Efeito Borboleta
1 Prólogo
Notas iniciais
— Jayminhoo, olha hoje eu vou fazer um jantar super especial pra comemorar o seu primeiro dia aqui em casa. O primeiro dia da nossas vidas Jayminho. O menino sorriu para o pai com uma alegria sincera. _Vou também comprar um bolo muito gostoso pra gente comer de sobremesa, sabe que tem uma pessoa que eu queria que viesse...
Niko parou por um instante pensando no amigo com carinho. _ Félix. Niko deu um sorriso meigo ao pronunciar seu nome. _ Imagina não tenho nem o telefone dele. Niko, embora falasse na presença do filho, suas palavras eram mais pra si mesmo do que uma diálogo com o garoto. _ Se bem que... Uai, a Doutora Silvia deve ter, né eu já ia ligar pra Doutora Silvia pra ela vir na nossa comemoração.
***
Mais tarde...
— Alô, é da casa do Félix?
— Boa tarde, quem está falando?
— Boa tarde, aqui quem está falando é o Niko.
— Boa tarde Niko. Eu sou a Pillar, mas esta não é mais a casa do Félxix.
—Então, é que eu estou precisando falar com Félix sabe, mas eu não tenho o telefone dele e me deram este telefone...
— Acontece que o Félix se mudou daqui e eu não tenho a menor ideia de onde ele esteja morando. Alias pra ser franca eu prefiro nem saber onde ele está morando. Nós tivemos uma briga feia e depois disso eu encontrei com o Felix apenas uma ou duas vezes depois disso nunca mais nos encontramos.
— Ah mais você ainda deve gostar dele não é, mãe sempre gosta dos filhos. Você deve sentir muita falta dele não é.
— Eu sinto muita falta dele mas, francamente eu prefiro não saber onde ele está morando porque se a saudade apertar eu não sei pra onde eu vou. Eu nem sei porque estou te falando isso tudo, eu nem te conheço.
— Ai desculpa Dona Pillar, sou eu Niko, nos conhecemos no Gian, o restaurante japonês do shopping. A Senhora esteve lá com a Paloma e sua mãe.
— Ah claro, claro, é o dono do restaurante japonês amigo da Paloma ai desculpa eu não ter reconhecido sua voz, desculpa. Eu não sei por onde anda minha cabeça mas...
—Imagina, nós nos vimos só uma vez, e eu também nem me apresentei, mas é que eu estou precisando muito falar com o Felix, a senhora não sabe como faço para encontra-lo?
—Não, eu não sei mesmo. Você já tentou o telefone?
— Sim, está fora de área.
— Ah, está fora de área? Neste caso eu sinto muito não poder ajudar.
— Não se preocupe Dona Pillar, se a senhora não sabe, fazer o quê não é? Boa tarde, então. Tchau.
—Tchau.
Pillar colocou o telefone no gancho ainda pensativa... _O que será que esse rapaz quer com o Félix? Ela falou consigo mesmo, mas antes que pudesse pensar em mais alguma coisa a voz de seu neto que vinha entrando com sua mãe se apoiando em seus ombros, chamou sua atenção.
_ Mamãe? Jonathan? Mas o que aconteceu? Ela perguntou preocupada.
— Oi vó, eu estava vindo aqui pra dentro para pegar um livro, quando ouvi a Bisa Bernarda soltar um grito, e quando fui ver o que era ela estava caída no jardim.
— Mas o que é isso Jonathan, assim você assusta a sua avó. Dona Bernarda repreendeu o bisneto.
— Mas...
— Não foi nada minha filha, eu estava cuidando das minhas orquídeas quando de repente um bando de borboletas invadiram o jardim, eu me assustei e me desequilibrei, foi só isso. Ela continuou sem deixa o rapaz falar.
— Bisa, a senhora estava caída no chão quando eu cheguei e não conseguia nem apoiar o pé no chão...
— Foi só uma bobagem meu querido, um dorzinha de nada, já está passando.
— Não acho que é bobagem não vó, a Bisa não está conseguindo nem encostar o pé no chão, ela pode ter torcido o pé. Jonathan falou agora para a sua avó, já que a bisa não lhe dava ouvidos.
— Você tem razão meu filho, ajuda a mamãe a se sentar aqui no sofá que eu vou chamar o Maciel para leva-la ao hospital.
Jonathan obedeceu, mesmo sob protestos de D. Bernarda que insistia em dizer que estava tudo bem.
Pillar saiu a procura de seu motorista e de sua bolsa pois não deixaria a mãe ir ao hospital sozinha naquele estado, esquendo-se completamente do telefone que recebeu a pouco.
****
Em outra parte de São Paulo...
Niko apoiou o aparelho de telefone no queixo pensativo. A última vez que ele tinha visto o Félix foi quando ele veio ao restaurante dizendo que estava com saudades do sushi e mesmo assim isso foi há meses atrás e agora parecia que ele havia sumido da face da terra.
— E então pai, achou o seu amigo? A gente vai mesmo comemorar?
— Claro que vamos comemorar meu filho? Hoje é o primeiro dia do resto de nossas vidas, parece nome de filme não é? Niko riu e abraçou o filho com carinho. _Mas é verdade, hoje começa a nossa vida, como pai e filho e agora e ninguém mais vai tirar você de mim. Mas a comemoração será somente com nós dois mesmo. Niko falou com ar triste _ Porque meu amigo escafedeu-se. Ele deu uma gargalhada para tentar disfarçar a decepção de não encontrar Félix.
— Tudo bem pai, vai ser legal assim mesmo. O menino sorriu sinceramente.
—Vai, claro que vai ser legal. Niko puxou o garoto dando um grande abraço nele, embora o seu semblante ainda conservava uma expressão confusa, pois por um lado ele estava transbordando alegria por ter seu filho ali e por saber que desta vez não haveria risco de ninguém tomar dele o menino e seu sonho de ter uma família, ou parte dele, estava realizado. Mas por outro lado, havia uma tristeza e uma decepção por não ter encontrado com Félix que Niko não sabia explicar. É como se a ausência dele fosse impactar sua vida de uma maneira que Niko não conseguia entender.
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