Ecos
5 Capítulo 5 - Amigo é para essas coisas!
Notas iniciais
Ecos
Capítulo 05 – Amigo é para essas coisas!
O sol entrava pela janela passando pelas frestas da fina cortina esquentando o rosto de Shuuhei, fazendo-o acordar. A cabeça latejava com vontade, mesmo apertando suas têmporas. Piscou algumas vezes antes de reparar onde estava: na cama de Kensei. Ergueu metade do corpo, mas voltou a se recostar no colchão devido a uma leve tontura.
Passou a mão na testa, meio confuso sobre o que tinha acontecido na noite passada. Estaria passando mal?
Tinha conhecido alguns dos outros vaizards, derrotaram o hollow, saíram para aquela coisa chamada boate para comemorar, a Lisa lhe contou a história da caçada e depois... Depois...
As mãos agarraram rápido o travesseiro tampando seu rosto. Deixou apenas os olhos à mostra voltados para o teto. Suas bochechas já estavam ficando laranja de tão envergonhado.
- E-e-eu... Eu realmente fiz isso?! – perguntou a si mesmo, recordando de quando chegou ao apartamento.
Ele o provocou daquela maneira... Tinha pedido para Kensei... E então... Então o beijou! E ainda... Ainda foi jogado daquela forma na parede... Com Kensei o acariciando, agarrando suas pernas... Beijando seu pescoço, lambendo seu corpo. Ah! O corpo de Kensei contra o dele... Tinham... Tinham mesmo feito aquilo tudo, ou era só um sonho?!
Cambaleante correu até o banheiro analisando seu pescoço diante do espelho e arregalou os olhos quando passou a mão por cima de várias marcas; vermelhas e roxas nele.
Tampou a boca sentando-se no próprio chão frio dali; aquilo realmente tinha acontecido.
- Merda! – esbravejou.
Como pode ser tão atirado?! Porque o provocou desse jeito! Esse tipo de coisa não se faz a outro homem; era óbvio que seria atacado... Atacado?!
“Eu quero que você me ataque.”
Lembrou-se da frase que instigou tudo aquilo. Tremeu por alguns segundos para se desesperar em seguida.
- AH!!! – gritou nervoso, abraçando a própria cabeça. – O que Kensei-san deve pensar de mim!!!
Já sabia que a bebida o deixava mais alegre, mais receptivo, porém jamais esperava deixar as suas vontades escaparem dessa forma. Mas ainda bem eles pararam antes que qualquer outra coisa acontece-se, ainda bem...
“Ainda bem?”
Certa tristeza brotou em sua face. O peito ficou apertado, carregado. Ele queria, mesmo bêbado, queria Kensei de todos os jeitos possíveis. Não se importava em ser envolvido por ouro homem, aliás, sabia: se fosse Kensei o deixaria fazer de tudo com ele. Isso assustava um pouco.
As íris tremeluziam junto com a luz fraca do ambiente. O dia mal nascera e seu corpo já pedia por mais descanso. Pensou nas vezes em que saiu com os amigos depois do expediente e agradeceu por nunca ter feito algo desse tipo na frente deles. Essas coisas só aconteciam com Kensei, ele só se sentia assim quando era ele e apenas ele.
- Acho... – começou a balbuciar com o punho na frente da boca abafando um pouco sua fala – Que eu tenho de conversar com o Kensei-san...
Respirando fundo algumas vezes e tomando coragem, Shuuhei se levantou do banheiro, ainda corado, procurando por Kensei. A cozinha estava vazia assim como a sala. Estranho. A cabeça doía e ainda estava tonto. Onde ele teria ido? Ao mercado? Pela hora, talvez sim. Resolveu por ir deitar de novo, esperando a ressaca passar. Antes pegou um pouco de gelo e enrolado num pano, improvisava uma bolsa fria. A ajeitou no meio da testa, sentando-se na cama.
Tinha receio de não ser mais bem recebido por Kensei, mas depois de tudo isso, era impossível não dizer a verdade a ele; contaria sobre sua identidade, sobre ser o tal garotinho perdido em lágrimas do Rukongai, e sobre admiração por ele.
Bufou exausto com suas resoluções jogando-se no meio dos travesseiros. A tontura chegou diante de seus olhos de novo e uma vontade de vomitar foi suprimida. Detestava quando isso acontecia.
- Nunca mais eu bebo assim de novo... – também já perdera as contas de quantas vezes disse isso.
Uma ligeira brisa se apossou do quarto movimentando o lençol da cama junto com um pequeno pedaço de papel que sobrevoava diante de Shuuhei. Estendeu o braço até alcançá-lo vendo os ideogramas neles.
Sentou-se deixando o gelo cair, lendo faminto o texto com o coração já pulsando rápido; era uma mensagem de Kensei.
“Tive de ir ver uma emergência e talvez demore uns dias. Desculpe, não deu para me despedir direito de você.
PS: Quando voltar ao mundo real venha me ver.
Kensei.”
Shuuhei prendeu a respiração durante toda a extensão do curto texto. No seu fim uma rápida amargura apossou-se dos seus sentimentos, mas logo em seguida, sorriu, com o rosto ainda tristonho, ao mesmo tempo em que dizia para si mesmo em voz alta:
- Ele quer me ver de novo...
Jogou o corpo na cama com os braços esticados de cada lado. Deixou uma lágrima escorrer até encontrar o tecido do cobertor mantendo o sorriso um pouco amargo. Mesmo que Kensei tivesse ido embora o deixando sozinho como antes, a pequena esperança de vê-lo novamente aquietava seu peito, relaxando os seus músculos. O meio da testa ainda doía, e o estômago sem alimento algum reclamava do vazio. Deixou as pálpebras descerem devagar até estarem fechadas, entregando-se enfim ao sono.
Acordou quando já eram quase duas da tarde, faminto, assaltando a geladeira. Recostou-s na porta da cozinha com um pedaço de pão com queijo pendurado na boca. Ainda estava sem notícias de Kensei.
Respirou fundo, ainda magoado, porém preocupado; qual emergência teria sido essa para sair tão de repente? Frustrado terminou o lanche indo fazer a ronda pelos arredores. Estava tudo tranqüilo depois da morte daquele hollow, deveria ser ele quem estava atraindo os outros.
Parecia ontem que tinha chegado ao mundo real, mas dali á dois dias o portal se abriria para a Soul Society. E ainda, ele não tinha voltado.
A semana acabou, por fim, enchendo os pensamentos de Shuuhei com perguntas; não havia visto os outros Vaizards, e mesmo Urahara-san desconhecia seu paradeiro. Suas reiatsus tinham desaparecido daquela parte da cidade, e nenhum fato estranho chegou a ocorrer para lhe dar alguma solução.
Shuuhei via-se novamente perante a vitrine fosca na qual tinha se deparado com a figura de cabelos prateados no meio da multidão. A rua estava vazia devido ao fim de semana e à hora. Contava os minutos desejando que eles não passassem, ou que Kensei aparecesse ali, mas dessa vez mesmo com toda a força de seu pensamento, nada aconteceu. O portão de madeira se materializou na sua frente, e a borboleta negra saía dele para lhe guiar de volta. Caminhou até ele torcendo por um milagre. Parou a um pé antes de entrar voltando-se para trás. Apenas o vento e o silêncio angustiante o observavam. Baixou sua cabeça, tristonho, enquanto o portal se fechava, deixando a imagem do mundo real para trás.
Reconheceu a entrada da Soul Society pouco tempo depois. Estava de volta a sua casa, mas então, porque sentia como se não pertence-se aquele lugar, como se algo faltasse?
Dirigiu-se com os passos pesados até seu esquadrão onde fez um rápido relatório sobre sua estadia no mundo real. Faria o documento mais detalhado depois, sem mencionar a presença de Kensei ou de qualquer outro vaizard: seria como se nem existissem.
Passou os próximos dias um pouco avoado, perdido nos seus pensamentos. Volta e meia se pegava recordando sobre o período no apartamento de Kensei, as dúvidas, as rápidas e agradáveis conversas, a felicidade ao saber que se lembrava dele, a noite daquele beijo.
O rosto corava sempre nessa hora, fazendo-o perceber onde estava e que demonstrar tais feições no meio do dia deveria ser no mínimo embaraçoso.
Tornou a ler os registros á sua frente, espreguiçando-se volta e meia pelo cansaço.
- Shuuhei... Você precisa relaxar cara. – a voz veio na mesma velocidade que a porta se abriu revelando os cabelos ruivos de Renji.
- Estou ocupado. – retrucou o outro ainda analisando os papéis.
- Tu só tem trabalhado no último mês! Já ta na hora de descansar um pouco, se divertir.
- Seu tipo de diversão ou o meu?
- O nosso. – sorriu – Vamos sair hoje à noite com o Kira e a Matsumoto e beber!
Ah! Beber? Não tinha vontade nenhuma de ficar bêbado de novo depois da última vez, na festa de comemoração que a Mashiro e a Lisa sugeriram...
- Valeu, mas vou passar dessa vez. – respondeu pegando a pena do tinteiro.
- Ah! Qual é! – Renji aproximou-se dele, passando o braço em volta de seu ombro – Vai ser a velha saidinha pra encher a cara e falar mal dos outros, deixa de ser fresco!
Shuuhei bufou abaixando por fim as folhas na mesa.
- Você não vai me deixar em paz, né?
- Só quando disser sim.
Uma veia chegou a pulsar da testa de Shuuhei, mas conteve-se. Talvez ele precisasse mesmo espairecer um pouco.
- Tudo bem eu vou.
- Beleza! A gente se vê depois do expediente no lugar de sempre! Agora eu fui, antes que o Kuchiki-taichou perceba que eu saí!
Renji saiu porta à fora deixando Shuuhei com a mão apoiada no queixo enquanto bufava. O amigo não tinha jeito.
Quando a noite caiu e o silêncio reinava no esquadrão Shuuhei caminhou devagar para o local de sempre, onde bebia com os amigos; a sala de reuniões de Matsumoto. O capitão dela já estaria fora nesse horário, e os quatro poderiam se esbaldar até de manhã.
Ao chegar já escutava de longe os risos e comentários altos deles. Bateu na madeira coçando a cabeça e entrando.
- E aí. – falou um tanto quanto desanimado.
- Shuuhei! – gritou Matsumoto – Você veio! Renji e Kira me devem uma rodada de sake!
- Ah! Eu sabia que ele vinha! – comentou Renji – Senta, pega uma garrafa e começa a bebedeira!
- Abarai... – a voz suave de Kira contrastava bastante com a dos outros – Deixe o Hisagi sentar primeiro.
- Mas a idéia é ele sentar já bebendo!
- Vamos Shuuhei não seja tímido! – antes de qualquer comentário, ele já tinha um copo na mão e uma garrafa entregues por Matsumoto.
- Já que não tem jeito... – disse tomando numa golada só a bebida quente, descendo e rasgando a garganta.
Passaram-se horas assim com os amigos se esbaldando nas brincadeiras e conversas, muitas sem sentido, outras mais engraçadas. Matsumoto e Renji já estavam visivelmente bêbados, quase caindo de sono. Kira, desacostumado com tudo isso, cochilava às vezes com o copo na mão e apesar de controlado, Shuuhei também sentia a diferença em seu corpo, e o rosto ardia.
Olhava para o líquido e o balançava em círculos fazendo-o bater nas bordas do copo branco. Aquela cena tão alegre fazia-o se lembrar de Kensei e da saída à boate, principalmente quando tinha ficado alterado ao ouvir a história de Lisa, e mais ainda, quando de certa forma, tinha se entregado à ele. Mesmo que tivessem parado no meio do caminho, aquilo tinha sido uma experiência incrível. E o bilhete... Kensei queria vê-lo de novo... O que tudo aquilo significava? Seria porque ele precisava lhe pedir desculpas pelo ocorrido? Ou talvez quisesse terminar as coisas, conversas sobre o assunto... Tantas coisas passavam por sua cabeça, mas nada fazia sentido. O que ele sentia por Shuuhei? Seria pena, ou uma afeição, ou apenas um dever a ser cumprido, uma lembrança de seus dias de glória como capitão que tinha vontade de preservar, de manter segura por seu próprio ego... Essa lhe era a resposta mais provável. Mas mesmo assim em seu peito, os sentimentos por Kensei ainda pulsavam com força indo além da admiração juvenil, para uma paixão intensa. Importava-se tanto assim com o que ele pensava dele? Sim de fato, isso contava e muito, e para assustá-lo ainda mais, sabia que se fosse para tê-lo, mesmo por uma noite, deixaria de lado essas dúvidas, essas verdades, e mesmo por pena, deixaria tomá-lo sem hesitação...
Viu as faces risonhas dos amigos ao levantar sua cabeça. Kira já dormia sem condições de continuar bebendo. Matsumoto quase caía também, e Renji se mantinha de pé, ou melhor, sentado, com a garrafa pela metade na mão.
Respirou fundo com o olhar longe, ainda perdido em seus pensamentos, quando disse sem perceber:
- É errado gostar tanto de uma pessoa que não importa o que ela faça com você, ainda a amaria da mesma forma?
Os dois cessaram os risos voltando-se para ele. Aquilo não era uma piada para cortar o clima nem um comentário á toa, Shuuhei tinha a expressão mais sincera e triste quando falou aquilo.
Matsumoto encarou Renji sem palavras tentando bolar alguma coisa, até finalmente se pronunciar.
- Na minha opinião esse é o melhor tipo de amor que existe... – ah os olhinhos de raposa daquele homem ainda perturbavam a mulher depois de tanto tempo — Mas você também não pode deixar que ele te controle, ou te machuque. Tem de ser forte para agüentar e saber quando dizer não.
- E se eu não souber o que essa pessoa pensa?...
- Daí você pergunta, oras! – exclamou a mulher balançando os fartos seios – Se você não sabe vai ficar se martirizando á toa?! Simplifique, ué!
- Mas é que... – falou abaixando a cabeça – Isso não é tão simples assim...
- Como assim?
Shuuhei deu mais uma golada o copo. Seria prudente falar disso com eles? Talvez sim, eram os amigos mais próximos que tinha, eles saberiam entender. Qualquer coisa culparia a bebida.
- E quando a pessoa que você gosta... Quer dizer, quando você gosta de alguém não importa, né? Se ela é uma mulher... Ou um homem... – fez uma breve pausa, dando a entender sobre o que falava – No final das contas, só os sentimentos são importantes. Se alguém é especial para você essas questões físicas são... Triviais, certo?...
Matsumoto se calou, de novo, sem palavras para responder ao amigo. Certo, aquilo tinha sido um choque, mas não o estava julgando, apenas surpresa. Foi quando a voz de Renji irrompeu na sala:
- É claro que não importa. – diferente de antes estava sério agora – Mulher, homem, essas coisas são ridículas, não dá pra escolher de quem se gosta. Você se apaixona pela pessoa, pelo o que ela representa pra você, e não pelo seu exterior...
Parecia ser outra pessoa dizendo aquelas coisas. No entanto, o olhar de Renji o entregava; ele tinha alguém assim na sua vida, uma pessoa pela qual acabou se apaixonando apesar das circunstâncias.
Matsumoto chegou a soltar um rápido riso para depois voltar a beber. Shuuhei ficou encarando Renji por alguns minutos, até os dois resolverem virar mais umas duas ou três garrafas...
Depois que a bebida tinha finalmente acabado, Matsumoto despediu-se dos outros dois, estirando-se no sofá dormindo, enquanto Renji ajudava Shuuhei a caminhar pelos corredores até o dormitório do seu esquadrão. Quando chegaram lá, o ruivo fechou a porta deitando Shuuhei no chão.
- Eu nunca pensaria que você gostava tanto assim de uma pessoa... – comentou o moreno ao encostar-se no assoalho de madeira. Renji estava sentado do seu lado com a cabeça jogada para trás.
- E eu nunca pensei que você gostasse de outro cara. – rebateu deixando o outro sem graça.
- Não sei ao certo se “gosto de outro cara” é a melhor expressão... Só me sinto assim com ele...
Seu rosto tomou um ar um pouco mais triste. Lembrar-se do abandono de Kensei e das esperanças deixadas por ele sempre o deixavam nesse estado.
Renji olhava para o amigo e além de surpreso, impressionava-se com a profundidade dessa tal amor que ele sentia. Talvez fossem mais parecidos ainda do que tinha pensado.
O ruivo sorriu com a idéia de sua mente. Apoiando-se melhor, chegou à cabeça para perto da de Shuuhei, falando:
- É só com ele mesmo? Será que você não tem uma quedinha por homens no geral, não? – Shuuhei o encarou com o pouco de noção da realidade ainda presente, quando sentiu, então, a mão dele caminhando sobre suas roupas até a parte de baixo delas.
- Renji! – exclamou absorto segurando os punhos dele – O que você ta fazendo?!
- Tirando suas dúvidas. – aproximou-se aos poucos, encostando por fim seus lábios no dele.
No começo, Shuuhei chegou a resistir um pouco trincando os dentes e tentando empurrar Renji, debatendo-se. Mas depois de duas ou três investidas, nem percebeu quando sua boca abriu-se para receber a do amigo, e a mão dele já brincava por cima das roupas, na região já desperta do meio de suas pernas.
Afastando-se, Renji disse olhando para o rosto envergonhado do outro:
- Você já esta excitado só com isso Shuuhei, tem certeza que não gosta de homens? – riu.
Arregalando os olhos Shuuhei jogou o corpo para trás tampando a boca com o antebraço. Respirava ofegante, cheio de perguntas mal resolvidas, mas no meio delas, uma única resposta sobressaiu.
- Se alguém faz isso comigo é lógico que meu corpo vai reagir. Mas os meus sentimentos não mudam... Eu só me sinto completo se fizer essas coisas com ele e mais ninguém.
Apesar de estar esperando um soco ou uma risada sarcástica dele, Renji apenas sorriu, dessa vez, de uma forma mais calorosa, como se aquele fosse no final o seu objetivo.
- Ta aí sua resposta. Se você só quer ficar com ele, se só se importa de fazer isso com ele, então não interessa se é outro homem: o que importa é nunca negar esses sentimentos, e entender que não se escolhe a pessoa que você se apaixona.
- Renji... – Shuuhei abaixou o braço parecendo mais absorto ainda. Nunca tinha presenciado a imagem mais séria do amigo, mais decidida, como se soubesse de tudo. Talvez ele tenha repetido essas palavras diversas vezes para ele mesmo, a fim de se convencer delas.
Tudo isso sobre mulheres e homens, só passavam de uma figura externa. Kensei era muito mais do que isso para ele. Era uma sensação pesada e gostosa ao mesmo tempo, quente, e acima de tudo, enlouquecedora. Se eram estes seus sentimentos, então realmente, Renji estava certo: tudo o que importava agora era ficar com ele.
- Obrigado Renji. – falou, com uma pequena vontade de chorar.
- Disponha. – o ruivo foi se achegando mais perto até encostar a mão em seu rosto – Agora deixa eu tirar esse rostinho triste de você.
Agarrou suavemente com as duas mãos o rosto do outro e deu-lhe outro beijo enquanto afagava suas bochechas deixando-as mais vermelhas ainda.
- Renji – disse entre a troca de carinhos – eu já entendi o recado...
- Eu disse que ia tirar esse seu rostinho triste. Amigos também confortam uns aos outros. – sorriu – Então não se preocupe nós só vamos afogar nossas mágoas.
A boca invadiu a de Shuuhei mais uma vez dessa vez rodopiando sua língua na dele, adentrando o mais fundo possível nela, de forma intensa. Da face, a mão foi se esgueirando até a altura do abdômen abrindo a blusa preta e revelando melhor seu corpo. Deixando-se levar o moreno fez o mesmo na roupa de Renji e o peito desnudo dos dois se uniram quando o ruivo deitou por cima dele. Acariciavam um ao outro no meio da troca de beijos e sentiam a excitação dos dois por debaixo das vestes de shinigami.
- Shuuhei se quiser, pode pensar nele enquanto isso, eu não me importo. – falou na ponta de seu ouvido.
De imediato o moreno o empurrou um pouco para deixar seus rostos á mostra.
- Mas isso não seria justo... – disse, envergonhado.
Renji surpreendeu-se com o comentário dele, sorrindo.
- Então vou ser bem egoísta agora e pensar só em você. – mordeu a ponta da orelha, fazendo Shuuhei soltar o primeiro suspiro.
Renji contornou seus lábios com a língua, vagarosamente, atiçando a vontade do outro. Quando as bocas se juntaram de novo, passou a desamarrar a fita da calça dele, agarrando seu membro ao mesmo tempo em que um longo gemido se prolongou da garganta dele.
Pegando a mão de Shuuhei o ruivo a levou até a altura de sua calça. Já entendendo, o moreno a desamarrou também, segurando o falo do outro, que dessa vez soltou a voz num espasmo.
As ereções se encostavam sendo acariciadas pela mão um do outro, já molhadas e escorregadias. De vez em quando, tinham de segurar com mais afinco para não deixar os membros escaparem, o que os enlouquecia mais ainda.
Os dedos apertavam, puxavam, e moviam-se devagar até irem aumentando a velocidade deliciosamente aos poucos. Os dois tentavam manter os beijos ritmados, mas os gemidos e a respiração falha atrapalhavam. As pernas de Shuuhei quase se entrelaçavam na cintura de Renji, mantendo os dois unidos.
O ruivo desceu a língua passando por seu pescoço mordendo de leve a carne dele. Shuuhei mordia o ombro do outro enquanto isso, apertando suas costas.
Nunca tinha visto Renji tão perto, e de uma forma tão sedutora. Os cabelos revoltos pendendo na frente do rosto deixavam-no como mesmo? Sexy? Sim, o corpo tatuado e definido dele, os movimentos, as expressões de prazer, tudo isso o instigava mais ainda.
- Ren...ji! – exclamou, já sentindo a vontade de chegar ao clímax.
- Deixa sair. – respondeu o outro, aumentando a velocidade assim como os gemidos de ambos.
Com um grito, Shuuhei deixou o líquido explodir para fora, escorrendo pela mão de Renji, assim como sentia o dele pela sua, enquanto tinha sua orelha mordiscada. Os espasmos continuaram por mais alguns segundos, até o ruivo, cansado, sair de cima dele deitando-se do seu lado.
A exaustão mútua deixou os dois daquele mesmo jeito até a manhã seguinte quando despertaram. Shuuhei foi o primeiro, levando um susto ao ver o amigo daquela forma, envergonhado.
- Dia... – falou Renji erguendo o tronco e bocejando.
- “Dia”?! Só tem isso pra falar?! Ou você tava tão bêbado que se esqueceu da noite passada? – esbravejou já sem saber ao certo se estava puto com o amigo ou com ele mesmo.
- Eu me lembro muito bem. –falou o encarando – Mas como eu disse, nós só estávamos afogando nossas mágoas.
Chegando para perto dele, disse, diante de seus olhos, o encarando:
- Sou seu amigo Shuuhei, e amigos são pra essas coisas também, pra chorar, pra rir junto, pra deixar o outro sem graça, e também para dar um pouco de felicidade, e uma noite tranqüila depois de tanto exercício. – sorriu – Eu sei que nós não vamos mandar flores um pro outro no dia seguinte, e que vamos continuar nos tratando como sempre. Isso foi só uma saída qualquer que dois caras bêbados fizeram nada de mais, então relaxa!
Bagunçando os cabelos do moreno, Renji se levantou ajeitando as roupas. Naquele instante, Shuuhei sentiu-se tremendamente sem graça, mas de uma forma estranha, feliz. Sorriu com o fato de ter um amigo tão complicado e ao mesmo tão simplista.
- Obrigado Renji. – falou baixinho por fim com o amigo já na porta.
- Tranqüilo. – virando-se de costas e amarrando os longos cabelos, continuou, num tom mais suave — Agora, eu preciso correr, já ta na hora de ver aquela pessoa, maníaca por trabalho, que já deve estar debruçado na escrivaninha assinando documentos.
Shuuhei levantou rapidamente a cabeça com seu último comentário. Poderia ser?... Ah! Deixa pra lá! Essa conversa ficaria para outra hora. Mas ainda sim, tinha ficado um pouco impressionado com aquilo.
Quando estava finalmente sozinho, deixou o corpo cair para trás de novo com os braços esticados. Pensativo, deixou um sorriso escapar dos lábios, adornando sua face com uma expressão serena.
- Também quero te ver de novo, Kensei...
Continua
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