está gelada e está respirando muito fracamente, deixando o policial e Fong Ling desesperados.





RPD

Departamento de Polícia de Raccoon City


Leon precisou deixar Ada no hospital aos cuidados do Doutor George, onde ela foi medicada e agora estava em observação. Depois ele resolveu seguir para a RPD.

A noite passada nos braços dela foi incrível e o fez esquecer por um momento da dor do luto, mas, então, veio o dia seguinte e tudo voltou a se complicar. Leon havia ficado muito preocupado pelo que aconteceu com Ada e se sentiu culpado. Culpado por tê-la deixado sozinha em sua cama quando ela parecia tão perfeita ali embrulhada em seu cobertor, como se sempre pertencesse àquele lugar. Culpado por não ter lhe contado que estava investigando sobre a morte do pai biológico dela. Porém, enquanto ele se martirizava sobre o ocorrido, es que acabou descobrindo que a mulher também continuava lhe escondendo coisas.

O detetive acabou descobrindo que a Professora de Física e cientista recebeu algumas mensagens de um número estranho em seu celular, antes de desmaiar.

"Você tem razão, fugir não pode ser a resposta. Por isso você deveria ficar comigo. Assim, posso te proteger melhor e juntos podemos desvendar esse quebra-cabeça." Após ler aquela mensagem Leon resolveu ligar para aquele mesmo número. O telefone chamou umas três vezes, até que uma voz familiar decidiu atender.

— Ada, não é seguro você me ligar... Deixa que eu vou até você. Só preciso que confie em mim e tenha paciência. — Em seguida, a ligação termina, abruptamente.

Leon ficou furioso ao saber que Ada e Wesker continuavam conversando as escondidas. Todavia, esse não era o seu único problema. Paralelamente a isso, os STARS estavam investigando os históricos de chamadas telefônicas encontradas no celular do capitão Burton. Havia dois números que pareciam ter ligado várias vezes durante a semana que não estavam salvos no contato. E, curiosamente, um desses números era o mesmo encontrado no celular de Ada.

— Estamos tentando rastrear os números, mas o trabalho está difícil. — Marvin reclama na frente do computador. — Estamos checando uma das últimas chamadas que o capitão fez na noite antes de sua morte.

— Pessoal! Um trio de pescadores encontraram um corpo boiando no rio, próximo a floresta Arklay. — Uma policial surge com uma nova informação importante, interrompendo qualquer discussão entre eles. — O corpo já foi trazido para o necrotério da RPD. O chefe Irons quer que um de vocês vá checar o ocorrido.

— Droga! Agora teremos mais um cadáver para investigar? — Marvin reclama frustrado. — Enquanto, não pegarmos esse filho da puta, ninguém vai ter paz nesta cidade.

— Preciso que vocês tentem rastrear essa ligação. — Leon diz colocando o celular de Ada sobre a mesa de Chris.

— De quem é esse celular?

— Não importa. Só rastreie a ligação. — Leon diz se dirigindo para porta.

— Espera, aonde você vai? — Jill questiona preocupada com Leon.

— Vou checar o tal cadáver.


{Continua...}



Notas finais
Entramos na reta final dessa historia falta poucos capítulos e eu já tenho a história concluída. E vocês o que estão achando disso tudo? Gostaram da primeira vez de AEON? Originalmente nem era pra existir essa cena, mas fiquei com dó de fazer Leon e Ada só sofrer e tentei aliviar o clima. 📱 Onde me encontrar: Instagram: instagram.com/drylaine (Bastidores e artes) YouTube: youtube.com/@evmendes6255 (Trailers e trilhas) X (Twitter): x.com/evmendes25 (Novidades e avisos) Dica: Se me seguir por lá, me dá um alô que eu sigo de volta!