Efeito Borboleta
3 Capítulo 2
Notas iniciais
Félix estacionou a van uns dois quarteirões antes do fórum, mas antes de desligar a chave ouviu um barulho estranho vindo do motor. _Ah, mais eu devo ter atropelado os três reis magos para merecer isso. Aquele mecânico de meia tigela fez novamente um serviço de quinta nesta van. Mas deixa ele, quando eu voltar ele vai ver que não se passa Félix Khoury para trás.
Ele então tirou a chave da ignição, se olhou no espelho retrovisor pra ver se pelo menos seu cabelo estava apresentável já que suas roupas há muitos anos eram uma lástima, mas antes de sair do carro o seu celular tocou. Félix viu o número na tela do aparelho, abriu um sorriso e pegou o telefone para atender ao mesmo tempo que abria a porta para sair do carro. _ HotDog queen! Ele falou em um tom de voz um oitavo mais alto do que o habitual.
— Oi meu menininho. Estou ligando pra saber se você vem mesmo almoçar aqui com a gente domingo.
— Mas é claro criatura! Você acha que eu iria ser louco de dispensar uma boquinha destas. Pelas contas do Rosário, você já se esqueceu como é comer HotDog dia sim e outro também? Felix soltou uma gargalhada.
— Se quer saber a verdade. Eu me esqueci sim. Eu me esqueci. Fiz questão de esquecer. Agora que eu estou casada com meu Gentil e minha adorada filha esta casada com um ícone do funk brasileiro, não preciso mais me lembrar daqueles tempos né menininho.
—Ahh não precisa humilhar né criatura. Tudo bem que você saiu da sarjeta mas precisa jogar na cara de quem você deixou lá?
— Oh Félix, do jeito que você fala até parece que eu te deixei jogado às traças.
—Às traças não né porque o seu cafofo pode ser breguérrimo, pequeno e sem classe, mas pelo menos é limpinho.
— Isso é mesmo, pelo menos era quando eu morava lá. Oh... félix, você tá mantendo a casa limpa né. Não porque não é porque é simples que tem que ser sujo né.
— Ah mais eu devo ter dado água suja para Jesus lavar os pés dos apóstolos, pra você me chamar de porco, Márcia. É claro que eu deixo aquele lugar um brinco, tenho horror só de pensar em algum inseto de qualquer espécie subindo na minha cama durante à noite.
Félix falava ao telefone enquanto andava pela calçada pelos três quarteirões que precisavam para chegar no fórum.
— Que bom meu filho. Pelo menos pra isso serviu às vezes que eu te pus pra dar faxina não é não?
— Ahh Tetê paralama quebrado e parachoque amassado, se você acha que eu vou te agradecer por me ensinar a fazer faxina, você está muito enganada viu? Se tivesse me ensinado pelo menos a, não sei, a dançar o Cisne Negro, eu poderia até pensar no seu caso. Félix riu novamente com bom humor.
— Oh Félix, você deixa de ser mal agradecido viu? Porque se não fosse você aprender fazer faxina, você estava sim dormindo com barata, rato, morcego...
— Ai, chega Márcia. Já estou arrepiado.
— Você também poderia ter aceitado a minha proposta de vir morar com a gente aqui neste casão que o despacho que encruzilhad... quer dizer que o Palhaço comprou pra gente né?
— Morar com você ainda vai Márcia, mas com a trupe toda, seria o apocalipse.
— Ohh menininho, você deixa de ser metido, e pára de falar mal da minha família, porque a gente pode ser brega, pode ser essa trupe aí que você está falando. Mas aqui é todo mundo muito gente boa e muito honesto viu?
— Eu sei Márcia. Félix, parou nas escadarias do Fórum e baixou o tom de voz para falar, pois as palavras de sua segunda mãe lhe atingiram em cheio. _Eu sei... seus olhos baixaram e seu rosto se transformou devido a vergonha que lhe assolava, como acontecia todas as vezes que o tema fazia parte da conversa. _ Mais um motivo pra eu não ir morar com vocês né Márcia. Com o seu marido sendo funcionário do San Magno e o marido da sua filha sendo irmão do Bofe de Ouro, nossa convivência seria impossível. Melhor não. Né? Eu me contento com ir aí na sua casa nos fins de semana me abarrotar com sua mesa farta para compensar todo o HotDog da semana.
— E levar uma matula pra casa, não se esqueça disso né Menininho. Márcia brincou deixando de lado as angustias de Félix, pois sabia que aquele era um tema delicado e ela não queria ver seu menininho triste.
— Não precisava lembrar né criatura. Porque eu estou pobre mas fazer a matula pra levar pra casa é o apocalipse. Félix riu mais descontraído. _ Então está combinado. Domingo, eu vou almoçar aí na sua casa. Eu estou mesmo morrendo de saudade da Maryjane. Vou aproveitar pra dar umas dicas pra ela de etiqueta, quem sabe eu consiga salvá-la do mundo da breguice.
— Olha Félix. Eu vou fazer de conta que não ouvi o que você falou, porque eu não quero brigar com você e porque eu também estou com saudades viu. Um beijo e até domingo.
— Um beijo Mami Queen.
Félix desligou o telefone com um sorriso nos lábios. Sua vida tinha dado uma virada de 360 graus e graças a sua antiga babá, que ele já considerava uma segunda mãe, ele aprendeu a aceitar esta vida, aprendeu a se orgulhar do seu trabalho e principalmente a orgulhar de si mesmo. Nem ele acreditou que tinha recusado o convite de Márcia de ir morar com ela e a família na nova casa. Félix balançou a cabeça ainda sorrindo se lembrando de como ele ficou apavorado quando ficou sozinho naquela casa da Márcia, pensando em como ele iria fazer pra manter-se. Assumir o ‘negócio’ do HotDog foi um passo natural já que o HOOT DOG do Félix já era um sucesso na 25 de março. Mas agora não era só ir lá e gritar e fazer palhaçadas com um shortinho vermelho e uma flor no cabelo. Félix teria que fazer tudo, ele seria o presidente, vice presidente, comprador, cozinheiro, auxiliar de cozinha... Tudo numa só pessoa e , se desse errado, ele não teria pra onde correr... Então era melhor ele fazer dar certo.
Uma pessoa que descia as escadaria e esbarrou nele, trazendo o homem moreno de volta aos dias atuais. Aquela parte da vida dele estava mais que resolvida, mas ele ainda tinha uma luta que estava sendo mais difícil a cada ano. Então, ele respirou fundo, ergueu a cabeça e terminou de subir as escadas, pronto para mais uma tentativa.
O fórum era grande, tinha diversas portas e pessoas andando pra lá e pra cá, mas Félix já estava acostumado a andar por aqueles corredores e não demorou para que ele chegasse a sala onde ficavam os defensores públicos. A sala era ampla com várias mesas de madeira antiga, como tudo naquele prédio. Cada mesa estava ocupada por um advogado ou advogada e Félix andou até a mesa no final do corredor onde ficava o Doutor Renato Azevedo mas em sua mesa havia outra pessoa, alguém que ele não conhecia.
— Por favor. Félix se dirigiu a pessoa que sentava na mesa onde deveria estar quem ele procurava, um jovem que não devia ter mais do que 23 anos. _ Onde está o Doutor Renato Azevedo?
— Pois não. O rapaz respondeu educadamente. _ O doutor Renato foi pra outra comarca.
— Ahh mas isso só pode ser brincadeira!!! Félix levantou a voz irritado. _De novo? O rapaz que não sabia o que foi os últimos quatro anos de Félix naquele local, olhou-o incomodado. _ Como é? Ele simplesmente falou.
— Você vai me dizer que você foi nomeado para o cargo e agora cuida dos casos do Doutor Renato. Félix não perguntou, pois já conhecia aquela missa de traz pra frente. _ Isso mesmo. O homem riu satisfeito consigo mesmo pelo feito. Félix soltou um longo suspiro e deixou-se cair na cadeira a frente do rapaz. _ Vai começar tudo de novo. Mais é o apocalipse! Ele falou calmamente.
O advogado com cara de garoto propaganda de refrigerante tentou disfarçar o sorriso com o comentário do Félix e finalmente perguntou. _ Eu devo concluir que você tem algum caso que o Doutor Renato estava cuidando.
— Tenho. Tenho um caso que era do Doutor Roberto e passou para o Doutor Matheus, depois para a Doutora Gabriela e estava com o doutor Renato e pelo visto agora será seu. Felix falou novamente em tom irritado, apesar de já saber que se exaltar ali não faria a menor diferença. _ Eu imagino que deve ser muito complicado mesmo para... O advogado tentou falar mas foi interrompido por Félix.
— Complicado... a mais eu devo ter burocratizado o processo de criação dos dez mandamentos para ouvir uma coisa destas. Complicado? Olha aqui doutor... Félix passou o dedo mindinho pela sobrancelha e olhou para a plaquinha em cima da mesa para ver o nome do novo advogado. _ Lucas Montenegro, É impossível. É simplesmente impossível que se consiga que a lei seja justa quando o processo é moroso e ainda os advogados de defesa são trocados a cada seis meses. Ele concluiu.
— Eu sinto muito.
— Ahh eu imagino o quanto você sente. Félix falou sarcástico, mas se ajeitou na cadeira tentando ignorar aquela adversidade que já tornara-se recorrente na sua vida. _ Vamos ao que interessa. Preciso saber a quantas anda a apelação do caso do meu pai. Félix falou e, antes que o advogado comercial de refrigerante falasse qualquer coisa ele abriu a carteira e recitou o nr do processo.
— Um momento que eu vou abrir o processo. O advogado digitou algumas coisas no computador a sua frente. E ficou em silencio por alguns minutos aos quais Félix concluiu que ele estava se inteirando do caso para conversar com ele em seguida.
— O doutor Renato entrou com a apelação em outra instância. O julgamento deste pedido ainda não foi marcado, mas...
— Criatura, me poupe dos tramites burocráticos. Félix fez um T com as mãos. _Eu quero saber o que você vai fazer para apressar a marcação deste julgamento e se você já tem uma estratégia ganhar esta causa.
— Senhor... me desculpe, eu acho que o senhor não falou o seu nome.
— Félix Khoury.
— Senhor Félix. Pelo que percebo o Senhor já conhece o trabalho da defensoria então não vou repassá-lo com o senhor. Sendo assim, o que posso te dizer é que não há como apressar um juiz para marcar um julgamento em nova instância a menos que haja uma razão plausível para tal...
— Doutor... Félix olhou novamente a plaquinha. _Lucas. Se você leu direitinho aí neste computador o histórico do meu pai, deve saber que ele já é um homem idoso e que está praticamente cego e foi condenado injustamente. Motivos mais do que suficiente para adiantar qualquer processo. Félix falou com altivez e conhecimento de causa.
— Sim, eu vi que seu pai não é mais jovem e que está com a visão prejudicada, mas aqui diz que ele goza de boa saúde e que por ser idoso e possuir curso superior ele se encontra em uma cela especial, cela individual inclusive.
— Graças mim, porque se dependesse de vocês. Félix girou o dedo se referindo a todas as pessoas naquela sala, numa referencia aos defensores públicos em geral. _ele estava numa cela com mais 20 presos dormindo no chão frio.
O garoto propaganda pareceu irritado agora, mas soltou um suspiro longo, cruzou os braços no peito encostando-se para trás na cadeira. _ Seu pai foi condenado por assassinato. Ele matou a esposa. Imagino que não foi sua mãe. Ele disse sem sarcasmo, mas se arrependeu ao ver Félix estreitar os olhos. Então ele levantou as duas mãos na defensiva. _ Olha, eu não estou julgando seu pai, mesmo porque ele já foi julgado e condenado.
— Em segunda instância. Félix interveio reforçando que havia ainda como recorrer.
O Advogado assentiu e continuou. _ Só estou te dizendo que será difícil convencer um juiz que exista uma razão para antecipar este julgamento.
— Doutor, eu sei que o crime do meu pai foi horrível. E não, aquela piranha não é minha mãe. Félix bateu na madeira. _ Mas se o senhor pesquisar irá ver que ele foi condenado injustamente por crime premeditado, quando ele devia ter ficado se muito enquadrado como um crime passional já que ele matou aquela piranha porque pegou ela na cama com o amante. O advogado mudou sua postura ao ver o quão inteirado do assunto o homem a sua frente estava.
— Aqui diz que ele confessou que tinha uma faca no bolso há semanas...
— Meu pai estava fragilizado, aquela mulher o cegou. Literalmente. Félix alterou novamente a voz. _ Pode olhar aí que o senhor irá ver que ela estava colocando substâncias em sua alimentação que o deixou cego. Se pensarmos bem, Seu crime deveria ter sido tratado como legitima defesa por causa disso, mas meu pai era o dono de um dos hospitais mais conceituados de São Paulo, tinha amigos em várias esferas inclusive política e, na ocasião um ministro corrupto estava internado no hospital em tratamento. Isso foi um prato cheio para os jornalecos brasileiros fazerem sensacionalismo. E esse juiz usou meu pai para dar um exemplo.
Aquilo deixou o advogado curioso. _ Eu estou vendo que o Senhor conhece bem o caso do seu pai. Ele falou sinceramente.
— Eu precisei né... Félix usou um tom sarcástico novamente mas desta vez somente suas sobrancelhas se mexeram, dando a entender novamente a incompetência dos advogados.
— Só por curiosidade. Sendo o seu pai dono de hospital e tão influente. Porque seu caso está com a defensoria pública? O Advogado tentou ao máximo evitar o sarcasmo em seu tom de voz, embora a pergunta em si era carregada de sentido.
Apesar de saber que o advogado fizera aquela pergunta claramente porque ele não acreditava no que Félix acabara de dizer, aquela não deixava de ser uma pergunta incômoda.
Félix desviou o olhar lembrando-se de quando soube pelos jornais que o pai estava preso por matar a Aline. Depois da confusão da delegacia, de tentar descobrir o que estava acontecendo e sem conseguir resultados concretos, Félix foi até o hospital e depois de ameaçar fazer mais um escândalo na frente dos paparazzis que se acumulavam em frente ao hospital. Sua irmãzinha o deixou entrar e lá ele soube que o seu pai estava falido, pois a Aline havia roubado todo o seu dinheiro, até o apartamento de São Paulo ela tinha vendido e todo o dinheiro tinha sido transferido para contas em paraísos fiscais nos quais seriam quase impossível rastrear. E, o único bem que o casal ainda possuía era a casa onde o crime ocorrera e que estava em poder da justiça para a apuração dos fatos e depois bloqueado em um processo de espólio que mais uma vez, precisava de dinheiro para seguir em frente.
Félix ainda tentou entender porque o Advogado escoteiro ou a Lacraia do olho azul não estavam lá na delegacia ou seja lá onde for tentando tirar o Papi soberano da cadeia.
“_ Félix, você faz ideia de como este escândalo atingiu o hospital?
— Paloma meu doce...
— Não me chama de meu doce. Paloma levantou a voz quase gritando._ Saiba que você só está aqui porque ameaçou fazer outro escândalo e o hospital não aguenta nem mais um pequeno boato.
— Tudo bem, tudo bem, mas é do nosso pai que estamos falando. Nós não podemos deixar ele na cadeia, daquele jeito.
— Félix, o hospital não pode se envolver neste caso. O Papai não tem dinheiro, eu não tenho dinheiro, muito menos o Bruno e até onde eu sei. Você também não tem dinheiro.
— Podemos pedir para Mami. Mami ficou com uma grande bolada no processo de divórcio.
— Félix, você lembra muito bem que a mamãe ficou com poucos imóveis, pois ela queria mesmo era os 40% do hospital. Que no momento não está valendo muita coisa porque perdemos mais de 50% do nosso faturamento. Nenhum sócio vai poder fazer retirada durante muito tempo. A renda da mamãe está nos arrendamentos e alugueis dos imóveis, que não são muitos e você sabe disso. Agora me diz, você de todas as pessoas, acha mesmo que a mamãe deve dispor de algum bem para pagar um advogado para o papai?
Félix comia as suas unhas enquanto a irmã falava. Ele tinha que admitir que ela tinha razão. Sua mãe não poderia ser prejudicada desta maneira. O seu pai havia sido enfeitiçado por aquela vadia da Aline. Seu pai lhe dera uma procuração com plenos poderes, e se ele estava nesta situação a culpa era exclusiva dele.
— E o que a gente faz, deixa ele apodrecer na cadeia?
— Existem advogados públicos.
—Paloma, você acha mesmo que um advogado público vai fazer alguma coisa para o Papi? Eles só vão lá pra preencher lugar, bater cartão e ganhar o seu salarinho no final do mês. Se eles conseguirem livrar da cadeia alguém é só ladrão de galinha e olhe lá. O Papi precisa de um tubarão um destes advogados que estão aí defendendo esses políticos...
— Félix você faz ideia de quanto custa um advogado destes? É capaz que mesmo se a mamãe vendesse tudo que tem, ela não conseguiria pagar um destes advogados durante todo o processo.”
Félix voltou a olhar para o advogado a sua frente, vendo que ele esperava uma resposta. Então com uma expressão mais humilde e um tom de voz mas comedido respondeu. _ É uma longa história.
— Bom, então espero que você esteja com tempo, pois se você quer que eu defenda seu pai, é melhor começar a me contar toda a história.
Félix se surpreendeu com o pedido do advogado. Pela primeira vez desde que o pai foi preso alguém se dispôs a perder tempo para escutá-lo para o bem do seu pai. Félix então se ajeitou na cadeira e ficou a próxima hora contando tudo o que aconteceu com seu pai desde que ele conheceu a Aline. O homem moreno não escondeu um só detalhe, contado inclusive sua própria estória sórdida, o que o fez derramar algumas lágrimas de vergonha e arrependimento, mas seguiu firme até o fim. O advogado ouviu tudo com atenção, interrompendo algumas vezes para esclarecer algum detalhe enquanto tomava nota de tudo aquilo.
— Então é isso doutor. Félix finalmente concluiu.
— Olha, eu confesso que foram poucos romances policiais que eu li, que tinha uma estória tão...
— Sórdida? Félix perguntou.
— Intensa. O advogado falou educadamente.
— O senhor não precisa ser educado. Eu sei que tudo o que contei é muito horrível, e sei que eu mesmo estaria na cadeia se não fosse o fato de meu crime estar prescrito. Mas isso não vem ao caso, eu só quero saber se o senhor vai tirar meu pai daquele lugar.
— Olha Félix, eu vou ser sincero com você. Você pode ter razão o seu pai foi enganado e, talvez, poderia até ser ele o morto se ele não tivesse agido antes. Mas o fato é que seu pai não sabia que estava sendo envenenado e, o crime que ele cometeu foi puramente por ciúme. Eu posso até concordar que a pena aplicada a ele foi muito dura, e, poderíamos até, talvez, reverter a condenação de crime premeditado para crime passional o que diminui a pena. Mas...
— Mas... não doutor, chega de mas... estou há quase quatro anos ouvindo diferentes advogados vir com um mas...
— Senhor Félix. Você quer ser objetivo, então sejamos objetivos. Eu sei como tirar seu pai da prisão.
— Sabe!?! Então o que está esperando?
— Mas... O advogado levantou o dedo indicador, num sinal universal de “não me interrompa”... teremos que cancelar a apelação.
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