Notas iniciais
Olá pessoal! Chegamos, enfim, ao Epílogo que será bastante esclarecedor. Espero ter conseguido fechar algumas pontas soltas, embora é possível que haja algumas coisas em aberto, que deixarei para interpretação e imaginário dos leitores. Agora, fiquem com o Epílogo e tenham uma boa leitura.


“O amor é paciente, o amor é bondoso.

Não inveja, não se vangloria, não se orgulha.

Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor.

O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.”

(1 Coríntios 13:4-7)

***


Raccoon City

2026


Novamente, durante a noite sozinha em seu quarto, outro sono veio lhe atormentar. Dessa vez, ela sonhou que estava sentada na areia da praia enquanto um homem e uma menina brincavam na beira do mar. Em algum momento, a criança (que deveria ter uns 5 ou 6 aninhos) se virou para a direção de Ada mostrando os seus olhos castanhos de traços asiáticos como os dela. Era como olhar para uma mini versão sua.

“Mamãe, mamãe!” A garotinha grita chamando por ela.

“Ei, senhora Kennedy... que tal se juntar a nós?!” O homem de olhos azuis, sorri para ela.

É com as lembranças daqueles olhos azuis e daquele sorriso que Ada desperta, completamente, em choque. Ela se levanta e vai tomar um banho, depois se arruma e vai para a Universidade.

Ada tentou passar o dia dando suas aulas normalmente, até que no horário do almoço encontrou com Rebecca na sala dos Professores mexendo no computador. Ela chega silenciosamente mais perto e, querendo assustar a sua amiga, decide apoiar a cabeça no ombro dela.

— Ai, Ada! — O susto de Rebecca faz Ada soltar um riso, brevemente, que logo se apaga, assim que a cientista se depara com uma foto na tela do computador.

Ada ficou perplexa ao encarar aquela imagem. Ali estava o rosto do homem dos seus sonhos: os mesmos cabelos castanhos claros, os meus olhos azuis e agora ele possuía um nome: "Leon Scott Kennedy, 33 anos, Arquiteto."

— É um gato, não?! — Brinca Chambers dando uma piscadela maliciosa. — Decidi contratá-lo. Quero aumentar a minha casa, fazer um novo quarto grande para mim e um outro banheiro... — a mulher continuou tagarelando, mas Ada já não estava mais prestando atenção. Seu coração estava pulsando freneticamente, deixando-a ofegante.

— Onde eu posso encontrá-lo? — sem pestanejar, Ada simplesmente indagou.

— O quê? Ei, isso não é justo! Eu vi ele primeiro! — Rebecca exclama um pouco indignada.

— Por favor, Becca! Me diz onde posso encontrá-lo? — Ada entonou em voz firme e desesperada.




Residência Kennedy


Ela dirigiu o seu conversível até ali, com a mente inquieta e o coração batendo numa agitação incessante. Entretanto, quando parou o carro na frente daquele portão, sentiu o seu corpo transpirar e uma insegurança se apossar de si. De repente, uma questão pairou em sua cabeça atordoada...

"O que ela estava fazendo ali mesmo?!" Apertou o volante do carro com força, pensando em como aquilo era uma tremenda loucura.

Seus devaneios foram interrompidos, quando Ada se virou ao ouvir o barulho do portão se abrindo e revelando, um casal saindo dali de mãos dadas e fazendo planos. Os dois param a um metro da porta do passageiro e a encaram.

— Olá, posso ajudar em alguma coisa? — A mulher pergunta, simpaticamente. Por algum motivo, Ada sente uma sensação forte de já ter conhecido aquele casal.

— Eu só estou esperando a minha amiga... — Depois de um minuto em silêncio, Ada resolveu responder com uma meia verdade. — Ela está procurando um arquiteto... chamado... Leon Scott Kennedy. Por acaso vocês o conhecem?

— Sim, por acaso ele é meu irmão. — a mulher respondeu lhe dando um sorriso simpático.

— Bem, nós preciso ir. Mas se você quiser falar com ele, é só entrar. — O homem loiro alto de óculos escuros é quem lhe responde. — Ele está lá dentro ajeitando algumas coisas. — O casal se despede dela e segue para o seu carro que estava estacionado mais a frente, deixando Ada sozinha para tomar a sua própria decisão.

Eventualmente, Ada tomou coragem de entrar por aquele portão, sem saber exatamente o que lhe esperava lá dentro. A casa aparentemente estava vazia, havia apenas dois sofás na sala cobertos por lençóis e parecia que suas paredes foram recém pintadas. Um sentimento estranho de nostalgia se apossou dela, como se conhecesse cada canto daquele lugar. De repente ela estava passeando pelo andar de baixo, observando cada cantinho dali, no entanto, o barulho de um martelo a faz parar, indicando que não estava só. O barulho vinha do andar de cima.

Com o coração muito acelerado e as mãos suando um pouco, ela sobe as escadas rápido, no entanto, quando chega ao corredor diminuiu o ritmo ao se sentir hesitar. Agora era um medo que estava prestes a dominá-la. Um medo provavelmente do desconhecido, ainda assim, decide prosseguir.

Seus passos inseguros, logo a levam até um quarto. Não há ninguém lá, apenas um espaço vazio, iluminado pela luz do sol que está entrando pela janela, junto com um vento que balança as cortinas brancas. Quando está ali parada na sacada, observando o quintal e a floresta Arklay, imediatamente, ela tem um flashback:

“Então, se você pudesse viajar no tempo, você iria visitar seus pais biológicos?” Ele se apoia no parapeito e fica contemplando cada palavra dela.

“Sim. Mas, sabe o que é mais curioso...” Ada estava falando meio bêbada. “É que essa casa me traz uma sensação de familiaridade e aconchego... que nunca consegui sentir em qualquer outro lugar do mundo. Acho que é por isso que gostei daqui.”

“Sério?” O homem de lindos olhos azuis também está compartilhando do mesmo sentimento.

“Por isso vou adicionar esta casa a minha lista.” Ela ri de novo e meio que cambaleia para frente, o forçando a ter que segurá-la e impedindo-a de se machucar. “Então, quando eu viajar no tempo... eu vou voltar para te ver.” Ela para ao perceber o quão perto eles estão.

“E eu vou te esperar até você retornar.” Ele dá um passo mais perto dela, até que seus rostos se aproximam e seus lábios se encontram num beijo...

— Ei, quem é você? — Repentinamente, aquele flashback é interrompido com a chegada dele ali. — Como você entrou aqui? — Agora ela estava diante daqueles olhos azuis. E não era um sonho... Era real e igualmente assustador.

O homem estava a um metro dela a encarando com um olhar confuso. Estava ali tão perto que sentiu as suas pernas ficarem moles e seu coração querer sair pela boca tamanha era a emoção que estava sentido.

— É você mesmo? É você? — Ela fechou a distância entre eles, meio tropeçando e tendo que ser amparada pelos braços de Leon que lhe segura firme enquanto seus azuis impetuosos confrontavam aqueles castanhos mel que estão lacrimejados. — Eu... eu... — Ada estava chorando e sorrindo e queria apenas dizer que havia cumprido a promessa. Que, enfim, tinha retornado para vê-lo.

— Eu encontrei você... Leon. — A cientista toca no rosto dele ainda querendo comprovar que era real. Entretanto...

— Eu conheço você? — Ele a olha como se a mulher diante dele, fosse uma verdadeira estranha.

— Sou eu, Ada! — Em contrapartida, Ada sentiu uma dor em seu peito e um frio percorrer por sua espinha.

— Sinto muito, mas... eu não sei quem é você.

"Eu não sei quem é você!" Com aquelas palavras se repetindo em sua mente, Ada imediatamente se afasta dele. Os dois se olham num silêncio sombrio, pesado e angustiante.

— Me desculpa. Devo ter te confundido com outra pessoa. — Ela desvia o olhar e, simplesmente, resolve correr para longe dele. Corre sem olhar para trás e só para quando já está dentro de seu conversível. Ela tenta ligar o carro que não liga, nesse momento sente raiva e frustração que começa a bater no volante até as mãos doerem. Cansada e sentindo o seu coração despedaçado, se debruça ao volante e chora. Talvez, tudo era fruto de sua mente louca.

Enquanto isso, Leon ainda muito confuso, retorna para o sótão tentando ignorar o aperto no peito e o nó na garganta que se formou, após aquele encontro estranho com aquela mulher.

— Por que ela me olhou daquele jeito? — ele murmura para si enquanto guarda as ferramentas que usou para fazer alguns consertos na casa.

Leon havia liberado a sua equipe mais cedo, porque havia combinado de jantar com a irmã e o cunhado. Portanto, precisava dar uma passada rápida em seu apartamento, tomar um banho e se trocar. Na pressa de sair do sótão, sem querer bateu numa pasta que havia esquecido sobre sua mesa improvisada, consequentemente, derrubando alguns papéis que se espalharam pelo chão.

— Que merda! — exclama frustrado, até que ao se abaixar para recolher os tais papéis, se depara com um desenho em especial. Um desenho perfeito de uma mulher de cabelos curtos pretos, rosto delicado, lábios vermelhos e os olhos... Pequenos olhos castanhos... Olhos de traços orientais.

Leon se distraiu observando uma data marcada no canto inferior do papel: "Halloween de 2021." Imediatamente se lembrou, que havia feito aquele desenho após ter tido um sonho inusitado com uma mulher que usava uma fantasia de bruxa. Uma bruxa muita charmosa. Na época fez o desenho, porque não queria esquecer do rosto dela. Afinal, tinha sido um sonho tão bom.

"Ela tá tão linda!" Ela dizia enquanto olhava fascinada para a enorme lua cheia que enfeitava o céu.

"É. Tá linda mesmo." No sonho ele se virava e olhava nitidamente para o rosto dela.

"Então, quando eu viajar no tempo, eu vou voltar para te ver." No entanto, aquelas mesmas lembranças do sonho, subitamente, vão se transformando em outras lembranças:

"Leon, eu..." Ada sabia que aquela era sua última chance de poder se declarar de verdade e dizer o quanto o amava, mas ela já não tinha mais forças.

"Eu sei. Eu sei... Eu também te amo. E eu nunca vou esquecer você." Leon sabia que não importava em que mundo estivesse, ele nunca conseguiria esquecer daqueles olhos castanhos. "Nunca!"

Depois que aquelas lembranças surgiram em sua mente, Leon sente seu coração se agitar de volta. Aquele aperto no coração e o nó na garganta se intensifica quando se dá conta que aquela mulher misteriosa, não era uma miragem, ou um sonho distante. A mulher do desenho era real. Ela existia de verdade. E ela esteve ali na frente dele, há poucos minutos. Então, não podia deixá-la sair, assim, outra vez da sua vida.


***/ /***


Ada ainda está lá debruçada no volante de seu carro, suas lágrimas secaram e o coração, por fim, havia se acalmado. Mais calma, ela tenta mexer com a chave na ignição e, ainda assim, o seu conversível não liga.

— Posso ajudá-la, senhorita?

— Ah, meu Deus! — Ela quase pula do banco do motorista com o susto que ele lhe deu.

— Me desculpa, eu não queria te assustar. — O homem para ao lado do carro e a encara com um sorriso bonito.

— Não sei se acredito em você. — Ela está carrancuda, ao mesmo tempo em que se sente espantada por vê-lo ali. O homem sai de perto da porta do motorista e vai para a frente do carro mexer com o motor. — Qual é o seu diagnóstico? — Ada decide sair do carro e para a um metro dele, cruzando os braços na frente do peito.

— Bem, acho que seu conversível sofreu uma pane elétrica. Vai precisar de um mecânico. — Ele sai da frente do carro e vem parar na frente de Ada.

— Droga! — A mulher está genuinamente chateada com a sua situação azarada.

— A boa notícia, é que você ganhou uma carona ao meu lado. Mas, não se preocupe, prometo que serei uma boa companhia. — Caramba, o homem estava ainda mais bonito do que se lembrava, mesmo usando uma simples calça jeans e uma regata branca um pouco suada. Todavia, o que mais lhe chamou a atenção, era em como ele agora exibia um sorriso fácil nos lábios e tinha uma postura suave, como se não precisasse mais carregar o mundo nas costas.

— Eu nem te conheço direito? — ela retrucou dando um sorriso irônico. Era uma provocação divertida e sedutora.

— Então, devemos começar essa história do zero... — Primeiro ele estende a mão, antes de se apresentar oficialmente. — Sou Leon Scott Kennedy, Arquiteto e um pouco idiota.

— Ainda bem que você é sincero. — Ela o provoca outra vez, antes de tocar a sua mão na dele, num aperto de mão demorado. — Ada Park, Cientista e Professora de Física e um tanto complicada. — Há um pequeno silêncio enquanto trocam olhares penetrantes.

— Senhorita Complicada, me desculpe por tê-la feito esperar tanto. — Ele a puxa para os seus braços e esmaga seus lábios nos dela. Eles se beijam cheios de saudade, alívio e amor.

Daquele dia em diante, Leon prometeu a si mesmo que nunca mais deixaria Ada sair da sua vida. Afinal, não é qualquer homem que tem a sorte, ou a bênção de viajar pelos vários universos paralelos e reencontrar o grande amor de sua vida. Eles lutaram, sobreviveram e agora estavam prontos para superar o passado e seguir em frente juntos. Agora era hora deles serem felizes e, enfim, deixar o amor desabrochar.

{Fim}


Notas finais
E o resto da história, as brechas, o que não foi narrado no final, as mudanças que os personagens tiveram nesse novo universo paralelo, bem eu resolvi não ficar explicando muita coisa e sim deixar pra imaginação de vocês, ou pra interpretação de cada um. E se quiserem trocar uma ideia, estou aqui ansiosa pra ver seus comentários. E também estou curiosa para saber se por acaso alguém aí chegou a cogitar outros finais. Sintam-se a vontade pra comentar, criticar! Não sei vocês, mas me emocionei com esse final. Ah, e se vc gostou da minha história e quer ver mais tramas de Resident Evil com Leon e Ada, tenho outras histórias: uma se chama Segredos de Sangue e já tá concluida. A outra se chama Destino Inesperado que está participando do Evento a Mentira Perfeita aqui do Nyah. Seria muito bacana ter o apoio de vcs nessa nova trama. Vou até deixar o link dela: https://plusfiction.com/book/Destino-Inesperado-817779 Por enquanto eu deixo um ATÉ BREVE! Muito obrigada pelo apoio e pelo carinho e fiquem com Deus ❤️🙏🦋
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!