Ecos do tempo
6 Capítulo 6
Quando abri os olhos, estava de volta à minha poltrona. O som do motor do avião e o cheiro familiar do ar-condicionado me envolveram, exatamente como antes. Mas o terror do ciclo anterior ainda latejava em minha mente, fresco e doloroso. Levantei-me, com o coração acelerado, e olhei ao redor, buscando desesperadamente qualquer sinal de mudança.
A voz suave da senhora ao meu lado perguntou se estava tudo bem, mas dessa vez a ignorei. Não tinha tempo a perder com gentilezas ou explicações. Cada segundo contava.
No corredor, a mesma aeromoça empurrava o carrinho de comida, entregando lanches a alguns passageiros. Tudo parecia tão normal, tão absurdamente igual ao que havia sido antes da explosão. Eu me forçava a manter a calma, mas era como tentar segurar uma maré violenta. Olhei para o relógio no braço da cadeira e vi que eram exatamente 09h45min, a mesma hora de sempre.
O ciclo havia reiniciado.
Respirei fundo, tentando acalmar o pânico que ameaçava tomar conta de mim. Sabia que precisava agir rápido, que não podia permitir que o desespero me paralisasse. Todas as tentativas anteriores de mudar o curso dos eventos haviam falhado, mas eu me recusei a aceitar que estava condenada a repetir esse pesadelo indefinidamente.
Agora, porém, eu tinha aliados. Edward e Carlisle. Eu precisava deles mais do que nunca.
Caminhei com determinação pelo corredor até a primeira classe, onde avistei Edward e Carlisle sentados. Minha mente girava com possibilidades e planos, mas sabia que a primeira coisa que precisava fazer era falar com Carlisle.
— Carlisle – falei com a voz firme, tentando controlar a urgência que queimava dentro de mim. Seus olhos se levantaram para me encarar, surpreso com minha abordagem direta. – Estamos em um loop temporal. O avião vai cair em poucos minutos se não fizermos nada. Você tentou me ajudar da última vez, mas não tivemos tempo de fazer nada.
Esperei que ele respondesse, que reconhecesse o terror que eu carregava na voz, mas, para minha surpresa, Carlisle apenas me olhou com uma expressão de ceticismo.
— Eu não entendo — respondeu Carlisle, sua voz carregada de ceticismo. — Você está dizendo que o avião vai cair, mas não há nenhum sinal de problema até agora. E quanto a essa história de loop temporal... É difícil de acreditar.
Senti um frio na espinha ao ver a falta de fé de Carlisle, mas me esforcei para manter a calma.
— Eu sei que parece loucura — insisti, minha voz tremendo ligeiramente. — Mas você precisa acreditar em mim. Precisamos agir rápido, porque o tempo está se esgotando.
Carlisle olhou para mim com uma mistura de preocupação e descrença. Ele parecia estar avaliando se eu estava simplesmente em pânico ou se havia algo de errado comigo.
— Você está sozinha? Tem alguém da sua família com você aqui? — ele perguntou, preocupado. — Há quanto tempo você acha que o avião vai cair?
Percebi, em choque, que Carlisle não estava acreditando em mim e também desconfiava da minha sanidade. Dei um passo para trás e um sentimento doloroso tomou conta do meu peito.
Os únicos aliados que eu tinha pareciam estar duvidando de mim, e um sentimento de desespero começou a se instalar. Carlisle estava claramente preocupado com a minha saúde mental, e isso me fez sentir ainda mais desolada. Olhei para ele, tentando reunir as palavras certas.
— Eu... — comecei, a voz falhando. — Eu preciso ir...
Edward se levantou da sua poltrona e parou na minha frente, seus olhos, como sempre, me encaravam com uma estranha intensidade. Mas, naquele momento, eu não dei importância a isso.
Saí apressadamente do corredor, meu coração batendo forte enquanto procurava um lugar para me esconder. Encontrei o primeiro banheiro disponível e entrei, trancando a porta atrás de mim. O desespero me tomou por completo e, finalmente, o peso das emoções reprimidas me atingiu com força. Afundei-me no chão frio do banheiro e comecei a chorar, a respiração irregular e os soluços se misturando em uma confusão de sentimentos.
Após alguns minutos, consegui me recompor, enxugando as lágrimas e tentando recuperar a compostura. Sabia que precisava sair de lá e continuar tentando impedir a tragédia. Quando finalmente abri a porta e saí do banheiro, encontrei Carlisle esperando do lado de fora. Seu rosto estava marcado por preocupação, mas havia um olhar de ceticismo em seus olhos.
— Você está bem? — perguntou Carlisle, seu tom misturando preocupação com uma pitada de dúvida.
— Eu... eu só precisava de um momento — respondi, minha voz ainda tremendo.
Então Edward apareceu no corredor, andando na minha direção com passos determinados. Ele tentou passar por Carlisle, mas Carlisle segurou seu braço imediatamente.
— Edward, agora não — ele avisou em um tom sério e Edward se virou para ele com um olhar cortante.
— Me solte Carlisle — Edward falou em um tom baixo e cortante, quase como um rosnado e isso me causou arrepios.
— Você está assustando-a — Carlisle avisou ao olhar para minha expressão e Edward se voltou para mim, sua expressão irada se desfazendo aos poucos.
Edward se aproximou lentamente de mim e involuntariamente dei um passo para trás. Sua expressão se contorceu ao ver meu gesto, quase como se ele estivesse sentindo uma dor insuportável.
— Me desculpe, eu não queria assustá-la — ele falou em um tom baixo e calmo, como se tivesse medo de me assustar. — Você está bem?
Acenei com a cabeça, havia algo estranho na forma que ele me fazia sentir.
— Podemos nos sentar e conversar um pouco sobre o que nos disse? — ele ofereceu com um sorriso gentil.
— Você acredita em mim? — perguntei.
— Claro que sim — ele respondeu sem um pingo de dúvida na voz e um pequeno sorriso se formou em meus lábios. Olhei para Carlisle em busca da sua resposta.
Carlisle estava prestes a responder quando, de repente, um estrondo ensurdecedor sacudiu o avião. O som de uma explosão preenchia o espaço, e a cabine foi imediatamente envolta pelo caos.
Senti o chão tremer sob meus pés e o pânico tomou conta de mim novamente. A explosão foi exatamente como eu havia experimentado nos ciclos anteriores, o mesmo terror esmagador que me fazia sentir-me impotente.
Carlisle, com os olhos arregalados, olhou para mim com uma expressão de total incredulidade. Ele se inclinou para olhar pela janela do avião, onde a asa da aeronave queimava em chamas, tentando entender o que estava acontecendo, mas era tarde demais. O avião estava novamente em rota de colisão, e a cena se desenrolava exatamente como nos ciclos anteriores.
— Não! — gritei, tentando me manter de pé enquanto o caos se desenrolava ao meu redor.
Pessoas gritavam, os alarmes soavam, e a sensação de desespero era sufocante. Eu sabia o que estava por vir, mas mesmo assim, a impotência me atingia com força total.
Eu tentei alcançar Carlisle, mas o avião sacudiu violentamente, me jogando contra as fileiras de assentos. Edward apareceu do nada, segurando-me antes que eu caísse no chão.
— Você precisa acreditar em mim! — gritei para Carlisle, minha voz quase sendo abafada pelo barulho ao redor.
Ele finalmente me olhou, seus olhos mostrando a compreensão tardia do que estava acontecendo. Mas antes que pudesse reagir, o avião começou a despencar.
Edward me puxou para mais perto, envolvendo-me em seus braços enquanto o avião mergulhava em direção ao solo. Eu me agarrei a ele, sentindo a força de seu abraço como uma âncora na tempestade de medo e pânico.
— Nos procure no próximo ciclo — ele murmurou, sua voz baixa e grave, como se soubesse que não havia mais nada a fazer naquele momento.
Carlisle tentou falar comigo, mas o barulho da explosão e o caos ao redor tornaram qualquer comunicação quase impossível. Ele se aproximou de mim em uma velocidade que me surpreendeu e me segurou pelos ombros.
— 1663 foi quando tudo começou! — ele gritou em meio ao barulho estrondoso. — Diga isso quando me ver novamente.
O caos ao meu redor era ensurdecedor, mas as palavras de Carlisle conseguiram cortar o barulho como uma faca. O que ele disse parecia enigmático e fora de lugar, mas a urgência em sua voz não deixou dúvidas de que era importante.
— 1663! — ele gritou novamente, seus olhos fixos nos meus, como se tentasse gravar aquilo na minha mente para além do tempo e dos ciclos.
Eu mal tive tempo de processar antes que o avião começasse a se despedaçar, a realidade se torcendo em torno de mim. O barulho da explosão, o calor do fogo, o som das pessoas gritando — tudo se fundiu em uma cacofonia de terror e desespero. Edward me segurou mais forte, mas mesmo assim, senti meu corpo ser puxado pela força do impacto iminente.
No meio desse turbilhão, as palavras de Carlisle ecoaram na minha mente: "1663 foi quando tudo começou". O que isso significava?
Antes que pudesse encontrar respostas, tudo ficou escuro, e a sensação familiar de ser puxada para fora da realidade tomou conta. A última coisa que vi foi o rosto de Edward, uma mistura de tristeza e aceitação, antes de tudo se desfazer ao meu redor.
Quando abri os olhos novamente, estava de volta em minha poltrona, com a mesma sensação de déjà vu que experimentei antes. O avião parecia estar exatamente no mesmo ponto em que havia começado o ciclo anterior, com a hora marcada para 09h45min.
Levantei-me, meu coração batendo forte enquanto tentava processar a mensagem que Carlisle havia deixado.
O pânico estava novamente presente, mas também havia uma determinação renovada. Dirigi-me para a primeira classe, decidida a encontrar Carlisle e Edward, e a entender o mistério por trás daquela mensagem antes que o ciclo se repetisse novamente.
Caminhei rapidamente pelo corredor em direção à primeira classe, o coração acelerado enquanto a mensagem de Carlisle ecoava em minha mente. Quando cheguei à cabine onde ele e Edward estavam sentados, senti um misto de alívio e urgência. Precisava contar tudo a ele antes que o ciclo se repetisse.
— Carlisle! — chamei, quase sem fôlego, ao me aproximar dele.
Carlisle me olhou com surpresa, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, comecei a falar apressadamente.
— Você me disse para falar de 1663 quando nos encontrássemos de novo! — Fiz uma pausa, vendo a expressão dele mudar de ceticismo para algo mais sério. — Você disse que foi onde tudo começou e que acreditaria em mim se eu te contasse isso. Estamos em um loop temporal, o avião vai cair em poucos minutos.
Carlisle franziu a testa, claramente tentando lembrar-se de algo. Edward, que estava na poltrona atrás, se levantou e parou ao meu lado.
Carlisle, ainda com o olhar fixo em mim, deu um leve aceno de cabeça.
— 1663... — ele repetiu. — Só eu e minha família sabemos sobre isso.
Edward, que estava ao meu lado, franziu a testa, claramente ciente da importância do que eu acabara de dizer.
— Como você sabia disso? — Carlisle perguntou, com a voz cheia de suspeita, mas também de preocupação.
— Você me disse no ciclo anterior, antes da explosão — expliquei rapidamente. — Você disse que acreditaria em mim. Precisamos agir rápido, Carlisle, o avião vai cair em minutos.
Carlisle assentiu, agora totalmente focado.
— Se você sabe sobre 1663, então eu acredito em você — ele disse com firmeza. — Vamos tentar impedir isso juntos. Pode me dar mais detalhes sobre o que está acontecendo?
Assenti, aliviada por finalmente ser levada a sério.
— Sim, eu já tentei de tudo, mas a explosão sempre acontece. Achei que alguém poderia estar sabotando o avião ou que poderia ser algum erro dos pilotos, mas não encontrei nada fora do comum.
Carlisle trocou um olhar significativo com Edward, que assentiu em silêncio.
— Nós faremos uma nova revisão, mas precisamos ser rápidos. O tempo está se esgotando, e se a explosão vai acontecer de novo, precisamos descobrir o que está causando isso — disse Carlisle, levantando-se.
Os dois começaram a caminhar pelo avião, observando cada detalhe e verificando cada canto em busca de algo que pudéssemos ter deixado passar antes. Segui de perto, meu coração batendo acelerado enquanto a tensão crescia.
Mas, por mais que procurássemos, não encontramos nada que pudesse explicar a explosão. Nenhum dispositivo, nenhuma pessoa agindo de forma suspeita, nada fora do normal. O avião parecia estar exatamente como em cada ciclo anterior, e isso só aumentava minha frustração.
— Edward? — Carlisle perguntou com uma expressão enigmática.
— Não há nada... — Edward murmurou, com os olhos fixos em Carlisle, sua frustração evidente.
Carlisle soltou um suspiro profundo, como se estivesse carregando o peso do mundo sobre os ombros.
— O que vamos fazer? — perguntei, minha voz trêmula enquanto tentava manter a calma. Sentia o desespero crescendo dentro de mim, ameaçando me dominar.
Carlisle me olhou por um momento que pareceu durar uma eternidade, sua expressão era pensativa, quase distante, como se estivesse lutando para encontrar a resposta certa.
— O que foi? — perguntei novamente, agora com uma sensação de medo que apertava meu peito, dificultando a respiração.
— Temos uma hipótese... — Carlisle finalmente respondeu, sua voz tingida de um tom sombrio que fez meu estômago se revirar. — Apenas uma possibilidade, mas pode ser nossa única chance.
Meu coração disparou. A intensidade em seus olhos deixava claro que ele estava prestes a sugerir algo perigoso, algo que poderia mudar tudo.
— O que é? — perguntei, minha voz quase um sussurro, enquanto uma ansiedade crescente tomava conta de mim.
Edward, que até então estava em silêncio, olhou para mim e depois para Carlisle antes de falar. Sua voz estava fria, calculada.
— Deve haver uma bomba no avião — ele disse, cada palavra carregada com uma certeza gelada. — Não vimos nada porque ela deve estar escondida em um lugar que ninguém pensaria em procurar.
A palavra "bomba" reverberou na minha mente, como um eco interminável. Meus olhos se arregalaram de puro choque e incredulidade.
Uma bomba? Como eu não havia pensado nisso antes? As peças começaram a se encaixar, e um calafrio percorreu minha espinha. O horror da situação parecia se intensificar a cada segundo.
Antes que eu pudesse formular uma resposta, o pior aconteceu. Um estrondo ensurdecedor ecoou pelo avião, e a explosão rasgou o silêncio com uma fúria avassaladora. Senti o impacto reverberar por todo o meu corpo, o avião tremendo violentamente sob meus pés.
Quando a explosão sacudiu o avião, o pânico tomou conta da cabine. O estrondo ensurdecedor fez com que tudo ao redor parecesse se desfazer em caos. O avião começou a perder altitude rapidamente, e o desespero nos olhos de todos à minha volta refletia o meu próprio.
Senti o chão tremer violentamente sob meus pés, e o medo se transformou em uma onda avassaladora. Foi nesse momento que Edward, em um movimento instintivo e protetor, me puxou para perto dele. Seus braços me envolveram com firmeza, como se, naquele gesto, ele pudesse me proteger de todo o horror ao nosso redor.
Eu sentia seu corpo tenso, cada músculo contraído em uma tentativa desesperada de manter o controle sobre uma situação que já estava além de qualquer salvação. Minha cabeça estava encostada em seu peito enquanto meus braços o apertavam com força. Por um breve segundo, o mundo parecia se silenciar, como se estivéssemos suspensos no tempo, apenas nós dois, enfrentando o inevitável.
Edward me segurou mais forte enquanto o avião caía, e eu pude sentir a determinação em seu abraço. Apesar do caos ao redor, havia algo de reconfortante na forma como ele me manteve junto a ele, como se, de alguma maneira, isso pudesse nos manter seguros.
— Eu estou aqui, Bella — ele murmurou, sua voz rouca e carregada de emoção, como se quisesse me tranquilizar, mesmo sabendo que o fim estava próximo.
Meus braços se apertaram ao redor dele, buscando conforto em sua presença. No meio de todo aquele medo e incerteza, o abraço de Edward era a única coisa que ainda me ancorava à realidade. Mesmo quando tudo ao nosso redor parecia estar desmoronando, aquele momento entre nós era uma promessa silenciosa de que, de alguma forma, ainda estávamos juntos.
Quando o impacto iminente se aproximou, fechei os olhos, segurando-me a Edward com toda a força que tinha, pronta para enfrentar o que viesse. E, em meio ao caos, me permiti acreditar que, juntos, poderíamos finalmente quebrar o loop.
O ciclo estava prestes a se repetir mais uma vez. Mas agora, com a confirmação de que algo sinistro estava em jogo, a bomba se tornava a peça-chave. Com essa nova informação, eu sabia que, no próximo ciclo, nossa prioridade seria encontrá-la e talvez, finalmente, essa descoberta pudesse ser a chave para quebrar o loop que nos aprisionava.
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