Edo Tensei - Haru no Hana
1 Capítulo Único
(POV Sakura)
Era noite quando arrumei minhas bolsas e parei diante do grande portão de Konoha. Com o coração apertado por deixar para trás minha morada, minha família e amigos eu segui adiante. Em busca da minha última tentativa para acabar de vez com o ódio de Sasuke Uchiha.
Para colocar meu plano em prática eu precisaria da ajuda daquele que tanto odiei. Orochimaru. Era o único que poderia me ajudar a trazer Itachi pelo Edo Tensei, e o único que estaria disposto a isso.
Todas as vezes que eu repassava meu plano em pensamento mais insano ele parecia. Mas eu já não sabia mais o que fazer e estava disposta a ir até o fim.
Atravessei a fronteira do país do Fogo com o país do Som, tinha ouvido rumores sobre Orochimaru ter voltado para seu principal esconderijo, o único problema seria passar pelos guardas de Konoha. A viagem seguia sem qualquer imprevisto, e isso já era o esperado. Os países ainda não tinham se reerguido e com isso as missões externas permaneciam paralisadas. Me pergunto quanto tempo demoraria até que alguém percebesse que eu havia saído da vila. Provavelmente não muito já que Ino, Naruto e Kakashi pareciam preocupados com minha reação a partida de Sasuke. Eu não os julgava talvez se estivesse em seus lugares eu me sentisse da mesma forma. Eu planejava terminar com isso o mais rápido possível para poder voltar para minha casa, dessa vez trazendo junto ele, Sasuke Uchiha.
Eu tentava não pensar sobre como isso soava absurdo demais. Provavelmente iriam rir se eu contasse a alguém sobre isso, mas algo em meu peito me dizia que esse era o caminho que eu tinha que seguir.
Parei no alto de uma montanha olhando os arredores. Eu sabia que o esconderijo ficava a uns dois quilômetros de onde eu me encontrava, mas também sabia que Konoha não deixaria alguém se aproximar tão facilmente assim. Nos meus treinamentos com Tsunade, além do meu controle de chakra eu consegui desenvolver outras habilidades. Uma delas era o sensoriamento através de linhas de chakra. Eu as liberei pelo perímetro procurando por armadilhas ou barreiras, e como esperado havia mesmo proteção extra. Mas fiquei surpresa ao reconhecer a assinatura de chakra que cercava aquela barreira. Capitão Yamato.
Por um momento pensei que isso seria péssimo para o meu plano. Mas talvez eu pudesse usar isso ao meu favor. Afinal o Capitão Yamato confiava em mim.
Continuei meu percurso esperando até que ele aparecesse. Passado pouco mais de um quilometro um clone de madeira do mesmo surgia bem a minha frente.
— Sakura-chan? O que faz aqui? — Seu olhar era desconfiado.
— Capitão Yamato, fui enviada para recolher algumas amostras do Orochimaru para guardar no banco de dados da vila. — Soei tão convincente que até eu mesma quase acreditei. Vi o clone respirar aliviado.
— Entendo. A vila está se empenhando para deixar as coisas organizadas não é mesmo? — Assenti. — Bom então venha comigo. Eu te levarei até o Orochimaru.
— Obrigada Capitão Yamato.
Seguimos entre as árvores parando ao pé de uma grande montanha. Havia uma caverna ali, com mais dois ninjas de Konoha em prontidão.
— Sakura-chan estou surpreso de vê-la por aqui. Achei que Konoha mandaria alguém... menos importante para uma missão como essa. — O verdadeiro capitão Yamato surgiu de dentro da caverna, desfazendo o clone ao meu lado.
— Os ninjas estão sobrecarregados na vila, como a shishou pediu para que eu tirasse uma folga do hospital me ofereci para sair em missão. — Era terrível ver como as mentiras surgiam facilmente para mim.
— Entendo... Bom, Orochimaru a espera. Siga até o final da caverna, Suigetsu vai levá-la até ele.
— Obrigada. — Enquanto caminhava eu sentia os olhares atrás de mim. Precisava ser rápida, antes que Yamato ou qualquer um dos outros ninjas resolvessem questionar a veracidade da missão com o Kakashi.
— Sakura-san. Que honra a ter em nossos aposentos. — Suigetsu fez uma breve mesura e tive que revirar os olhos. Ainda era impressionante saber que ele tinha sido companheiro de Sasuke.
— Sem delongas Suigetsu. Preciso ir até o Orochimaru com urgência. — Ele avaliou minha expressão e suspirou dando de ombros.
— É por aqui. — Ele foi na frente por um corredor escuro e eu o segui de perto. Paramos em frente a uma porta grande de metal. — Fique à vontade, ele te espera. Mas confesso que se fosse você ia preferir não entrar. — Ele deu um sorriso malicioso.
— Obrigada por me acompanhar. — Falei polidamente evitando qualquer brincadeira. Ele saiu rindo sozinho e eu abri a porta. O ambiente era frio e repleto de superfícies metálicas. Ao fundo haviam alguns tubos em tamanho humano e eu realmente me concentrei para não perguntar o que diabos havia ali.
— Sakura-chan. A que devo a honra. — O olhar de cobra me fitava minuciosamente. — Pela sua tensão suponho que seja mentira a sua “missão”.
— Já que percebeu, podemos evitar perdermos tempo desnecessário. Vim falar com você sobre Sasuke.
— Sasuke Uchiha, é claro.
— Preciso que me ajude com uma coisa. — Ele sorriu ladino e por um segundo um arrepio tomou todo meu corpo.
— Estou ouvindo. — Contei a ele meu plano de trazer Itachi de volta, receosa por sua reação. Mas ele era Orochimaru afinal, imprevisível como sempre.
— Sabe que realizar esse jutsu é uma passagem só de ida ao livro Bingo. Não sabe?
— Sei.
— E mesmo assim está disposta a seguir com esse plano digamos... inusitado.
— Se tiver uma ideia melhor para trazer lucidez ao Sasuke, sou toda ouvidos.
— Na verdade, estou surpreso que está disposta a isso por ele. Sasuke já não tentou te matar antes? — Novamente um sorriso surgiu em seu rosto, era nítido seu divertimento em tentar me abalar.
— Vai me ajudar ou não? — Ele seguiu até um armário ao fundo e revirou uma pilha de pergaminhos. Abriu um deles e pareceu ler seu conteúdo antes de se virar e estender o bendito pergaminho em minha direção. Li atenta sobre como funcionava e senti meus ombros caírem em frustração.
— Pelo que vejo a sua moral não vai permitir que realize tal jutsu. — Ele falou enquanto avaliava minha expressão. — Felizmente não há impedimentos para mim não é mesmo?
— Vai me ajudar então?
— Claro. O que eu não faria pelo Uchiha não é mesmo? — Estremeci com sua fala, e tentei focar somente no que me convinha. — Agora precisamos de um sacrifício vivo. — Ele olhou em direção aos tubos pensativo. — Estava pensando em usá-los de outra forma. Mas acho que esse é uma situação mais urgente.
— O que tem ali? — Não contive a curiosidade.
— Minhas adoradas pesquisas, mas acho melhor não falarmos sobre isso. No entanto vou pedir para que espere do outro lado da porta enquanto realizo o jutsu. Posso imaginar que não veio de mãos vazias não é mesmo? — Eu imaginava que precisaria de algo relacionado a Itachi para realizar o jutsu, por isso consegui uma amostra de DNA da época que ele era ANBU. Era triste pensar que só tinha conseguido tal coisa porque a vila estava um caos pós guerra.
— Claro. — Entreguei a ele o tubo com sangue. — Preciso mesmo sair? — Perguntei incerta.
— Sim. — Ele falou sério, mas não questionei e apenas me retirei de seu laboratório.
Minutos se passaram e a sensação de estar fazendo algo tremendamente errado me consumia por dentro. E eu tentava me convencer que aquela era realmente a única alternativa. Se tivesse que pagar por isso, que assim fosse. Mas eu não deixaria Sasuke preso naquela escuridão. Tentei escutar o que acontecia no cômodo ao lado, mas não havia som algum. Praticamente estava pronta para entrar mesmo que esse não fosse o combinado, quando a porta subitamente se abriu revelando ninguém menos que ele. Itachi Uchiha.
— Deixarei que ele tome as próprias decisões daqui em diante. — A voz de Orochimaru vinha por trás de Itachi. — Ele refez o contrato para que possa se liberar quando chegar a hora, já que não vou poder acompanhá-los nessa jornada. — Olhei para seus olhos de cobra, tentando entender se havia motivos implícitos atrás daquela ajuda inesperada. Mas eu nada consegui decifrar.
— Obrigada. — Ele assentiu.
— Bom imagino que Itachi não vai poder passar pelos guardas ali fora não é mesmo? — Eu ainda não havia pensado sobre isso. Mordi meu lábio nervosa.
— É aqui que eu entro. — Uma voz feminina se fez presente. Era uma voz familiar e ao me virar dei de cara com Karin Uzumaki.
— Karin?
— Não pense que estou fazendo isso por você. Mas não gosto dessa versão na qual o Sasuke se transformou então se eu posso ajudar com alguma coisa eu o farei. — Eu olhei para Itachi que ainda estava em silêncio. Seu rosto estava sério e eu só queria saber o que se passava em sua cabeça.
— Karin vai se passar por você para que você e Itachi saiam livres pela saída sul. — Franzi o cenho confusa. — Konoha sabe apenas de uma saída e ficaria grato se esse detalhe permanecesse secreto. — Era o mínimo que eu podia fazer então assenti. — Suigetsu vai te mostrar a saída e não se preocupe, Karin vai dar um jeito no seu disfarce.
— Obrigada Ka...
— Tanto faz. — Ela se virou saindo de vista.
— Sakura- chan, traga o Sasuke de volta. Ou eu prevejo grandes problemas para o mundo shinobi. — A voz séria de Orochimaru me deixou assustada. Era a primeira vez que o via preocupado.
— Farei o possível para que isso aconteça. — Respondi, tentando soar o mais confiante possível.
— Então vamos! — A voz animada de Suigetsu surgiu ao meu lado. Itachi nos seguiu ainda em silêncio, mas não havia tempo para me incomodar com isso, tínhamos que sair dali o quanto antes.
Depois de percorrer uma boa distância ainda dentro da montanha finalmente um feixo de luz iluminou o corredor escuro indicando a saída tão esperada.
— É aqui que me despeço. — Suigetsu olhou de mim para Itachi e um sorriso malicioso brotou em seus lábios. — Sabe Sakura-san, Itachi parece ainda mais legal que o próprio Sasuke, não concorda?
— Até mais Suigetsu. — Observei sua figura desaparecer de volta pelo corredor escuro e me virei para Itachi. — Sei que precisamos conversar, mas primeiro precisamos nos afastar daqui o máximo que pudermos.
— Eu conheço um lugar. — Sua voz era baixa, contida. Assenti e o segui rapidamente. Não dava para saber até quando Karin conseguiria manter o disfarce.
Corremos pelas árvores sem trocar uma palavra sequer. Pude perceber que atravessávamos a fronteira do país do Som com o país da grama pela súbita mudança de paisagem. Percebi que Itachi diminuiu a velocidade e eu o acompanhei até finalmente pararmos perto de um conjunto de casas abandonadas.
— É seguro?
— Sim, esse vilarejo foi todo dizimado pela Akatsuki, e lendas mal-assombradas o cercam. Não acredito que alguém ouse se aproximar daqui. — Ele entrou na segunda casa e fiquei surpresa de ver que tudo ali estava bem cuidado.
— Como...?
— Esse era meu esconderijo quando eu precisava de um tempo para descansar. Mas chega de perguntas tolas. Você precisa me explicar exatamente por que diabos estou entre os vivos novamente. — Ele se sentou sobre a cama e eu fiquei intimidada com sua nítida irritação.
— Me desculpe. — Ousei sentar na cadeira que havia ali, seus olhos se estreitaram em minha direção. — Eu não sabia mais a quem recorrer. — Foi quando uma dúvida surgiu em minha mente. — Como Orochimaru o convenceu a vir comigo?
— Ele disse que isso poderia ajudar Sasuke. Mas me pergunto o que um morto como eu pode fazer.
— Entendo. — Contei a ele tudo que havia acontecido com Naruto e Sasuke durante a guerra até a batalha final na qual ambos perderam os braços. Contei sobre a decisão de Sasuke de fugir de Konoha mesmo quando essa lhe ofereceu abrigo e contei meu plano.
— Então Naruto não conseguiu convencê-lo. — Ele se levantou e caminhou até a janela. — Isso tudo é culpa minha...
— Itachi, não se culpe. Você fez aquilo que julgou ser certo e para a grande maioria realmente foi. Mas preciso saber se vai me ajudar, tirando você não acho que mais alguém consiga alcançá-lo. — Eu esperava que ele pudesse ver o desespero por trás do meu pedido. Ele virou-se para me encarar.
— Acho que é o mínimo que posso fazer agora... — Seus olhos me fitavam com uma intensidade que me deixou desconfortável. — Você o considera muito não é mesmo? Orochimaru me contou que está arriscando sua carreira ninja por isso.
— Arriscaria minha vida se isso o trouxesse de volta. — Falei sincera. Itachi deu um longo suspiro.
— Você tem alguma ideia de onde podemos encontrá-lo? — Desde que Sasuke partiu de Konoha eu vinha pensando a respeito. O único lugar que me vinha a mente era...
— Acredito que no esconderijo Uchiha. Onde vocês lutaram. — Ele voltou a olhar pela janela.
— Sim, isso seria a cara dele. — Me levantei indo até seu lado.
— Podemos partir o quanto antes.
— Tudo bem.
Partimos imediatamente, novamente o silêncio era intimidante, mas eu também estava presa em meus próprios pensamentos. Parecia difícil acreditar que só aquilo seria suficiente para convencer Sasuke e meu peito se apertou em angustia. Por que tinha de ser assim? Bom, não adiantava muito se questionar essas coisas, isso não mudaria os acontecimentos.
Os destroços ficaram visíveis e meu coração se acelerou em expectativa. Sem parar a corrida lancei minhas linhas de chakra pelo perímetro procurando qualquer traço de assinatura do chakra de Sasuke... foi quando o senti.
— Ele está aqui.
— Sim.
Paramos em uma clareira e esperamos.
— Itachi? Sakura? — O olhar de Sasuke era de espanto. — Que merda é essa?
— Se contenha Sasuke. — Itachi falou calmamente. — Viemos conversar.
— Você é mesmo burra não é Sakura? Não consegue fazer nada sozinha? Precisava trazer meu irmão do quinto dos infernos pra que?
— Eu..- Droga, eu não podia chorar ainda. Respirei fundo e antes que eu pudesse responder Itachi tomou a frente.
— Parece que precisaram me tirar de lá porque você não está sendo coerente.
— Você devia estar morto! Eu o matei! — Sasuke praticamente cuspiu as palavras para Itachi, esse por sua vez não pareceu se abalar.
— Por que Sasuke? A guerra não foi o suficiente para você? Não há limite para sua sede de vingança?
— Não me venha com sermão. — Percebi a mudança nos olhos de Sasuke, o Mangekyo estava ativado... o que ele pretendia com aquilo? Mas antes que eu pudesse fazer qualquer coisa Itachi me empurrou para longe.
— Fique longe Sakura! — Senti meu corpo bater contra uma árvore e cai sentada. Ambos os Uchihas estavam agora lutando com o Susanoo ativado e eu não podia sequer me aproximar. Tinha sido um erro tudo aquilo? Começava a achar que sim.
A luta parecia equilibrada, até que percebi uma grande diferença entre os Uchihas. Sasuke lutava para matar. Itachi lutava mas parecia conter a fim de não machucar o irmão. E foi isso que deixou a luta pender para o lado do Uchiha mais novo. O Susanoo de Sasuke arremessou o do Itachi para longe e sua atenção se voltou para mim.
Eu olhei em seus olhos quando a grande mão de ossos rodeava meu corpo e erguia até ele. Foi ali naquele breve segundo que eu soube não havia nada mais que eu pudesse fazer por ele. Nem minha força tinha sido capaz de me soltar de seu aperto de ferro, não demorou até que meu corpo fosse arremessado contra uma grande parede de pedras.
Uma dor agonizante tomou todo meu corpo e tive que ativar o selo Byakugou para me curar, havia fraturas em grande parte dos ossos. Consegui virar meu rosto para onde a luta ainda acontecia, dessa vez Itachi já era tão cauteloso quanto antes. Mas Sasuke tinha evoluído muito durante a guerra e parecia disposto a ganhar novamente a luta contra o irmão.
Me sentei sentindo as fraturas sendo curadas, respirei fundo tentando entender sobre a batalha que seguia. Sasuke prendeu Itachi em uma barreira e isso me deixou em alerta. Seus olhos frios, se viraram para mim. Me coloquei de pé pensando no que fazer, mas ele era rápido e mesmo sem o Susanoo ele me alcançou. Em sua mão esquerda uma lança de chidori se esticava até meu estômago onde ele havia acabado de me perfurar. Senti as ondas de choque se alastrarem pelo meu corpo, e nem o Byakugou estava conseguindo controlar os danos. Minha visão começou a ficar turva e a última coisa que vi foi a satisfação de Sasuke ao me machucar. Talvez morrer não fosse tão ruim, parecia melhor do que viver em um mundo onde Sasuke me odiava.
(POV Itachi)
Olhei horrorizado Sasuke perfurar Sakura sem remorso algum. Seria tarde demais para ele? O ódio do qual eu o forcei a viver tinha dominado qualquer resquício humano dele? Agora que eu via com meus próprios olhos a fúria, o ódio que Sasuke carregava dentro de si faria disso minha missão. Eu precisava dar um fim a isso, nem que para isso eu precisasse o matar.
Analisei a barreira na qual eu estava preso, nunca tinha visto algo do tipo. Assim como outros jutsus de Sasuke. A guerra o tinha feito mais forte. Muito mais forte. Seu modo de luta tinha evoluído muito e mesmo indo com intenção de matá-lo, eu tinha que admitir não era páreo para ele. Minha imortalidade era um ponto positivo sem dúvidas, mas seria o suficiente? Eu realmente achava que não. Para lutar com Sasuke eu precisava de um plano e para isso eu tinha que salvar Sakura. Só ela poderia me ajudar, já que ela lutou ao lado dele na guerra.
— Ela é patética. — Sasuke sorria malignamente depois de deixar o corpo da ex companheira jogado no chão. — Mas devo admitir, ela é insistente.
— O que você fez com ela? — Perguntei tentando manter a calma.
— Algumas ondas de descarga elétrica foram o suficiente para apaga-la. Nem aquele maldito selo foi o suficiente para ajudá-la. — Ele sorriu convencido. — Agora preciso me decidir o que fazer com você... — No segundo seguinte Sasuke caiu no chão tossindo sangue, isso me deixou ainda mais em alerta. — Aquela vadia... — Mais sangue. — Eu... — No segundo seguinte a barreira se desfazia e Sasuke fugia dali o mais rápido que conseguia visto que estava debilitado. Não havia tempo para tentar entender o que tinha acontecido. Corri até Sakura e a peguei no colo. O único lugar seguro para que eu pudesse cuidar dela era meu antigo esconderijo no país da grama e foi para lá que eu corri com a rosada em meus braços.
(...)
Cinco dias haviam se passado desde a luta contra Sasuke e Sakura seguia desacordada. Eu não tinha tanto conhecimento médico quanto ela, mas graças a doença que tinha enquanto ainda estava vivo aprendi alguns procedimentos básicos de cura. Ela ardia em febre nos primeiros dias e percebi que seu chakra tinha entrado em colapso, provavelmente tentando suportar a descarga elétrica causada pelo chidori.
Consegui estabilizar seu fluxo de chakra no segundo dia, e com isso a febre também melhorou. Mas ela continuava desacordada desde então. Tentei criar uma rotina para usar o jutsu de cura duas vezes por dia para não a sobrecarregar, enquanto isso eu deixava sempre frutas frescas por perto para a hora que ela acordasse. Tive que retirar todas as roupas da mulher, pois estavam ensanguentadas e rasgadas. Meu clone andou pelas casas abandonadas a procura de algo feminino que servisse a ela, mas não havia restado nada. Apenas as suas roupas ainda estavam por ali de quando era vivo. Resolveu deixá-la nua coberta por um lençol e quando a mesma acordasse, ela decidiria o que fazer.
Era estranho e completamente novo lidar com o corpo feminino daquela forma, e se sentiu invadindo a privacidade de Sakura ao fazê-lo. Mas não podia deixar que ela ficasse naquela situação por dias a fio.
Somente no sétimo dia desacordada que senti uma oscilação de seu chakra indicando que ela estava acordando. Segui até o quarto a tempo de ver Sakura abrir os olhos.
— Minha... boca... — Estendi um copo de água em sua direção. Ela ergueu a cabeça e tomou todo o líquido transparente. — O que aconteceu? — Contei a ela tudo o que se passou desde que ela perdeu a consciência.
— O que você fez com Sasuke, que ele fugiu debilitado tossindo sangue? — Perguntei curioso.
— Transferi veneno através de linhas de chakra pelo chidori que me atravessou.
— Surpreendente. — Observei ela tentar se sentar e só então Sakura se deu conta que estava nua.
— O que aconteceu com minhas roupas? — Seu rosto tão rosa quanto seus cabelos, e seus olhos tão apavorados me fitaram.
— Estava toda ensanguentada e rasgada. A tirei para que não apodrecesse em você. — Falei tentando fazer daquilo algo insignificante.
— Er... obrigada? — Ela olhou ao redor confusa. — Mas o que vou vestir agora?
— Desculpe, tentei procurar qualquer roupa feminina pelas casas, mas parece que tudo foi saqueado e não restou nada além das paredes. Tenho algumas roupas minhas aqui de quando era vivo, fique à vontade para vestir. — Indiquei para a pequena cômoda no canto do quarto.
— As lendas que cercam esse lugar têm a ver com você? — Ela perguntou curiosa.
— Pode-se dizer que sim. — Dei um breve sorriso antes de sair do quarto lhe dando privacidade.
Fui para a cozinha e deixei um prato com as frutas na mesa e uma garrafa de água para a hora que ela saísse. Estava sentado esperando que ela viesse para discutirmos qual seria o próximo passo quando escutei um barulho vindo do quarto. Corri até lá.
— Sakura...? — Ela estava caída no chão.
— Ai... — Me abaixei lhe oferecendo a mão para se apoiar. — Acho que ficar todos esses dias apagada me deixou fraca... obrigada. — A puxei para meu colo e levei até a cozinha a colocando sentada na cadeira. — Er.. Obrigada de novo.
— Tudo bem, é mais rápido assim. — Dei de ombros me sentando na cadeira em frente a sua. Só então reparei na minha camiseta que ela vestia. Por uns segundos não consegui desviar o olhar e minha mente voou longe.
— Itachi? — As bochechas de Sakura estavam novamente coradas. — Eu estava dizendo, que acho melhor desistirmos. — Um longo suspiro saiu de seus lábios.
— Desistir? — Isso não me parecia algo que ela diria.
— Eu o olhei nos olhos. Não havia mais nenhum sinal do Sasuke ali. Só havia ódio. Não sei se lutar contra isso vai render alguma coisa. — Sua voz estava repleta de mágoa.
— Eu entendo que pense assim. Imagino que deva ter sido bem difícil enxergar isso em Sasuke não é mesmo? — Ela desviou o olhar fingindo mexer nas frutas. — Mas eu ainda não posso desistir. Não sei. Sinto que há algo a ser feito.
— Você acha que é capaz de mudá-lo? — Percebi um toque de esperança em sua voz.
— Acho que é cedo para se desistir. Claro que na próxima vez que o encontrarmos, vamos precisar estar bem mais preparados do que agora. — Ela concordou com a cabeça.
— Obrigada por me ajudar. — Sua voz era tão baixa, que se eu não estivesse perto provavelmente não ouviria.
(POV Sakura)
A convivência com Itachi era fácil. Não havia receios, nem dúvidas. Estávamos os dois focados em um mesmo objetivo e dispostos a qualquer coisa para alcança-lo. De alguma forma eu já o considerava um bom amigo, isso é claro quando eu não me lembrava que ele já tinha me visto até mesmo nua. Engraçado como o ego parece funcionar, ele ter tratado esse gesto, me despir, algo tão insignificante me deixou... chateada. Seria tão incapaz de despertar o desejo de alguém como parecia ter sido com Itachi? Eu odiava quando esse tipo de pensamento surgia tentando tirar o foco do verdadeiro objetivo.
Eu precisei ir até a vila mais próxima depois de alguns dias, disfarçada para comprar roupas e descobrir qualquer informação sobre Sasuke ou Konoha. Para minha surpresa havia ANBUs por ali a minha procura e tive que concentrar em manter meu chakra disfarçado ou tudo aquilo seria em vão. Acabei não entrando na vila e voltando para a cabana sem nada.
— Achei que fosse comprar roupas novas. — Itachi falou assim que me avistou voltando. Eu vestia uma camiseta preta dele, que mais parecia um vestido em mim, e uma capa bordo com capuz.
— Caçadores ANBUs estavam pela vila. Achei melhor não arriscar.
— Entendo. Bom, precisamos ser cautelosos. O que acha de treinar por enquanto? — Ele saiu pelo gramado e eu o segui. Essa vinha sendo nossa rotina desde que eu me recuperei por completo.
Os treinamentos com Itachi era bem intensos e eu terminava o dia completamente destruída. Felizmente logo atrás da cabana havia um riacho no qual eu me deixava relaxar nas águas geladas.
— Acho que por hoje é só, se forçarmos mais você acabará caindo de exaustão. — Sentei no chão ofegante e apenas concordei com a cabeça — Vai tomar seu banho e eu vou preparar algo para você comer.
— Obrigada. — Fiz uma breve reverência antes de me afastar em direção ao riacho. Era estranhamente reconfortante ter Itachi como sensei, ele era bem diferente de Kakashi ou Tsunade e bem mais rígido que ambos. Mas ao mesmo tempo entendia bem os meus limites e não me forçava mais do que o necessário.
Dobrei minha roupa colocando sobre uma pedra e caminhei pela água gelada até que meus seios estivessem cobertos. Respirei fundo antes de mergulhar, sentindo todo meu corpo estremecer pelo frio. Depois de um tempo a água já não estava tão gelada então me lavei retirando qualquer resquício de sujeira. Estava tão concentrada que não percebi quando uma mão tapou minha boca e me puxou para fora me arrastando para entre as árvores.
— Fique quieta. — A voz de Itachi me acalmou minimamente, mas seu estado de alerta era preocupante. Ele me arrastou por mais um tempo até que entramos em uma caverna subterrânea. Agradeci mentalmente por estar escuro ali, afinal eu estava nua.
— O que aconteceu? — Ele jogou algo para mim então percebi que era a camiseta e a capa que eu usava anteriormente. Me vesti rapidamente.
— Os caçadores ANBUs estavam se aproximando. Achei melhor limpar nosso rastro e sair dali por enquanto.
— Como você limpou...
— Genjutsu. — Ele respondeu antes mesmo que eu terminasse a pergunta.
— Entendo.
Ficamos em silêncio por um momento, até que o barulho da chuva se fez presente. Além da chuva veio também o frio e eu sentia meu corpo inteiro tremer pela roupa molhada.
— Você está com frio? — A voz de Itachi era preocupada.
— Nã..o tudo be..m. — Mas era impossível disfarçar.
— Ainda não podemos acender uma fogueira, pode chamar a atenção dos ANBUs. — Ele falou pensativo.
— Tudo bem... Já vai pass... ar. — Me encolhi mais no canto tentando evitar a corrente de ar que vinha da entrada da caverna.
— Minhas roupas também estão molhadas... droga.
— Não se preocupe Itachi logo passa... — Quando dei por mim ele estava se sentando ao meu lado. — O que você...
— Não vai ser nada útil se você pegar um resfriado. — Mesmo no escuro senti meu rosto queimar pelo rubor. Ele estava sem camiseta? Mordi meu lábio envergonhada ao sentir seu torso nu aconchegar meu corpo. — Sabe que deveria tirar suas roupas e colocar estendida para secar não sabe? — Eu olhava para seu vulto completamente estarrecida. Olhei para a entrada da caverna e a chuva parecia longe de ter um fim e fiquei envergonhada por admitir que ele tinha razão.
— Er... acho que vou seguir sua sugestão. — Falei baixinho. Retirei a camiseta e a capa e estendi pelo chão, me sentindo absurdamente exposta eu me sentei ao seu lado, tentando manter um pouco de distância entre nossos corpos. Mas logo quando eu estava me acalmando senti seus braços me puxarem para si. Eu agora me encontrava sentada entre suas pernas com meus braços cruzados sobre meus seios com os dele rodeando por cima. Realmente, para um Edo Tensei ele era bem quente, então fechei os olhos e tentei ignorar as estranhas sensações que nossa proximidade estava causando em meu corpo.
— Está melhor? — Sua voz saiu perto demais da minha orelha e me arrepiei ao sentir sua respiração em minha pele. Assenti com vergonha de falar qualquer coisa. — Mas está arrepiada? — Ele perguntou confuso e me apertou ainda mais contra seu peito.
— Eu estou bem. — Respondi baixinho. Na verdade, estava melhor do que bem. Era a primeira vez que sentia algo do tipo, e tinha que ficar se lembrando que aquele era Itachi Uchiha, um Edo Tensei. Mas era tão confortável que já sentia o sono chegando.
“Itachi não era um Edo Tensei, seus olhos negros como corvos brilhavam ao me ver e eu corria em sua direção pronta para abraçá-lo. Ao fundo Sasuke olhava a cena magoado. Mas eu já não me importava mais. Agora meu coração pertencia a outro, mesmo que esse outro fosse seu irmão Itachi Uchiha.”
Me remexi incomodada que diabos de sonho tinha sido aquele? Havia uma claridade mínima quando eu abri os olhos então percebi que estava amanhecendo. Porém a chuva continuava tão forte quanto na noite anterior. Foi então que me lembrei que estava nos braços de Itachi e voltei a cobrir meus seios, tomando consciência de que agora estávamos visíveis um para o outro.
— Conseguiu dormir bastante. — Ele falou por cima da minha cabeça. — Parece que essa chuva vai se prolongar por mais um dia ainda.
— Acho melhor eu me levantar...
— Não. — Paralisei ao ouvir sua resposta. — Digo... suas roupas ainda estão molhadas e ainda continua frio.
— Ah... ok então. — Mantive os braços firmes em meus seios e minhas pernas fechadas. Provavelmente meu rubor me manteria aquecida já que eu sentia o sangue correr freneticamente para meu rosto envergonhado.
Permanecemos em silêncio por um bom tempo, e não consegui evitar de pensar sobre o sonho que tive. Eu parecia feliz, como nunca estivera. Me permiti sentir onde cada parte do meu corpo encostava no de Itachi e tentei entender o que aquela estranha sensação significava. Porque não era apenas conforto. Havia algo...
Balancei minha cabeça evitando os pensamentos.
— Aconteceu alguma coisa? Você está inquieta? — Eu poderia mentir e falar mais uma vez que estava tudo bem... mas eu não queria mentir para ele.
— Você acha que... bom se você estivesse vivo aqui agora da mesma forma que estamos... hum... você se sentiria atraído por mim? — Felizmente sua cabeça estava acima da minha e não dava para ver a vergonha em meu rosto. Senti seu maxilar travar e me arrependi de imediato por ter perguntado. — Desculpe, estou sendo inadequada.
— Eu nunca pensei sobre me sentir atraído por alguém. Havia tanto a se fazer, e uma vida condenada não era o que eu gostaria de dar a alguma mulher. — Esperei em silêncio ele terminar. — Eu também nunca estive com alguém dessa forma. Mas mesmo sendo um Edo Tensei, meus sentimentos e sentidos ainda pertencem a mim...
— Então...
— Eu não precisaria estar vivo para me sentir atraído por você Sakura. — Meu coração parecia saltar do peito com essa pequena revelação, e eu não conseguia entender o que aquilo significava para mim. — Mas é errado, você ama o Sasuke. E bom... eu estou morto.
— Sim. Você está morto. — Repeti triste.
— Você está chateada? — Itachi era sempre um perito ao ler os outros.
— É só que por um momento eu me deixei levar pelo momento.
— Quer que eu me afaste?
— Não. Na verdade, sinto que quero mais, mas estou confusa. Não deveria estar me sentindo dessa forma.
— Não, não devia.
— Mas eu me sinto atraída por você... — Admiti e ele me apertou um pouco mais,
— Sakura...
— Eu sei que é errado. Mas sinto que preciso fazer isso. — Me virei ficando de joelhos na sua frente.
— Sakura... não podemos.
— Me diz que não quer e eu me afasto. — Olhei em seus olhos buscando por minha resposta.
— Não é justo...
— Sasuke tentar me matar também não. Você ter morrido também não. A vida é repleta de injustiças. — Se ele me recusasse mais uma vez eu sairia dali e desistiria de tudo. Eu não me deixaria sofrer por mais um Uchiha... Mas para minha surpresa Itachi me puxou para um beijo. Meu primeiro beijo. Sua mão se prendeu em meus cabelos me puxando mais para si e eu fiz o mesmo. Beijar Itachi era quente, reconfortante e acolhedor. Era terno e carinhoso.
— Você deveria descansar um pouco mais, ainda é muito cedo. — Itachi falou quando nossas bocas se separaram.
Ele me ajeitou novamente entre suas pernas e eu entendi que aquele era o máximo que eu conseguiria no momento. Encostei minha cabeça em seu peito e fechei meus olhos permitindo que o sono tomasse conta.
(POV Itachi)
Eu estava atordoado com as sensações que Sakura vinha causando em mim, jamais havia sentido algo do tipo e isso era perigoso. Extremamente perigoso. Porque me fazia querer voltar a vida e isso não era possível. Meu peito vazio se apertou por colocá-la em um genjutsu assim que nos separamos do beijo. Beijo esse que eu guardaria pela eternidade mesmo na vida após a morte.
A deixei deitada ali e a cobri com as roupas ainda úmidas. Sai da caverna disparado, eu precisava respirar algo que não fosse o cheiro de Sakura, porque esse me deixava cada vez mais envolvido. Eu precisava pensar imparcialmente o que faria a seguir. Mas eu já não era mais parcial nessa história. Eu estava mais preso à Sakura do que deveria.
Se ela estivesse tão envolvida quanto eu, então o certo era eu partir. E mesmo tendo a intervenção de Sasuke pela frente, eu sentia que nem Sakura estava mais disposta a seguir com isso. Mas o que eu me tornaria se abandonasse meu próprio irmão? Inúmeras respostas vinham em minha mente, mas nenhuma era suficiente para me fazer desistir da decisão que tinha acabado de tomar. A cabana estava livre novamente então fui até lá e encontrei um papel.
Eu não podia seguir com aquilo, porque era certeza que Sakura acabaria se machucando ainda mais. Escrevi uma carta para ela sentindo a dor de deixá-la. Mas não era certo. Eu estava morto e ela tinha uma vida longa pela frente. Com relação ao Sasuke, talvez fosse a hora de deixá-lo seguir o próprio caminho e parar de tentar intervir naquilo que não mais me cabia. Afinal eu estava morto. E mortos não devem interferir.
Assim que deixei a carta perto dela, saí o mais rápido possível antes que desistisse. A chuva havia parado e só então percebi com as árvores estavam floridas, como a grama estava verde. A primavera era sem dúvida a estação mais bonita. Ainda mais agora que o fazia se lembrar dela... de Sakura.
(POV Sakura)
Estava deitada sobre algo duro quando acordou. Se sentou rapidamente e viu que já não havia mais chuva, nem frio... nem Itachi.
Olhou ao redor e achou um papel, o pegou rapidamente.
“Minha querida Sakura.
Sei que as coisas saíram dos trilhos e que ambos nos envolvemos mais do que de fato deveríamos. Mas isso não é possível e para não a machucar ainda mais resolvi voltar de onde jamais deveria ter saído.
Você está viva e merece alguém que a ame e VIVA ao seu lado. E sinto muito, mas eu e Sasuke não somos capazes de te dar o que merece.
Sakura, viva por si mesma. Se permita descobrir novas pessoas, novos ares. Você é tão gigante diante de todos.
Tenha uma boa vida, querida Sakura. Estarei te esperando do outro lado, mas não tenha pressa.
Com carinho, Itachi.”
Me encolhi no canto da caverna deixando que as lágrimas escorressem por meu rosto. Eu entendia a atitude de Itachi, mas isso não significava que doía menos. Vesti suas roupas que agora me pertenciam tentando de alguma forma me sentir próximo a ele.
Era uma completa imbecil por se apaixonar por dois Uchihas, ambos completamente opostos um do outro. E mesmo assim não tinha como ter uma vida ao lado de nenhum deles. O que lhe confortava era saber que Itachi não fora indiferente a si. Aquele beijo tinha sido real e guardaria em sua memória para todo o sempre.
Ficou minutos, horas sentada ali. Não sabia dizer. Quando por fim resolveu sair o sol já estava se pondo. Precisava tomar uma decisão séria. Desistiria de Sasuke ou continuaria a seguir buscando o impossível? Lembrou-se das palavras de Itachi... “Se permita...” Foi quando saiu dando as costas ao impossível.
Se permitiria ser.
Se permitiria descobrir quem era Sakura Haruno além daquela que amava Sasuke.
Se permitiria viver para si mesma, assim como Itachi dissera.
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