Efêmero
15 Capítulo XIV: Esperança
Notas iniciais
Capítulo XIV: Esperança
Escrito por: Wenky (Andréia)
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Ao retornar para casa, Hermione percebeu que o relógio indicava um horário avançado. Era madrugada, de forma que todos já haviam se recolhido. Ela agradeceu mentalmente pelo silêncio que a possibilitou caminhar solitária até seus aposentos, sem que precisasse enfrentar olhares inquisidores ou até mesmo alguma forma de questionamento.
Todos ali eram seus amigos, e ela realmente reconhecia a preocupação deles. Porém, sentia-se incapaz de encara-los naquele momento. Sua cabeça latejava, havia acontecido tantas coisas num período de algumas horas que Hermione sentia que levaria algum tempo para assimilar e racionalizar tudo aquilo. Tempo esse que ela não tinha.
Ainda atordoada, retirou as roupas que vestia e se direcionou até o chuveiro, deixando a água quente cair sobre seu corpo, numa tentativa de relaxar seus músculos tensos. Abaixou os olhos e se demorou observando as próprias mãos, que tremiam, assim como todo o seu corpo.
A lembrança do que acontecera entre ela e Draco, minutos atrás, ainda estava vívida em sua memória. Bem como a sensação das mãos frias e ansiosas dele correndo pela sua pele nua, como se ele ainda estivesse ali com ela. Hermione se pegou assustada diante da perspectiva de que não apenas havia beijado Draco Malfoy, mas todo seu corpo havia reagido ao toque dele de uma forma absurdamente natural e instintiva. E ainda reagia, de tal maneira que parte dela desejou não ter interrompido o beijo, ou qualquer coisa que estava prestes a acontecer caso continuassem. E a ideia lhe pareceu errada demais, absurda demais.
Por outro lado, sentiu-se extremamente culpada por ter descontado nele toda sua raiva e frustração diante dos acontecimentos recentes sem ao menos ter lhe dado a chance de se explicar. Isso porque, ele sequer a devia uma explicação. Mesmo assim, havia sido ele quem lhe pedira desculpas no fim das contas, antes que ela, assustada demais para continuar em sua presença, fugisse e se escondesse mais uma vez em sua solidão.
Agora pensava que havia sido ela quem o chamara de covarde. Sentiu-se patética diante da constatação. Os anos em que esteve naquela guerra realmente haviam lhe provocado mudanças severas. Mas talvez ela não fosse a única a estar mudando ali, afinal, ele estava mudando também.
Em seu torpor, havia sido ela quem iniciara o beijo. Chocando seus lábios violentamente contra os de Draco. Mas ele não a repeliu. Não a recusou, como se, de repente, seu nascimento inferior ao dele não importasse mais. Ele ainda era uma sangue-ruim, e sua família era de trouxas, nada comparada aos Malfoy e sua linhagem pura, ainda assim, ele a beijou de volta.
Talvez fosse o momento que o pegou de surpresa e seus instintos o fizeram reagir. Hermione nunca saberia. Mas isso também não mudava o fato que ele pareceu ter engolido seu próprio orgulho ao se desculpar modestamente com ela por ter partido. E ele sequer lhe devia desculpas alguma.
Hermione passara a maior parte de seus anos em Hogwarts sendo chamada de sangue-ruim por Draco, de tal modo que o insulto já havia se tornado praticamente familiar e ela acabou demorando para notar uma mudança um tanto quanto estranha. Até então, quando tentou buscar na sua cabeça a última vez que ele havia usado o termo para se referir a ela e não conseguiu se lembrar de nenhum momento recente.
Pareceu-lhe patético, então, que se questionasse coisas do tipo. O Draco Malfoy que ela havia conhecido em Hogwarts nunca teria lhe salvado a vida. Ele estava mudado, e o relacionamento entre os dois também havia mudado. Hermione sabia que depois do que acontecera entre Rony e ela, dificilmente se envolveria com outro homem romanticamente. E em um momento de guerra como aquele, muito menos.
De todo modo, beija-lo havia sido um erro que não deveria se repetir. Porém, um erro como aquele não deveria modificar o fato que Draco se tornara um aliado essencial para ela naquele momento. E poderia até mesmo se tornar um amigo eventualmente, assim como Harry. Muito embora Hermione acreditasse que caso conseguissem vencer a guerra, Draco provavelmente desejaria recuperar seu prestígio no mundo mágico e manter uma relação de amizade com pessoas como ela dificilmente o ajudaria nesse aspecto.
Por fim, decidiu que precisava se recompor o mais rápido possível e que ela e Draco precisavam conversar. Dessa vez, racionalmente. E que devia a ele um pedido de desculpas.
*****
Draco mal teve tempo de pensar nos acontecimentos da noite anterior quando, pela manhã, logo após sair do banho, com os cabelos ainda molhados e bagunçados, ele encontrou Hermione sentada na pequena poltrona na sala de seu apartamento, o esperando.
Tomado pela surpresa, sentiu como se uma corrente elétrica percorresse todo o seu corpo. Não poderia dizer que estava pronto para revê-la depois do ocorrido. Uma parte de si até mesmo duvidava que ela quisesse encontra-lo novamente. Contudo, ali estava ela, lhe pegando de surpresa o olhando apreensiva e prestes falar alguma coisa.
Hermione apresentava um temperamento contido, gerando um verdadeiro contraste com seu comportamento da noite anterior, e então foi como se o que acontecera entre eles tivesse sido simplesmente apagado, desfeito, virado pó após a combustão. Draco, mais uma vez, escolheu se manter em silêncio, e deixou que ela iniciasse a conversa. Apesar do efeito que revê-la lhe causava, ele se esforçou para parecer o mais normal possível quando se aproximou dela e se sentou no sofá, disposto a escuta-la.
— Precisamos conversar — Hermione anunciou. Ao escuta-la falando em seu modo habitual, Draco teve a impressão que ela usava uma máscara. E então pareceu difícil aceitar aquela faceta que ela lhe apresentava enquanto sabia que haviam tantas coisas que ela preferia esconder e que, no entanto, ele fora capaz de espiar rapidamente na noite anterior.
— Parece que você já está familiarizada com o lugar — Draco comentou desviando do assunto, numa tentativa de aliviar a tensão que o acometia. Hermione o respondeu com um olhar de confusão, ao que ele acrescentou: — Meu apartamento – explicou – Será que devo perguntar se você veio aqui outras vezes? Eu poderia jurar que ele sim – acrescentou assim que a presença de um gato de pelagem ruiva se tornou evidente no campo de visão dos dois.
Diante do questionamento, Hermione sentiu o rosto se ruborizar. Mas antes que pudesse encontrar as palavras para responde-lo, Bichento se moveu para se sentar em seu colo e ela dedicou alguns segundos para passar a mão na pelagem do amigo. Ela havia deixado o apartamento de Draco tão atordoada do local na noite anterior que se esquecera completamente de que seu gato ficara para trás.
— Hoje quando acordei ele pareceu estar com fome, o escutei miando no corredor e lhe dei um pouco de leite. Espero que não se importe. — Hermione fez que não com a cabeça — Me pergunto se você voltou para busca-lo — disse, dando de ombros.
Após ter adormecido na noite anterior e ter sido presenteado com um sono tranquilo e sem sonhos, que nos últimos meses eram quase uma raridade para ele e o que Draco atribuiu ao cansaço em que se encontrava no momento, quando acordou, foi surpreendido pela presença de Bichento pela casa.
O animal, arisco, a princípio se limitou a observa-lo. Contudo, quando começou a miar, como se estivesse reclamando de algo, Draco decidiu que lhe servir uma tigela de leite poderia solucionar o problema. Em seguida, os dois começaram uma parceria silenciosa e, antes de tomar banho, Draco decidiu dedicar alguns minutos a acariciar o pelo do animal, que não demorou muito para fazer parte tanto de suas roupas quanto do estofado do local.
— Eu... meio que me esqueci que ele tinha ficado aqui — Hermione confessou envergonhada. Não muito depois, o gato se desvencilhou dela e se moveu na direção de Draco, ao que Hermione encarou com um ar de surpresa — Parece que ele gosta de você — comentou — Bichento demora a confiar nas pessoas, tem certeza que você só deu leite a ele? — Indagou. Alguns segundos depois, percebera que tinha feito uma piada para Draco Malfoy, e que havia sido totalmente espontâneo. Inacreditável, concluiu em seguida.
— Só leite — ele disse com um meio sorriso.
Mentalmente, Hermione agradeceu por eles terem conseguido um breve momento de descontração antes que ela iniciasse o assunto que a levou até ali. Se o que acontecera na noite anterior não pareceu alterar a forma como Draco escolhera trata-la, talvez ela devesse se sentir mais confiante em relação a forma como o relacionamento entre eles seria dali em diante. Talvez eles pudessem mesmo se tornar amigos. Esperava que sim. Desejava que sim.
Se as coisas não estivessem sendo tão turbulentas ultimamente, ela quase poderia dizer que apreciava a presença e a companhia dele. Mas ainda havia ressalvas. Com um suspiro pesaroso, decidiu começar a falar sobre o real motivo pelo qual estava ali.
— Draco eu vim aqui para falar sobre o que aconteceu na noite passada. Sobre o que eu fiz... acho que te devo desculpas — disse, evitando olha-lo por alguns instantes. Por mais que tivesse ensaiado aquele diálogo mentalmente diversas vezes, tendo o olhar dele sobre ela, tornava tudo mais difícil.
— Pare de se desculpar, Granger — ele retorquiu, numa represália — Temos coisas mais importantes para discutir — continuou, agora se levantando e caminhando até onde havia deixado a espada de Griffyndor.
Durante a breve conversa que estavam tendo, olhando para Hermione diante dele, Draco teve uma resolução mais rápido do que gostaria. Ele tinha plena consciência de que estava em débito com ela e, apesar de tudo que Snape havia lhe contado, ele bem sabia que ela era o principal motivo de seu retorno.
O modo como se sentia em relação a Hermione havia se modificado, e ele já não era mais capaz de negar essa mudança. Não depois de tê-la beijado e a desejado como mulher, a despeito de seu nascimento e a despeito de ela ser quem era. Além disso, existia um sentimento de curiosidade em relação a tal mudança. Mas Draco havia decidido ignorar todas essas coisas a partir de então.
Hermione havia sido bastante clara em relação à forma como se sentia no que dizia respeito ao Weasley. E, pensando racionalmente, ele não tinha qualquer intenção de se envolver em dramas como aquele. Não era da sua conta, afinal. E se o que sentia por ela fosse apenas desejo, ele estava certo de que, logo que as coisas voltassem ao normal, tudo isso ficaria no passado. Não valia a pena.
— Você não precisa se preocupar sobre o que aconteceu ontem à noite — ele a assegurou. Hermione o respondeu com uma expressão de alívio, antes que Draco completasse: — Eu não vou contar a Potter, ou ao Weasley, que você me beijou — acrescentou com um ar de provocação, e então, ela sentiu as bochechas esquentarem e um impulso para atirar nele o primeiro objeto que encontrasse na sua frente.
Pensou em milhares de coisas que gostaria de chama-lo por fazer um comentário como aquele. Porém, antes que cedesse a esses impulsos, refreou a si mesma e apenas o respondeu revirando os olhos, ao que ele soltou uma risada rouca. Talvez ela até merecesse, se considerasse que havia sido a responsável por iniciar tudo aquilo. Mesmo assim, escutar a menção a Rony fez seu coração se apertar, mas não poderia culpar Draco totalmente. Ele provavelmente sequer fazia ideia de que Rony estava morto há mais de dois anos. E, de todo modo, não desejava entrar naquele assunto com ele. Não agora.
— Foi só um beijo, Granger — Draco disse dando de ombros enquanto pegava a espada nas mãos — Não significou nada. Podemos voltar ao normal agora. E aproveitando que você decidiu vir até aqui, tem algumas coisas que você precisa saber — completou.
Ao falar sua resolução em voz alta, Draco se sentiu mais confiante. Por outro lado, pareceu um pouco mentiroso. Talvez porque ele estivesse encarando Hermione agora e usado uma casualidade quase absurda. Mas se continuasse assim, esperava que em breve lhe parecesse mais natural. E até mesmo ele fosse capaz de acreditar completamente que beija-la não teve significado algum.
Fazendo o possível para ignorar o sentimento de rejeição que o comentário de Draco lhe causou, voltando sua atenção para o objeto que ele segurava em mãos, Hermione se colocou em pé sobressaltada.
— A espada de Griffyndor! — Exclamou surpresa. — Onde você a conseguiu? — Perguntou.
— Snape — Draco disse simplesmente.
Ao escutar a menção ao nome do antigo professor Hermione se sentiu tonta. E, como se tivesse acabado de ver um fantasma, ela questionou incrédula:
— Ele não estava... morto?
— Parece que você e Potter não foram os únicos a fugir depois do que aconteceu em Hogwarts — disse.
— Ele queria que eu te entregasse isto — Draco explicou, enquanto colocava a espada nas mãos dela e Hermione segurava o objeto observando-o com curiosidade — Me disse que poderia ser útil para destruir a horcrux — um sentimento de alívio percorreu o corpo de Hermione ao escutar aquilo e ela imediatamente desviou o olhar da espada para Draco.
Sentiu como se finalmente tivesse encontrado a peça final de um quebra cabeça, depois de tantos anos que ela e Harry tentavam destruir aquele medalhão, agora parecia que finalmente estavam chegando mais perto de destruir Voldemort. Rapidamente, seu peito se encheu de esperança.
— Então é por isso que você voltou? — Questionou — Snape te deu uma missão — constatou ainda com um tom de surpresa em sua voz.
— Você não pensou que eu retornei por sua causa, ou pensou, Granger? — Disse com um ar de sarcasmo, antes mesmo que pudesse se refrear. Ainda que tivesse resolvido ignorar seus sentimentos em relação a Hermione, aquela ínfima parte dentro de si ainda parecia estar afetada. De forma que sua reação de negação foi quase involuntária e mais uma vez sentiu necessidade expressa-la em voz alta.
Hermione retirou sua atenção da espada e o encarou de volta, se esforçando para esconder um sentimento de mágoa que ameaçava se revelar em seus olhos, e disse:
— Justo — deu de ombros, fazendo uma constatação — E como você encontrou Snape?
— Eu não encontrei. Ele veio até a mim. Ele e a minha mãe... parecem estar trabalhando juntos — ponderou.
Hermione assentiu. Parecia uma boa explicação, ainda que a surpreendesse a ideia de que Draco não fosse o único da sua família a se rebelar contra Voldemort. Hermione então, durante breves segundos, se perguntou aonde estaria Lucius Malfoy, tendo em vista que Draco nunca mencionava o pai, coisa que ele costumava fazer frequentemente em Hogwarts. De todo modo, o fato de Draco ter lhe entregue uma arma poderosa como aquela, não pareceu deixar margens para desconfianças ou maiores questionamentos. Ele já estava fazendo mais do que ela jamais poderia ter imaginado quando o aceitou como aliado.
— Obrigada — respondeu sincera, ao que Draco assentiu. — Estou feliz que o Professor Snape esteja vivo. Nós estamos perdendo muitos aliados – disse num tom de tristeza — A professora Mcgonagall faleceu recentemente... Em Azkaban — completou. De repente não sabia ao certo por que estava contando a Draco sobre o que acontecera com Minerva, não era como se ele fosse particularmente afeiçoado à diretora da Grifinória, pelo contrário até.
Draco fez silêncio por algum tempo e então a encarou com um olhar de compreensão.
— Sinto muito — respondeu sincero. Escutar sobre o destino da Professora Minerva fez Draco se lembrar, por alguns instantes, de seu próprio pai. Nos últimos meses ele havia evitado pensar sobre o destino de Lucius, se apegando à ideia que ao se juntar à Ordem seria capaz de salva-lo e restaurar o prestígio dos Malfoy após a derrota de Voldemort.
Agora, tendo escutado sobre a morte de Minerva, temeu que fosse tarde demais. Que estivessem sem tempo devido à enorme desvantagem em que se encontravam. De súbito, foi capaz de compreender melhor o desespero de Hermione na noite anterior. Ela também sentia que o tempo deles se esvaía. Temia que fosse tarde demais.
Draco então pigarreou antes de dar continuidade àquela conversa, mesmo temendo que o assunto seguisse caminhos ainda mais sombrios, ele ainda devia contar a verdade à Hermione, ou ao menos parte do que havia descoberto durante seu encontro com Snape. Sobre ele ser o proprietário da Varinha das varinhas, decidiu que deixaria para um momento mais oportuno. Até mesmo porque, aquele era um assunto que cabia a ele. Não havia razão para envolve-la.
— Sobre o professor Snape — começou — Receio que ele não estará vivo por muito tempo. Já faz uma semana desde que eu o encontrei e ele está doente, Ele me disse as poções já não fazem mais efeito, que está morrendo — a informou, poupando-a sobre maiores detalhes da cena em que presenciara Snape em um acesso de tosse horrível.
Hermione abaixou o olhar. Snape nunca fora seu professor preferido, mas saber que ele estava vivo para logo saber que ele estava morrendo, somado ao fato da sua recente descoberta acerca da morte da professora Minerva, fez seu coração se apertar. Era como se tudo que havia conhecido em Hogwarts tivesse se apagando e a ideia lhe causava a terrível impressão de que nunca mais seria capaz de retornar aos dias felizes que tivera na escola de bruxaria durante sua infância e adolescência.
O apagamento dos elementos que permearam aquele período da sua vida lhe causava uma sensação de vazio angustiante. Talvez porque o fato de as coisas estarem tão difíceis no presente fizesse com que ela se apegasse ao passado e se afundasse em seu próprio saudosismo numa tentativa de ser capaz de, um dia, fazer com que as coisas voltassem a ser o que eram.
— Durante todos esses anos que eu e Harry estivemos nessa guerra, eu vi a Ordem se desmantelar cada vez mais — ela começou a falar, num tom soturno — Quando tudo isso começou, tive medo que perdêssemos a guerra. Até aquele dia, em Hogwarts, quando meus pesadelos se tornaram reais. Nos anos que se seguiram, foi praticamente eu e Harry contra todos, fugindo e forjando nossa identidade para o mundo mágico — ela pausou, pensativa. Draco porém, manteve seu olhar interessado sobre ela, aguardando que continuasse — Desde então eu venho me alimentando da esperança que um dia tudo voltará a ser como era antes, mas recentemente... — Hermione se interrompeu.
Draco, ainda incerto sobre como agir diante daquela confissão, optou por colocar uma das mãos sobre o ombro dela, num sinal de conforto. Hermione não o repeliu e os dois ficaram em silêncio enquanto ele tentava pensar na forma mais adequada de responde-la. Mas era incapaz de encontrar as palavras certas para dizê-la. Hermione, então, continuou:
— Recentemente eu venho pensando se no final de tudo isso formos apenas alguns de nós, ainda teremos ganhado? — Indagou, decerto era um questionamento pertinente, mas não havia resposta.
— Acho que as coisas nunca mais serão como antes — Draco constatou. Os olhos castanhos de Hermione, ainda levemente marejados, se levantaram para olha-lo e ela assentiu.
— Eu suponho que esperança ainda é tudo o que resta — concluiu num sorriso melancólico — Malfoy, se você ainda quiser continuar com a Ordem eu estive pensando, você deveria realmente se juntar nós — disse mudando de assunto.
Draco franziu o cenho em confusão. Desde que retornara, ele não havia pensado em voltar a fazer parte da Ordem, especialmente agora que sabia que em breve Voldemort estaria atrás dele logo que descobrisse a verdade sobre Snape e que sua decisão poderia colocar a todos em risco. Por outro lado, não fazia ideia como seria capaz de lidar com todo aquele fardo sozinho, de maneira que o convite de Hermione soou tentador.
— Se você não quiser eu entendo, você fez mais por nós do que eu posso agradecer — confessou segurando a espada em mãos — Mas se você precisar de amigos, estamos aqui — acrescentou ainda um pouco envergonhada. Parecia que estava em um universo paralelo onde dizia aquelas coisas para Draco Malfoy, só não era mais absurdo do que tê-lo efetivamente beijado na noite anterior.
Antes de responder, Draco deixou que um riso de escárnio lhe escapasse dos lábios.
— Potter sabe disso?
Hermione revirou os olhos.
— Eu me entendo com Harry — o assegurou — Nós teremos um almoço no próximo domingo. Você deveria vir. Me deixe saber se você mudar de ideia.
— Granger — ele chamou sua atenção para si — Tem algo que você precisa saber, a moeda...
— Eu imaginei – Hermione o interrompeu — Ela é inútil agora. Yaxley provavelmente a pegou, eu suponho. Já tem alguma ideia de como isso aconteceu? — Perguntou.
Durante alguns instantes, Draco ficou estático diante da perspicácia de Hermione. A princípio ele havia imaginado que ela iria ralhar com ele por ter perdido a moeda.
— Pansy entregou a ele — disse entredentes, ainda irritado por ter sido enganado justamente por Pansy — Eu a pressionei e ordenei que ela destruísse a moeda — acrescentou.
— Não importa mais. Se não a usarmos para entrar em contato um com o outro, não faz diferença alguma — Hermione deu de ombros — Ficaremos mais atentos daqui para frente e nos certificaremos que Pansy não nos causará mais nenhum problema — assegurou.
Draco assentiu em silêncio, guardando para si seus ressentimentos sobre ter sido tão descuidado em seu plano para extrair informações de Yaxley.
— Se você realmente quiser se juntar a nós, vamos nos reunir na Toca, residência dos Weasley — ela continuou a falar e ao escutar aquela informação Draco sentiu um arrepio lhe percorrer o corpo diante da ideia de visitar a residência justamente dos Weasley — Nos vemos nos arredores da residência, na vila de Ottery St. Catchpole.
Draco se limitou a assentir mais uma vez enquanto Hermione, sentindo que não havia mais o que acrescentar àquela conversa, desaparatou carregando consigo a espada de Griffyndor, Bichento, que ainda parecia relutante em deixar o local, e a esperança de que pudesse ter seu aliado de volta em breve.
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