Efeito Borboleta

1 Prólogo - Noite Fatídica


Notas iniciais
e aí, queridos? tudo bem?
pretendo que a história seja de cair o cu da bunda, espero que gostem hahahahah tenho boas ideias
e não vai ser longa!

Você conhece o chamado efeito borboleta? Segundo a cultura popular, o simples bater de asas de uma borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas e, assim, talvez provocar um tufão do outro lado do mundo.

Vivenciamos isso todos os dias das nossas vidas, desde a hora que escolhemos abrir os olhos até o momento que eles se fecham para descansar.

Talvez você tenha ciência disso, talvez não. Liz nunca havia pensado nisso até o ocorrido naquela noite fatídica em sua casa, bem embaixo de seu nariz.

As coisas poderiam ter sido diferentes e lhe poupado necessárias noites de sono e terapia. Mas um simples deslize fez com que sua vida mergulhasse em um abismo sangrento que não chega ao fim. A sua, e a de seus amigos.

x

A noite mais quente do ano caía como prometido naquele sábado à noite.

Liz Dias estava completando dezoito anos naquele final de semana, e os pais finalmente haviam concordado em deixá-la se reunir com os amigos em casa, mas com uma pequena condição que não lhe parecera um empecilho — ficar com o irmão mais novo, Henrique.

Assumiu a responsabilidade. A criança vai se deitar às vinte e uma como todas as noite, sob ordens da irmã.

21:30 a campainha da porta toca.

Acabando de secar os cabelos recém tingidos de um ruivo vivo para encobrir as raízes morenas, Liz voa escada abaixo para atender. Gabrieli é o rosto familiar que a espera com um sorriso amigável, a boca carnuda com um batom vinho escuro. A garota negra havia raspado o cabelo rente à cabeça, deixando-lhes com um tom loiro claro para destacar-lhe a pele. Brincos de argola maiores que seu punho pendiam sobre seus ombros. Em uma das mãos, segura uma garrafa de sua bebida preferida — uma cachaça com cheiro forte para fazer caipirinhas. Uma sacola de limões na outra mão.

Gabrieli e Liz são melhores amigas desde os onze anos, quando se sentaram coincidentemente lado a lado na primeira aula do sexto ano.

— O moleque foi dormir? — Ela pergunta, já entrando.

— Apagado. Coloquei um remedinho na sopa dele.

Gabrieli arregala os olhos.

— O que foi? É natural, um calmante lá que a minha mãe toma pra dormir. — Liz se defende, cruzando os braços em frente ao corpo.

Gabrieli troca a feição julgadora por um sorriso malicioso.

— Tá gostosa, hein? Isso tudo pra quem?

Liz passa as mãos pelo vestido vermelho colado que combina com seu cabelo e batom. Está mais curto do que convém-se adequado, mas ela não se importa. Os olhos com sombra preta destacam seu olho verde.

— Pra quem eu quiser, querida. — Ela tira a garrafa da mão da amiga e despeja uma boa golada em sua boca.

A noite mal havia começado.

x

Henrique acorda com uma pontada de dor no estômago.

Sente ânsia e corre em direção ao banheiro, mas não chega a tempo. Vomita toda a sopa de carne do jantar no chão de madeira de seu quarto.

Começa a chorar. Ninguém gosta de vomitar.

Um som alto treme o chão e as paredes ao seu redor. Ele percebe que vêm de sua casa.

Ainda descalço, desce as escadas esfregando os olhos, à procura da irmã.

Os adolescentes bêbados não parecem se importar com a criança de pijama em meio à uma festa.

Ele estranha cada uma daquelas pessoas, que superlotam sua casa.

A porta da frente está entreaberta.

Henrique costura por entre as pessoas até chegar ao lado de fora, à procura da irmã. Mas Liz não está lá.

x

Liz acorda afundada no sofá com uma garrafa de cerveja vazia ainda nas mãos, tombada no chão.

Não entende como aquilo pode ter sido uma noite bem sucedida, mas tem a sensação de que foi.

Olha no relógio da sala, em cima da lareira — 2:36 da manhã. A casa já havia esvaziado.

Tão cedo, ela pensa.

Olhando-a acordar no sofá, Erik dá mais um demorado gole em sua cerveja. A noite não acabou para o amigo.

Gabrieli beija o namorado Mateus no sofá ao lado.

— Arrumem um quarto. — Liz pensa em jogar a garrafa, mas sabe que terá que limpar a bagunça mais tarde.

— Bom dia, dorminhoca. — Erik puxa a cadeira para aproximar-se.

— Essa noite foi um fracasso. — Ela diz, arregalando os olhos pesados.

— Você pode achar isso, eu não acho. Acho que ela pode estar só começando.

Erik não é o padrão de homem bonito, mas é charmoso e elegante. Têm lábia. Há algum tempo ele e Liz se encontram casualmente, desfrutando da atração física. Aquele era o momento perfeito.

Liz olha em volta. Na sala, mais meia dúzia de pessoas restam. Na cozinha, algumas assaltam sua geladeira.

Seus pais a matariam se soubessem o rumo que aquela "reuniãozinha" havia tomado.

Quando volta à olhá-lo, Erik está muito próximo. Seus lábios poderiam tocar os dela em uma mísera investida.

Ela sorri, e ele não resiste a beijá-la.

Os amassos quentes rumam para algo a mais, e ela está em sua casa. É seu aniversário.

Ainda tonta e desnorteada pelo álcool que corre em suas veias, Liz puxa o garoto escada acima, em direção aos quartos.

Antes mesmo que os degraus acabem, Erik empurra a garota com desejo contra a parede, passando as mãos por seu corpo.

Liz retribui, mantendo-se em pé por causa dele.

Ela se desvencilha de seu beijo por um segundo para puxá-lo para seu quarto, mas assim que seus olhos se abrem, vê a porta do quarto do irmão aberta.

Ela se lembra de tê-la fechado.

Erik se afasta dela ao perceber o clima estranho, e olha na direção em que os olhos verdes da garota estão focando.

Liz perde o ar — a porta do quarto está aberta. No chão, ao lado da cama, uma poça de vômito mistura-se ao chão de madeira. A cama está desarrumada, e Henrique não está nela.

— Ai, meu Deus. — Liz leva as mãos ao peito.

Ainda cambaleando, corre para o quarto do irmão. Procura-o em todos os míseros cantos. Erik a olha da porta, preocupado.

— Está esperando o quê? — Ela praticamente grita ao vê-lo prostrado como um fantasma à porta. — Vá procurá-lo!

Erik não espera por mais ordens.

Vasculha por todo o segundo andar enquanto Liz desembesta a correr escada abaixo, arriscando-se com o estado de sua percepção.

Seus olhos saltam de órbita — a porta da sala está escancarada.

— O que foi? — Samantha é a primeira a chegar ao seu lado. Elas eram amigas, mas não das mais próximas. — Liz, o que está acontecendo? Tá me assustando.

Liz tira os saltos dos pés e os joga para qualquer canto, correndo para o lado de fora da casa. Samantha a segue com o copo de caipirinha em mãos.

— Liz, o que foi?

Liz descabela-se a chorar.

— O Henrique! — Ela grita. Olha para trás a tempo de ver Erik descendo, sozinho.

Ela corre de volta para a casa e vasculha por cada canto. A música já estava desligada. Os últimos convidados presentes percebem o clima.

— Liz? Liz! — Gabrieli segura em seu punho. — Vamos encontrá-lo, ok? Mateus está sóbrio, vamos pegar o carro e dar uma volta. Ele é uma criança, não têm para onde ir.

Liz envergonha-se de pensar antes na bronca que irá tomar, e depois na segurança do irmão.

Ela concorda com a cabeça.

Mateus ligou a ignição do carro, e Gabrieli sentou-se ao seu lado. Liz e Erik foram atrás, e Samantha fez questão de ocupar o último lugar vago.

A noite mal havia começado, era o que Liz se repetia até o momento. Só que agora, tudo o que queria era que acabasse.

x

Encontraram o corpo de Henrique na floresta, levado pelo riacho, na mesma noite.

Ninguém testemunhara, ninguém viu o que aconteceu, mas a quantidade de calmante no corpo da criança era alarmante, a autópsia revelou.

Henrique havia caído, e a correnteza o levou para longe naquela noite fatídica.

Liz nunca se perdoou. Pensa todos os dias o que teria acontecido se tivesse mudado o rumo dos eventos. A tortura é agonizante.

Notas finais
o que acharam? continuo?