Notas iniciais
Espero que façam uma boa leitura. — Alerta de gatilho [TW] para suicídio.

O relógio estava parado, o tempo parecia igualmente quieto; quantas horas haviam se passado? Gumi não sabia, mas uma parte sua desejava saber. Estava há tanto tempo em seu quarto que já não sabia como era o mundo fora dele. Ela não sentia a mínima vontade de fazer alguma coisa, nem sair e muito menos de falar com as pessoas. Queria ficar sozinha.

Gumi gostaria de saber como eram as cores e como era a liberdade, queria ser dessa forma; mas havia um inimigo invisível – que não sabia como lidar – lhe prendendo ali. Ela só queria saber o que diabos estava acontecendo, sentia a necessidade de saber o porquê da expressão preocupada no rosto de seus pais e seu irmão mais velho, Gakupo. Estava tudo bem, não existiam motivos para que houvesse visitas semanais de seus amigos que tinham a mesma expressão que sua família. Eles estavam com pena dela? Estava deplorável para chegar a esse ponto?

Evitava espelhos, pois eles refletiam aquele que somente ela podia ver. Assim, acabava apenas dormindo para não o ver e nem ouvir os seus sibilos tóxicos que lhe machucavam mais profundamente que uma navalha; mas, fazendo isso qual foi a última vez que comeu direito? Sentia os cheiros deliciosos vindos do outro lado da porta, sentia sua boca salivar, mas a fome não vir.

Gumi dormia na esperança de não acordar, mas sempre despertava mais exausta do que quando fechava os olhos. As brigas em sua casa também não ajudavam o seu estado. Seus pais discutiam acusando um ao outro por estar assim, seu irmão algumas vezes discutia com eles também, no fim aquela briga chegava até ela de modo acusatório. Odiava isso, queria que parasse.

Seus amigos pareciam distantes, seus pais não lhe entendiam e seu irmão não lhe escutava. Gumi já estava cansada demais por aquilo ter se tornado uma rotina num ciclo vicioso. Quando se sentia sufocada, ela saía algumas vezes e ia ao terraço tentar respirar um pouco e olhar as cores do mundo; aquelas eram as poucas vezes que sentia vontade de sair de seu quarto.

No dia que resolveu dar uma volta mais longa e andar pela cidade, o mundo parecia em preto e branco; por outro lado as pessoas sorriam, riam e conversavam fazendo muito barulho. Era agitação demais, queria silêncio. Ela já estava com sua cabeça cheia quando deu meia-volta para sua casa.

Gumi parou em frente a porta e logo desviou o caminho para as escadas em direção ao seu único refúgio; o terraço. Ela andou até as barras de segurança, se apoiando nelas e inclinou-se para olhar as pessoas passando na rua naquela hora. Aquele barulho não passava de um mero ruído agora. Pegando um pouco de impulso se sentou na barra, balançando as pernas enquanto sentia a brisa suave contra o seu rosto.

Mil pensamentos percorriam sua cabeça, todos eles doíam. Aqueles sibilos e aperto no peito a faziam soluçar, ela se permitiu chorar em lágrimas grossas; quando seus soluços já puderam ser contidos, se inclinou para frente dando um pequeno impulso e soltando a barra. Sua decisão seria egoísmo? Ela apenas não queria mais sentir aquilo, não queria mais chorar e nem ver as pessoas que ama entristecidas por sua causa.

Pensou que a dor qual sentiriam quando fosse seria menor do que se estivesse viva. Mas, nem ela aguentava mais o eco daquele riso no seu reflexo no espelho. O seu próprio eco.

Notas finais
Sei que tratei nessa fanfic a depressão repleto de metáforas, mas Depressão e Suicídio é algo sério e merece atenção. Essa fanfic não teve qualquer intenção de romantizar o ato. Caso, você esteja se sentindo sufocado dessa forma, mesmo não possuindo depressão, por favor, não se ignore e procure por ajuda; Caso precise conversar ligue 140 para o CVV (Centro de Valorização da Vida) ou acesse o site deles (http://www.cvv.org.br/). Pode me chamar na DM também, mas se cuide ><.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!