Notas iniciais
*Finjam que tem algo legal nas notas do capítulo*

1

As pessoas são, naturalmente, perturbadoras.

Donas não só do egocentrismo eterno e da desconfiança, costumam acreditar que grande parte dos problemas das pessoas giram ao seu redor. Isso implica no fato de que, quando elas descobrem que nada tem haver com elas, costumam entrar uma depreciativa crise existencial. Eu sou uma das pessoas que indiretamente e não positivamente acredita que nada gira ao meu redor.

Sabe aquelas indiretas de facebook? Grande parte das indiretas que meus amigos mandam são para mim. O que fazer nessas horas, quando até um desconhecido pode acreditar que aquelas míseras palavras soltas e sem desordenadas ganhem sentido próprio, numa concepção totalmente fora de contexto? É como acreditar que o garoto mais popular da sua escola vai realmente gostar de você, quando nem deu a chance para tal coisa acontecer.

Bom, isso foi exatamente o que aconteceu comigo. Na verdade, o que está acontecendo comigo. Como eu, peculiarmente, acredito ainda de forma inocente e imbecil que tenho chances com ele, me pergunto em alguns momentos como vou fazer para tudo acontecer.

E não é apenas pelo fato de eu escrever assim que eu sou inteligente, só gosto de usar palavras inteligentes, faz eu parecer inteligente. Ou um retardado, não importa muito.

Minha vida agora se baseia em esperança, frustração, e uma depressão junto à tentações de suicídio numa escala totalmente mórbida. Como eu poderia explicar a minha situação? Eu não estou exatamente vivendo, as pessoas vivem pelo medo, e não é o que eu sinto agora quando penso em alguém atirando em mim ou eu caindo de um penhasco. Eu apenas descobriria como é levar um tiro, ou soltar de paraquedas sem um paraquedas. E, quando eu chegasse ao chão, não existiria nada. Apenas o nada, eterno, eu ali, o corpo frio e o sangue a jorrar. A dor cravada num determinado período de tempo. Um fato esquecível, um lixo a menos no mundo. Seria apenas peso morto e ocupação de horário para funeral.

Não é exatamente um futuro digno, mas desde quando existe justiça no mundo?

Livrando-os desse papo depreciativo sobre minhas necessidades de morrer, eu ocupo-os com minhas preocupações neste momento. Ou, descrevendo, exatamente, eu agora.

Deitado na cama, eu estava usando cuecas pretas , meias brancas, o cabelo molhado e não necessariamente bonito. Eu estava uma desgraça. Se o mundo me visse naquele momento, a ideia que eles têm de mim iria para o ralo. Isso se alguém ainda usar esse termo, “Ir para o ralo”.

Eu estava puto, queria chorar, desejava profundamente que um dos meus amigos virtuais parasse de ser tão retardado. Queria pegar um daqueles garfinhos de plástico que se vê em aniversários para crianças de seis anos com bolos de chocolate com enfeites com a mesma criança, mas feita de um doce estupidamente preenchido com açúcar e apenas açúcar pra matar as criancinhas com insulina e dar diabetes como lembrancinha, enfiar nas bochechas do meu amigo, e esfaquear a boca dele até que toca a carne tenha sido esfolada pelo garfo pra eu poder destruir a cabeça dele com meu ódio, e um garfo. Com o garfo principalmente.

Eu não gosto quando amigos virtuais, sem significado algum para mim resolvem envolver uma das minhas amigas reais no seu dia a dia em redes sociais. Simplesmente falar sobre papos escrotos e mudar a ideia que as pessoas tem sobre mim com a sua esquisitice não faz de você mais conhecedor sobre minha pessoa, faz de você um inútil imbecil que gostaria de conquistar a pessoa que gosta, mas está fazendo merda.

Meu desejo de que ele morra, neste momento, sem ligar, apenas enfiar um fuzil no cu do imbecil e atirar faz com que eu seja um psicopata? Talvez, mas é compreensível. É tão difícil mudar a ideia que as pessoas tem sobre mim, e eles vem aqui e simplesmente escrotizão a minha vida.

E então, eu olho para o relógio, os olhos úmidos, as mãos soadas pelo teclado, a preguiça. Eram seis horas, hora de ir para a escola, hora de ser feliz.

Arrumei as minhas coisas e fui para a escola.

Era um dia normal, chovia, minha mochila estava pesada, eu subia degraus como um velho de setenta anos com endocardite bacteriana e tumores cerebrais durante sexo gay, meu coração batia rápido, eu estava começando a ficar suado e meu cabelo caia no meu olho. Estava tentando ajeitar o óculos, e minha amiga chegou me abraçando por trás, logo quando vi na minha frente um dos queridinhos do terceiro ano: Eduardo.

Eduardo é um carinha popular. Não era exatamente um modelo, mas eu o considero mais bonito que um. Tirando o fato de ser relativamente magro, e ter um cabelo um pouco zoado, não ser exatamente “lindo” na forma em que se entende, ou se lê em dicionários, talvez os níveis de testosterona dele seja tão elevados que não importa se ele tem uma pele de bebê, o beijo dele deve dar orgasmos. Orgasmos lindos, grandes e de longa duração, orgasmos.

Sim, ênfase na palavra “orgasmos”.

Eduardo era moreno, não o “moreno” em que se refere a ser mulato ou negro, mas ter o cabelo preto. Não eram extremamente negros, mas sim castanho escuro. Os olhos tinham cor de mel, ou algo semelhante a mel mas que não parecia com mel, era mais escuro que mel, mas não chegavam a ser castanhos. Ou eram de um castanho mel, ou eram de um mel claro mas não tão claro nem tão castanho. Tinha a pele bem clara, extremamente clara, alto e sem muitos músculos, talvez nenhum. No sentido em que não era bombado. Nem um pouco, nada mesmo. Eduardo se chama Eduardo, mas ninguém chama ele de Eduardo, e sim de Zebra. O porquê eu não sei, mas é um apelido legal.

Voltando a história, por me perder naturalmente em meio a descrições desnecessárias de personagens para vocês saberem que os beijos do Gabriel devem dar orgasmos, minha amiga me abraçou por trás.

- Oiin, All. – Ela disse, sorrindo. Ainda não entendia por que me chamar de All, um apelido que mal lembra o nome “Alessandro”. Alessandro é um bom nome, por que não usa-lo como “Sandro” ou “Alê” ao invés de All? All é coisa de boiola. Eu tenho cara de boiola? Talvez.

- Olá, Gabu pseud. Camarão. Estou honrado com a permissão de ter sua ilustre presença neste dia alegre e bonito. – Ela olha para a chuva que caia fora da escola, com um sorriso irônico nos lábios. Divertia-se quando eu falava daquele modo com ela.

- Me concede esta dança, All? – Ela me olha de modo sedutor, com cabelo na boca e os olhos serrados, um sorrisinho engraçado no rosto e uma pose idiota de heroína.

É neste momento que começamos a dançar como retardados na escola. Ela girava o corpo com o tênis branco e azul dela, como uma bailarina, e eu jogava as mãos para os lados como uma donzela perdida por um bosque sendo atacada por uma capivara voadora.

Mais pessoas chegam, e por algum motivo começam a dançar também. É claro que vou sair dali, uma comemoração de retardados se inicia perto do bebedouro, com a participação especial de Gabriel, que conversava com algumas meninas da outra turma.

Eu entrei na sala de aula, quando o professor chegou. Sentei-me na minha cadeira, não exatamente a minha cadeira, era a cadeira que eu tinha escolhido para sentar ao lado dos meus amigos, a minha cadeira era do outro lado da sala, mas não havia ninguém interessante lá, então optei por priorizar alguns amigos com quem eu posso zoar durante as aulas de religião sem que o professor note.

Eu só não sabia que ia ter prova.

Prova em dupla.

Com quem?

Não, não é com Eduardo.

Se fosse pra ser com Eduardo eu deveria ter nascido Mônica.

Notas finais
Olá pessoas, se gostaram mostrem para seus amiguinhos, irmãos, irmãs. Ou o caralho a quatro que gostar dessas porra. ♥ Se não gostou diz por que, e onde eu posso melhorar. Se for só criticar não comenta nada por que é um cu ler comentário chato de gente chata. Mintira, amo vocês. e.e Obrigado por ler. *~* UIGO UIGO UIGO
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