Ecos de Sangue e Estrelas
21 O Silêncio da Manhã
A manhã na base militar despertou com uma calma enganadora. O sol artificial iluminava os corredores e a plataforma de lançamento, enquanto Leaf Shepard se preparava para mais uma missão. Apesar da tensão emocional do episódio da noite do beijo, a vida continuava. Leaf vestiu o uniforme com cuidado, sentindo o peso da responsabilidade sobre os ombros. Garrus Vakarian estava ao seu lado, a verificar os sistemas de armas e comunicação, como sempre atento a cada detalhe.
— Tudo pronto, Leaf? — perguntou Garrus, a voz firme, mas com um toque de preocupação que não conseguia esconder.
Leaf assentiu, ainda sentindo o nervoso miudinho da noite do beijo a percorrer-lhe o corpo.
— Sim. Vamos a isto. — Apesar de estar concentrada na missão, a memória do beijo inesperado de Thane ainda a distraía de forma subtil.
Thane Krios estava já na sala de preparação, silencioso, observando os monitores à sua frente. Leaf reparou imediatamente na postura dele: impecável, controlada, como se nada tivesse acontecido na noite anterior. Cada movimento era calculado, preciso, e o seu olhar permanecia distante, mas atento a tudo. Leaf sentiu uma pontada de frustração misturada com curiosidade, Thane escondia muito, como sempre, mas desta vez a sensação era diferente, havia algo mais, algo que ela não conseguia decifrar.
— Estão a ver aqui estes pontos? — perguntou Leaf a Garrus, apontando no monitor, onde numa forma discretamente e reservada Thane, ouvia Leaf com atenção, sobre a missão.
Garrus percebendo alguma tensão no corpo dela e franziu a testa
— Leaf… estás bem? — A voz dele era baixa, mas carregada de preocupação e com uma leve irritação.
— Sim, estou Garrus. — Com um leve riso nervoso.
Leaf respirou fundo, tentando focar-se na missão que se aproximava. A equipa estava a ser preparada para investigar um ponto suspeito de contrabando em órbita, e cada detalhe teria de ser perfeito. Ela sabia que Thane Krios seria fundamental para o sucesso, mas também compreendia que a sua presença silenciosa e reservada aumentava ainda mais a tensão.
Enquanto caminhavam até à plataforma de lançamento, Leaf sentiu os olhares calculistas de Thane sobre ela. Ele não falou, não demonstrou emoção, mas cada gesto silencioso parecia medir cada passo dela. Leaf percebeu que a distância emocional que ele impunha não diminuía a intensidade da sua atenção, pelo contrário, tornava cada interação carregada de significado.
— Vamos manter a equipa unida, — disse Garrus, quebrando o silêncio do caminho. — Cada um de nós tem um papel crítico. Thane, vais cobrir Leaf e monitorizar os flancos.
Thane apenas assentiu, mantendo a expressão imperturbável. Leaf respirou fundo, consciente de que ele estava ali, mas não como alguém que expressava sentimentos, estava ali como um guardião silencioso, enigmático, imprevisível. O nervoso miudinho ainda corria pelo corpo dela, mas a clareza da missão exigia foco total.
Enquanto se preparavam para a decolagem, Leaf olhou de relance para Thane. Ele permanecia impassível, cada músculo tenso mas controlado, como se nada tivesse acontecido. E, no entanto, Leaf sabia que algo tinha mudado entre eles. A relação com Thane Krios tinha entrado numa nova fase silenciosa, reservada, mas carregada de tensão e emoções não ditas.
O silêncio da manhã não era apenas calma antes da tempestade, era a tensão que antecedia uma dinâmica complexa entre eles três, onde cada gesto, cada olhar e cada decisão teria significado. Leaf respirou fundo, preparada para a missão, mas consciente de que a tensão emocional com Thane não seria fácil de ignorar.
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