Edore: A Nova Terra
1 Prólogo
Notas iniciais
A forte luz do sol já se tornara incomoda aos olhos. Todos corriam desesperados dentre a superfície terrestre. Os gritos podiam ser ouvidos a uma enorme distância, e apesar de haver um sol escaldante, havia uma repleta e confusa escuridão. Os céus estavam mergulhados em nuvens negras e trevosas. Como poderia ser possível? Luz e trevas nos céus! Este seria o fim da humanidade? O fim do mundo? Deus descerá dos céus e irá salvar a todos que se arrependerem? Perguntas deste tipo rodeavam a cabeça de muitos que tentavam, desesperadamente, manter-se a salvo.
Tudo isto rolava no pleno e famoso centro de Nova Iorque e claro, em todo o mundo. Notícias haviam sido dadas à cerca deste "provável" acontecimento, entretanto, assim como outras especulações, esta, para os leigos, foi-se declarada mito. Cientistas previram que isto aconteceria há cinco anos atrás, esta notícia estampou a manchete dos mais diversos jornais, mas como dizem: As pessoas só acreditam e entendem a situação quando realmente passam pelo ocorrido.
Trinta e seis horas. Era o único tempo que restava aos seres humanos e a Terra. A única solução seria evacuação do planeta. Evacuação de apenas sete mil pessoas em um planeta que habita mais de oito biliões. Quem iria? Que sacrifícios os pais teriam de fazer para garantir a segurança de seus filhos? Para onde os humanos iriam?
— Silêncio! Mantenham a calma e procurem dar atenção ao porta-voz do presidente. Temos um importante aviso para passar a todos vocês. — diz o prefeito de Nova Iorque tentando chamar a atenção dos presentes e transparecer que não está tão preocupado com o que pode acontecer nas próximas horas. Ele tem uma esposa devota e dois belos filhos e manter a calma para ele era essencial.
— Pois bem... habitantes de toda a Terra, — o porta-voz pronunciasse olhando fixamente para a câmera, que estava há uns dois metros de distância. Mesma câmera que transmitia para todos na Terra as notícias desoladoras que viriam a seguir. — ...nossa amada Terra... está morrendo. Temos nada mais, nada menos que 34 horas até a destruição completa deste planeta. Eu adoraria esclarecer de que forma tudo isto ocorreu e o porquê de a Terra estar chegando a seu fim, mas infelizmente não temos muito tempo. E antes de darmos os avisos, queremos noticiar em primeira mão que um acidente se passou em nossa jornada de Washington até aqui, e isso levou a morte do nosso amado presidente: Donald Trump. — Todos na assistência se entreolhavam temerosos. O presidente não era alguém tão querido e é interessante admitir que muitos o queriam morto, mas neste momento o que preocupava os nova-iorquinos — e talvez o mundo — era que o que aconteceu com o presidente venha acontecer com todos na Terra.
O prefeito, apesar de tentar, não conseguia disfarçar seu medo e sua dor, todos podiam notar isso expresso em sua face iluminada pelos refletores direcionados para ele. Ele mantinha-se calado, à espera de um impulso que o permitisse continuar com seu discurso. Contudo, esse impulso não chega e alvoroço recomeça e a partir de então, ele prossegue sua fala.
— Certo... — fala puxando a respiração na tentativa de encobrir sua enorme vontade de chorar. —, preciso que todos mantenham a calma e que me deem atenção. Sim, nosso presidente e vice estão mortos e se não quiserem ter o mesmo sugiro que me ouçam. — ele diz tentando recuperar a confiança em si próprio. — Como disse, temos 34 horas para evacuar este planeta. — Basta ele dizer isso para todos darem risadas e duvidarem de sua louca ideia. — Riam à vontade e permitam que seus descendentes sejam mortos. Não estou brincando. Na base de determinado lugar de cada país, há uma nave que permitirá levar em segurança 10 pessoas para um planeta que detém de características parecidas com o nosso.
Ele fala isso e as perguntas passam a surgir.
"E como sabemos se esse planeta é seguro? "
"Há mesmo vida além deste planeta? "
"Se sabiam que tudo acabaria porque deixaram para as últimas 34 horas? "
"Quer dizer que grande parte da população irá morrer? "
— Gostaríamos de dizer que temos espaço para salvar os mais de oito bilhões habitantes, mas é possível apenas evacuação de sete mil pessoas. Por isso, temos algumas regras e... recomendações. Primeiro, crianças e adolescentes de 7 a 18 anos terão direito a um lugar obrigatório. Segundo, mulheres férteis também este mesmo direito. Terceiro e mais importante, o sacrifício da maioria de você não será em vão. Contentem-se em saber que vocês darão suas vidas para garantir a sobrevivência de seus descendentes nesta "nova Terra". — Depois de muito relutar e ainda em meio a algazarra, Shawn, o porta-voz, não resiste e se debulha aos prantos. A imagem vivida de sua bela família mantinha-se cravada em seu coração. Sua família que agora ocupava uma das naves que estava na base de NY. — Eu sei o quão doloroso isto é. Também irei deixar minha família..., agora minha família está em uma das naves, enquanto eu terei de perecer aqui. Devido a isto, habitantes da Terra, peço-lhes encarecidamente para que neste momento nós possamos nos manter unidos, pois neste momento, nos tornamos um só povo, sem diferenças de classes, cor ou etnias. A minha querida família... eu amo vocês! Meu sacrifício não é em vão, sempre estarei com vocês, mesmo que isto simbolize o fim de minha vida para garantir a de vocês!
O silêncio estava fixo naquele local e em toda a Terra também. Todos na assistência ficam cabisbaixos e esse poderia ser o momento em que a paz mundial poderia ser declarada, mas algo impede que este fato viesse a ocorrer. Algo que nenhum deles imaginou que viria a acontecer... O Fim!
— Senhor... algo deu errado. Nosso tempo está se esgotando. — um dos assistentes diz olhando fixamente para Shawn que apenas prendia-se as luzes fortes que agora iluminavam o torvo céu junto ao sol. Foram apenas questões de segundos e forte estrondo foi-se emitido. Este, de fato, era o fim. A guerra que tanto havia incitado acabava de ter seu início. Agora a Coreia do Norte acusa a América por tudo que está acontecendo no planeta e os mísseis apenas confirmam isto. — O que fazemos, senhor? Precisamos evacuar ou iremos morrer bem antes do planeta se acabar!
— Contra-ataquem. Lutem bravamente, mas não os mate. O presidente pode ter desejado esta guerra, mas não quero a morte. Ordene a todos que se apressem e decidam quem irá para a nave. A primeira partirá hoje à noite!
Graças à boa ação dos coreanos, resistir a este tempo difícil torna-se cada vez mais difícil para os estadunidenses. Eles resistem e contra-atacam com mísseis e oficiais armados lutavam em ambos os lados. A guerra não tem seu fim definitivo, mas um forte tremor faz com que tudo se cesse. Era engraçado ver a forma que tudo isso acontecia. Como se estivesse predestinado a acontecer. A Guerra, O Fim do Mundo. Tudo.
Dez vagas. Era tudo isto que poderia reservar e salvar a vida de 7000 seres humanos. A noite já havia chego e agora restavam apenas vinte e seis horas para que tudo isto chegasse ao fim. 1 primeira nave — de teste — preparava-se para partir. A partir de então, corajosos desbravadores, meros terráqueos, na verdade, iriam conferir se, de fato, há vida em outro planeta. Era óbvio que devido a distância (3 anos e meio) seria impossível saber a resposta sobre a questão de haver mesmo futuras vidas fora deste planeta. Já haviam confirmações e relatos acerca de temas como este, porém, muitos fugiam e preferiam evitar de falar paranoias como essa. Paranoia essa que, infelizmente, matara biliões.
Todos os preparativos haviam sido feitos e os dez passageiros já estavam em seus devidos lugares. Havia muita comoção, até porque grande parte dos presentes eram crianças e adolescentes, contendo apenas três adultos (sem contar os tripulantes da nave). Todos na nave e na base de Nova Iorque permaneciam comovidos e cada vez mais mexidos com o triste caso de Liam Eros, um garoto doce e pacato de ingênuos cinco anos que apesar de estar partindo nessa jornada que o salvará, uma forte tristeza o abatia pois, acabara de perder seus pais. Mais cedo neste mesmo dia, um terremoto havia atingido a NY, por isso havia certa pressa na evacuação de todos, uma vez que o forte tremor tinha apenas cessado e não se sabe ao certo se ele voltará ou o que de pior pode vir a acontecer.
A nave estava prestes a decolar até que algo ocorre e impede o voo. O que houve? — era o que todos se perguntavam. A resposta vem no momento em que a porta principal é arrombada. Ao que parece, alguns nova-iorquinos não estão dispostos a dar sua vida por outros. Um grupo com, no mínimo, quinze revoltantes entram na nave e passam a atirar para todos os lados. Estavam encurralados, antes dos revoltosos entrarem, certificaram-se de destruir o motor principal. Restavam pouco mais de vinte e duas horas para o fim, no entanto, este parece ser o fim de todos que estão na nave. E de certa forma, foi.
Os comandantes da nave, agora armados, disparavam de volta para os revoltosos, deixando os passageiros extremamente assustados.
— Saíam daqui! Andem. Corram! — um dos comandantes diz aos passageiros, que estavam encolhidos ao canto. Os passageiros esperam o momento certo e então, saem correndo da nave. Um deles ainda é atingido e cai ao chão. Era Elliot, um simpático e calado adolescente que havia chego em Nova Iorque hoje, depois de seus pais o enviarem num ónibus que partiu de Nova Jersey. Ele estava sozinho, sem nem sequer um irmão ou um amigo. — Merda! Garoto atingido na nave 543 — o mesmo comandante diz ao rádio transmissor preso ao colete em seu peito. Segundos após essa pequena distração do comandante, o mesmo é atingido por um projétil e caí sem vida no mesmo instante. Sua cabeça havia sido atingida e o sangue continuava a jorrar da mesma. Após realizarem este ato, os revoltosos saem satisfeitos por terem concretizado seu desejo: impedir a única chance de salvação para às futuras gerações.
Por sorte, eles atingiram apenas um motor e algumas meras funções da nave, nada que levaria semanas. Seriam questão de algumas horas e tudo estaria consertado. Dois mortos e uma nave em conserto... o que mais poderia piorar?
— Senhor? O que é aquilo? — diz o pequeno Liam encarando com temor o tenente a sua frente. Os olhos esverdeados do doce garoto transmitam profundo temor e muita tristeza. E o temor se alavanca um pouco mais após a resposta do tenente.
— Oh meu Deus. É o fim, garoto. O fim chegou! — o tenente olhava para o céu e no mesmo via uma forte e brilhante luz, algo como fogo, como um grande asteroide. Algo grande o suficiente para devastar a população. Um intenso arrepio percorre o corpo do tenente e em seguida os gritos são a única coisa que restam.
É difícil de acreditar que isto se passou há um milênio atrás, em uma época que nenhum desses existia. Seus ancestrais deram suas vidas para garantir que estes pudessem dar continuidade a raça a humana e mesmo após diversos obstáculos, isto aconteceu. Seus esforços não foram em vão. Nada havia sido. E graças a esse milênio de diferença e toda a dor que a lembrança da Terra poderia trazer aos "novos humanos", tudo havia sido esquecido, apagado. Hoje eles se vêm como verdadeiros ederianos, e eles não estão errados em pensar assim. Qualquer pista sobre a Terra havia sido destruída e grande parte população mal sabe que pertencem, verdadeiramente, à Terra.
E neste exato dia, Edore completa um milênio. Havia uma enorme comemoração no palácio principal e muitas pessoas estavam lá. Comemorando por estarem aqui e agradecendo a Deus por ter as criado, uma vez que muitos deles creem que os novos humanos haviam surgido neste planeta do nada, descartando a ideia de evacuação iminente da Terra. Irônico, não é?
No entanto, uma pessoa, um cientista, na verdade, discorda fielmente disto. Para ele há algo neste planeta que não bate. Algo que mostra que eles não estão sozinhos no mundo, assim como há muito se especulava na Terra. Contudo, ele se recusava a pensar nisto no momento. Agora o momento mais importante de sua vida acontecia. O nascimento de seu primogênito. Lágrimas já percorriam todo o rosto dele e de sua amada e devota esposa, Ruth. O garoto agora já estava livre e seu choro era algo animador para seus pais. O pequenino recém-nascido agora estava sob o colo de sua mãe que sorria descontroladamente ainda sem acreditar que estava concretizando isto.
— Bem-vindo à Edore, meu doce Alec. — ela sussurra de forma audível a todos na ala do hospital. E em seguida ela apenas apaga, já sem vida.
— Precisa vir conosco, senhor Blake. — alguns guardas reais invadem a ala hospitalar, e um deles fala sem ao menos se importar com a dor do homem que acaba de ter o melhor e o pior momento de sua vida.
— O que? Não! Por favor, deixem-me. Acabei de perder minha esposa, meu filho não pode ficar sozinho. — William gritava já em desespero, sem conseguir controlar seu choro.
— Oh. Sinto muito. Mas a vida não é justa! Levem-no para o presídio real, e deem um jeito nessa maldita criança. — o mesmo guarda que havia se pronunciado anteriormente, fala agora.
— Por favor, não. Alec... eu vou voltar por você! Eu vou voltar... — ele grita por seu filho que agora era arrancado dos braços de sua imóvel mãe e segundos depois tudo o que ele vê é uma forte luz negra e assim apaga. Quando seus olhos se abrem novamente, ele está em uma cela, sozinho. Ele levanta-se num ato de desespero e passa a bater com firmeza nas grades da cela. — Eu irei acabar com você, Elián!
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