Efeito Borboleta

23 Busca Implacável



"Aquilo que não me mata só me fortalece."

(Friedrich Nietzsche)

***


Apartamento de Ada Wong


— Parado aí! — Ele grita fazendo o intruso paralisar, imediatamente. Nesse instante a luz volta, ao mesmo tempo em que Leon se vê apontando a arma na direção de Fong Ling que está com as mãos erguidas para cima e com os olhos arregalados de susto.

— Por favor, não... não atira! — Leon demora um instante, antes de abaixar a arma.

— Ai droga, Fong! — Resmunga Ada saindo detrás de Leon com uma expressão carrancuda. — Você nos assustou.

— Vocês também... — Fong murmura com a voz fraca.

— Silêncio! — Leon manda ambas se calarem, assumindo uma postura tensa. — Você estava sozinha aqui?

— Sim. Eu... cheguei agora e tentei acender a luz, mas... — Leon faz sinal para que ambas se silenciem de novo enquanto caminha com cautela ainda com a arma em punho, até chegar numa das janelas da sala que estava, completamente, aberta. Lá fora havia um vento que estava abanando as cortinas.

— Essa janela era para estar fechada como as outras. — Ada diz um pouco desconfiada da forma como o policial continuava agindo.

— Você tem certeza que fechou ela? — Leon questiona se aproximando da janela e olhando a movimentação lá de fora. Da janela se podia ver a parte lateral do Jack's Bar, do quintal e parte da rua da frente. Se alguém quisesse fugir pela janela, seria fácil e simples, pois havia pelo menos duas rotas de fuga por ali.

— Sim. Como tá frio não fazia sentido deixá-la aberta. Mas, qual é o problema?

— Vocês devem melhorar a sua segurança, trancando bem as portas e janelas. E... — Ele fecha a janela e a tranca, depois se vira para encarar Fong Ling. — E evitar de chegar tão tarde em casa. Há um assassino a solta na cidade, senhorita. — Seu tom não é nada gentil.

— Ce... certo... Eu vou me lembrar disso... na próxima vez.

— Ótimo. — Ele desvia o olhar para Ada que ainda estava confusa e apreensiva. — Eu acho que já tá na minha hora. Eu já vou indo. — Ele se despede, desajeitadamente, delas e segue para porta pronto para ir embora.

— Ei, espera! — Ada o segue até a porta se sentindo um pouco insegura. — Então, se cuida... e... bem... a gente continua... aquela nossa conversa outra hora. — Os dois trocam mais um olhar intenso que faz Fong Ling dar um sorrisinho malicioso, percebendo o clima entre o casal.

— Certo. E vocês duas se cuidem. Se caso precisarem de ajuda... Bem, vocês tem o meu número... Liga que eu veio até você.

— Tá. Pode deixar, capitão! — Fong bate continência como se fosse um soldado. A brincadeira faz sua irmã revirar os olhos.

— Tenha um boa noite, detetive Kennedy! — Assim que o homem vai embora e a porta se fecha, Ada se vira para encontrar a sua irmã formando um coração com as duas mãos.

— LIGA QUE EU VEIO ATÉ VOCÊ. — Fong força uma voz grossa imitando Leon, só para provocar a sua irmã.




Corporação Umbrella

"Em Memória de Albert Wesker (1990-2021)"


Como o corpo de Albert Wesker já estava sendo transferido para a Alemanha onde ele seria enterrado em sua cidade natal, a equipe da Umbrella decidiu prestar-lhe outra homenagem construindo um memorial nos jardins do prédio da Umbrella. Todo mundo que passava por ali podia deixar flores, ou acender velas e vir de alguma forma se despedir dele.

Spencer aproveitou que sua equipe estava ali para dizer algumas coisas e até se emocionou. Ele dizia que o tempo foi cruel e injusto, porque não os deixou nem superar direito a perda de Birkin e, precocemente, resolveu também lhes tirar Wesker que era um de seus cientistas mais brilhantes.

A morte de Birkin e agora de Wesker acabou impactando não somente na vida deles, mas de todo um Projeto que mais uma vez teria que ser interrompido. Era quase como se houvesse algo tentando impedi-los de concluir aquele projeto científico.

O clima por ali estava frio, nublado e parecia contrastar bem com aquele ambiente fúnebre e triste. Alguns rostos familiares estavam abatidos como o de Rebecca que decidiu esconder seus olhos tristes usando óculos escuro e o silêncio. No momento tudo parecia muito indefinido e seus planos estavam estagnados.

— Eu sinto muito, Becca! Vocês eram muito amigos, né? — Ada que estava ao seu lado percebeu como a perda de Wesker abalou a sua amiga.

— Eu só não entendo... Por que isso aconteceu? — Chambers soltou um soluço melancólico. — E eu também não entendo como a polícia deixou isso acontecer?

— Por que eles são incompetentes. — Se intrometeu Annette que também resolveu aparecer para prestar suas últimas condolências. — Tão incompetentes que o assassino parece estar até zombando deles. — Ela deu um olhar ríspido na direção de Ada. — O assassino ainda está vagando por aí livremente. E, talvez, esteja... até entre nós. — Suas palavras ácidas, deixaram Wong atônita.

— O que você está insinuando Annette? — Rebecca questionou sentindo um calafrio.

— Eu só sei que o assassino não está matando pessoas aleatórias. Ele tem um objetivo bem definido. E nós sabemos que ele não vai parar por aqui. — Ao contrário de Chambers, Annette estava lidando com aquilo de um modo mais agressivo e paranoico. — A questão que mais importa é... Quem será a próxima vítima? — Era como se a viúva do Birkin estivesse prevendo o que aconteceria mais tarde.




Jack's Bar


Naquela mesma noite, Ada e Rebecca decidiram se reunir no Jack's Bar. Ambas só queriam esquecer um pouco dos problemas e, ao mesmo tempo, desabafar sobre suas próprias aflições. Elas falaram sobre tantas coisas. Falaram muito sobre as perdas de Wesker e Birkin e também sobre Annie Kennedy.

— Dessa vez nem tivemos tempo pra superar a morte do Will direito. E se... se Annette tiver razão e esse... assassino vier atrás de nós também?

— Para de pensar nisso, ou vai enlouquecer! Você só está assustada e isso é natural. Eu também tô com medo, mas...

— Eles não morreram de forma natural, ou acidental, Ada! Eles foram assassinados!

— Eu sei disso! Mas, vamos confiar que os STARS vão dar um jeito nisso e pegar esse cara... Seja lá quem ele for.

— Sua confiança está nos STARS, ou num certo detetive gato de sobrenome Kennedy? — Ada quase cuspiu seu Soju ao ouvir a insinuação vinda da boca de sua amiga. — Sabe, sou a sua melhor amiga. Tô decepcionada que você não me falou nada sobre isso antes.

— Falar sobre o quê?

— Um passarinho me contou que parece que tá rolando alguma coisa entre você e o detetive Kennedy.

— O nome desse passarinho se chama Fong Ling? — Ada esbraveja indignada enquanto Chambers não conseguia parar de rir. — Não tá acontecendo nada! Aquele cara é... complicado demais e, irritantemente, persistente.

— E sexy. — Chambers resolveu concluir dando uma piscadela provocativa para a amiga, antes de virar mais um copo. — Será que a professora Kennedy apoiaria essa relação?

— Ah, vá se ferrar, Becca! — Isso só fez Chambers rir ainda mais, Ada também estava lutando para não rir. — Mas, confesso que... Ele beija bem. — Ela acabou soltando a língua.

— Ahhh... Então, vocês já se beijaram? — Chambers começou a bater as mãos sobre a mesa muito animada e chamando atenção do resto da clientela.

— Você é tão idiota!

— Vamos brindar!

— Ao quê?

— A vida, ao amor e aos homens que beijam bem! — As duas riram erguendo seus copos e brindando. Elas também se divertiram cantarolando algumas músicas que tocavam no bar.

Uma hora depois, uma Ada um pouco bêbada segue para o seu apartamento, subindo as escadas meio cambaleando. Assim que entra pela porta, já vai tirando os sapatos e tenta ligar o interruptor de luz que não acende.

— Droga, odeio o escuro! — Ela balbucia andando meio cambaleando e tendo que se apoiar nas paredes até chegar na sala. De repente uma sensação de pavor se apossou dela quando sente que seus pés descalços tocaram em alguma coisa estranha.

Nesse instante, as luzes se acendem de forma abrupta, fazendo seu coração ameaçar sair pela boca quando seus olhos se deparam com uma parede cheia de números e letras aleatórias, escritas com tinta vermelha que vai escorrendo pelo chão, deixando rastros que a levam até o cadáver do que parecia ser um gato branco.

Consequentemente, ela grita e tenta recuar dando dois passos para trás, até sentir suas costas baterem em alguém e fazendo-lhe soltar outro grito horripilante que, logo, é interrompido pelas mãos ásperas do seu Algoz que decide silencia-la. Em seguida, Ada cai inconsciente no chão.


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Depois de conseguir até que, enfim, pegar o seu carro do conserto, Leon decidiu que ao invés de ir direto embora, daria uma passada rápida para checar uma certa Professora de Física. Isso já estava começando a virar rotina, Ele só queria vê-la antes de ir para casa descansar. Seu Toyota agora impecável é estacionado próximo ao Jack's Bar que hoje estava bastante movimentado.

Leon desce do carro, ignorando as primeira gotas de chuva que insistem em cair e para na frente do bar olhando para a janela do segunda andar, constatando que no apartamento dela está tudo escuro. Então, deduziu que pela hora era possível que já estivesse dormindo. Entretanto, quando estava se virando para ir embora, um grito apavorante ecoa pela noite e lhe chama a sua atenção.

Agora ao se virar e encarar o segundo andar, ele se depara com as luzes piscando como se tivessem com mal contato. Cautelosamente, ele sobe as escadas com sua arma em punho e, num estalar de dedos, invade o apartamento já se deparando com aquele cenário assustador, encontrando o Assassino parado próximo ao corpo desmaiado de Ada.

— Se afasta dela agora, ou eu atiro! — Mesmo com a má iluminação da sala, Leon consegue manter firme a sua mira na direção do bandido que é forçado a recuar para longe do corpo inconsciente de Ada. — Quem é você e o que você quer com ela?

Por um instante, o detetive achou que tinha conseguido encurralar o Assassino misterioso e que, enfim, ia conseguir descobrir quem era Ele. Ledo engano, pois Fong que havia acabado de acordar, resolveu aparecer bem naquela hora gritando assustada e distraindo Leon.

Mais uma vez, ao se ver prestes a ser desmascarado, o Stalker não vê outra saída, senão fugir. Ele aproveita a distração causada pela chegada repentina da irmã mais jovem e consegue dar uma rasteira no detetive o derrubando no chão.

— TIC-TÁC, TIC-TÁC... Ela precisa morrer pelo futuro. — Ele ainda houve o Algoz responder, antes de desaparecer saltando pela janela.

Sem pestanejar, Leon decide persegui-lo também saindo pela janela. Ali se inicia uma perseguição alucinante, onde é forçado a saltar de um prédio para o outro usando alguns movimentos de parkour e sem dificuldade cair sobre um capô de carro, a fim de chegar até o Assassino que continua correndo a poucos metros dele.

A perseguição desenfreada os leva a um cruzamento ferroviário onde já se pode ouvir a barulheira de motores e da buzina de trem avisando que está se aproximando.

— Parado aí! — Leon grita empunhando a sua pistola e dando o primeiro tiro como um aviso, conseguindo por um minuto fazer o Sujeito parar. — Você... Eu quero ver o seu rosto! — Suas mãos estão um pouco trêmulas segurando a arma enquanto sua respiração continua ofegante.

— TIC-TÁC, TIC-TÁC... Há um gatinho dentro da caixa... E seu tempo está se esgotando. — O Assassino decide finalizar aquela conversa absurda, da forma mais chocante e medonha se jogando na frente do trem.

— Nãooooo! — A voz de Leon ecoa pela noite, se misturando com a barulheira dos motores do trem. Para piorar a sua cabeça, imediatamente, é invadida por um zunido horrível, seguido por várias vozes chamando o seu nome. — Para! — Ele grita desesperado caindo ajoelhado no chão, enquanto tapa seus ouvidos com as mãos na tentativa que aquilo pare.

Ele está sozinho no meio da chuva, com a mente confusa, cheia de incógnitas que parecem longe de serem resolvidas e com uma baita dor de cabeça.

Será que a sua busca implacável pelo Assassino, finalmente, chegou ao fim?