Ecos

3 Capítulo 3 - Só por curiosidade...


Notas iniciais
Então gente, este capítulo é maiorzinho, mas como eu prometi, tem cenas mais picantes!Por favor, não me matem depois de lerem o final! Mas eu tenho que fazer suspense! >___

Ecos

Capítulo 03 – Só por curiosidade...

O apartamento continuava silencioso. Os passos dos dois ecoaram pelo assoalho. Shuuhei retirou os sapatos na entrada enquanto Kensei guardava as compras.

- Vou fazer a janta. – gritou do cômodo.

- Ah, eu ajudo.

Chegou à cozinha já sendo designado para cortar alguns legumes enquanto o outro fazia o caldo de uma sopa, afinal, estava frio.

Só de ficar no mesmo ambiente por mais de cinco minutos seu rosto já adquiria um leve rubor. Kensei apoiava uma das mãos na cintura enquanto a outra mexia a panela. Estava focado nos ingredientes. Não era um bom cozinheiro, guiava-se por um livro de receitas, e de certa forma, essa imagem causou-lhe um pouco de graça. Era divertido vê-lo como alguém um pouco mais desastrado. Sem perceber, deixou um sorriso escapar de seus lábios.

- Ai! – exclamou levando o dedo á boca.

- O que? – Kensei aproximou-se enxugando as mãos.

- Nada, só um corte.

Idiota. Como foi conseguir se cortar fazendo uma coisa tão simples? Claro, nada era simples na presença de Kensei.

- De boa, toma cuidado, comida com gosto de sangue não é bom para o estômago.

Shuuhei deu uma risada, sem graça, querendo esconder o rosto. Quando reparou um curativo já estava feito em seu dedo.

- Obrigado...

- Você agradece demais.

Corou de novo, voltando a fatiar os legumes.

Kensei tentava observá-lo enquanto fazia a sopa. Ele estava sem jeito. Talvez desconfortável com a situação. Mas ele não iria perguntar. Nunca havia ficado com outra pessoa em seu apartamento além dos seus amigos de longa data; na maioria das vezes, Mashiro lhe fazia companhia. Dormia na casa de quem fosse mais conveniente e para o azar de Kensei ela achava que esse lugar era seu apartamento. Por sorte, tinha saído da cidade junto de Lisa para fazer uma busca pelos hollows fugitivos. Talvez tivesse um pouco de paz e silêncio.

Convidar o shinigami para uma temporada de férias também não estava em seus planos, mas precisava saber o que aquela tatuagem em seu rosto significava. Claro, jamais diria isso diretamente a ele. A desculpa da caçada ao hollow era perfeita. Precisava de mais tempo para analisar a situação e encontrar o momento perfeito, mas agora, tinha de se focar na droga da sopa, que parecia estar queimando.

Sentaram-se numa mesinha entre a cozinha e a sala para comer. Shuuhei batia a colher rapidamente no fundo do prato sem deixar a boca vazia, evitando uma conversa.

Kensei chegou a arquear uma das sobrancelhas vendo-o tomar a sopa tão apressado.

- Vai passar mal se comer assim.

Ele engasgou. De tudo o que podia fazer, foi logo engasgar. Pousou a colher do lado do prato tossindo um pouco, fazendo Kensei o olhar estagnado.

- E-e-eu estou cansado! – respondeu quando recuperou o ar, vermelho, lógico, mas ao menos tinha uma desculpa – Quero terminar logo para dormir...

- Ah sim... Espero que não se incomode em ficar no sofá, já que você alugou minha cama por três dias.

Ele ficou pálido, tossiu de novo, mas estava pálido. Sem conseguir segurar o riso, Kensei voltou a falar.

- Foi brincadeira, eu não me importo com essas coisas.

Shuuhei acenou com a cabeça, voltando a tomar a sopa. Céus! Aqueles dias passariam mais devagar do que havia pensado.

Levou seu prato para a cozinha lavando a louça. Voltou para a sala onde viu um cobertor e algumas almofadas no sofá.

- Desculpe, eu não costumo ter visitas aqui.

- Tudo bem.

- Bom, eu acho melhor ir dormir também, o dia foi cansativo. Boa noite Shuuhei.

- Boa noite... Kensei-san...

Ele entrou no quarto e fechou a porta. Tinha falado seu nome... Pela primeira vez, havia sido diretamente ele e não um sonho.

Jogando-se no sofá, Shuuhei cobriu o rosto com o cobertor, absorto. Os olhos tremeluziam tamanha a felicidade. Parecia um adolescente apaixonado, mas quem se importa? Era assim mesmo que se sentia. Um adolescente, cultivando um amor fulminante desde pequeno. A sua voz parecia muito mais presente do que nas suas lembranças. Um timbre rouco, e ao mesmo tempo forte, potente. Sua face corou de novo. Estava ficando mais quente. Tirou o cobertor de cima da testa para respirar, mas ainda fazia calor. Olhou pela porta de vidro da varanda, chovia. Passou a mão no rosto, um pouco de suor escorria por ele. Se nada a sua volta estava lhe causando isso, então...

Espantado, levou as mãos até suas calças. De novo? Mas ele só havia pensando em Kensei! Ah merda! Aquele homem exercia um poder imenso sobre ele. Sem contar no fato de estarem a metros de distancia. Abaixou o cobertor em cima de seu abdômen, levando a mão até o meio de suas pernas. Certificou-se de ver a porta fechada recordando a figura de Kensei entrando por ela. Nossa, até de costas ele era provocativo. Revirou aquela cena diversas vezes, além das outras, desde seu reencontro. Tinha mais vergonha ainda do que na primeira vez. Afinal, estava em sua casa. Cada cômodo parecia ter seu cheiro impregnado, como se fosse sua marca. E aquilo o excitava mais ainda.

Lançou a cabeça para trás encostando-se ao braço do sofá. Fechou os olhos. A voz dele, ah, aquela voz era o suficiente para enlouquecê-lo. A dor da ferida nem mais existia, só o prazer. Movia sua mão depressa por debaixo do pano da calça, ela estava um pouco molhada. Desejava acabar logo com aquilo ao mesmo tempo em que queria prolongar a sensação. Sua boca abriu, por instinto, soltando pequenos gemidos. “Kensei-san”... Sussurrou acelerando seus movimentos. O andar dele até sua direção; os dedos apertaram seu membro causando-lhe espasmos; “Kensei-san!” Sua mão subia e descia repetidamente, num de vai e vem delicioso enquanto fantasiava sobre Kensei.

Escutou um clik vindo da porta e ficou paralisado. Os olhos arregalaram. Por reflexo encarou o quarto. A madeira se abriu e ele apareceu coçando a nuca e bocejando. Estava sem camiseta... Tinha apenas uma calça, um pouco justa em seu corpo. Seu corpo... Lindo, os músculos bem torneados, rígidos, moviam-se perfeitamente com seus passos. E aquela tatuagem parecia andar sobre sua pele, ah! Ele era maravilhoso.

Um espasmo surgiu em seu interior ao vê-lo. Mordeu o lábio inferior até sangrá-lo um pouco para conter o grunhido de satisfação enquanto sujava a mão de baixo do cobertor.

- Esqueci de escovar os dentes... – disse ele indo ao banheiro.

Sem o escutar direito prendeu sua respiração. Voltou para debaixo da proteção do escuro do cobertor até ouvir o clik da porta de novo. Soltou o ar, mais relaxado, pensando: “Eu sou um idiota.”

Kensei já estava na cama quando pensou ter escutado um barulho; um gemido, para ser mais exato. Estranhou aquilo. Talvez fosse Shuuhei tendo uma crise na sua ferida, ou apenas um pesadelo. De qualquer forma, resolveu sair do quarto só para constatar. Abriu a porta e pensou ter visto o shinigami recostado no sofá se mexendo por debaixo das cobertas. Tudo bem poderia estar achando o sofá desconfortável, normal. Fingiu estar indo ao banheiro, onde parou por uns instantes na frente do espelho apoiando as mãos na pia.

Não ele não estava desconfortável, ao contrário disso: estava se sentindo muito bem. O rosto dele dizia tudo. Jogou um pouco de água na parte de trás de seu cabelo e voltou para seu quarto. Talvez fosse alguma mania, sei lá. Alguns caras não conseguem dormir sem fazer isso. O problema é que Kensei também não pode dormir depois de ter contemplado suas feições naquele momento tão íntimo. Jogou-se na cama de barriga para cima; confuso. Rodou no colchão, a imagem se repetia em sua mente. Ótimo, era tudo o que precisava nesse momento.

O sol batia em seu rosto, despertando-o. Já era de manhã? Não se lembrava de ter dormido. Levantou um pouco do sofá até deixar o tronco ereto. Coçou o olho e bocejou uma vez. Ah sim, estava no apartamento de Kensei. Lembrou-se rapidamente da noite passada, fazendo até suas orelhas ficarem vermelhas. Balançou a cabeça e viu a porta do banheiro aberta, precisava de um banho.

As olheiras em Kensei estavam fundas. Chegou a tirar alguns cochilos durante a noite e mais nada além disso.

Bocejou uma, duas, três vezes, e levantou-se da cama, frustrado. Aquilo era sério, como pode deixar-se levar por uma cena tão estúpida? Enfim, coçou um pouco a barriga indo até o banheiro. A porta estava encostada e pode ouvir o som da água caindo. Chegou a virar-se para esperar no sofá, mas algo o compeliu a tocar a maçaneta.

“Que merda estou fazendo?” Pensou, ao abrir a porta sem causar ruído algum. Dentro do Box a fumaça subia encobrindo parte do corpo de Shuuhei. Estava de costas ensaboando os cabelos negros. Por alguns instantes Kensei ficou parado analisando o caminho que as gotas de água faziam nas curvas de seu corpo, aliás, não se lembrava dele ser tão grande assim. Quando o carregou de certa forma, as roupas de shinigami o deixavam parecer mais frágil e delicado.

Jogando a cabeça para trás, de olhos fechados, os cabelos revelavam melhor o seu rosto, as tatuagens, as cicatrizes. Sua mente, intrometida, resolveu colocar diante da sua visão as suas feições na noite anterior.

Shuuhei deu um rápido pulo no banheiro quando ouviu o baque da porta se fechando. Talvez tivesse sido o vento, e tornou a deixar a água cair sobre ele.

Recostado na parede, Kensei pôs a mão sobre a testa escorregando-a até a altura do queixo. Merda, aquele shinigami parecia o estar provocando, jogando a cabeça daquele jeito, espumando o corpo daquela maneira... Ainda mais quando se lembrou da cara de prazer que o idiota fez na noite passada! “Saco!” Chutou a ponta do sofá, irritado, indo até a cozinha.

Com a toalha enrolada na cintura Shuuhei saiu do banho. Parou na frente da porta do quarto de Kensei e deu um rápido toque. Tinha esquecido as roupas, afinal, só tinha vindo com as vestes pretas comuns. Esperou ser atendido, mas nada.

- Precisa de alguma coisa? – ele gritou da cozinha com uma panela na mão.

- Ah bem, eu... Tomei um banho e bem... Precisava de roupas secas, se não for incomodar. – sem jeito, óbvio, Shuuhei coçava a nuca quase abrindo um buraco nela.

- Pode pegar, na gaveta têm algumas.

Agradeceu e entrou no quarto fechando a porta e se escondendo do seu raio de visão.

Ótimo, agora além da visão nua de suas costas Kensei poderia apreciar a do seu peito e do seu abdômen, para seu azar, muito bem definido. Xingou de novo quando deixou a panela cair no chão.

Ambos tomaram café em silêncio. Cabeças baixas de olho no prato estavam se evitando ao máximo, quando o celular de Kensei tocou.

- Fala. – disse ao por o aparelho preso entre o ombro e o ouvido – Okay estou indo. – desligou colocando-o do lado da mesa.

Seria atrevido demais se perguntasse quem era? Talvez. Esperou mais um pouco até Kensei se manifestar.

- Acharam alguns hollows perto daqui. O Shinji pediu para eu dar uma olhada.

- Shinji... Hirako Shinji? – indagou lembrando-se da lista dos nomes.

- Sim, ele e os outros vêm fazendo patrulhas pela cidade. Cada um fica responsável por uma área até a Soul Society dar um jeito de concertar essa merda toda.

- Bem, nós sempre revezamos as vigílias, mas como tivemos muitos danos, precisamos ser cautelosos.

- Os danos da cidade foram muito maiores.

Shuuhei ficou quieto terminando de tomar seu suco. Não tinha como argumentar com ele. Kensei chegou a limpar a boca num guardanapo antes de se levantar. Pegou o molho de chaves e andou até a porta.

- Você não vem? – perguntou com a mão já na maçaneta.

- Claro!

Chegaram ao local em pouco tempo. Alarme falso. Aqueles hollows não eram o que procuravam apenas alguns de menor escalão. Um deles mais desenvolvido acabou dando trabalho, e no fim, pereceu como os demais.

Após a batalha, Kensei insistiu em levar Shuuhei para uma pequena loja onde trabalhava nas horas vagas, afinal, precisava de dinheiro para se sustentar quando folgava de seu hoobie de caçar criaturas sobrenaturais. Ele ajudou-o a carregar algumas caixas e organizar o estoque, nada muito complicado.

- E seu ferimento? – perguntou no meio do intervalo. Estavam sentados na calçada do lado da loja apreciando o movimento das pessoas.

- Melhor. – respondeu Shuuhei. – A cada hora sinto uma quantidade maior de energia voltando. Mas ainda não tenho forças suficientes para fazer muito mais do que uma esfera simples de reiatsu.

- Ao menos a recuperação está acelerada. Esse guigai foi feito justamente para isso, afinal.

- Como assim? – indagou curioso.

- Eu pedi ao Kisuke-san que fizesse um guigai mais específico, focado na regeneração. – ele deu outro gole na garrafa de água.

Perplexo, Shuuhei escondeu um pouco o rosto avermelhado por entre as pernas. Como ele podia se preocupar tanto? Um guigai específico só para ele? Por quê? Mal o conhecia... Mal se lembrava dele. A gentileza daquele homem era imensa.

- Prometo retribuir todos esses favores...

- Sem drama, garoto, não estou cobrando nada de você.

- Mesmo assim! – ergueu um pouco a voz voltando ao tom normal em seguida – Você já fez tanto por mim Kensei-san... Provavelmente, eu já estaria morto sem suas intervenções.

- Calma lá, eu só te salvei uma vez! Não ensinam mais a contar na academia não? – riu.

Shuuhei forçou um sorriso, porém parecia tristonho. Teve vontade de chorar, mas conteve as lágrimas. “Apenas uma vez...” Pensou.

Sem obter resposta pela brincadeira, fitou os olhos de Shuuhei. Eram tão negros como seus cabelos, mas profundos, serenos, de certa forma. Aqueles olhos... Pareciam deprimidos? Ele não poderia... Balançou a cabeça, impressão sua, pensou.

Terminou de beber a água chamando-o de volta para o trabalho. Ganharia um extra por trazer o shinigami naquele dia. Abriu um sorriso quando o dono da loja lhe falou isso. Agora, Shuuhei riu.

Passaram-se mais três dias e nenhuma novidade surgiu. Perseguiram alguns hollows, mas sem pista alguma daquele projeto de arrancar.

As conversas entre os dois também não se estendiam mais além do plano da Soul Society. Como ela estava, quais as novidades, quantos cada já tinha matado, e outras coisas entediantes. Ás vezes Shuuhei adotava seu lado curioso para saber mais sobre a Terra. Nunca havia ficado tanto tempo fora e as invenções humanas o fascinavam. Kensei respondia a tudo tranquilamente, poderia jurar até que com um pouco de satisfação.

Os dias seguiam-se praticamente iguais: caçadas, trabalho na loja, e no fim da tarde, voltavam para casa.

Esse sentimento de retornar a um lugar deixava Shuuhei com saudade do Rukongai. Fazia tempo não via os amigos de lá. A maioria já estava morta, mas ainda sim, devia fazer uma visita.

- Está pensativo. – comentou Kensei da sala mudando os canais da TV.

- Desculpe, não é nada para se incomodar.

- Se não quer falar, tudo bem.

- Não, não é isso! – contornou a situação, desesperado. Saindo da varanda Shuuhei ficou de frente para a porta de vidro, aproveitando a brisa. – São só... Recordações, de uns lugares antigos.

Seu cabelo moveu-se rápido junto ao vento. Apreciava a vista do andar. Carros, muitos carros passavam na rua, mas logo á frente um pequeno parque dava vida aquele chão acinzentado da cidade.

- Ser criança era mais simples... – comentou por alto. Quando pequeno, podia fazer mais coisas despreocupadamente. Podia correr descalço, jogar bola, ver os amigos. Mas acima de tudo: quando criança, ele fora, nem que por alguns segundos, uma existência importante na vida de Kensei.

Arqueando um pouco suas sobrancelhas Kensei o encarou por alguns instantes. Vira em seus olhos como a tal recordação deveria ser importante, afinal, havia um brilho incomum neles. A bochecha com aquele número estava voltada para sua direção.

No canto de sua boca pode notar, só agora, um ponto mais avermelhado, como a marca de um dente, talvez. A boca dele tinha algo de, como era mesmo? Provocativo. As imagens de suas feições da noite passada invadiram sua visão. Como ele conseguia mudar de aparência dessa forma? Ora belo e sutil como nesse momento na varanda, ora sedutor, irresistível.

Esfregou a mão no rosto tentando escapar daquela idéia, mas droga, a curiosidade estava o matando. Sabia quando ser comedido e quando ser direto, e como na maioria das vezes agir e falar tudo de uma vez era a melhor forma de se resolver, tomou coragem, respirando fundo.

Levantou do sofá caminhando até a varanda. Shuuhei só o percebeu quando estavam bem próximos e antes de poder protestar qualquer coisa, sentiu seu corpo ser levado até a grade de ferro, onde as mãos de Kensei seguram com força, prendendo-o entre elas. Estavam um de frente ao outro, e sem escapatória a não ser que pulasse por cima de sua cabeça, ou contornasse seus braços. Preferiu deixar a boca um pouco aberta, absorto, enquanto corava, mais uma vez.

- Ke-kensei-san?...

- Preciso te fazer uma pergunta. – falou decidido mirando suas pupilas. Porque seu rosto estava tão vermelho? Parecia sem graça? Sim, estava totalmente sem jeito, mas não iria parar agora, não estando tão perto...

- Pe-pergunta? – as palavras simplesmente se formavam aos poucos, picotadas, era preciso gaguejar para fazer uma frase.

- Shuuhei... – sua face chegou mais perto aumentando as batidas do coração do shinigami. Pôs a mão em seu queixo segurando-o com o polegar e o indicador. Virou um pouco até a tatuagem aparecer melhor. – O que você estava fazendo naquela noite, no sofá?

Uma espécie de silêncio brotou ao seu redor. As íris se arregalaram. Como... Ele tinha escutado?! Mas claro! Ele era um capitão! Qualquer som mínimo á sua volta o alertava. Então quando ele saiu do quarto... Merda! Como era burro! E agora, estava preso nas garras daquele homem. Sempre o esteve, mas nesse instante temia ficar calado e ser arremessado daquele andar. No entanto, porque perguntou isso só agora? Porque ele queria saber?

Engoliu seco, ficando pálido e ao mesmo tempo corado.

- Eu... Foi só uma diversão rápida, só isso... – Ah! As lágrimas queriam cair de novo.

- Só isso?... – suas feições se retorceram – Só isso?! – repetiu, como se fosse um eco. Sua voz alterou-se um pouco.

Virando o rosto de Shuuhei para o seu aproximou-os cada vez mais. Pressionou seu abdômen contra o dele, e tratou de colocar uma de suas pernas no meio das suas, empurrando com um pouco mais de força, sentindo um leve volume no meio delas.

- Só isso, tem certeza? – perguntou, mais suavemente – Então me responda, porque, enquanto você estava fazendo aquilo, disse o meu nome?

O olhar dele era firme. Estava apertando mais seus corpos. O peito de Shuuhei pulsava junto com seu coração. A respiração logo ficou falha e suas mãos encostaram-se aos ombros de Kensei. Queria afastá-lo, mas o toque apenas provocou-lhe um rápido espasmo. Tentou reunir forças, mas elas se esvaíram quando ele abriu suas pernas com a sua. Céus! O que estava acontecendo? Porque fazia isso agora? Quais eram suas intenções... Porque ele tinha de ter ouvido quando falou seu nome, por quê?!

- Ke-kensei-san... Eu... – sua voz tremula, quase soltava leves gemidos. As bochechas vermelhas ardiam de vergonha, tentando virar-se para desaparecer da sua frente.

A outra mão deslizou para a cintura de Shuuhei. Alisou aquela parte lateral até se dirigir ao meio de suas costas, num carinho violento. Aquilo foi um gemido? Sim, Shuuhei estremecera quando o tocou ali. Sem perceber deixou um sorriso escapar de sua boca.

- Shuuhei – dizia, pois isso parecia o provocar ainda mais. Levou a boca até o nódulo de sua orelha – Olhe para mim e diga de verdade que é só isso.

Ele obedeceu, não querendo. Era impossível desacatar as ordens daquele homem. Seu aspecto tão intenso e decidido...

“Não, não era só isso, Kensei-san. Está vendo esse número em meu rosto? Ele representa todo o meu orgulho e admiração por você. Esta tatuagem marcou uma nova fase em minha vida desde quando eu era uma criança perdida em lágrimas, salva por um ex-capitão há mais de cem anos. Sim, eu tenho isso tudo guardado em meu peito desde aquele dia. Eu sinto uma necessidade tão grande de te ter por perto, que sua memória, por mais leviana que fosse, sobreviveu em meus pensamentos desde nosso primeiro encontro de olhares. Kensei, eu o desejo com uma intensidade tão grande, que nem estas palavras são capazes de alcançar um terço dos meus sentimentos e não há força no mundo capaz de mudar isso. Se hoje sou forte, se hoje, sou este homem que está vendo, devo tudo isso a você; minha inspiração, minha lembrança, meu sofrimento, minha única e eterna paixão, você e somente você, Kensei...”

Seria bom ter dito isso, era a verdade, afinal. Mas foi compelido a mentir, mais uma vez. Não podia entregar isso a ele, não podia bombardeá-lo com tantas informações de uma só vez. Declarar-se de forma tão pura á outro homem, deveria ser no mínimo constrangedor. Era melhor serem apenas estranhos, dois caras que se encontraram, por acaso, no meio de uma luta e mantiveram contato por um tempo. Duas pessoas, desconhecidas uma á outra. Afinal, remoer estas palavras dentro de si já era um hábito antigo, poderia continuar a fazê-lo.

- Eu... – tremia lutando para montar a frase – Eu... – nada vinha á sua cabeça, estava perdido.

Kensei escorregou os lábios entreabertos por seu maxilar até alcançar os de Shuuhei, complicando mais ainda sua fala demorada.

“Ele vai me beijar?!” Pensou perplexo. Como... Por quê?! O que aquele homem queria dele! Como o confundia tanto em tão pouco tempo! Um beijo... O primeiro beijo que receberia dele... Sua noção tinha se perdido, as idéias se confundiam, as reações tornavam-se involuntárias e sem notar, começou a fechar um pouco os olhos.

Kensei seguiu as pálpebras do shinigami passando a fechar as suas também. O toque das bocas estava a menos de um centímetro de distância, a respiração quente e ofegante tocava a pele de ambos, Shuuhei tremia enquanto Kensei apertava-o e envolvia-o cada vez mais com seu próprio corpo, tomando conta dele com sua vontade; quando a campinha tocou freneticamente.

- Kensei, seu puto, abre a porra da porta!!! – era a voz doce de Lisa.

Num susto, Kensei soltou Shuuhei, bufando em seguida. Achou melhor não encará-lo agora, e apenas correu até a entrada para atender aquela desesperada.

Quando se afastaram, Shuuhei pode finalmente respirar de novo. Pousou uma mão sobre o peito, tentando se acalmar. O rosto tinha de ter uma cor normal agora. O que diabos tinha sido tudo aquilo?!

- Porra, Lisa, o que foi? Que amor é esse?! – gritou, quando abriu a porta.

- Cacete Kensei, comprou a merda do celular pra que? De enfeite?! A gente te ligou umas mil vezes, até mandou mensagem!

- O que aconteceu, fala de uma vez!

- A Mashiro e o Hachi acharam o tal hollow, ou arrancar, ou sei lá, que você tava perseguindo!

Kensei arregalou os olhos surpreso, mas ao mesmo tempo feliz. As idéias tomavam um lugar mais preciso agora.

- Shuuhei! — berrou da porta – Depressa, temos de ir!

Alarmado andou até a sala deparando-se com Lisa. Fez uma rápida reverencia a ela já se sentindo melhor.

- Quem é ele? – perguntou a garota encarando Kensei com uma das sobrancelhas erguidas.

- Explico no caminho, agora vamos.

- Qual o problema? – perguntou o shinigami.

- É o tal hollow acharam ele.

Sem mais delongas, Shuuhei saiu de seu guigai, deixando-o recostado no sofá. Animado e tentando abstrair os últimos acontecimentos parou do lado de Kensei e Lisa.

- Vamos. – falou decidido.

Os três partiram pelos telhados da cidade como espectros, ao encontro de mais uma batalha. Shuuhei e Kensei evitaram se olhar por todo o percurso; Eles precisavam focar-se agora na luta, afinal, o dever falava mais alto... Ou deveria.

Continua

Notas finais
Ah! Eu simplesmente tinha que fazer essa declaração do Shuuhei, mesmo que ele não tenha falado pro Kensei... Tadinho do garoto, ele é tímido! =X Kissus gt, até o próximo capítulo! Reviews? Sim Sim! Eu adoro, deixe o seu =D