O som do silêncio entre os sete é mortal. As chamas que crescem do lado de fora e engolem a casa deixa explícito para todos — não estão mais em segurança ali dentro.

— Temos que sair daqui! — Dani é a primeira a dizer, visivelmente em pânico. Erik sente-se imediatamente culpado por tê-la trazido.

— As chaves da lancha estão no meu quarto! — Alice diz. É o único jeito de saírem dali.

— Eu vou pegar. — Mateus a puxa para um beijo rápido e irrompe porta afora como um super herói. A casa afunda em chamas rápido demais, engolindo a madeira e o forro inflamáveis.

— Mateus, espera! — Alice corre atrás dele como uma flecha escada acima. Todos parecem estar com a cabeça fora do lugar.

Alguém precisa tomar as rédeas da situação. Sam respira fundo. Na parede, suspenso por dois ganchos, um taco de beisebol autografado por alguém que desconhecem está exposto na parede. Ela o arranca de lá. Pega no punho de Liz, ainda travada pelo pânico, e corre corredor afora, rumando em direção à porta da frente.

Pela janela, veem as chamas gradativamente engolirem a casa. Sam não desiste, por mais que sinta Liz travando o passo atrás dela. Puxa a porta e irrompe o lado de fora outra vez, atravessando as chamas com os outros no encalço, torcendo para Mateus e Alice saírem ilesos.

— Não acho as chaves! — Mateus aperta a cabeça, como se o ato o fizesse se lembrar onde as colocou.

— Mateus, precisamos sair daqui agora! — Alice parece manter a cabeça no lugar. Mais do que ele, pelo menos.

— Se não acharmos as chaves, estamos presos em uma ilha com um maníaco assassino, Alice!

— Vamos morrer antes disso se não sairmos daqui!

O som da madeira cedendo ao fogo é perturbador. Alice corre para o lado de fora e olha com pesar de cima do mezanino. A casa em que crescera morre de fora para dentro. As passagens do andar de baixo estão obstruídas por vigas caídas. Ela corre de volta para o quarto.

Mateus ainda procura incansavelmente as chaves da lancha em todos os cantos possíveis.

Alice abre a janela com certa dificuldade, as mãos geladas e trêmulas.

— Vamos sair daqui agora! — Não é um pedido.

— Você vai. — Mateus a alcança na janela. A garota já está com uma perna para fora, apoiando-se no telhado. Ele a beija, abrindo mão de um segundo precioso para apreciá-la.

— Nós vamos.

— Não vou desistir, Alice.

Ele a força a sair pela janela e a fecha em seguida. Alice protesta do lado de fora, batendo com as mãos em punho no vidro da mesma. Ela o vê desaparecer, adentrando mais uma vez a casa a procura de suas esperanças, até que a garota se vê obrigada a descer do telhado, pousando no chão com os joelhos e tornozelos gritando, e o coração despedaçado.

Alice não sabe como encontrou forças para correr para a frente da casa e encontrar os outros cinco. Eles a olham, e o peso do olhar faz com que Alice caia sobre os joelhos no chão, chorando ao ver a casa ser engolida por inteiro das chamas. Não há mais esperanças para Mateus.

Erik conhece a garota há poucas horas, mas é o primeiro a ampará-la. Levanta Alice do chão e a afasta da casa. A anfitriã chora em seu peito, e ele a abraça. Os seis, lado a lado, completamente expostos do lado de foram, observam as chamas da casa subindo até tocarem os céus, todos sentindo a perda de mais um querido amigo.

— Alice, precisa se recuperar. — As palavras de Gabrieli soam egoístas, mas ela diz a si mesma que é apenas devido aos seus instintos de sobrevivência. — Precisamos de você, anda...

Alice engole o choro e tapa a boca com as duas mãos. Olha para o céu, como se quisesse fazer com que as lágrimas voltassem.

— O que a foto significa? — Liz pergunta.

Alice pensa em diversas respostas grosseiras. Ela acabou de perder o namorado. Mas respira fundo, recompondo-se. Tira a foto do bolso da calça, agora com uma dobra bem ao meio. Ela olha para o rosto do irmão, agora irreconhecível, e engole em seco.

— Não vejo o Dante há um ano. — Ela diz, como se a lembrança a machucasse.

— O que aconteceu com ele? — Samantha se aproxima dela devagar, como se quisesse extrair a informação com cuidado, pisando em ovos.

Alice tenta encontrar as palavras.

— Foi internado ano passado em uma clínica psiquiátrica. — Os outros a observam, tentando entender o rumo da conversa. Mas Alice não continua, a lembrança dói em seu peito.

— Alice, precisamos saber se estamos correndo perigo. Por favor... — Sam passa a mão por seu ombro desajeitadamente. Não sabe como proceder.

— Ele sempre teve uns surtos de raiva. Desde pequeno. A gente não achou que ele pudesse... que ele pudesse... — Entre os soluços, ela solta a frase de uma vez. — Matá-la. Matar mamãe.

Os outros cinco escutam em silêncio.

Liz leva as mãos à cabeça. Estão lidando com um assassino, um psicopata.

— Ele ficou furioso quando o internamos. Só não foi preso porque comprovaram distúrbios mentais. Eu não sei sobre ele desde então. Ele disse que ia se vingar... — Alice leva as mãos à boca. Sente medo e culpa. — Eu sinto muito, vocês não têm nada a ver com isso. Eu sinto muito.

Sam abraça a garota que conhece há poucas horas. Não importa em que situação estão metidos, estão todos no mesmo barco.

— Alice, querida, precisa se recompor. Alguém vai ver esse fogo, e alguém vai vir atrás de nós.

— A guarda costeira só passa amanhã de manhã. — Alice balança a cabeça, pessimista.

— Então tem que nos ajudar a nos manter em segurança até amanhã de manhã.

— O hotel. — Liz diz, lembrando-se como se uma luz se acendesse em sua cabeça.

— O quê? — Dani pergunta, calada até então, olhando para a escuridão das árvores.

— Mateus disse que vocês alugam o hotel na temporada. Podemos ficar lá até amanhã de manhã, não podemos?

Alice fecha os olhos e respira fundo, engolindo as últimas lágrimas.

— Podemos. A chave fica embaixo do carpete.

— Ótimo. Onde fica esse hotel? — Erik pergunta.

Tanto Alice quanto Liz olham para a escuridão da mata, em direção à trilha.

Liz olha no relógio.

1:00 da manhã. Ainda terão tempo de sobra até o amanhecer. É a opção mais segura, e eles sabem.

— Ok. — Dani comenta, esfregando as mãos. Os postes de iluminação que davam luz à trilha estão todos apagados. — Vamos nessa.

Ela toma a dianteira, levando o taco de beisebol firmemente entre as mãos. Olha para trás ao não ser seguida.

— O que estão esperando?

— Certeza que é o mais seguro? — Dani pergunta, tremendo de frio. Ou medo. — Não devemos ligar pra alguém?

— Melhor do que ficarmos parados aqui com um alvo na cabeça. Não sei quem é esse cara, nem o que quer com a gente, mas eu não vou ficar parada esperando descobrir. Vamos ligar quando estivermos seguros.

Mais nenhuma palavra necessita ser dita. Um por um, seguem Sam trilha adentro.

Cada um se isola com seu pensamento. Sam segue na frente, perguntando-se se sua determinação é saudável e consequente.

Atrás, Erik empunha a tesoura com a mão direita, e abraça forte Dani contra o peito com o braço esquerdo.

Não sabem se correm ou se andam. Se seguem a trilha ou se perdem na floresta. Não sabem o que esperar.

Em uníssono, ouvem os celulares tocando nos bolsos. Não pode ser uma coincidência.

— Mas que merda. — Gabrieli desbloqueia o celular com as mãos trêmulas. Não controla mais os próprios dedos.

A mesma mensagem em SMS aparece para ela.

"abra", com um link embaixo.

Ela olha para Liz, também observando o celular por cima de seu ombro. Liz a encoraja, ansiosa.

Gabrieli aperta o link, e um vídeo esboça-se na tela. Primeiro, escuridão. Depois, figuras vão se formando. Eles veem as costas de Erik, abraçado à Dani. Os dois andando, mantendo a retaguarda do grupo. Estava muito próximo.

Instintivamente, olham ao redor. Menos Alice, que mantém o foco no vídeo do celular de Gabrieli.

Para o pavor de todos, a transmissão muda. A imagem transforma-se para todos olhando o celular nas mãos de Gabi e, embaixo, no canto inferior direito, as palavras "ao vivo" fazem Dani gritar, levando as mãos à boca.

Ela olha para a floresta a tempo de ver, desesperada, uma luz vermelha piscando entre a mata.

Dani é a primeira a correr, seguindo a trilha. Seguindo seus instintos, todos a seguem. A trilha de pedras é apavorante e escorregadia, transformando-se gradativamente em terra em certos trechos.

Preocupando-se em apenas fugir às cegas de um maníaco, não se preocupam com o que vem a seguir. Dani cai, o pé direito preso por uma armadilha de urso escondida e armada sob as folhas caídas das árvores. Os dentes perfuram sua carne até chegar ao osso, e ela vai ao chão com a mais lancinante dor que já sentira.

— Dani! — A voz de Erik quase não é ouvida, encoberta pelos gritos de dor da namorada. Ele abaixa-se ao lado dela, tentando desesperadamente abrir a armadilha que rasga-lhe a panturrilha. Alice e Sam tentam ajudá-lo, em vão.

Dani está desesperada. A dor e o pânico misturam-se em uma atmosfera caótica desesperadora.

Gabrieli ainda segura o celular em mãos. Ela e Liz ultrapassam Dani, e Gabrieli ousa olhar para o visor do celular. Não consegue decifrar mais nada na câmera, mas vê as palavras "ao vivo" ainda piscando.

Ela procura o olhar de Liz, mas a garota olha com o maior temor possível para dentro da mata. Deixa um grito alarmante escapar por sua boca, e aponta com o dedo indicador em direção à escuridão atrás dos amigos.

Mãos fortes puxam Alice para trás pelos cabelos. A garota debate-se, tentando ficar em pé e desvencilhar-se. Ela grita o nome do irmão, implorando para que pare. Mas os outros não enxergam o rosto do irmão. Não enxergam quem está por trás da máscara sombria de um crânio desfigurado.

Ninguém tem tempo de reagir. O homem puxa Alice até colocá-la de pé e finca a faca em sua garganta, rasgando-a ao som da melodia de gritos de pavor.

Notas finais
gente eu ja acabei de escrever e quero postar tudo HAHAHA hoje a noite posto mais um sao so 8 caps amanhã acabo aaaa