Ecos de Sangue e Estrelas

6 Recuperação e Reflexão


O som constante de monitores médicos e o leve zumbido do ar condicionado enchiam a sala do hospital enquanto Garrus Vakarian descansava numa cama reforçada, a armadura parcialmente removida e reparos médicos a serem aplicados nos ferimentos mais graves. A luz fria refletia nas paredes metálicas, dando à sala um ar clínico e quase impessoal, mas para Leaf Shepard, cada detalhe parecia amplificado pela tensão dos últimos acontecimentos.

Leaf permanecia sentada ao lado da cama, observando Garrus com uma mistura de preocupação e alívio. Ele estava vivo, consciente, e finalmente seguro depois de tudo o que tinham enfrentado. No entanto, a lembrança do drell assassino ainda pairava sobre ela como uma sombra persistente.

— Garrus, estás a sentir alguma dor? — perguntou Leaf, cuidadosamente, a voz ainda carregada da adrenalina e do medo das últimas horas.

— Apenas… algumas dores musculares e a armadura danificada deixou algumas contusões, — respondeu Garrus, com um tom rouco mas sereno, tentando aliviar a tensão no ar. Ele respirou fundo, os olhos fixos em Leaf por um momento. — Obrigado por me teres protegido. Foi… instintivo da tua parte.

Leaf sorriu ligeiramente, mas a preocupação não desapareceu.

— Instintivo ou não, não quero perder-te. Ele balançou a cabeça levemente, reconhecendo a sinceridade da sua preocupação, mas com o habitual pragmatismo que sempre a caracterizou.

A sala estava silenciosa à exceção dos monitores, e Leaf aproveitou para refletir sobre os eventos recentes. A presença do drell assassino ainda estava gravada na sua mente, os seus olhos pensativos e fixos em Garrus. Havia algo naquela figura misteriosa que a incomodava não apenas o perigo que representava, mas algo mais, algo difícil de compreender. Leaf sentiu um misto de apreensão e curiosidade.

— Leaf… — murmurou Garrus, quebrando o silêncio. — Achas que ele vai voltar?

Leaf desviou o olhar por um instante, considerando cuidadosamente as palavras.

— Não sei. Mas algo me diz que isto não foi um encontro isolado. Ele não se comportou como um inimigo comum. Observava-nos… estudava-nos. E essa pausa… não é típica de alguém que procura apenas eliminar alvos.

Garrus assentiu lentamente, compreendendo a gravidade do que ela dizia.

— Então temos de nos preparar. Não apenas para o que ele possa fazer, mas para o que significa para nós.

Leaf respirou fundo, apoiando a mão na cama, próxima da mão dele. A ligação entre os dois era evidente que não era apenas de companheiros de combate, mas cúmplices numa situação que testava cada limite físico e emocional. Ela sentiu uma onda de responsabilidade: proteger Garrus era prioridade, mas a presença do assassino indicava que algo mais estava em jogo, algo que ainda não compreendiam completamente.

— Vamos sair desta, Garrus. Sempre saímos. — A sua voz estava firme, determinada. Ele sorriu levemente, confiante.

Leaf respirou fundo, apertando levemente a mão de Garrus, determinada a proteger o seu amigo e a enfrentar o que quer que estivesse por vir.

Fora do hospital, a cidade permanecia silenciosa, mas Leaf sabia que a sombra do drell não desapareceria. Algo naquele encontro a deixava inquieta, uma sensação de que o perigo e a complexidade dos sentimentos envolvidos apenas começavam a emergir.

Enquanto Garrus recuperava sem risco de vida, Leaf manteve-se vigilante, os olhos constantemente a percorrer a sala e o corredor. A presença silenciosa do assassino continuava a pairar no seu pensamento, a promessa de que o próximo encontro poderia mudar tudo novamente.