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4 Termina a Crise dos Mísseis em Cuba - 28 de outubro de 1962
Edição de Ontem: Termina a Crise dos Mísseis em Cuba.
28 de outubro de 1962 – The Cumpadi Washington Post
Por Goldfield.
O mundo pôde voltar a respirar tranquilo esta manhã. O premier da União Soviética, Nikita Khrushchev, ordenou o retorno dos navios soviéticos que levavam mísseis nucleares para serem instalados em Cuba.
Fim de um impasse de treze dias que colocou o mundo em alerta com a ameaça de guerra nuclear, a decisão do líder comunista foi recebida com alívio por quase todo o mundo. “Seria letal para toda a humanidade se a Guerra Fria ficasse mais quente” – afirmou John Hopkins, morador de Nova York entrevistado pelo Cumpadi.
Devido à instalação de mísseis nucleares dos EUA na Turquia, bem perto da fronteira com a União Soviética, os soviéticos resolveram tirar proveito de seu mais novo e recente aliado, Cuba – ilha que está situada a poucos quilômetros do litoral da Flórida – instalando nela mísseis nucleares também. Tendo passado por uma revolução socialista em 1959 comandada por Fidel Castro, Cuba acabou sendo alvo de embargo econômico e uma frustrada tentativa de invasão (Baía dos Porcos, 1961) pelos EUA. Devido à agressão da potência capitalista e da própria ideologia que a revolução de Castro adotou, Cuba naturalmente alinhou-se com a União Soviética. Para o Kremlin, o paraíso tropical tornou-se o ponto estratégico perfeito: além de os mísseis instalados nela poderem ser lançados contra qualquer uma das grandes metrópoles dos EUA, seria uma garantia de que eles não tentariam invadir Cuba novamente.
O esquema, porém, foi descoberto pelos aviões de espionagem da CIA em seus costumeiros voos de reconhecimento sobre Cuba, quando fotografaram as bases dos mísseis sendo construídas. John Kennedy, presidente dos EUA, teve uma resposta enérgica: deixou claro que não permitiria a instalação dos mísseis em Cuba, e iniciou um bloqueio naval, em águas internacionais, para impedir que navios soviéticos chegassem a Cuba carregando os mísseis. Após dias tensos em que um ataque nuclear poderia ser iniciado entre as duas superpotências a qualquer momento, a URSS finalmente recuou.
Dentre suas consequências, a crise provavelmente levará, nos próximos meses, à retirada dos mísseis norte-americanos da Turquia. Um assessor anônimo da Casa Branca também afirmou que uma linha direta de contato, por telefone, será instalada entre a Casa Branca e o Kremlin, para que os dois líderes possam conversar sem rodeios futuramente e evitar novos mal-entendidos que possam levar ao fim do mundo. “Khrushchev só deixou claro que apertará o botão nuclear se Kennedy ou algum outro engraçadinho usar o telefone para passar trote, ou melhor, ‘passar Trotsky’” – completou.
Mesmo com a ameaça de aniquilação global que a crise representou, há quem tenha ficado triste com seu fim. É o caso do cantor popular Zé Duarte. Sobre o lançamento de mísseis, afirmou: “Disseram que Cuba lança, eu quero é ver Cuba lançar”.
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