Edward Mustang
1 Capítulo 1
Liza aguardava ansiosa na estação de trem, já estava casada com Roy Mustang por sete meses, mas apenas três desses meses tinham sido aproveitados, o exército tinha mandado seu marido cuidar de um Quartel com problemas no Sul.
Pouco tinha acontecido desde que Edward Elric tinha desaparecido. A Cidade Central tinha passado para o controle total do governo e o exército era apenas consultado em caso de risco, por isso o trabalho tinha diminuído bastante. Alphonse tinha seu corpo de novo, mas suas lembranças tinham desaparecido e ele reiniciara sua aprendizagem de Alquimia para conseguir trazer o irmão de volta, Mustang tinha sido promovido a Brigadeiro por mera formalidade, todas essas missões que lhe eram confiadas serviriam para que logo se tornasse General e ele se empenhava em ajudar Al a recuperar Ed. O trem se aproximou da estação e quando viu o marido descer, Liza correu e ele a ergueu num abraço apertado de saudade, passaram três meses longe, apenas se falando a noite pelo telefone. Moravam em uma casa um pouco menor do que a esperada por um homem prestigiado do exército, as intenções de Mustang eram apenas de se casarem quando ele se tornasse General, mas Liza não quis depender mais uma vez do exército. Quando chegaram a casa, Black Hayate foi recepcionar o novo dono na porta. Ainda não tinham filhos, pois passaram mais tempo separados que juntos. -- Não é justo isso – Liza reclamava entrando na cozinha. – Passei mais tempo com você quando não éramos casados de que agora! Mustang riu da reclamação inconformada da esposa. -- Não é engraçado, Roy! Quero meu marido em casa! Não pensei que o exército me separaria de você! -- Pare com isso, Liza! Sabe que nada pode me separar de você! – ela o olhou ainda entristecida. – Vamos, tire esse olhar! Sabe que eu não gosto dele! Quero você alegre porque estou em casa! -- Quanto tempo isso vai durar? -- O quê? -- Até você se tornar General de uma vez e parar com essas viagens intermináveis? -- Bom, alguém tem que fazer isso, não tem? Antes Edward fazia... – ela percebeu que ele não ficava muito contente em falar sobre o desaparecimento de Ed. -- Mas eu pensava que depois que nos casássemos, minhas únicas preocupações seriam com as mulheres que se oferecem pra você! -- Isso não devia preocupá-la! – ele a abraçou e depois se sentou à mesa da cozinha. -- Alphonse ligou novamente. Ele quer fazer o teste para Alquimista Federal, Roy. -- Bom, eu não vejo problema nisso, se não fosse o empecilho de ser uma alma transmutada em uma armadura da outra vez, ele teria se tornado assim como o irmão! Vou falar com ele quando passar por Rezembu. -- E quando você vai passar por Rezembu? – ela perguntou surpresa, colocando a carne assada na mesa para que se servissem. Mustang encheu seu prato e inspirou profundamente. -- Na semana que vem, vou passar por lá antes de partir para outra missão. -- O quê? Você mal chegou e já vai novamente? Roy... -- Eu sei, eu sei... Mas dessa vez eu não vou ficar por muito tempo, eu prometo a você, será só um mês! -- Eu terei só uma semana? Estou me sentindo abandonada... -- Ah, não faz isso comigo, vai... – ele a puxou para sentar em seu colo e beijou-lhe a boca avidamente. Os dois mal tocaram na comida, queriam matar as saudades, ficar juntos e compensar todo o tempo distantes e finalmente ser marido e mulher. Aproveitaram cada segundo juntos daquela semana, sem poupar fôlego, sem perder tempo, queriam um ao outro e não podiam desperdiçar nenhum segundo. Pareciam dois adolescentes loucamente apaixonados, que se descobriam pouco a pouco e ainda assim, calorosamente. -- Você tem mesmo que partir amanhã? – Liza perguntava, sentada na cama, enquanto via o marido arrumando a mala para a viagem. -- Não tem outro jeito. Se não for logo, não chegarei a tempo. Você tem que entender, querida. Eu prometo que assim que eu voltar, passaremos muito tempo juntos de novo! Eu prometo a você. Liza foi levá-lo na estação como sempre, apesar dele insistir para que não fosse porque essas despedidas a deixavam ainda mais deprimida. O beijo de despedida que deram foi longo o suficiente para que aceitassem a distância temporária, mas não o suficiente para diminuir a saudade que um já sentia do outro. -- Eu ligo assim que chegar – ele gritou, já dentro do trem. Ela apenas assentiu, as lágrimas rolavam sem parar por todo seu rosto e a visão dela ficara completamente embaçada. Quando o trem sumiu na curva, ela se direcionou para o Quartel General Central. Se já não bastasse a imensa saudade que ela sentia, trabalhar naquele ambiente que lembrava tanto Mustang era torturante. Ele ligou de noite e ficaram horas conversando, até ficar tarde demais para dormirem, pois ambos teriam um longo dia pela frente. Ela se deitou na cama dos dois e chorou por horas, sem conseguir dormir, seu corpo começava a doer e o cansaço de sua mente piorava a insônia. O cansaço venceu e ela finalmente dormiu. Ao escutar o despertador, Liza abriu vagarosamente os olhos, era costume de Mustang deixar o despertador tocar um pouco mais cedo para acostumar o corpo antes de levantar, coisa de militar. Ela abraçava o travesseiro dele muito forte, quase abraçando o próprio corpo, sentia a cabeça muito pesada e um embrulho no estômago, quando se levantou, sentiu uma tonteira e sua vista embaçou inteira, ela correu ao banheiro e todo o jantar foi embora pela descarga.
Ela não quis tomar café por medo de passar mal novamente, foi direto ao quartel, quase não conseguindo colocar um pé antes do outro. Pouco a pouco foi melhorando e no final do dia já estava melhor. Os enjôos foram piorando a cada dia e cada vez que ela sentia cheiro de fritura ou de um perfume muito doce ela não conseguia controlar o seu estômago. Ela não procurou um médico logo de imediato, porque acreditava que, por passar grande parte da noite chorando, os enjôos e os mal-estares decorriam de noites mal dormidas e esforço desnecessário. Mas quando ela acordou no meio da noite louca de vontade de comer balas de leite, ela procurou um médico na manhã seguinte. Tinha passado um mês e já era hora de Mustang voltar, mas ele ligou uma noite muito chateado. -- Oi meu amor – ele sussurrou tristemente do outro lado da linha. -- Oi, e aí? Que horas você volta amanhã, Roy? – ela perguntou esperançosa. -- Sinto não ter uma boa notícia, Liz. -- Ah, não. Você vai ter que ficar mais tempo aí, não vai? – o sorriso em seu rosto desapareceu e sua voz começou a ficar chorosa. -- Eu vou... – ele também estava com uma cara infeliz e parecia não acreditar que estava contando uma notícia tão ruim aquela mulher que tanto amava. -- Quanto tempo mais? -- Duas semanas. E nem um minuto a mais, eu prometo a você. -- Não vejo a hora de você se tornar logo General, Roy... -- Eu também – ele colocou o rosto na mão e parecia desolado. -- Puxa vida... Depois de me contar uma coisa tão ruim, nem sei se merece ouvir a notícia maravilhosa que eu tenho pra lhe dar. -- Que notícia maravilhosa? Estou precisando de boas noticias, Liz... – ele ergueu a cabeça, como se pudesse vê-la em sua frente. -- Eu estava guardando para quando você chegasse, mas já que você vai demorar mais... Roy, eu estou grávida! Mustang ficou mudo por um segundo do outro lado da linha, um sorriso se abriu em seu rosto e ele ergueu-se da cadeira onde estava. -- Repete – ele sussurrou pra ela. -- Eu estou grávida! – ela disse contente, com um sorriso idêntico ao dele, e escutou Mustang gritar de felicidade. -- Essa é a melhor coisa que eu poderia ouvir na minha vida! Liz, meu coração ta disparado! – ele continuava a gritar ao telefone, ela pôs até mais longe do ouvido. – Eu não acredito! -- Você vai ser pai, Roy Mustang! Ele caiu de novo na cadeira com a mão na testa, arfava cansado e extasiado, completamente pasmo por ter acabado de se tornar pai. -- E você já sabe o que vai ser? O sexo do bebê? – ele perguntou quase chorando de felicidade. -- Ainda é muito cedo pra saber, Roy – ela riu do entusiasmo dele. -- Ah, mas que pena... Você já pensou em alguns nomes, querida? -- Ainda não, a gente pode escolher juntos, o que você acha? Ou então, a gente pode fazer o seguinte: se for uma menina, eu escolho o nome, se for menino, você escolhe. Ta bom pra você? -- Ta ótimo. Que nome você gosta pra menina? -- Deixe-me pensar... Gosto de Amélia... Alicia... Camila... Ah, tem muitos. E você? Que nome você gosta pra menino? Mustang demorou um pouco pra responder, depois de pensar, respondeu: -- Se for um menino, quero que se chame Edward. -- Edward? – ela perguntou, espantada. -- É. Edward Mustang.
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