Ecos de Sangue e Estrelas

3 A Sombra e a Granada


Leaf Shepard continuava a correr pelo terreno aberto, o corpo em alerta total. O peso do corpo de Garrus ainda se fazia sentir nos braços, apesar de ele já ter recuperado alguma consciência depois da explosão. A adrenalina ainda pulsava, mas cada fibra do seu ser estava centrada na sobrevivência.

— Temos que encontrar cobertura sólida, rápidamente! — disse Garrus, ofegante, enquanto se apoiava levemente numa parede de destroços. — Estes Batarian não vão desistir tão facilmente.

Leaf assentiu, mas o seu olhar captou algo que a fez parar por um instante. Uma sombra movia-se rapidamente entre os escombros mais à frente, quase imperceptível. Por um segundo, um arrepio percorreu-lhe a espinha. Era silenciosa, mortífera, e emanava uma presença que não pertencia àquele campo de batalha. Leaf sentiu uma estranha mistura de medo e curiosidade.

Antes que pudesse reagir, uma granada Batarian explodiu junto dela. Leaf foi empurrada para o lado, mas não a tempo de impedir o impacto das estilhaços que ricochetearam em torno dela. O chão tremeu, e uma onda de calor queimou-lhe a cara. Leaf sentiu a sua visão turvar, mas manteve-se firme, respirando fundo e tentando localizar Garrus.

— Leaf! — a voz de Garrus soou ao seu lado. Ele surgira como um reflexo, cobrindo-a com o corpo num movimento instintivo.

A explosão que se seguiu depois havia acertado na armadura Garrus, lançando-o para o chão com força. Leaf, em choque, viu-o inconsciente, a armadura danificada e o rosto ferido. Um nó formou-se no seu estômago, misturando medo e urgência.

Leaf agachou-se rapidamente junto dele, avaliando o dano. Apesar do impacto, Garrus estava respirando, não havia ferimentos mortais. Mas o turiano estava fora de combate e vulnerável. Ela precisava de reagir. A sombra do drell ainda permanecia à distância, imóvel, observando. Era como se o assassino medisse cada movimento, calculando o momento certo para intervir.

Leaf sentiu o peso da responsabilidade. Com cuidado, arrastou Garrus para um abrigo parcial, usando os escombros como escudo improvisado. A adrenalina misturava-se com a tensão emocional ela não podia permitir que Garrus fosse atingido novamente, e ao mesmo tempo, não podia subestimar a ameaça silenciosa à sua frente.

Aos poucos, Leaf conseguiu erguer-se, mantendo-se entre Garrus e a sombra distante. O assassino continuava a observá-los, os seus olhos frios e penetrantes fixos em Garrus, como se reconhecesse algo no turiano. Um arrepio percorreu a espinha de Leaf: sentiu que aquele drell não estava ali por acaso.

— Quem… és tu? — murmurou, quase para si mesma, com a voz carregada de desconfiança.

O drell não respondeu. Limitou-se a permanecer imóvel, a estudar cada movimento, cada respiração. Leaf percebeu, então, que não se tratava apenas de mais um inimigo. A sua presença tinha uma estranha calma, quase hipnótica. Leaf ergueu o olhar, o corpo em posição defensiva, pronta para qualquer ataque. O silêncio entre eles parecia eterno, e a tensão do momento era quase sufocante.

Leaf respirou fundo, mantendo-se firme, decidida a proteger Garrus a qualquer custo. O drell continuava a observá-los, e naquele instante ficou claro: este encontro seria apenas o início de algo muito maior.