Efêmera Ilusão

36 Capítulo XXXVI: Desconfiança.


Notas iniciais
Oi gurias lindas! Um capítulo novo pra vocês hoje, lembrando que a primeira parte está quase quase quaseee acabando!!! To louca pra escrever a segunda parte que será muuuuuuuuito apimentada, ahahahah. Sem mais delongas, aproveitem! s2

– Ah! – bocejo e solto um gemido fraco, enquanto me espreguiço puxando os braços para cima e segurando uma mão na outra.

Não faço idéia de que horas são, mas quando aliso os lençóis ao meu lado, percebo que estou sozinha na cama, sozinha no quarto. Há barulho de louça e talheres batendo na cozinha, e suponho que não deve ser muito cedo. Meu corpo está dolorido porque dormi toda torta e nem me lembro de como vim parar na cama e de como estou vestindo minha camisola, isso que não ingeri nem uma gota de álcool sequer.

Depois de alguns minutos de preguiça na cama, levanto e me enfio em um short jeans e uma camiseta surrada de Josh, escovo meus dentes e tento arrumar meu cabelo, mas ele insiste em ficar desgrenhado.

Antes de procurar por Josh, passo no quarto de Serena e vejo que minha filha ainda dorme tranquilamente no berço, com o pequeno corpo deitado de lado e com seu bico rosa Pink na boca, me derreto mas opto por tomar café da manhã antes de acordá-la.

Josh digita assiduamente em seu notebook, sentado na bancada da cozinha e beberica café em uma caneca grande, Jennifer está concentrada em seu celular. Quando entro na cozinha, os dois estão tão entretidos que nem percebem minha presença. Vou até o armário aéreo em cima da pia e pesco uma xícara dentro do mesmo, servindo-me de um pouco de chá que encontro no bule em cima da mesa.

– Bom dia para vocês dois também... – murmuro. Jennifer ignora e Josh levanta os olhos de seu computador, me oferecendo um sorriso preguiçoso.

– Bom dia meu amor, não quis acordar você. Parecia cansada. – ele levanta até mim e apóia uma mão em minha cintura, e com a outra despeja o resto de seu café na pia.

– Devia ter me acordado, não gosto de ficar na cama sozinha... – faço beicinho e Josh morde meus lábios, fazendo-me gemer. Quando percorro os olhos pela cozinha, encontro o olhos de Jennifer, que em seguida os revira em uma expressão muito arrogante.

– Ah, Alexandra... Esqueci de te falar, quando estávamos no táxi você deixou isso cair – ela sibila, seus olhos brilhando de contentamento, enquanto levanta um post-it com um número desconhecido de telefone.

– Hã? Isso... Isso não é meu. – encaro-a confusa, do que ela está falando?

– Você não viu? – ela solta uma risada fraca, os olhos grudados em meu rosto. Josh se volta para mim, confuso.

– O que era para eu ver, exatamente?

– Aquele stripper, ele grudou esse post-it na bainha do seu vestido enquanto dançava no seu colo, pensei que tinha visto... Mas enfim, tome aqui. – ela levanta e me entrega o pequeno papel, deixando a mim e Josh a sós. Fico totalmente sem reação, o olhar de Joshua em mim não é nada bom.

– Dançava no seu colo? Entendi porque queria tanto adiar esse assunto, é claro, não é? – ele fala baixo, sua voz contornada por uma fúria irrevogável. Procuro seus olhos mas ele evita me encarar.

– O que eu poderia fazer, Joshua? Eu nem tinha visto esse... Esse papel, droga! Isso pode ser até invenção de sua querida irmã! Eu não ficaria surpresa, em vista que ela me adora! – respondo com frieza.

– Ah sim, agora a porra da culpa é de Jennifer?! É isso?! – ele passa as mãos no rosto e senta-se de novo na bancada. Eu me dirijo até ele e fico em sua frente, tento passar minhas mãos por seu rosto, mas ele desvia de mim, segurando meus pulsos com firmeza. – O que mais aconteceu na merda desse clube Alexandra? Vamos, fale a merda toda que você fez!

– A merda toda que eu fiz? – sinto meu rosto esquentar de raiva. – o que você está querendo dizer Joshua? – grito e me controlo para não enfiar a mão em seu lindo rosto. – pra sua informação eu não fiz absolutamente nada! Você está distorcendo tudo... Eram três strippers e os três dançavam com três mulheres da platéia, eles escolhiam com quem dançar e iam até a pessoa, não sei porque mas um deles veio em mim, apenas isso!

– Apenas isso? Pra você ta tudo bem um cara dançar no seu colo? E pra mim Alexandra? Você não se coloca no meu lugar nunca, porra! – ele respira fundo e esfrega os olhos com força, tentando se acalmar. – você pira por qualquer coisa e quando acontece uma coisa dessas com você, você encara como se não fosse nada!

– E não é Joshua! NÃO É! Eu não toquei no cara, eu não fiz nada! Eu nem me movi! O que você queria que eu fizesse? Que eu o chutasse? E quanto a esse número... Eu nem sei de onde surgiu isso! – protesto, furiosa.

– Chega Alexandra... Chega. Eu não quero mais falar das suas porras agora. – ele fala baixo e volta ao seu notebook, me ignorando.

– Tudo bem, se é assim que você quer. – soluço e saio da cozinha a passos fortes, quando passo pelo corredor, vejo que Jennifer fala ao celular com alguém e dá risadinhas idiotas. Que vontade de matar essa garota!

Quando chego ao quarto de Serena, ela está acordada no escuro, seus olhinhos brilhando arregalados. Limpo as lágrimas que insistem em escorrer por meu rosto e pego-a no colo, forçando um sorriso para minha filha. Sento na poltrona e a amamento, enquanto Serena mama, ela me observa com seus pequenos olhos intrigados e pousa a mão em meu seio, sugando mais leite. Beijo sua testa e fico quieta por uns minutos, perdendo feio em tentar controlar as lágrimas que deslizam em minhas maçãs do rosto.

– Eu estou saindo. – Joshua sibila no batente da porta, seu olhar é frio e ele tem as chaves do carro e o celular na mão. Prefiro não responder e nem perguntar aonde ele vai, e ele não espera que eu fale alguma coisa, desaparecendo em poucos segundos.

Soluço forte e Serena se assusta, acaricio seus pequenos e finos fios de cabelo, na tentativa de acalmá-la. As coisas não podem ser assim... Não podem! Nós não podemos brigar por qualquer coisa como estamos fazendo. A discussão na cozinha foi só uma prova de que Joshua não confia em mim, e se confiava, deixou de fazê-lo agora. Mas o que eu fiz de errado? Eu não fiz nada... Eu não vou deixar que ele me faça pensar que tenho alguma culpa nisso. Aposto que a droga daquele post-it foi armação de Jennifer, por isso ela estava toda feliz ao telefone. Com quem ela falava? Vagabunda, vagabunda, vagabunda! Eu não agüento mais isso, Joshua sempre defendendo-a! Cego e alheio ao que acontece ao seu redor, ele só sabe me repreender quando eu faço algo, e dessa vez eu nem o fiz! Eu me sinto uma criança teimosa com Jennifer aqui. Não dá mais, é isso. Não dá.

Logo que faço Serena arrotar, levo-a para o meu quarto comigo e a deito da cama, faço uma barreira de travesseiros para que ela não caia e puxo uma bolsa grande do fundo do armário, jogo minhas coisas que irei mais usar dentro da bolsa e procuro uma roupa para vestir. Tento disfarçar meu rosto vermelho de chorar com um pouco de base, pó e blush. Serena brinca com seus pezinhos gordinhos, sem nem saber o que se passa em volta. Jennifer está trancada no quarto e Joshua ainda não voltou, peço um táxi por telefone e calço meus tênis.

Quando minhas coisas e as coisas de Serena estão prontas, coloco-a em seu bebê conforto e me encaminho a sala. Vejo pela janela que o táxi chegou puxo o carrinho de Serena e nossas coisas com um pouco de dificuldade. Rezo para que Joshua não esteja chegando agora, ele teria uma síncope.

– Lex? Lex o que foi? – Taylor abre a porta de sua casa e me observa com um olhar de surpresa, confusão e preocupação.

– Você precisa me ajudar... – soluço e ela me puxa para dentro de casa em um abraço, afundo o rosto em seu ombro e choro, libertando tudo que estava apertado em meu peito. Seu ombro fica molhado com minhas lágrimas e sei que ela está morrendo de pena de mim, mas não quero que ela sinta isso.

Taylor volta da cozinha com um copo de água para mim, ela deita Serena em sua cama e faz ela dormir com uma rapidez impressionante. Sorrio ao ver minha melhor amiga cuidando com todo carinho de minha filha.

– Ele sabe que você está aqui? Alguém sabe que você está aqui? – Ela pergunta e eu me sento nos pés de sua cama, acariciando o rostinho de Serena.

– Não, ninguém sabe. Eu preciso... Preciso ligar para minha mãe antes que Josh chegue em casa e o faça. Se é que já não o fez. – meu nariz está congestionado de tanto chorar e uma leve dor de cabeça começa a me incomodar, me sinto um lixo.

– Pronto, minha mãe está louca de preocupada. Disse que é para eu ir para lá e blábláblá. Posso ficar aqui amiga? Por favor, preciso de você. – digo voltando para o quarto com o celular na mão.

– Que pergunta é essa Lex? É claro que pode, você pode sempre contar comigo, eu te amo, esqueceu? – ela sorri tentando me reconfortar e me abraça apertando, acariciando minhas costas. – venha, vamos almoçar.

Como de costume, Taylor está sozinha em casa, almoçamos uma na companhia da outra. Serena dorme tranquilamente no quarto e eu me entupo de lasanha de microondas tentando esquecer o que está acontecendo.

– Eu não o culpo, amiga. Pelo que você me falou, Jennifer fez parecer totalmente o contrário do que aconteceu. – Taylor da uma garfada em sua lasanha. – e eu não culpo você, de jeito nenhum. Você não fez nada de errado. E vamos lá, aquilo era só uma dança, aquele cara era stripper, ele está acostumado a fazer isso.

– O problema é que Jennifer mostrou um maldito papel com um maldito número desconhecido, dizendo que aquele stripper tinha me dado o tal papel. Que raiva! Josh tem culpa por não confiar em mim, Tay. O pior de tudo é que eu nunca dei margem para ele pensar que eu o traio ou algo do tipo. Ele pensa que eu sou a porra de uma vadia? – bufo e meus olhos ardem. Não vou chorar de novo, não vou chorar de novo!

– Mas o que você pretende com isso Lex? Você quer terminar? – Taylor me olha cautelosa.

– Sinceramente? Eu não sei... Se ele acha que eu o trairia, ele não me conhece, e eu achava que ele me conhecia... – esfrego minhas mãos em meu rosto, respirando fundo.

– Calma, vamos parar de falar disso. Pelo menos por agora. Vocês dois estão com raiva e Joshua deve estar se roendo de ciúmes. Não é fácil para ele também amiga, pense nisso.

– Ele é um idiota! Não é fácil porque ele é um idiota que não confia em mim, que acha que aquela garota é uma santa quando na verdade ela é uma víbora desgraçada!

Taylor fica desconfortável com algo e observa atrás de mim, mastigando lentamente sua lasanha. Me viro vagarosamente para ver o que há de errado e me deparo com um Joshua com uma expressão preocupada no rosto. Paul está ao seu lado e quando o encaro, ele encolhe os ombros no que parece ser um pedido de desculpas.

– Vocês precisam conversar. Façam isso no meu quarto. E pelo amor de Deus, se resolvam. – Paul diz olhando de mim para Josh.

– Eu não tenho nada para conversar com ninguém, Paul. Obrigada. – digo me levantando da mesa e levando meu prato a pia.

– Lex... – Josh começa e eu o interrompo com a mão, sem falar palavra alguma, ele engole em seco e respira fundo, passando as mãos no rosto demoradamente.

– Amiga, por favor. Não chegaremos a lugar nenhum assim, por favor?... – ela morde o lábio nervosa e pega minha mão e a de Josh, nos encaminhando para o quarto de Paul. – vão e conversem, por favor. Vocês se amam, tentem ouvir um ao outro. Por favor Lex, eu amo você, mas você é durona demais quando quer! De uma chance ao senhor Panacão.

Joshua espera até que eu entre no quarto de Paul e fecha a porta, me sento na cama e tento não olhá-lo o máximo que consigo, evitando. Olho para meus dedos, para o chão, para o edredom de Paul estendido de qualquer forma na cama.

– Lex... Porque você pegou suas coisas e da nossa filha? – ele pergunta baixo e sua expressão indica que ele tem medo da minha resposta. – Isso não é o que parece, é?...

– Não sei o que está parecendo para você. – meu tom é arrogante.

– Você quer... Você quer terminar comigo? É isso? Eu sei que eu agi de forma errada, eu não sei o que aconteceu naquele clube mas eu acredito que você não tenha feito nada... Demais. – ele se ajoelha na minha frente, tentando segurar meu rosto com as duas mãos, mas quem não quer seu toque agora sou eu.

– Não era o que parecia enquanto você defendia Jennifer e me xingava assiduamente na nossa cozinha hoje. – sorrio em ironia e Josh fecha os olhos, sei que quando falo assim ele se machuca, mas não perco a pose. – olha Joshua, eu não quero as suas falsas desculpas e não quero que você me convença de algo me... Tocando. Eu acho melhor nós ficarmos separados por um tempo, para pensarmos. Você não confia em mim, isso ficou claro para mim.

– Lex, por favor não... Eu confio em você, eu só fiquei cego de ciúmes! Eu amo você, você não pode ir embora da nossa casa assim, decidindo as coisas sem nem ao menos conversarmos... – ele me força a olhá-lo e uma lágrima escorre por meu rosto, limpo-a rapidamente, com raiva de mim mesma por ser tão fraca.

– É isso, Joshua. Nós precisamos de um tempo. – tento me levantar da cama mas Josh me impede, seu lábio treme e sei que ele está se segurando para não chorar.

– Cristo, Alexandra! Eu amo você, você é o amor da minha vida. Eu a amo tanto que morro de ciúmes de você, por tudo, apenas de saber que outros caras podem te olhar e eu não posso fazer nada para impedir, imagine então quando imagino um idiota de um stripper dançando em cima de você. Será que você está me escutando? – ele olha nos meus olhos, demoradamente. Soluço e começo a chorar descontroladamente, Josh me abraça e ouço-o chorar enquanto deito minha cabeça em seu ombro. Quando nós acalmamos, ele limpa minhas lágrimas e em seguida as suas.

– Eu te amo, vamos voltar para casa. Por favor, eu, você e a nossa gordinha. Me desculpe meu amor, me desculpe por ser um imbecil idiota e não perceber que te faço sofrer com meu ciúmes.

– Pare... Pare, shh... – eu coloco meu dedo indicador em seus lábios quentes e o beijo em seguida. Eu não consigo ser firme com Josh, não consigo...

Notas finais
E aí, gente? Quem está certo? Josh ou Lex?! Comentem!!! Beijo e logo posto outro s222222